27.5.10

Escher e os 'estranhos laços' do nosso 'Eu'





Escher, um artista gráfico genial, fez desenhos totalmente originais, um tanto à volta dos ‘loops’, dos laços e enlaces…das voltas em movimento infinito.

Ouvindo hoje, por lembrança perfeitamente casual, ao procurar outras músicas no ‘YouTube’, lembrei-me de um desses laços sem fim, um desses padrões que se repetem indefinidamente, geração após geração: Father an Son (de Cat Stevens).

Mas Hofstadter, num livro genial, também (‘GEB, Gödel, Escher, Bach and Eternal Golden Braid) teorizou, com base nas pesquisas e descobertas de Gödel, matemático austríaco sobre estes eternos e naturais ‘laços’, que existem por toda a Natureza, tal como existem dentro de nós, na nossa mente. Pensamentos, ideias, atitudes que se repetem, se renovam, se ‘refrescam’ vindo dar a um mesmo ponto, ou evoluindo, como na magistral música de Bach e nos seus Canon (uma das expressões máximas sendo a Musikalisches Opfer BWV 1079, uma obra que é uma colecção de Canon e Fugas, elaborada com base numa simples composição de Frederico II da Prússia, o patrão de Johann Bach). Bach mostra toda a sua capacidade criativa com essa obra, feita de pequenas variações, em constante ‘crescendo’ e com base, como disse num simples tema, que não se imaginaria pudesse dar em tão criativa Obra.

Na nossa mente passam-se de forma controlada estes ‘laços’, que nos permitem por uma pequena derivação, variação, dando-nos conta ou não, conduzir a algo novo...por vezes.

É um novo pensamento, uma nova ideia, com base em acumulados conhecimentos e ‘rotinas’ mentais, que pode surgir, normalmente com consciência, mas esta também carece de esclarecimento, tal como Dennet a explanou...

Damo-nos conta com frequência, mais de um mundo que nos envolve e relegamos para plano ‘inferior’, sub-consciente, a noção da nossa própria mente, do nosso mundo interior. E esse conhecimento ser-nos-ia essencial para melhor entendermos o outro, fora de nós, que tantas e tantas vezes, se passa mais dentro do que fora...sem que o saibamos.

Confunde-se, assim, realidade e invenção da mesma? Por certo...e lá estão os ‘loops’ para nos puxar ao normal de nós mesmos. E para nos distanciarmos desse normal. Numa constante recriação consciente -inconsciente de um mundo ele mesmo sujeito a ‘laços’ de ritmos...cada vez mais complexos, como numa continua evolução de um Canon de Bach...


Estamos dentro de nós e fora no nosso mundo? Ou ao invés? Escher parece ter encontrado a pseudo-confusão que nos ‘governa’ e de forma original, superior, desenhou-a...deliciem-se com estas gravuras e pensem neste constante enlace, neste quase labirinto que nós somos...Imagine-se agora a criação de empatias e enlaces com outros comuns mortais como nós, ou com alguns bem mais complexos, seja por serem superiormente inteligentes, seja por serem menos ‘estruturados’ como uma composição musical menos sofisticada, menos evoluída, menos acabada...ou ao contrario!

Já havia escrito alguma coisa sobre o tema, e desta, voltei a dar mais um loop! E cá me trouxe a mim mesmo!

Douglas Hofstadter escreveu  um novo livro, em que desenvolve a ideia, sobre o ‘Eu’ e os ‘laços estranhos que nós somos’, sobre a nossa personalidade e sobre a consciência do que somos.

23.5.10

Uma noite com Antifascistas da nossa Arte...


Há alguns dias fui assistir a uma tertúlia entre alguns artistas famosos do nosso pais. Júlio Pomar, um dos nossos mais importantes pintores, também escritor, poeta. Carlos do Carmo, o conhecido fadista, que criou o seu estilo muito próprio e que ainda hoje mantém uma bela voz, tão jovem. Cristina Branco, uma das fadistas e cantora de outros géneros, como Jazz, que tem ainda muito futuro e uma longa e venturosa carreira pela frente.

A noite, ou sarau, com tais personalidades de peso, moderada por Carlos Vaz Marques, prometia ser rica e estimulante. Iniciava-se este ‘Café com Letras’ às 21h30. Os artistas, bons companheiros de mesa...uns dos outros, chegaram pouco antes das 22 horas... Mas a sala estava cheia já às 21h20, hora a que cheguei, e tive de ficar num dos últimos dois ou três lugares ainda vagos ao fundo da mesma.

Entraram com um sorriso e o ar triunfante de quem sabe que se pode fazer esperar. De quem, superior, está ali para ser admirado e adorado pelos comuns mortais da sua assistência. Qual prol que espera o Monarca e a sua Corte.

Mas ali estávamos todos de paciência ao alto, e sorriso parvo à espera da individualidades, com a vontade de nos crescer na cultura e na mente, tanto quanto a estupidez nos fazia quase crescer água na boca, com as iguarias de conhecimento e curiosidades que nos prontificávamos a ouvir. Esponjas à espera que o peixe-rei se sentasse em cima dela, no fundo do nosso triste e inferior, menor, mar...

Carlos Vaz Marques pede, de entrada, desculpa pela ‘ligeira’ demora...coisa de trinta minutos, neste pais de insípidos espíritos de adoradores de VIP’s... coisa pouca...

Começa por Júlio Pomar que diz, com a sua graça própria e voz descontraída pela segurança que lhe dá a fama e ...o proveito, num pais onde a esquerda nacionalizou a cultura e a usa como o seu quintalinho privado...que como não sabia o que dizer...ia começar por ‘qualquer coisa’...e a assistência, submissa ao grande humor, do grande pintor (efectivamente grande e genial!)...ri-se.

Depois tenta explicar o seu caminho de poeta, menciona as experiências, revela a amizade com o colega de escola e contemporâneo já falecido poeta Mário Cesariny (outro mais do rol de socialistas de serviço à grande cultura portuguesa. Por acaso, um excelente poeta, efectivamente, mas podia não o ser). As caminhadas conjuntas e as trocas de poemas, nesse tempo ainda de ‘brincar’...

Falava com a sua voz compassada, o seu humor entremeado, ligeiro, mas fino e pessoal, como a sua arte. Pelo meio, às tantas, a menção ao anterior regime e a Salazar, ‘que se tinha encarregue dele’ (uma espécie de preocupação central de Salazar pelo pintor contestatário e o testemunho anti-fascista, de um lutador que, subtilmente deixava passar esta sua especial e particular ‘superioridade, perante uma provável plateia de inexperientes antifascistas...pensei eu).

Seguiu-se Carlos do Carmo, no seu habitual estilo, simpático e jocoso, e vaidoso de si mesmo (uns bons minutos a gabar-se da autoria da candidatura do Fado a Património Mundial, obviamente importante, logicamente pouco preocupante), que todos lhe conhecemos, na mesma medida da sua muito falsa modéstia. Como atrás não podia ficar, lá encontrou forma de referir o seu inegável, também, ‘anti-fascismo’ e a vida de vítima do triste e soturno ditador...

Neste ponto já eu me perguntava por que razão seria tão importante, numa noite em que se falaria, ouviria falar, de Fado, de poesia e de arte...e cultura, mencionar Salazar, morto em...1968.

Tive um pensamento fugaz, mas seguramente despropositado. Falta de estima, de outrem? Falta de reconhecimento, numa fase mais avançada das suas vidas? Falta de atenção de grandes públicos? Associada a uma normal e compreensiva fase de baixa produção artística? Por que afinal, esta lembrança, inusitada, do regime que há quase quarenta anos desapareceu? Tentativa de compensar as misérias do actual regime e do triste desempenho do governos ‘dos seus olhos’ com a memoria de um regime totalitário e anacrónico? Que ninguém quer lembrar, mas que, mais, até já nem quer saber e que...excepção feita aos antifascistas presentes, já não se sente como importante aos dias de hoje, nem como influente nas nossas actuais, gigantes, desgraças? Ou...apenas e tão só, uma forma sub-reptícia de dizer, temos mais coisas, para alem do nosso reconhecido papel na cultura e arte nacionais, que nos torna superiores a vocês, aqui presentes?

De passagem, senti a arrogância dos famosos a tentar atingir-nos...e eu ainda nem estaria na situação pior, já que ainda vivi e bem intensamente, o dia, as semanas os meses e os anos da Revolução dos Cravos.


Cristina Branco falou, tímida, talvez um pouco esmagada pelo gigantismo dos companheiros de mesa, sobre a sua experiência com os poemas de Júlio. A razão, afinal desta ‘tertúlia’. Mais umas piadas de Pomar, dois fados cantados, com letra do pintor-poeta, por Carlos do Carmo e um por Cristina Branco. Nada a referir, para alem da insuspeita, aguardada beleza e qualidade.

As palavras que se seguiram dos vários, foram um tanto mais vazias e um pouco mais para ‘encher’ programa.

Ficou-me o sabor de um noite mal aproveitada, a vaidade dos dois mais idosos, arrogância politica dos mesmos, as piadas ignorantes de Carlos do Carmo, sobre a actual conjuntura económica e política portuguesa e ...uma vontade de que acabasse mais depressa do que o tempo que esperara por tão ilustres individualidades.

Uma noite em casa a ouvir o meu único CD de Cristina Branco e o nenhum de Carlos do Carmo, após um passeio agradável, não efectuado, junto ao rio, pela noite agradável, teria sido mais compensador...do que ouvir de novo falar do miserável Salazar e das bravuras dos artistas de ‘esquerda’ deste pais tão pobre em ideias...novas.

Às vezes penso se não é um fado (um fardo), andar estes anos todos a ouvir as 'culpas' do, obviamente mau e estrangulador regime ditatorial de Salazar, pior por ter sido tão católico, em minha opinião, e ouvir, ainda, mascararem-se as palhaçadas e mentiras de Sócrates a belos golpes de pincel, de pintores famosos e obviamente excelentes, da nossa praça

21.5.10

Um país, dois países


Portugal é, são...dois países.

Um país é o do PS e de Sócrates. Não chegava a crise a Portugal. Afinal...chegou e foi ...culpa dos outros, era uma crise internacional. Afinal, já estava a terminar, como dizia o 'génio' da Economia Manuel Pinho. Afinal...ainda não acabou. Mas agora a culpa..não é outra vez nossa...é dos 'ataques' internacionais, de gente especuladora, que ataca logo ...os melhores e mais fortes. Pois...que Portugal é um país com Finanças fortes (nunca o foi, nem com Salazar, que baseou o seu 'saneamento público em aumento de impostos e redução da despesa pública, mas que a praticou, efectivamente)

Um país que está, hoje, segundo Sócrates, como há um ano. Sob controlo! A crescer...
Há um indicador, temporário e mal comparado, pois há várias formas de comparar, o do crescimento da exportação e outro, do desemprego, ainda pior comparado... e logo se põe o mistificador, produtor Mor de mentiras oficiais, a dizer que...estamos no bom caminho.
Já estávamos, há quatro anos, e piorámos, todos os anos, se descontarmos a propaganda e fabricação estatística. Já estávamos há três, quando estalou a crise financeira dos subprime nos Estados Unidos da América. E um ano depois...e o ano passado. E todos os anos, a dívida pública e a dívida externa, crescem, e se tornam insustentáveis e comprometem o futuro. Dos nossos filhos. Eles é que terão de pagar.

Mais. Há a crise política. Gerada por um homem corrupto, mafioso e manipulador, com instintos totalitários: Sócrates. Um homem que despende mais tempo a engendrar grupos e teias de influências do que a governar. Mais tempo a manipular e condicionar do que a criar futuro ao país.

Mas há o outro país. O real. Onde os números 'criados' pelo Governo, não têm lugar. Um país onde cada dia se torna mais difícil viver, e onde as pessoas normais não estão sob a protecção do Governo e do Partido Socialista, como os seus amigos e amiguinhos. Os seus tachos super protegidos, quanto inúteis, mas custosos, às finanças públicas.

Um país que passou da posição 23ª, no tempo de Cavaco Silva, no Ranking da Competitividade Internacional (IMD, Suíça), para 27ª no governo de Guterres e para...37ª com este Sócrates. Atrás de países como Casaquistão, Indonésia, Katar, Índia, Polónia...Islândia (em bancarrota...)

Um outro país, de pessoas normais, que amanhã poderão ter de fechar a sua empresa, asfixiados em impostos injustos, que servirão para pagar um défice e uma dívida pública ( uma dívida externa, já que o sector privado e a banca em particular já experimentam falta de liquidez, incapacidade de endividamento no exterior e alguma insolvência...) que foram constituídos pelos administradores políticos incompetentes e faraónicos...

De um lado um país de sonho, apenas existente nos sonhos de Sócrates, da sua infernal máquina de propaganda - com nefastas provas dadas - dos seus apoiantes na sociedade. Do outro, um país que sabe que a bancarrota, não desejada, temida, vem a caminho, com instituições bancárias e Estado a não conseguirem obter crédito no exterior. E tudo o que, entretanto, for conseguido será a custos elevados e comprometedores de...financiar a tal exportação que socialistas e amigos agora exortam e exultam!

Um dia, alguém pagará tudo isto, pagará um TGV que ninguém irá usar, como hoje um pequenino Satu em Oeiras, sem nunca levar um só passageiro, mas a funcionar todo o dia...pagará auto-estradas sem carros e muitas mais obras do orgulho e compadrio do PS. E esse 'alguém' são os nossos filhos e netos.

Que nunca nos perdoarão este apoio cego e desproporcionado a um PS usurpador do Estado, que somos nós. Que não perdoará ...a cada um de nós, apoiantes ou apáticos complacentes.

Uma coisa que nunca nos será perdoada, aos que hoje estão activos e com capacidade de intervenção pública, é esta ridícula mania das teorias keynesianas e do 'esbanjamento' de recursos não existentes no próprio país, para financiar amigos, e amigos de amigos. Sem conduzir a nada, senão a mais dívida! E nem cresce a economia, nem diminui o desemprego e, sobretudo, não melhora a vida a ninguém, excepto aos amigos do Primeiro ministro, que se continuam a passear-se, como se vivessem, qual Alice, no país...'das maravilhas'.

18.5.10

O Preço da Genialidade


"Por que será que as pessoas inteligentes e dotadas se encontram invariavelmente atoladas numa miserável vida particular? Por que será que os sobredotados, os intuitivos, os que são capazes de ler no livro da Natureza, hão-de ser tão incautos e tolos?" (sinopse do livro Morrem mais de Mágoa" do grande Saul Bellow). Interessante...se analisarmos as vidas de Einstein, Beethoven, Robert Schumann,Van Gogh...Galileo, Luther King, e muitos outros.

Beethoven, que era claramente superior e mais avançado do que os compositores da sua época, que conseguiu criar um estilo tão próprio que ainda hoje, muitos musicólogos o catalogam num estilo pessoal, próprio e independente dos movimentos artísticos da época (classicismo e romantismo), passou toda a sua vida em crises de paixão e amor, de sentimentos não satisfeitos e incumpridos e, até, com a sua família teve conflictos, alguns que lhe perturbaram os dias e a sua criatividade. Desencadeou uma tremenda e longa batalha judicial com a sua cunhada, pela custódia do sobrinho, conseguindo provar em tribunal que ela não tinha meios e condições para cuidar do filho, uma vez falecido o irmão do compositor, e ficou com o sobrinho à sua guarda. Mas, como a sua capacidade criativa e a sua genialidade não lhe eram compatíveis com a vida quotidiana, esquecia-se com frequência de deixar comida ao sobrinho, de o tratar e cuidar com a higiene mínima e, ao fim de algum tempo, perdeu a guarda e custódia do sobrinho. A vida mundana, real e prática eram um quase sofrimento para o, considerado por muitos, maior génio da música desde sempre.

Einstein, tido como super simpático e afável entre os amigos, após ter tido um desentendimento de anos com a sua família e a sua mãe, por causa da namorada e futura primeira mulher, fez a vida muito difícil à mulher, e mesmo após a separação não lhe tornou a vida mais fácil, nem ela a ele, segundo parece. Referem alguns que tinha um filho deficiente, quase desconhecido, que esqueceu e ostracisou toda a sua vida.

Schumann, outro genial compositor, sofreu durante anos e anos de uma doença mental que o levou ao descontrolo total e ao suicídio. Foram anos de uma vida sofrida na qual passou por traições da sua mulher a afastamento de alguns amigos.

Van Gogh, um pintor também genial e uma mente super criativa e superior, teve também uma vida dura e de sofrimento, não tenho inclusive vendido um só quadro toda a vida. É conhecida a sua atitude descontrolada que conduziu à auto-mutilação, com o corte de uma orelha.

Muitos outros criadores e homens e mulheres de grande mentalidade e de superior inteligência tiverem vidas privadas muito difíceis e complexas, onde o sofrimento pessoal esteve bem presente.

Não existe, seguramente, um padrão, que nos possa dizer que ser-se mentalmente superior, ou sobredotado implica uma desconexão com a vida prática e mundana, que conduz invariavelmente a uma infelicidade sentimental ou outra. Mas a constatação de tantos e tantos casos conhecidos leva a que nos interroguemos por que razão há esta quase incompatibilidade entre a superior e criativa inteligência e a ligação saudável a uma vida tranquila, onde possa existir amor, amizade e felicidade, como tanta gente normal a consegue encontrar.

Existirá mesmo uma correlação entre a superior capacidade e actividade da mente e a inteligência, e a incapacidade de gestão de uma vida prática tranquila, emocionalmente bem sucedida, serena e saudável?

É, pelo menos, curioso...

13.5.10

O(s) Medo(s)


O medo, ou medos, de hoje e de ontem nem sempre são os mesmos. Ontem, havia medos de tanta coisa desconhecida, hoje há medos de coisas conhecidas.

Ontem, o medo era também alimentado, usado, como arma. Na politica, na religião, na sociedade, nas relações humanas. Na politica, usando do desconhecimento, manipulação, criações mais ou menos fantasiosas da realidade, usando da falta de informação e, claro, da iliteracia ou escassez de cultura. Ainda hoje se usa e abusa deste poder, pela negativa, na politica, e diariamente. Mas é cada vez mais difícil e chegará o dia, em que tal será virtualmente ineficaz.

Na religião, o medo foi sempre uma arma poderosa. Essa força, usada pelas grandes e pelas pequenas organizações religiosas ou espirituais, ainda hoje, inexplicavelmente (ou mais explicável do que parece, pois esse medo é um reduto e um refúgio das pessoas, principalmente em épocas de crise social ou económica). Mas é tão evidente que esta poderosa ferramenta de submissão e manipulação ainda se use, que nem se percebe como pode ainda, em dias de tanta crítica, tanta dúvida existencial, tanta incerteza quanto a princípios e quanto a ideias e ideais, a pensamentos e a segurança no que se formula com a nossa própria mente, quanto mais com as dos outros que nos são próximos ou conhecidos, que só podia levantar mais indecisão, inércia, e conduzir a uma rejeição de tudo o que nos foi impingido, e infligido, durante centenas de anos. Mas não...o reduto do medo pelo divino mantém-se...porque, na dúvida, melhor é estar de boas relações com esse divino que sempre nos foi dito ser bom e magnânimo, mas que está sempre atento para nos ‘castigar’. Esta ideia do castigo é, aliás, merecedora de um texto futuro...em várias e provocantes vertentes...

Desta força do medo, um blogue (http://ateologiaportuguesa.blogspot.com/) que me deram recentemente a conhecer, versa e explana bem, à sua maneira, o espírito ainda vigente.

Na sociedade, o medo também tem tido e mantém algum papel. Nas relações de trabalho, onde se usa de um poder hoje acrescido, onde um patrão, que não líder reconhecido e aceite como tal, para alem de chefe e até proprietário de uma sociedade, usa desse imenso efeito coercivo e convincente à exaustão, em vez de usar de princípios pela positiva, a motivação, a aposta no valor dos seus colaboradores e na sua formação, a aposta no valor intrínseco de cada um, contrariando a célebre ‘máxima’ de ninguém ser insubstituível (excepto o patrão, o pai ou a mãe, o amor que se sente traído...tudo, todos, serão substituíveis, segundo muito boa gente, princípio que nunca fez parte do meu léxico mental, e que rejeito com a minha ‘máxima pessoal preferida’ de que ninguém, em nada, é mesmo substituível!). Na sociedade onde forças policiais ainda usam e abusam de um poder que negam ter: o de provocar, agredir e ainda conseguir a condenação judicial contra inocentes. Como bem recentemente aconteceu em Oeiras, num caso meu conhecido, com um grupo de policias a provocarem um grupo de jovens à porta da casa de um deles e depois, pela resposta irreverente, mas não insultuosa...acabaram dois deles na esquadra, agredidos pelos agentes policiais, passaram a noite na cela da esquadra, aliás sem condições, sem cama, comida num prato no chão, pulgas e outros quejandos, e a consequente condenação em tribunal (que nestes casos funciona célere!). O medo das perturbações e agitações sociais, hoje, perante uma calamitosa situação de decrepitude e decadência sem remissão, da nossa politica e da nossa economia e, bem assim, do nosso futuro, bem justificada...mas o medo ainda fala mais alto!

O medo nas relações interpessoais. Medo de exprimir em palavras claras e sonantes, o que se pensa e se sente. Medo de até se conhecer alguém. Medo de se assumir um novo rumo nas relações. Medo de se reconhecer um erro e, corajosa e inteligentemente, dar-se a volta, tomar-se o sentido anterior, voltar atrás. O medo e o orgulho em constante confronto! O medo de, tendo uma vez sofrido, com uma amizade, talvez, mas com um anterior amor, mais certamente, voltar a assumir relações e ir em frente, contra todo e qualquer medo. Sempre na senda de uma luta que nunca na vida devemos deixar que nos abandone.

É assim que se nos aborrecemos com alguém, o medo e o orgulho não nos deixam, com facilidade ao menos, e com muita inteligência e segurança do que somos, para nós e para os outros, reconhecer talvez a ofensa, mas relevá-la, deixá-la num plano de insignificante, e abrirmos de novo os braços...a um filho que nos magoou, a um pai ou mãe que nos marginalizou ou desvalorizou, a um homem ou mulher que serão as pessoas ‘certas’ e por razões menores, de medo, por exemplo, não permitimos a nós mesmos vermos. Olharmos o horizonte ao longe, lá onde se encontra um futuro, que sempre quisemos ...e às vezes, na cegueira do nosso dia a dia, não víamos...e dizermos a nós mesmos que os nossos medos, receios, inseguranças e incertezas (formas distintas que o medo assume...) não nos podem deixar de novo...ao abandono da nosso orgulho e solidão (que também muitas vezes não sabemos hoje ver, que nos chega já ...amanhã).

Os medos são o nosso mais temível inimigo intelectual, emocional e psicológico no geral. São também os nossos protectores e mecanismos de defesa. Mas há que lhes impor limites, ou dominam-nos, seja em que vertente, das acima expostas for...

Muito mais havia a dizer sobre este tema, que me surgiu a propósito de tanta coisa: da actual situação politica e económica, da passividade e aceitação tácita de uma religião adversa e atroz (para as nossa mente e intelectualidade), da insegurança que observo e da triste aceitação de uma vida mais pobre, emocionalmente, em tanta gente de que vou tomando a noção...

Sempre lutei contra o medo, mesmo reconhecendo a importância da sua função, contra muitos tipos de medo e sempre fui ganhando em confiança, segurança, maturidade, sentido e noção do que quero. Nunca permiti que uma decisão ou desistência de decisão fosse pelo medo. Nem sempre temos essa força quando queremos, mas sempre teremos de ter em nós, a vontade do esforço...para lutar contra o nosso mais temível inimigo mental e intelectual. 

11.5.10

"Five Minds For the Future"


"Five Minds For the Future", de Howard Gardner. Um dos psicólogos mais influentes dos nossos dias, o homem que elaborou a Teoria das Múltiplas Inteligências, que também foi 'copiado' por uns tantos por esse mundo, como Augusto Cury, com teorias...não desenvolvidas, escreveu um pequeno livro, muito interessante e inteligente, como sempre, sobre As Mentes (para) do Futuro.

Gardner estabelece Cinco Mentes, não inteligências (consideradas na sua Teoria das Múltiplas Inteligências, como Aptidões, Capacidades e não como formas de Pensar e Agir) que considera como as formas de pensarmos, agirmos, nos posicionarmos, para este nosso mundo actual e para o nosso Futuro, individual e comum.

A Mente Disciplinada, a Mente Sintetizadora, a Mente Criativa, a Mente Respeitadora e a Ética.

Sem o domínio de um 'conhecimento', uma ciência, uma aptidão profissional, um indivíduo está sempre nas mãos de alguém. A Mente Disciplinada, definida como a emente que é capaz de aprender, conhecer e dominar um conhecimento é, também, capaz de saber como trabalhar ao longo do tempo para melhorar as suas aptidões e a sua compreensão.

A Mente Sintetizadora é capaz de juntar conhecimentos e informação, de várias fontes ou origens e fazer uma síntese e uma súmula, de uma forma que faça sentido para si e para os outros. Muito importante no passado, será ainda mais valiosa no futuro, ao ritmo a que a informação é hoje produzida nos é divulgada.

A Mente Criativa: a que 'pisa terrenos novos'. Produz novas ideias, coloca questões não familiares, antes não formuladas, 'conjura' novas formas de pensar e chega a respostas inesperadas. Estas 'criações' devem, por norma, encontrar aceitação perante ou por parte 'consumidores conhecedores'. A mente Criativa procura estar pelo menos um passo à frente dos mais sofisticados sistemas informáticos, computadores e robots.

A Mente 'Respeitadora', numa tradução literal, reconhecendo que nos dias de hoje não é mais possível manter-se numa 'concha' privada, encerrada no seu próprio território, nota e aceita como bem vindas as diferenças entre indivíduos e grupos humanos, tenta entender estes 'outros' e procura trabalhar efectivamente com eles. "Num mundo em que todos estamos interligados, a intolerância e o desrespeito não são mais uma opção viável" (Gardner, 2007).

A um nível mais abstracto do que a mente 'respeitadora', a mente Ética, pondera a natureza do nosso, do próprio, trabalho e as necessidades e desejos da sociedade em que vivemos. "Esta mente conceptualiza como profissionais podem servir os propósitos para além do interesse pessoal e como os cidadãos podem trabalhar de forma não egoísta para a melhoria de todos" (Gardner, 2007). A mente Ética actua, depois, com base nestas análises.

Ser moderno, agir e viver em conformidade com este tempo presente, preparar-se para o futuro, e ter a perspectiva correcta do Tempo, actual e futuro, ter a perspectiva assertiva, positiva, actuante sobre a sua vida e da interacção com os outros, é, também saber fazer uso das suas capacidades intelectuais, na maior extensão possível, e usar dos várias tipos de mentes ou mentalidades, de acordo com esta Visão de Howard Gardner.


10.5.10

A visita de mais um Papa: mais uma falsa esperança...e um equívoco


Há dois mil anos, desde que, dizem, fundada esta religião, da qual agora nos visita o seu universal, política e canonicamente, reconhecido e eleito líder, sempre se escreveu sobre a mesma, e nem sempre para a elogiar. Diz-se que a religião cristã nasceu há dois mil anos, mas para mim, com as mesmas bases históricas, mas sem o mesmo seguidismo de crentes que seguem o dogma, tal como um dogma deve ser seguido, nasceu um movimento político, mais tarde adoptado como religião. As razões da confusão histórica devem-se a muitos aspectos e diversas falsas e erróneas interpretações. Em primeiro lugar, há dois mil anos, religião e política confundiam-se, porque ambas tratavam dos mesmo problemas: a vida das pessoas, a organização social, a atribuição da autoridade, confusa entre um líder militar, um líder político e um...religioso, numa terra onde, na altura, só existia uma religião forte e organizada: o judaísmo. Cristo, aliás, nasceu Judeu, como sabemos. E é das poucas certezas, sobre esse homem, que mudou o mundo, com as suas ideias visionárias e inovadoras, mas igualmente irreverentes e controversas. No seu tempo e no seu meio só podia...não ser aceite. Tal como não o foi.

Mais tarde, interessou, a muitos e, nomeadamente a quem queria contestar, de uma vez, a supremacia do invasor, o Império Romano, que Cristo fosse colocado bem mais acima do que ele mesmo pretendeu, e, assim...tornou-se..filho de Deus. Mas aos olhos de quem hoje defende o Cristianismo, e o Dogma, ele mesmo foi um revolucionário e um ilícito, se for visto, como há dois mil anos se pretende...um religioso, um líder, um único o Verdadeiro Filho de Deus, com uma missão...a de trazer uma nova Palavra, e um novo olhar sobre as pessoas e sobre o Mundo. Mas afinal...porque só há dois mil anos surgiu um Profeta (por definição um portador de uma palavra nova e divina, e visionária) e depois desse momento...nunca mais terá surgido? Nem com outra religião, universal, excepção feita ao Islamismo, qual movimento contestatário, qual Partido Comunista da religião da época...

Mas já se analisou a história desta instituição que se apoderou de uma ideia, a ideia de um Cristo, do cristianismo? Já se verificou e tentou entender, porque se continua a considerar que, dois mil anos mais tarde...ainda se defende este ideário, como sendo uma 'ideia nova'...se durante mais de mil e quinhentos anos, quase mil e oitocentos, se tratou da instituição que:

  • mais formatou uma cultura, uma civilização e nem sempre pelas boas razões?
  • praticou mais crimes contra a humanidade e contra a sua própria, dita, Doutrina?
  • se continua a defender que é do Bem que se trata, quando nem se deixa a si mesma intererrogar?
  • porque não pode ser questionada?
  • porque só sucederam 'milhagres' em países onde a escassez de cultura e o atraso social é maior?
  • porque se considera ainda hoje, hoje mesmo, num programa da RTP, tanta gente considera que a visita de um Papa, será uma nova 'tábua de salvação'? (mas salvação de quê e contra quem? Política injusta? Contra uma sociedade consumista, capitalista como ouvir dizer? E porque, assim sendo, não se intervém, dia a dia, em lugar de deixar a intervenção a outros e o segredo para a solução num homem que nada sabe de nós, e nem quer saber? Ou porque se acha que com oração se resolvem problemas ou, pior, não se resolvem, porque se considera que não têm, talvez, solução, mas que a oração mitigará sofrimentos?
  • porque pára um país pela visita de um tão insignificante homem? 
  • porque se fala tanto de tal personalidade, quando no dia seguinte...as dificuldades são as mesmas que hoje, véspera da sua visita existem? E nunca foi um Papa, ou uma oração, ou milhões de orações, biliões delas ao longo de dois mil anos, que resolveram algum problema a alguém?
  • porque se acha que com uma fé, a vida será melhor? Se de vida se trata, porque se se trata de qualquer coisa depois dela, da vida, nem uma linha perco a escrever sobre tal disparate ( a vida é um fenómeno, aliás nem isso, é um facto! biológico e nada espiritual!)
  • há centenas de anos, há dois mil anos, ou qualquer coisa próximo disso, que se diz que há crise social, crise de valores...crise de ideias, crise de princípios, etc...mas que ...agora...é desta! Desta... com a visita da dita pessoa, a quem chamam de Santo Padre, porque um dia um conjunto de lúgrubes e suturnas individualidades, supostamente iluminadas, na sua confortável vida de luxo e mordomias, elegeu a referida, também individualidade (por definição, o oposto de Divindade, mas respeitada e cegamente seguida como divindade...precisamente o contrário do que Cristo defendia, visto que ele mesmo, furiosa, intrépida e irreverentemente combateu, no Império ao qual se opunha...!!)
....não tenho as respostas todas, ou não tenho a possibilidade de, aqui, as explanar em toda a sua extensão e necessidade, mas na quase totalidade, a resposta é a mesma:

Tudo não é mais do que uma elaborada (em dois milénios!) criação da nossa mente! 

Boa semana aos religiosos. Para mim, uma semana normal...ou talvez não, mas por outras razões, bem mais...'terrenas' (porque é na 'terra' que vivo...)

Não resisto a mais um comentário...a confusão...com uma pretensa 'beleza' de um palco para a missa papal em Lisboa...e a menção dos dois mil anos de história da igreja católica, com a adicional...'tem uma obra notável' (de perseguições religiosas, guerras religiosas, assassinatos, crimes e genocídios, destruição de civilizações ou de pequenas comunidades tribais, com a ridícula e criminosa ideia de a Verdade, pertencer aos cristãos e, em particular, aos católicos...).

E diz-se esta gente inteligente e especial. Especialmente iluminada porque detentora de uma verdade que outros não possuem...?!

Oiço um Rebelo de Sousa dizer coisas tão idiotas como isto: a mensagem da igreja,...da universalidade (como??? e isso é bom? E eu que pensava que Cristo, ao defender o respeito pela Pessoa, defendia, por consequência, o respeito pela Diferença!), a mensagem da Evangelização (nem comento...já respondi acima), a mensagem do respeito pela Pessoa Humana...(sim..risque-se da história a Inquisição, os auto de fé, as guerras religiosas (santas...), Cortéz, e outros 'santos espanhóis', as intrigas familiares em Itália e no Vaticano, os abusos de poder e as influências sobre o poder político em regimes obscuros e totalitários...os abusos de poder económico, quando tal foi possível, a omissão e a fuga a respostas como 'segredos' religiosos...os milhagres criados para subjugar, em épocas de duvidosa verdade histórica...e um infindável cortejo de atrocidades...

E lá continuam eles a tirar a esperança das mãos e da mente humanas, para a continuar a colocar nas mãos de uma divindade...e de personalidades supostamente superiores...

Quando veremos o fim de tanta estupidez humana?? 

8.5.10

A Casa do Tempo





A propósito de um filme interessante, com uma dupla de charme e dos sonhos de homens e mulheres, Sandra Bulock e Keanu Reaves, The Lake House (2006), e de um clássico da Literatura, Persuassion de Jane Austen, vim, novamente, fazer uma viagem no tempo...e umas reflexões sobre o papel que esse, que é o mais importante e influente factor das nossas vidas, joga nos nossos dias, nas nossas relações, nos nossos sonhos...

No filme, um intrigante história e um jogo, quase uma parodia com o tempo, a protagonista (Kate, médica em Chicago) vive um sonho...uma paixão com um homem, à distância de dois anos. Tinha ela vivido numa casa muito particular, uma quase cápsula do tempo, toda envidraçada, uma casa-analogia com uma ampulheta, onde a luz entra por qualquer lado, por todos os lados, a cada momento do dia, a mesma luz, com que, sem outros instrumentos, como os ‘modernos relógios’, sempre se aferiu o Tempo. Mas este tempo é outro...bem outro, para cada um dos dois protagonistas. Ao deixar a casa de vidro, no lago, nos arredores de Chicago, para ir viver num novo condomínio de luxo, na cidade, Kate deixa uma nota, uma carta ao seu sucessor inquilino.

A partir dessa carta e pelo pedido de reenvio da correspondência para a sua nova morada, Kate e o novo inquilino da casa do lago, Alex, um arquitecto, filho do desenhador da casa, correspondem-se e...pouco a pouco as suas vidas vão-se conhecendo, misturando, criando laços...e o sentimento de cumplicidade e de paixão começam a surgir. Mas neste caso, nesta relação, sui generis., o tempo que os afasta é de dois anos. Alex habita a casa onde Kate viveu. Mas Alex vive em 2004 e Kate...em 2006. Kate sonha em encontrar-se um dia com Alex, que se esforça o mais possível, e vive em função disso, por conseguir encontrar Kate. Um dia Kate pede-lhe por carta que tente encontrar um livro especial que ela perdera numa estação de comboio: Persuasão, de Jane Austen. Um livro que fala, também de uma paixão e...do tempo. E da espera. Um romance memorável de Austen sobre a Espera, por alguém. Tal como Kate e Alex tentaram...esperar.

Pode alguém encontrar a pessoa certa, no tempo errado? E pode conseguir ter essa percepção e a sabedoria de ...esperar, se puder, e conseguir? Antes, ainda, há um tempo certo para se encontrar a pessoa...certa? Ou, não sendo o momento mais adequando, consegue um ou os dois, num conhecimento, numa relação, ter essa noção, e saber...esperar? E ter tempo, para o Tempo certo?

Não me é difícil imaginar quantas pessoas, quantas relações, se perdem porque o tempo de cada um é distinto. Porque não tiveram essa noção..a tempo de fazer parar um certo desenvolvimento da relação e esperar? Porque os seus ritmos e compassos, são distintos, como a mesma melodia interpretada a tempos diferentes? Tal como a Kate e o Alex do ‘The Lake House’, muitas pessoas se perdem e esfumam, sem nunca se encontrarem...ou até se conhecerem mas verdadeiramente conseguirem conjugar os seus momentos, tempos.

Tal como ‘A Casa da Lagoa’ (tradução de The Lake House) muitas e muitas pessoas vivem um filme triste uma ou mais vezes na sua vida...

7.5.10

Portugal: a Resistência à Sensatez

O Governo insiste em grandes obras públicas, num momento de profunda crise económica, e não apenas financeira. A crise económica em Portugal tem muitos mais anos do que a crise financeira mundial, contrariamente ao que Sócrates insiste em afirmar, e em propagandear. Portugal que nunca foi um país industrializado, passou em poucas décadas a ser um país de serviços. Só por si, tal não seria nefasto, se o nosso papel na cena internacional tivesse outro peso e significado. E, por outro lado, em época de crise financeira internacional e nacional, um país que não possui uma base produtiva sólida, fica mais exposto e mais susceptível. 

Neste caso, a nosso exposição é-o também aos designados especuladores financeiros, que usam e abusam das notações negativas das agências de Rating. Mas a nossa exposição, nas próprias palavras do gestor do Estado no maior Banco privado português, o socialista colocado na Administração do Millenniumbcp, verifica-se porque 'nos pusemos a jeito'...

E porque Portugal nunca foi um país industrializado? E porque, tal como hoje lia na palavras de um reputado economista, Professor universitário, basta visitarmos outros países europeus, o Reino Unido, a França, a Alemanha ou mesmo a Espanha, para constatarmos, nos edifícios antigos, monumentais aí existentes, que o nosso país sempre foi mais pobre e mais modesto, e menos ambicioso, do que esses outros...

E, no entanto, Portugal já foi um líder mundial, em épocas já remotas, cinco séculos atrás, em que dominava a construção naval, a navegação, a matemática importante para essa navegação, o comércio mundial...e depois, nada disso soube aproveitar, perdendo-se nas suas imensas mas efémeras riquezas, não sabendo aproveitar o oportunidade para construir o que um povo deve mais a si mesmo: o futuro. Para o qual necessitava de desenvolver a ciência e a cultura, caminho esse que ao ter sido iniciado, em lugar do muito português egoísmo dos líderes, que a si dão tudo e a outros, dão despojos e mãos cheias de coisa nenhuma...

Esta forma de ser tão portuguesa ainda hoje se faz sentir tão presente e com tanto impacte nas empresas nacionais, e até nas internacionais, e passa a toda a sociedade, sendo uma marca que não nos abandona e um estigma que nos levará ao mais profundo do nosso fosso económico e social...

Os nosso empresários são em grande, larguíssima escala, os menos formados da Europa e os mais incompetentes e de menor formação, que não respeitam nunca os seus colaboradores, muitos deles bem formados e de elevadas competências. Eu mesmo já fui disso prova, vítima por algumas vezes e conheço exemplos em larga escala. Em lugar de investirem em elementos mais formados e retribuírem o seu trabalho de forma a conseguir rete-los nas suas empresas, preferem contratar alguém menos qualificado, menos assertivo e mais passivo, de modo a que nunca corram o que pensam ser o seu maior risco: ser-lhes exigido mais remuneração ou compensação ou acabarem por perder os seus quadros. E esta atitude, de procurarem pessoas menos formadas e mais passivas é transversal à grande maiorias das nossas empresas, mas não sucede, em regra, noutros países europeus.

Após um Salazar proviciano e que, de facto, não criou as bases de nada, de um economia forte e com solidez alicerçada em indústria possante e competitiva, ou numa economia mais plural, com um mercado interno concorrencial e livre, mas, ao invés, baseada numa oligarquia de poucas grandes famílias, apadrinhadas pelo regime, e com uma despesa brutal para suportar a estúpida guerra com as colónias...

...após um sonho socialista, dos anos pós 1974, ancorado numa regime falido e decadente, numa URSS em quase estertor...

...após o sonho de Cavaco Silva, de um país fundeado num Estado Providência, com toda a gente a ganhar melhores salários, numa economia onde desapareciam indústrias básicas, com a China e toda a emergente Ásia, ressurgente e poderosa a ameaçar os nossos benditos empresários-paradigmas dos baixos salários e da escassa/diminuta formação da mão de obra...com a despesa do Estado a agigantar-se...

...caímos no novo sonho, de Sócrates, ainda mais triste, decadente e medíocre, de um país afinal jovial, alegre e optimista, sem razões para tal, onde o Estado substituia, e sbustitui, os privados, como motor de Economias novas, onde as 'grandes obras' inúteis e insustentáveis, servem para encher o orgulho de vaidade de gentinha socialista medíocre, com construção de auto-estradas ainda hoje vazias de carros e de sentido...com pontes, TGV's de teimosia, que servirão o sonho espanhol, mais do que o português (como outros sonhos de outras eras, também espanhóis, o do abate da nosso frota pesqueira, num país que é o terceiro em consumo de peixe per capita e que tudo compra a tais espanhóis que não comem peixe mas que no-lo vendem...)...

...ao descalabro total e descrédito (literalmente, pois é o que aí vem com a bancarrota...!).

Há já mais de quatro anos que escrevo sobre este sonho falido e sem futuro. Desde a primeira eleição desta criatura sem formação e sem escrúpulos, que ontem mais uma vez deu provas do seu total e miserável desprezo por todos nós, ao convidar para conselheiro desse nefasto órgão de segurança nacional, um deputado sem nível social, político e, desconfio que humano, que subtraiu dois gravadores a dois jornalistas, num total desrespeito pela propriedade alheia, desrespeito pela sua condição de deputado, que tem de Nos prestar contas, sempre que lhe seja exigido...

Não sei que espera o Presidente Cavaco Silva, mas eu que fui seu apoiante oficial, com subscrição da sua candidatura oficialmente, já nem acredito nas suas virtudes de então e já só espero que este povo adormecido desperte de uma vez, para a todos dar um valente susto!