23.5.11

"Afinal havia outros".

Este é um posto copiado do Espumadamente. Diz muito, diz o necessário, bem escrito, como sempre, e resume em poucas linhas o essencial desta paródia de mau gosto em que nos metemos (alguns nos meteram) há seis anos. Uma paródia pela qual somos a paródia dos outros países. 

Vale bem a pena ler este e outros posts no blogue de Nelson Reprezas. 

Afinal havia outros...


«Pakistanistas» do Intendente em Évora


[4273]

E estava eu posto em sossego a irritar-me com o uso (o tal trabalho precário que o PS agita para acusar o PSD?) de miúdos moçambicanos que foram a Évora gritar viva o PS, quando dou uma volta de final de domingo pelas notícias e verifico que, afinal, a coisa metia paquistaneses, indianos e outros voluntariosos apoiantes de Sócrates que, a troco de um passeio e de uma sanduiche (!!!!!), atracaram à Praça do Giraldo. Ver a notícia aqui.

Sócrates tem que ser espremido. Já. Como um furúnculo. E com o cuidado necessário a não deixar o «carnicão» lá dentro para a coisa não infectar outra vez. Este homem é pouco sério, é trambiqueiro e não olha a meios para se manter no poleiro (não digo «pote» para não soltar a ira «abrantina»). E, repito, Sócrates não faz apenas mal. Às pessoas e ao país. Ele embaraça-nos. Cá dentro e lá fora. Basta ler meia dúzia de jornais insuspeitos. Ele é motivo de chacota generalizada e, por ele, já ninguém nos respeita. Este homem tem de ser corrido a votos. Já que corrê-lo de outra forma não está de acordo com os trâmites em uso nas democracias.

(in Espumadamente, 22.05.2011)

21.5.11

Agradecimento...

Agradeço solenemente a José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, que tem vergonha dos nomes de família, ou usava-os, o ter acabado, aniquilado com tudo o que era sector produtivo em Portugal, no sector primário, para usar as verbas destinadas à agricultura, à sua modernização em termos tecnológicos, à sua modernização em termos organizativos e em acções de marketing, em projectos infantis, ruinosos e fantasiosos, com mero intuito propagandístico e para criar a falsa ideia de que 'ele faz' (faz merda, pois. e Só merda!). Projectos como o Magalhães, que as crianças jã não usam por ser a coisa mais ridícula e estúpida que se podia ter feito como computador, um regresso quase ao tempo dos Sinclair e ZX81. 

Durante mais de 5 anos, os milhões que deveriam ter sido distribuídos na agricultura, para modernizar estruturas produtivas, cujos projectos deram entrada em tempo útil no Ministério, foram desviados para Magalhães e para outras fantasias, vendidas logo logo a espanhóis amigos, como os parques eólicos, que ainda estamos todos a pagar, em mais de 40% na nossa factura da EDP (mas os parques funcionam e são espanhóis os proprietários). Todos os grandes projectos de Sócrates foram assim, estranhos, cheios de truques, mafiosos, altamente proveitosos a alguém, a um ou mais amigos...

Por isso agradeço.

Agradeço que o sector do leite, onde a ASAE incompetentemente, com profundo desconhecimento impõe regras ridículas de procedimentos, impossíveis, como usar planos de limpeza e desinfecção despropositados, pois os produtores são visitados e compram produtos de diversas origens, para que possam, assim, maximizar os poucos recursos que têm, e não um só plano, como impõe a ASAE, um conjunto de ignorantes cheios de arrogância e violência, esse sector, um dos mais preparados e organizados no sector primário em Portugal, tenha ficado preso a equipamentos velhos e obsoletos, alguns a funcionar segurados por remendos, arames e outros artefactos, quando podiam ter-se modernizado, tecnologicamente, com tecnologias bem mais avançadas do que as das propagandas de Sócrates e terem mantido assim, um outro sector a montante, vivo e saudável, o dos fornecedores dos equipamentos, responsáveis pela sua complexa manutenção, que foi, como tal morrendo.

Fui vítima dessa morte lenta do sector de equipamentos para ordenha mecânica e fiquei sem emprego, graças a Sócrates. Agradeço-lhe, falso engenheiro sem direito a título.

Agradeço-lhe agora esta crise financeira, criada por si, não por mais ninguém. Com o contirbuto, é certo, da crise internacional e de um conjunto de investidores que nos atacam e esquecem a Espanha e a Alemanha, mais merecedoras desse ataque, mas foi a nós que escolheram, aos mais fracos, pois. Como o Senhor costuma fazer, atacar os mais fracos.

Agradeço-lhe o desemprego elevado, de longa duração, de idade elevada, de gente como eu, com mais formação do que o dobro do que o senhor teria, se tivesse estudado. Desemprego que não leva, nem nunca levou a nada, excepto à vergonha de se ser tratado como irresponsável e criminoso, com direitos sociais diminuídos, com obrigatoriedade de apresentação quinzenal. Também lhe agradeço isso. Como lhe agradeço a pior reforma da segurança social que o seu superior amigo Vieira da Silva engendrou, e que os serve a vós, mas não a quem depois vier. Ficaremos no melhor cenário com 50% de reforma, calculada muito por baixo, pois levamos com muitos anos de desemprego no 'curriculo'. Uma reforma de miséria a alimentar o ódio visceral por si e pelos seus amigos imbecis, mas espertinhos- pois irão safar-se bem- sentados numa cadeira de roda aos sessenta e poucos anos, sem sistema de saúde que nos valha, sem família que nos queira, num qualquer lar em vésperas de encerrar numa operação da ASAE-Gestapo. Mas teremos o calor e a companhia do nosso ódio de morte por si!

Agradeço-lhe falso engenheiro, o que fez pelo futuro sem futuro dos meus, dos nossos filhos. Condenados a trabalhar para alemães, espanhóis e ingleses que se vingarão agora da grandeza de Portugal há 500 anos, com ordenados especiais para portugueses, tão baixos como na China. E com o sistema de saúde ruinoso, sem os poder apoiar.

Agradeço-lhe primeiro-ministro mentiroso (que fez planos ao pormenor, como publicado na comunicação social, para vender as Águas de Portugal, mas se prepara para com mentira e campanhas nojentas e vis, destruir o seu adversário sério e honesto, e bem apetrechado intelectualmente, que tem feito o pecado, imperdoável por eleitores, de ser honesto e ele mesmo, sem campanhas odiosas e nojentas como as suas), ter destruído o nosso sistema financeiro, outrora dos mais sólidos do mundo, para servir a merda dos seus projectos infantis e esbanjadores, que irão enriquecer os bolsos dos seus amigos, tirando dos nossos, o que já nem temos, e, com isso, ter dissipado a possibilidade de um desempregado dez vezes com mais formação do que o senhor, poder criar um projecto empresarial novo, para conseguir ter futuro. 

O seu ódio, falso engenheiro, a todos os que na vida foram conseguindo por si mesmos os seus sucessos, e estudaram e se formaram, muito para além do que o senhor imaginaria provável, será o nosso ódio, dirigido com toda a força contra si. Mas pode libertar-nos do mesmo, se desaparecer.

O senhor é o único responsável pela quase bancarrota, como é o único responsável pela divisão que levou à sociedade portuguesa. Se sair, quando sair, e se esvanecer, a divisão ir-se-á com o ódio. E seremos de novo um povo normal, com Partidos distintos com ideias distintas, mas adversários e não inimigos.

O senhor trouxe a miséria, a depressão, o ódio a Portugal. Agradecemos-lhe por isso. Porque estes sentimentos irão correr consigo de vez, para nunca mais ouvirmos o seu nome (não assumido, como se sabe).

Obrigado falso-engenheiro de pacotilha!

9.5.11

A chacota e o Palhaço

1. A chacota internacional sobre as atitudes do Palhaço que ainda temos como Primeiro-ministro.

"José Sócrates, prime minister, has chosen to delay applying for a financial rescue package until the last minute. His announcement last week was a tragi-comic highlight of the crisis. With the country on the brink of financial extinction, he gloated on national television that he had secured a better deal than Ireland and Greece. In addition, he claimed the agreement would not cause much pain. When the details emerged a few days later, we could see that none of this was true. The package contains savage spending cuts, freezes in public sector wages and pensions, tax rises and a forecast of two years’ deep recession.

You cannot run a monetary union with the likes of Mr Sócrates, or with finance ministers who spread rumours about a break-up. Europe’s political elites are afraid to tell a truth that economic historians have known forever: that a monetary union without a political union is simply not viable. This is not a debt crisis. This is a political crisis. The eurozone will soon face the choice between an unimaginable step forward to political union or an equally unimaginable step back…"



(transcrito de Espumadamente, Nelson Reprezas via JCD, Basfémias)


2. Portugal continua, com estes palhaços, a pretender ser chacota (mas acontece que Portugal NÃO É propriedade deste PS e muito, mas muito menos do Mentiroso Sócrates):


Ministério público abre inquérito à actuação das agências de Rating.


Ferro Rodrigues embarca nas palhaçadas: PSD confirma querer destruir Estado Social (não foi o PS que tudo fez para o destruir, com a insustentabilidade que trouxe ao sistema, nada disso...)

8.5.11

ANTÓNIO BARRETO. "José Sócrates deve ser severamente punido nas próximas eleições"


António Barreto ao Jornal  
(por Luís Claro, Publicado em 07 de Maio de 2011)

A serenidade com que fala contrasta com o que diz. "José Sócrates deve ser severamente punido por via eleitoral", atira António Barreto, abrindo uma excepção num comentário sobre um líder partidário. De Passos Coelho não fala, mas afirma que é importante sair das próximas eleições uma maioria absoluta de um ou dois partidos. 

À hora em que a troika anunciava as medidas de austeridade, António Barreto fez, nesta entrevista ao i, uma análise do país e deixou um sério alerta: "Esta democracia não está a ser assaltada. Está a implodir."



Causa-lhe algum arrepio vir de fora o programa que vamos aplicar nos próximos anos?

Eu sou defensor de um programa de assistência externa há dois ou três anos. Devíamos ter feito isso na altura devida, com uma margem de manobra superior, tal como devíamos ter tido um governo de maioria parlamentar ou de coligação há ano e meio. Seria um desastre nacional não haver este acordo de assistência.

Mas não terá valido a pena adiar?

Num segundo plano de análise, é muito inquietante que o governo tenha conduzido o país em direcção ao abismo. Isso é arrepiante. Há muitos anos que se sabia os perigos que implicava o caminho que estávamos a percorrer. Muitas pessoas alertaram as autoridades, mas os responsáveis foram absolutamente cegos e surdos.

O presidente da República fez alguns alertas, mas não teve uma actuação demasiado discreta?

Não foi actuante, mas alertou. E também dentro da política houve alertas e estou a pensar na dr.a Manuela Ferreira Leite. E outras pessoas que já estiveram na política, como Silva Lopes ou Medina Carreira. Não foram só pessoas de fora da política. Foi muita gente que está e esteve na vida pública, mas o governo foi absolutamente cego, surdo e inconsciente. Evidentemente que é inquietante ver que vamos ter eleições e que a escolha está muito condicionada. Nós podemos escolher o partido que nos governa, mas o programa de assistência externa, as condicionantes financeiras internacionais externas, as directivas da União Europeia, do FMI e do Banco Central Europeu estabelecem limites muito apertados para essas escolhas. E portanto vamos para eleições um pouco reféns.

Encontra nestes protagonistas políticos, disponíveis para governar com o programa da troika (José Sócrates, Passos Coelho e Paulo Portas), capacidade para ultrapassar esta crise?

Não me quero referir muito explicitamente a todos esses políticos - um por um -, não acho que contribua para resolver os problemas, mas num só caso estou convencido que o primeiro-ministro, José Sócrates, não está à altura, não é capaz de contribuir para as soluções futuras.

O que o faz ter essa convicção?

A maneira como ele foi responsável pelo declínio do país e a maneira como se tem comportado perante o pedido de assistência. Quando anunciou os resultados das negociações fez uma coisa extraordinária que foi dizer o que não está no acordo e não anunciou o que estava. Parece mesmo que há sinais de que a opinião política europeia ficou muito desagradada. E a seguir vários políticos vieram dizer: o governo ganhou ou o governo perdeu. Numa altura em que se está a preparar um acordo tão sério, que nos vai criar tantas dificuldades, os partidos estão preocupados em saber quem é que ganhou? Foi um momento obsceno da vida política.

Isso revela alguma imaturidade das lideranças políticas?

É um comportamento tribal e autista de vários partidos. 

Este clima de conflito permanente afasta as pessoas da política, é evidente. Os políticos não percebem isso?

Isso é um fenómeno recorrente na história e nos grupos políticos ou nas elites políticas que reagem como se fossem uma fortaleza e reagem em autodefesa. O parlamento tem vindo sempre em declínio. O debate é substituído pela política espectáculo e pelo quero, posso e mando do primeiro-ministro. E quando se diz que o parlamento está a perder qualidade eles reagem imediatamente e chamam-nos fascistas e antidemocratas. E se olharmos para trás encontramos nas crises da democracia - no período entre as duas guerras ou nalgumas crises políticas do final do século xix - um fenómeno de decadência. Há um certo tipo de elites que se fecham e se defendem. Defendem o seu papel, defendem a sua intransigência e o resultado é sempre muito negativo.

Foi um dos promotores do "compromisso nacional" em defesa de um consenso entre partidos. Acha que está a ter algum efeito esse apelo?

Não há uma medida objectiva, mas estou convencido que aquele grupo deu um contributo - sem resultados práticos imediatos - para a criação de um clima novo e diferente. O aparecimento de várias personalidades, que são reputadas naquilo que fazem, alertou a opinião pública. Foi quase um aviso: portem-se bem ou portem--se melhor, e creio que esse documento teve um bom resultado. 

Tendo em conta as críticas que tem feito a José Sócrates, vê alguma possibilidade de vir a existir uma coligação que inclua o PS?

Não quero fazer prognósticos, mas sei que os socialistas são indispensáveis para uma solução. Não é necessariamente a formação de um governo. Pode ser a associação ao governo, um acordo de incidência parlamentar, há várias maneiras, e nesse sentido estou convencido que os socialistas são necessários. Também estou convencido que o primeiro-ministro, José Sócrates, precisa de ser muito, muito severamente castigado e a melhor maneira de o castigar é através da via eleitoral. Ele necessita de ser muito severamente castigado porque ele é pessoalmente responsável pelo mau estado a que Portugal chegou, as finanças públicas e o Estado.

Pessoalmente?

Sim, é pessoalmente responsável pelo mau estado a que chegou o próprio Partido Socialista. Comparado com o que era o PS há dez ou 15 anos, não é o mesmo partido, com capacidade de diálogo e com tranquilidade doutrinária. Este PS já não é isso. O engenheiro Sócrates é o responsável por este caminho e deve ser severamente castigado. Creio que ele não ajudará, nem fora, nem dentro, a nenhuma solução das soluções necessárias e importantes para o país.

Mas as sondagens apontam para uma aproximação entre o PS e o PSD.

O que lhe estou a dar é a minha opinião. É possível que um partido que desempenhou funções de governo durante tantos anos - apesar dos disparates, da demagogia e dos erros - tenha uma parte da população que lhe seja afecta, porque são os seus empregos, são os seus interesses, são as suas colocações...

Põe essa hipótese, de o eleitorado voltar a dar uma vitória ao PS?

Nem ponho nem deixo de pôr. O que sei é que é útil que seja castigado eleitoralmente.

É essencial uma coligação se nenhum partido conseguir a maioria absoluta?

Penso que sim, depois de o povo falar, seria indispensável que um partido tivesse a maioria absoluta ou dois partidos conseguissem essa maioria ou, se for necessário, que três partidos fizessem essa maioria. Qualquer que seja a solução, é indispensável haver capacidade de convergência e de diálogo entre os três partidos, porque caso contrário põe--se o país a ferro e fogo.

Até hoje nenhuma coligação cumpriu um mandato até ao fim.

Essas coisas nunca são lei. Dizia-se que um governo maioritário não vingaria e já aconteceu. Tudo o que se dizia que não era possível acabou por se fazer. Não temos a história à nossa frente, temos um mês para encontrar uma solução. E passa por um governo de maioria parlamentar - de um, dois ou três partidos. De qualquer maneira, defendo um acordo de convergência que se pode traduzir no programa de governo, que se pode traduzir no Orçamento do Estado ou num novo programa de acção, para além do FMI, da União Europeia e do Banco Central Europeu.

Seja como for, parece existir sempre uma grande dificuldade em Portugal em fazer esses acordos, ao contrário do que acontece noutros países. 

Portugal vive muito mal com os esforços de convergência. Dizem: eu odeio o Bloco Central ou dizem isso é a União Nacional. Em todo o mundo ocidental, quando é necessário encontrar acordos civilizados encontram-se. Há muitos argumentos para pensar que Portugal é o mais disparatado, o mais incompetente deles todos, mas não quero acreditar que continuemos, a seguir às eleições, pelo caminho da irresponsabilidade.

A que se deve essa dificuldade de atingir compromissos?

Há razões complexas. Uma delas é o facto de em Portugal haver poucas oportunidades do ponto de vista económico e social. Não há um mundo empresarial rico, forte e dinâmico. E as pessoas pensam sempre que só têm oportunidades como artistas, como técnicos ou como empresários à sombra do Estado...

O que não é totalmente mentira.

Não, não é mentira, porque a riqueza é pouca e o Estado é muito grande. É um Estado fraco, mas muito pesado. Digo fraco, porque fica facilmente refém dos interesses das corporações e uma grande parte do país parece organizada para sacar o Estado, para proceder ao saque das autorizações, das adjudicações, dos empregos, dos concursos. Como os saqueadores são muito mais do que há para saquear, obviamente que há um grau de conflitualidade muito forte.

Os portugueses vivem bem com esse Estado pesado ou sentem que o Estado acaba por lhes retirar a liberdade que tanto reclamaram no anterior regime através desse jogo de dependências?

Não vivem bem com isto. Adaptam-se, resignam-se, mas oiço todos os dias dizer: "Eles são todos iguais, para eles há tudo e para nós não há nada." Pessoas de direita e de esquerda têm a mesma lengalenga e isto é porque a política está sem responsabilidade, está desumanizada e afastada da população e está afastada até dos sentimentos da população. As pessoas não têm só razão, tem sentimentos. Um sentimento de insegurança. A democracia portuguesa está a corroer-se a si própria e não é por causa dos inimigos da liberdade, é por causa dos próprios democratas que construíram este Estado fraquíssimo. É fraco do ponto de vista moral e é fraco do ponto de vista da competência técnica, fraco do ponto de vista da autoridade democrática, e é por isso que esta democracia não está a ser assaltada, a democracia está a implodir.

Isso traduz-se, por exemplo, nos grandes cortes que estão há vários anos a afectar as famílias sem vermos o mesmo esforço na máquina do Estado?

É uma investigação que devia ser feita. Por exemplo, há várias empresas públicas que, nos últimos seis meses, compraram autênticas frotas de centenas de carros de luxo. Sei de várias empresas que o fizeram. É inadmissível.

Já me disse que a ajuda externa é bem- -vinda, mas o que acha, em concreto, das reformas e das medidas que estão previstas no programa da troika? 

Só os génios ou os atrevidos é que têm, ao fim de 12 horas, uma opinião sobre este acordo, que é muito complexo. Eu dou as boas-vindas ao acordo de assistência externa. Não fiquem dúvidas sobre isto. A minha opinião, a nível muito geral, é que o acordo é bom e obriga a fazer muitas coisas que nós já sabíamos que tínhamos de fazer. É um acordo que, ao contrário da tradição dos acordos com o FMI, está muito mais atento às questões sociais e à possibilidade de crescimento económico.

Não seria possível aplicar estas medidas sem a pressão de instituições exteriores ao país?

Isso parece uma fatalidade. As coisas que deveríamos fazer, em geral, esperamos que outros as façam. Isso é recorrente. Só duas ou três pessoas nestes 30 ou 40 anos, em dois ou três momentos, é que disseram: eu tenho de fazer isto e vou fazer. E são pessoas que se elevaram a um nível superior do comportamento político.

Não encontra essa dimensão nas actuais lideranças políticas?

Hoje em dia não. Eu sei o que fez mover Mário Soares no seu tempo. Eu sei o que queria fazer Sá Carneiro e o que queria fazer, nos primeiros mandatos, o professor Cavaco Silva, mas há poucos momentos políticos assim. O resto é pessoal político menor, que espera que outros façam o que nós devíamos fazer. 

José Sócrates pertence ao segundo grupo?

Estou plenamente convencido de que o primeiro-ministro há muito tempo que decidiu que tinha de aceitar a ajuda externa, mas queria fazer tudo o que era preciso para poder responsabilizar o exterior por toda a sua actuação. O engenheiro Sócrates sabia perfeitamente, há muito tempo, que queria fazer eleições e que queria culpar a direita e os especuladores por todos os males e por todos os seus erros. 

Está a dizer que o primeiro-ministro quase levou o país à bancarrota para defender interesses pessoais?

Para defender interesses pessoais e partidários. 

Já disse que, se retirarmos os tribunais plenários e a censura, a justiça funciona pior que no tempo de Salazar. É um dos piores problemas do país?

Se retirarmos o sufoco financeiro em que vivemos e se olharmos para o conjunto do país, o que parece mais grave e mais sério e mais difícil de resolver é a justiça. A justiça tem uma relação com tudo o resto e está presente em tudo. Na vida familiar, ordena e regula todas as nossas actividades, mas é a que está mais fechada e mais refém dos grupos organizados. Os políticos, que não têm receio de legislar ou de apresentar programas para a saúde ou a Segurança Social, têm medo de mexer com a justiça. 

Porquê?

Os grupos da justiça, advogados, juízes, magistrados e procuradores, são muito poderosos e muitos deles são da própria política. Os dois grandes sindicatos de juízes e procuradores são poderosíssimos. 

O que é que faz os políticos terem medo de mexer na justiça?

Têm medo de confrontar interesses. A justiça sabe segredos de muita gente. Sabe segredos da vida pessoal, da vida económica, da vida empresarial e da vida política e partidária. Quando formos capazes de analisar e investigar seriamente o que se passou em vários processos, ao longo dos últimos dez ou 20 anos, há processos que são incompreensíveis. Da Casa Pia ao Freeport, à Face Oculta e ao Apito Dourado. Há muitos fenómenos incompreensíveis nestes processos. 

Incompreensíveis a que nível?

Muitos deles envolveram personalidades políticas, personalidades dos partidos, dinheiros, autorizações, adjudicações, concursos ou escutas telefónicas, e vemos que em todos estes casos houve fugas de informação, houve quebra do segredo de justiça. Houve informação dada deliberadamente por operadores de justiça e eu estou convencido que os responsáveis são obviamente os procuradores e os juízes. Mas é muito curioso que todos estes episódios lamentáveis, obscenos, tenham sempre envolvido políticos ou ex-políticos, ou empresas que financiam os partidos ou estão a eles ligadas ou a empresas ou instituições que estão interessadas em adjudicações e concursos. Há um universo que era necessário investigar em conjunto. Pegar em dez ou 15 destes processos e ver como a justiça capturou a política. A capacidade de lóbi, de chantagem ou de ameaça que alguns corpos ligados à justiça têm de exercer sobre o governo é enorme. 

Os próprios ministros são frágeis perante esse lóbi?

Alguns aparecem nos primeiros dias como agentes da grande reforma e da grande transformação, mas em poucos meses ficam enrodilhados e rapidamente tudo aquilo se dissolve em nada. O progresso da justiça nos últimos 20 anos foi reduzidíssimo e o retrocesso foi ainda maior que o progresso. Estamos hoje pior do que há 20 anos. 

Continua a pensar que é preciso pôr fim aos sindicatos na área da justiça?

A Constituição deveria proibir a organização de sindicatos ou associações sindicais dos órgãos de soberania. Ou então permitiria a todos. Um sindicato de ministros, um sindicato de secretários de Estado, um sindicato de generais, sindicatos de tudo. Os juízes, eles próprios, se puseram na posição de funcionários públicos ao criar sindicatos. Têm exigências e ameaças de greve como se fossem funcionários públicos, mas depois dizem nós não somos funcionários públicos, nós somos órgãos de soberania. Querem o melhor de dois mundos e é o grupo profissional que em Portugal melhor conseguiu isso e é por isso que a justiça está refém destes aparelhos da justiça.

5.5.11

Mais mentiras desmacaradas

O representante da Comissão Europeia (e do Fundo Europeu de Estabilização Financeira), afirmou que a eventual suspensão do 13º e/ou do 14º mês não estiveram em discussão. O que significa que Não foi nenhuma Vitória conseguir que tais subsídios não fossem suspensos, como o disse Sócrates.

Portugal teve diversos problemas nas execuções orçamentais, houve muitos 'deslizes' e erros nessas execuções, afirmou o representante da CE na Troika, desmentindo, assim Sócrates, uma vez mais.

Toda a execução do Programa agora apresentado será monitorizada pela Troika constituída para o feito, que estará em Portugal cada três meses, ou com mais frequência, se necessário. O que demonstra que nenhum Governo, de nenhum Partido, terá autonomia para tomar qualquer medida fora deste Programa. O que significa que a apresentação do Programa do PS foi totalmente inútil e propagandística, como o disse Passos Coelho e como mentiu Sócrates. Uma vez mais, um mente e outro fala a verdade.

Só faz sentido apresentar um Programa de Governo, e de campanha eleitoral, após esta aprovação do Programa da Troika que agora se deu, pois qualquer medida, económica, ou outra, dependerá sempre, sem excepção, deste Programa europeu+FMI.

Perguntado se as medidas teriam sido menos agressivas se o pedido ao FMI/CE tivesse sido feito mais cedo, os representantes da Troika afirmaram, sem margem para dúvidas, que sim. Mais uma mentira de Sócrates.

Diferenças...

É num mentiroso, que só em si e no seu egoísmo e poder pensa, que querem votar?

Não é um mau acordo. Não é um bom acordo.

O acordo com a 'Troika' não é um mau acordo. Porque permite a Portugal permanecer afastado dos 'mercados' para vender títulos da dívida soberana, a juros incomportáveis. Permite esse afastamento, ou não recurso aos mercados financeiros, por dois anos, talvez um pouco menos, ou talvez um pouco mais. Depende da execução do programa, que foi aprovado pelo Governo e pela Oposição, e que será monitorizado trimestralmente, pelas entidades da 'Troika'. Pode ser por um prazo mais curto, se a avaliação da situação verdadeira indicar mais necessidades de recurso às verbas que nos serão emprestadas (e os juros ainda estão por saber, pois só se saberão no momento em que as entidades gestoras internacionais, forem elas mesmas aos 'mercados' para se financiarem, com o objectivo de nos disponibilizarem os fundos.

Mas é um mau acordo, pois segundo muitos economistas, de todos os quadrantes políticos, bem  posicionados e informados, como Governador do Banco de Portugal, ex-governadores do BdP, ex-ministros de governos PS e PSD, seriam necessários cerca de 140 mil milhões de euros, para nos mantermos afastados dos mercados, pelo menos três anos. Menos do que os três anos, que são os anos de vigor do Acordo com a 'Troika', é um risco para nós. Mas é prematuro, de facto, dizer-se que não se resolvem os nossos problemas de financiamento com os 78,5 mil milhões de euros.

Mas um facto, não uma adivinha ou opinião, é relevante. Foi Sócrates que pressionou para que o valor ficasse abaixo dos 80 mil milhões, para assim poder usar isso na campanha eleitoral, dizendo que afinal não estavamos assim tão mal, que o Governo estava no caminho certo e que toda a crise se deveu aos mercados e, claro, à Oposição, nomeadamente o PSD. Este facto, muitíssimo relevante, é prova, mais uma do carácter de Sócrates. Coloca, como sempre o fez, o seu interesse, a sua sede imensa e inesgotável de poder, e despreza o país e as suas necessidades. Este facto tem de ser evidenciado e desmascarado, pela Oposição democrática (partidos à direita do PS, pois os outros de democrático nada têm), sob o risco de o PS tirar proveitos da situação que criou, sem o merecer.

É pois um mau acordo. Serve o país, mas serve muito mais o PS e Sócrates em particular. E tudo o que for favorecer um ditador sem escrúpulos, a quem devia ser vedado vitaliciamente o acesso a todo e qualquer cargo ou função pública ou política e a auferir qualquer cêntimo do Estado, estando fora dele, ou dentre dele, é mau para Portugal.

O futuro dar-me-á razão...(infelizmente, mais uma vez)

4.5.11

A clarificação.

Será que vamos, finalmente, saber a verdade, sobre as Contas Nacionais? Das contas que são Nossas?

Pouco a pouco, mesmo com os esforços da Central de Propaganda e a Polícia política do Secretário para a Segurança Interna, mais o controlo da Comunicação Social, vamos sabendo mais sobre a Verdade.

O acordo com o FMI/BCE/FEEF quase nada tem a ver com o PEC4. O PEC 4, aliás, nunca foi preparado sequer. Foi anunciado em termos gerais, e apenas para a chantagem socialista, para forçar a queda do Governo, pois a Propaganda e estratégia maquiavélica e secreta, a agenda secreta do PS (que a tem e falou como se outros a tivessem, provando-se agora que Sócrates é que a tem, e insiste nela, teimosa e cegamente, desrespeitando o país na totalidade. Mesmo os que o apoiam, apenas por 'defesa da camisola' e por raivas não explicadas contra outros- há quem veja adversários, como inimigos, e sempre os haverá, mas essa circunstância deixa-os fora do adjectivo de democratas, sem apelo nem agravo). O PEC nunca foi para ir em frente. tal como nunca foi posto em prática nenhum PEC anterior, ou algum Orçamento feito pelo PS (e não apenas com Sócrates).

O maior desastre português é mesmo o PS. Já não nos restam dúvidas. Há umas semanas atrás ainda tive a esperança que homens inteligentes e ainda democratas, do PS, como Vitorino, Assis, Seguro e outros, tivessem a ousadia e o sentido de Estado, que já provaram não ter, para correrem com Sócrates e para darem sentido de Estado ao PS. Mas não aconteceu. Ainda. E já não vão a tempo das eleições.

Mas afinal vamos ter um pouco da clarificação da nossa situação. Vamos todos pagar mais impostos e ter reduções de benefícios. Os reformados vão ser todos atingidos e penalizados, uns dois vezes. Outros com os impostos, pois a penalização no IRS vai ser dura: vão perder a dedução específica. E vamos todos.

Vamos ter subida de preços na electricidade. Vamos ter mais IVA na electricidade, agora de 6%, dentro de meses talvez mesmo os 25% que se espera seja a nova taxa máxima de IVA.

Todos os agravamentos estão em linha, mas nada a ver com o PEC. Ou seja, o Governo não foi tido em conta. Em nada. Como se esperava, pois o Governo é o único inteiramente responsável por esta calamidade a que chegámos. E só o Governo.

Mas saberemos mais, muito mais, sobre as responsabilidades de Sócrates e do Governo. E mais sobre a desgraça das nossas contas.

Agora o PSD, única alternativa nas próximas eleições, ou se alguém preferir, o CDS (e Paulo Portas?! tão populista que tem sido?!) tem de aparecer em força, já que o tempo de silêncios terminou. E tem de responsabilizar, culpar, apontar o dedo, sem peias, sem hesitações, a quem é culpado: José Sócrates C. Pinto de Sousa, o falso (falso engenheiro, a quem chamam de engenheiro, ofendendo quem de facto o é. E isso não admito, pois o curso que fiz custou-me e aos meus pais, para que um mentiroso criminoso venha inventar um título que não tem!)

Força PSD, força CDS e toda a Oposição.

É imperativo afastar Sócrates da política de uma vez e para sempre!

O Palhaço

Já sabíamos. Sabíamos que temos no lugar de Primeiro-ministro não uma pessoa normal, sensata, razoável, com sentido de Estado, que se recusasse a entrar em jogos infantis, clubistas, narcisistas, de poder esvaziado. Sabíamos que como Primeiro-ministro temos, há mais de seis anos, um palhaço. Mas um palhaço perigoso. Manipulador. Despótico, totalitário, sem pudor e sem escrúpulos, que não se inibe de usar qualquer recurso, mentira o mínimo, mas ainda usar pessoas, com bem mais dignidade do que ele, aliás fácil tê-la, ao seu lado, um ser abjecto, como só os ditadores merecem o epíteto.

Sabíamos que esta critura, do pior que um homem pode ser e prestar-se a ser, se intromete em tudo e com todos, usando a sua Central de propaganda, profissional e experimentada, idealizada já antes dele, com Soares e Guterres, mas aperfeiçoada com ele, usando todos os instrumentos que a lei e o Estado Não lhe conferem, como ter na sua dependência directa o chefe dos serviços de informação e segurança, com designação distinta da do tempo de Salazar, mas as mesmas competências e muito mais instrumentos, mais modernos meios, do que uma PIDE, e concentrar em si, pessoalmente, a autoridade de conceder carta de jornalista, a que junta a de nomeação, ainda que em empresas privadas, de jornalistas com poder de influência e decisão.

Sabíamos que esta criatura, que se tem sujado com as suas mentiras e falácias, propagandas e actos de teatro, tem vindo a usar algumas pessoas que, elas mesmas tendo vindo a fazer figuras tristes e usar de mentiras e truques, ficam sempre reféns dos interesses pessoais de ser tão mínimo.

Mas não se esperava ver um Teixeira dos Santos marionete, fantoche político de alguém que não merece nada mais do que o Tribunal e a cadeia.

Esta criatura tem usado o país a seu bel-prazer, não sem avisos múltiplos de muita gente, mas com a aura de quem, como os ditadores, usa a mentira, que é bem mais fácil de se usar do que a Verdade, para por um país de quase novecentos anos, subjugado ao seu poder reptiliano. Tem usado os recursos deste país e as pessoas que cá vivem. E se deixam levar nesta onda falsa de 'optimismos' nunca confirmados, de esperanças todas deitadas por terra, de futuros que ele nos tem sonegado.

Teixeira dos Santos deu a cara, não tendo de o fazer, convicto de que conseguiria torcer pela força dos números e da verdade, primeiro internamente, nas discussões com a criatura falsa e facínora, depois convencendo o Partido que o apooia e, o país, de seguida, que é sempre o mais fácil com um povo anémico e desinformado, que se inibe e ausenta de se interessar e discutir a sua própria vida e o seu futuro. Teixeira dos Santos também deu cara ontem, dia da mentira mais vil de triste da vida deste governo de marionetes manipuladas sem carácter e vontade própria, quando a criatura mais uma vez fez o seu teatro, falando do que não iria acontecer com o acordo com o FMI/BCE/FEEF. Mas não falando do que iria acontecer, a nós, não a ele, protegido na sua função e no que já conseguiu de estatuto imerecido, mas que um dia lhe será retirado quando se sentar no Tribunal da história.

Com cara lívida, sem a mais ínfima expressão, Teixeira dos Santos apareceu ao lado de Sócrates, criatura sem adjectivos que não pejorativos, mas justos, para mostrar não se sabe a quem, que já percebemos todos o jogo sujo deste ainda usurpador do título de chefe do governo, não por que não tenha ganho eleições (como Hitler as ganhou também, manipulando e criando factos inexistentes), mas por nos ter roubado os recursos financeiros e o futuro, o ministro das finanças que ainda lutou pelo saneamento das Contas do Estado, passou pela vergonha derradeira de aparecer em público ao lado deste infame Sócrates. Para apenas ali estar, sem fazer a mínima expressão, como a dizer-nos a todos que ele nada tem a ver com esta negociação (provavelmente mal conduzida, como já saberemos proximamente...), que nada tem a ver com estes momentos fúnebres a que Sócrates sujeitou o país, por ter desbaratado tudo o que podia, presente e futuro, em recursos humanos e financeiros.

E assim se viu, uma vez mais esta vergonha nacional, que muitos, os que não sabendo ainda, ficarão bem mal na fotografia, mais tarde, de um indivíduo a mentir ao país, e a omitir o mais importante.

Não sei o que acontecerá a Portugal se os Partidos da Oposição não retirarem o Poder a esta criatura sem nível, mas sei que se assim não acontecer este povo fica na história da Europa por conseguir aquilo que já desde o tempo de Hitler ninguém conseguia: dar poder a um facínora perigoso que adoraria, e pode vir a conseguir, retirar-nos ou amordaçar-nos a Democracia.

Mas sei, acima de tudo, uma coisa: que é preciso ter uma única fé, não religiosa, mas secular e democrática de que um povo com nove séculos de independência no último momento irá fazer a justiça que os Tribunais manipulados não lograram e por, de uma vez, fora do poder este indivíduo sem carácter (para não me alargar em mais adjectivos daqueles que usamos para nós em silêncio e no foro privado...). Em Junho, no dia 5, espero que o nosso povo, saiba finalmente correr com este Palhaço que julga poder enganar-nos a todos.

"Pode-se enganar alguns por muito tempo, pode-se enganar todos por algum tempo, mas não se pode enganar todos por muito tempo" (para sempre). Já o disse Lincoln e eu subscrevo, por que o momento parece ter sido feito para esta sentença sábia do popular Presidente dos EUA.