A Perda


(no Funeral de uma cantora única)

Amy Winehouse foi um furacão à deriva no mundo das artes, e da música em particular. Desde cedo foi demonstrando que se pode cantar, por o saber fazer, por se querer e lutar muito para isso, mas que toda a diferença se faz notar, quando se tem uma voz tão especial e se a sabe utilizar. Muito cedo também, demonstrou um outro lado, que a derrubou, o da sua fraqueza emocional e psíquica. Vencida pela droga e pelo álcool, talvez por não saber lidar com a fama meteórica que atingiu, talvez por outras muitas razões que desconhecemos, não encontrou força para contrariar o rumo que ia seguindo. E sucumbiu. Deixou-nos uma voz que as tecnologias que hoje possuímos, nos permitirão recordar por muitos anos, os que adoravam ouvir a profundidade daquele timbre único. Deixou-nos a tristeza também, das cenas tristes e deprimentes que algumas vez nos deu em alguns palcos, com frequência crescente nos seus últimos tempos. Penso agora na dor que sente um pai que lhe ofereceu as palavras de amor no seu elogio fúnebre. "Boa noite meu anjo, dorme bem".

E as lavou com lágrimas e envolveu em dor. Uma dor que num pai, e numa mão, nunca cicatriza. Nunca. Um vazio que não será mais preenchido.

Os pais e mães que lidam com os problemas que julgam ser os mais insolúveis do mundo, com os seus filhos, deviam reflectir nisto: na Perda. Muitas perdas podem ter alguma compensação, se não tiverem substituição.

A de um filho ou filha, não.

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