19.8.11

O Papa-deus

O Papa 'acusou' os ateus de se 'julgarem' deus. Não sabemos se a noticia e fiel as palavras de Bento XVI. Mas a serem, e ridículo da parte de um Papa, de uma Igreja que se julga com direitos teocraticos sobre os homens. Sobre todos nos, crentes ou ateus.

Esta mesma atitude e passível da critica mesma que o Papa pretende fazer, qual propaganda política a favor de uma religião tantas vezes abusadora de um poder que nunca devia ter possuído.

Por mim, o Papa que se fique na 'sua'. E que nos deixe sossegados na nossa serena e democrática convicção de que se inventou Deus e a Religião, qualquer delas, para esta confrangedora, mas perigosa, manipulação das nossas cabeças e dos nossos mais profundos medos, receios,p incertezas e angustias.

Nada de novo, afinal...

8.8.11

Um Verdade muito conveniente


Uma verdade extremamente importante:

"Há aqui uma potência muito poderosa, que lidera, e que lidera mal. Lidera mal uma Europa... Lidera lá uns interesses, uma visão de interesses pessoais, que, se calhar, também estão um bocadinho errados. Se não, vamos lá a ver: a maior parte das exportações alemãs são para a Europa, para a União Europeia. E, portanto, se eles contam resolver o problema deles deixando os outros numa situação muito debilitada, isso significa que não estão a resolver nada. E deixa-se a Europa à mercê do abutre de maior dimensão."  Diz João Duque, Presidente do ISEG.

Trabalhei em duas multinacionais alemãs. Não eram eles melhores do que nós por cá. Mas julgavam-se. E usavam da uma força e poder que lhes dava a natureza e a nacionalidade da sua empresa, também nossa, mas que eles não admitiam que o fosse, para impor Erros, atrás de Erros e opções ridículas, nem todas, óbvio (uma delas foi a minha grande escola profissional, aliás. Mas onde os erros de posicionamento de produtos, estratégias de marketing e vendas também foram evidentes. Rácios e rácios comparativos fecharam essa empresa em Portugal, entregando a gestão Ibérica a uma Espanha de profundos incompetentes e ignorantes do nosso mercado...) mas foram as 'filosofias' que agora se repetem, de 'nortes e suis' dissonanets e distantes, de Bons e competentes, contra maus e desorganizados, que levaram, como agora estão a levar a Europa, com esta visão de uns 'superiores', que de facto não são, mas apenas têm um país no centro de uma Europa, no centro dos mercados e um mercado interno com dimensão acima de qualquer mínimo viável, à aflência do Equilíbrio e...da VIABILIDADE deste Sistema. Não era possível, como eu tantas vezes o disse antes ainda de 2000, internamente nessa empresa, manter estas distâncias de poder de compra, e fazer-nos comprar os produtos (caros, bons mas caros), como eles pretendem, o país mais exportador do Mundo...nem será possível, mas temo que eles ainda não o tenham percebido. E este meu receio, ou temor, que comungo com vez mais Economistas e Políticos, poderá ser o vaticínio mais negro do Euro, e, espero que não, da Europa. A 'arrogância' germânica está a esconder uma profunda ignorância do que deve ser um Mercado comum equilibrado, onde a generalidade de todos nós têm poder de compra próximo e não este fosso que a nada leva.

7.8.11

Aproveitar a Crise


Todos os dias ouvimos notícias, umas novas, outras renovadas, da Crise Financeira, e Económica, nos principais 'blocos' produtivos e comerciais do Mundo. Notícias da Europa, do Japão, dos Estados Unidos da América.

Uma das mais recentes e relevantes, foi a do corte no Rating dos EUA, pela Standard &Poor's. Segundo o banco Morgan Stanley esse corte, de triplo A, para AA+, irá custar aos EUA cerca de 100 mil milhões de dólares anuais. Isto se não surgirem mais cortes, da mesma agência ou de outras. E essa circunstância irá custar muitos euros também, na Europa, Ienes no Japão e um pouco por todo o lado, este efeito 'de borboleta' trará outra onda negativa a muitas economias e países. Pela interdependência dos países, peas dificuldades de investidores, os mesmos para os grandes blocos económicos, pelo esquema de dependência mútua entre países, no que a crédito internacional, equilíbrio de moedas e factores de competitividade comercial diz respeito.

Hoje, não há um efeito destes que se faça sentir dentro das fronteiras de um só país. E não apenas pela Globalização. Já o era assim antes dela. É-o mais, com a Economia Globalizada.




Mas um efeito, ou uma consequência positiva pode surgir de tudo isto. Por mais que nos custe aceitar, e justamente não o devemos fazer de ânimo leve, que umas tantas agências, empresas, privadas, possam por em causa economias de países, e trazer (nos)-lhes mais custos financeiros, com consequências ainda por prever, as suas 'arrogantes' desvalorozações da capacidade dos países de pagarem as suas dívidas, tem levado a que muita gente, de grande, médio ou medíocre valor, se tenham posto a opininar, por todo o lado, o mesmo é dizer, a discutir.

Discutir o caminho novo que deve ser encontrado.

Entre 2008 e 2010, muitos países se meteram a utilizar erradamente o que diziam serem medidas de política keynesiana, de 'estímulo' às economias. Distribuiram-se verbas colossais (termo bem a propósito, porque continuo a defender que os que antes nos governaram, irresponsavelmente, têm de, de forma responsável, ser culpabilizados, pelos Desvios Colossais, ainda sem que se saiba onde param os caudais de euros entregues a empresas e sectores 'amigos'...) que de nada (NADA!) serviram, mas serviram para nos levar a dívida a mais de 1,6 vezes o que produzimos num ano inteiro. E noutros países a situação é bem mais grave: Espanha tem uma dívida total de mais de 3 vezes o seu PIB, EUA umas 4 vezes, tal como o Reino Unido, o Japão...e a própria Alemanha. Uns, podem ainda continuar a cumprir o 'serviço da dívida' e paga-la, mesmo a custos quase insuportáveis. Mas também isso tem vindo a mudar, como se sabe pelos recentes acontecimentos nos EUA.

Se pusermos as coisas em termos simplistas, diremos que todos têm vivido acima das suas possibilidades (e não apenas os portugueses e os privados, como gostam de dizer alguns socialistas e comunistas cá pelo burgo, onde, por exemplo, a dívida do Estado é superior à dívida privada. Mas em Espanha é ao contrário, tal como nos Estados Unidos). E ainda, de forma mais simples, básica mas não menos verdadeira: todos os euros que ganhamos pertencem a alguém fora do nosso país. Cadeia de dependência que se multiplica por toda a Europa, pelos EUA e pelo Japão. Mas ainda mais, pelo Brasil, pela própria China, que muitos julgam imune a estes problemas, e que, como já talvez se possa infelizmente verificar já em 2012, poderá estar na origem da nova vaga de Crise, quando o seu crescimento económico abrandar drasticamente, ou mesmo se tornar quase nulo.

Este pode ser mesmo, ou é, segundo muitos bem melhor posicionadas, com informação e formação, o dizem já, de se reflectir a sério e de se econtrar uma forma de se efectuarem alterações estruturais decisivas e sérias, no âmbito desta interdependência dos países e blcos económicos.

Certo, parece ser que uma Alemanha (como exemplo não único mas significativo), aparentemente folgada e descansada, não poderá eternamente continuar a produzir barato e vender caro, usando de mão de obra 'escrava' no oriente e de mercados sem poder de compra, que se empenham e endividam, como Portugal, Espanha, Itália, Grécia e ...Reino Unido e EUA (que em aparência têm mais poder de compra, mas que, mais até do que nós vivem bem acima das suas capacidades. Desde os seus vencimentos exagerados e desequilibrados em face do seu próprio país- Reino Unido e Estados Unidos, como Portugal e Espanha, são dos países onde o fosso entre ricos e pobres é mais profundo e desumano, por oposição aos países da Escandinávia, por exemplo).

Estes 'modelos' de 'desenvolvimento' já se estão a tornar e a comprovar como modelos de empobrecimento da grande parte das populações, bem no âmago dos países mais ricos do mundo. E estes desequilíbrios e injustiças estão na base dos populismos políticos e dos extremismos e fanatismos crescentes e reincidentes.



Em conjunto, esta conjuntura pode por em causa o próprio modelo europeu e ocidental de vida e de desenvolvimento.

Pode ser, por isso, este o momento de viragem...

1.8.11

Transportes e demagogia

Os transportes públicos em Portugal acumularam, salvo correcções, um valor estimado em mais de 17 mil milhões de Euros.

Sucessivas políticas demagógicas, baseadas na mesma estupidez socialista que tem regido muitas coisas em Portugal, nomeadamente tudo, sem excepção, do que é público e do sector 'empresarial' do Estado, adicionado de sectores não competitivos que à custa do Estado têm vivido, como quase tudo no sector primário, conduziram a esta situação.

Na prática, tudo o que ainda hoje é deficitário tem de ser sempre pago, e endividar-se continuamente, por todos nós. Pagamos a dívida e o endividamento sucessivo desses sectores, onde os Transportes não sendo o único, são dos mais pesados, e dos que mais mediocremente têm sido geridos. Não há praticamente uma só empresa de transportes públicos em Portugal que seja rentável.

Há anos, quando o FMI interveio em Portugal isto já tinha sido notado e alertado. Mas nada se fez. Era muito anti-popular. E continua obviamente a ser. E nunca ninguém conseguiu explicar bem aos clientes dos transportes (que os grupos de dita esquerda PCP, BE e até PS, gostam de chamar 'utentes', para supostamente diferenciar de clientes, que dizem ou pensam ser os que pagam um serviço pelo custo que ele tem, em contraponto com pagar um serviço ou produto, por um valor muito abaixo do que ele tem), que ao não pagarmos os títulos de transporte pelo seu real valor, estamos a fazer pagar esse serviço a todos os que o utilizam e aos que o não fazem. Um reformado de Castelo Branco, ou dos Açores paga o bilhete de transporte da Carris entre o Terreiro do Paço e Belém, sem nunca o ter usado, para se perceber bem este sistema, muito socialista e muito anacrónico.

Nos países onde a social democracia está viva e se pratica, quase em exclusivo os países nórdicos, ou escandinavos, os Estados têm liquidez e superavit suficiente para que se cubram estes custos. E, assim, parece-nos a todos justo que por cá também se faça o mesmo. Mas quando um Estado não tem essa liquidez, a riqueza suficiente para tornar o ensino 100% gratuito, ou os transportes (ainda assim bem mais caros do que por cá, e isso, num sistema bem interligado, também justifica os elevados salários que conseguiram granjear tais sociedades, ao longo de mais de meio século de evolução de políticas consistentes e responsáveis, com a social-democracia como orientação geral) não pode, sob o risco de se tornar injusto, primeiro, insolvente, um dia mais tarde, continuar nesta interminável catadupa de subsidiação dos transportes, da agricultura, da pesca, da indústria, etc. E mais injusto ou criticável se torna, quando os gestores ou proprietários de ditas empresas se sentem no direito de viverem bem acima de padrões para os quais não possuem rendimento, mas apenas o fazem com o recurso aos mesmos subsídios.

Um dia chega-nos a famosa 'troika', de quem necessitamos para continuar a financiar todo este desvario e excessos, e diz-nos que o momento de se iniciar a inversão deste caminho já cá está. E que temos de começar a imputar aos títulos de transporte o seu real custo, mesmo que não de uma vez só. E, claro, quem usa os transportes vai sentir e já sente os reflexos de décadas de péssima e super demagógica política de mentira e de mediocridade.

É isto que se está a passar nos transportes públicos e nada mais. E o mesmo nas famosas SCUTS, nas PPP, e em muitos outros serviços, que ainda assim, não serão, nem por sombras pagos pelo real custo, mas que temos de entender que a dependência excessiva da subsidiação e do endividamento do Estado tem de ser estancada?

Injusto? Por mim, nem um pouco. Mas muito doloroso. E com coisas destas, bem queria Sócrates por-se a milhas...pudera...!