Greve Geral

Os dois partidos 'com vocação de poder', PS e PSD, nunca conviveram bem com o direito à greve. Mas esse direito, com frequência mais levada, exercido por razões reivindicativas e salariais, raras vezes esteve totalmente desprovido de razões. Mesmo que a muito boa gente lhe possa parecer o oposto. Houve abusos, como as greves na TAP, que no limite iam quase provocando a extinção da empresa, ou a sua venda a capitais exteriores.

As greves, quando apenas por razões de reivindicar e pressionar, no sentido de obter melhores salários, sempre foi uma adversidade e um 'espinho' dificil para o PSD, que, dizendo-se social-democrata, gostava e gosta de se colocar na boas graças dos empresários privados. Ao PS as greves não foram menos ingratas, e, com frequência, sempre afirmando 'que a greve é um direito dos trabalhadores', e que os socialistas sempre se sentiram os pais da liberdade e dos direitos sociais e políticos, o PS tentou minar toda e qualquer greve, quando no poder. Sempre inventou números e estatísticas e tentou confundir os referidos direitos, sendo a última tentativa a dos tribunais arbitrais. Ou a pressão exercida por via da 'requisição civil', que se suspeita voltar a ser exercida, forçada e anti-democraticamente, nesta greve geral a que hoje iremos assistir, e alguns, sentir.

O PS nunca foi sincero neste 'direito à greve', excepto quando a usou como arma política como Partido da Oposição, contra o PSD. Na realidade, posto que o PS esteve muito mais tempo no Governo, desde 1974, do que o PSD, tem sido o Partido Socialista o grande inimigo da Greve e, mais do isso, o alvo das mesmas.

Repete-se o cenário: o PS como alvo de uma Greve, Geral desta feita, e não apenas por razões salariais, que já seriam bastantes e substantivas, visto que na verdade os portugueses nunca atingiram a equidade entre nível remuneratório e esforço de trabalho, ou eficiência laboral, numa palavra: produtividade, versus, compensação justa. Sempre se mentiu sobre muitos dados relacionados com o trabalho em Portugal. Nunca trabalhámos menos do que os outros povos, noutros países. Podemos ter eficiência mais reduzida, ou mais desajustada do momento produtivo, mas essa é mais da responsabilidade dos empresários, dos gestores ou do Estado, em si mesmo. E muito menos de cada funcionário ou trabalhador. Mas sempre fomos menos compensados, ou, como nos insistem os agrupamentos ditos comunistas, mais explorados. E, nisto, têm eles muita razão. Pode ser isto que explica este anacronismo de sermos o único país da Europa onde o PCP e outros grupelhos anti-democráticos, auto-intitulados de esquerda ( a tal posição 'geográfica' definida por alturas de 1789...em plena Revolução Francesa...quanta modernidade! E actualidade...!) têm ainda a relativa 'força' e são (erradamente) ouvidos.

Um país que ouve a opinião de lideres de um partido, sobre o Orçamento de Estado, mas que nunca, em vez alguma, votou favoravelmente qualquer Orçamento...

Mas esta Greve tem outras razões subjacentes à sua convocação: o descontentamento geral sobre quase tudo o que o PS tem feito no poder. Ou...desfeito. De facto, nunca se assistiu a um tal assalto aos direitos de todos e qualquer de nós, vindos de um Partido que, em teoria, e, até ver, na prática, faz parte do sistema democrático. É o controlo da Comunicação Social (pelo controlo dos jornalistas, através da atribuição controlada das suas credenciais, centralizadas em organismos dependentes do próprio Primeiro-ministro), o controlo das polícias, com um absurdo, em regime democrático, todo-poderoso senhor-segurança do estado, que só ao Primeiro-ministro responde...o controlo dos Tribunais, como se verificou no amordaçar e destruição de provas em inquéritos judiciais onde repetidamente tem surgido o nome de Sócrates, através das 'rainhas de inglaterra' fúteis e 'afantochadas' do Presidente do Supremo Tribunal e do Procurador Geral da República... o controlo de empresas chave do sector privado, pela colocação forçada de compulsiva, fugindo a esclarecimentos e justificações, de 'boys' em Bancos (BCP, CGD, BES, BPI...) e em Grandes Empresas, PT, EDP; GALP, ou da recusa de serviços contratados a empresas que não sejam servilistas (portuguesas ou estrangeiras: Goldman-Sachs, Sonae, etc) e entrega duvidosa de encomendas a outras, onde imperam boys ou pro-boys (MOTA-Engil, BES, Teixeira Duarte, Cimpor, etc)...

Este PS merece bem esta Greve Geral e merecia ainda mais uma verdadeira Revolução e derrube do Governo pela forma que o povo usa de mudar de forma radical o rumo das coisas, quando a sua desgraça já parece ser inevitável: pela força.

Este PS de Sócrates, o mesmo Partido que tem no seu aparelho homens dignos e democratas, gente séria e inteligente, tem destruído paulatinamente a estrutura democrática que em 1974 se iniciou. E abusivamente usou dos meios financeiros já escassos para servir os amigos e alimentar a sua perpetuação no poder. Conduziu Portugal a uma situação calamitosa, comparavel, em indicadores económicos e sociais à vergonhosa Primeira República, mas faz com que sejamos todos a pagar as suas loucuras e irresponsabilidade, abusivamente e ilegalmente reduzindo salários e rendimentos, a quem menos capacidade tem.

Este PS ainda permite outros abusos de poder dominante de variadas empresas como já todos sabemos pelos anúncios que nos vão chegando dos aumentos de preços e custos em 2011: Vodafone (que diz ir aumentar preços em 2,2%+aumento do IVA, quando na verdade aumentará em cerca de 26%!!!), EDP, PT, GALP, e quase todos os Bancos portugueses.

Em 2011 iremos ganhar menos e pagar bem mais. Por culpa exclusiva dos devarios de Sócrates com gastos incontrolados e desnecessários, em obras públicas inúteis e em subsídios a empresas amigas, que de nada serviram para reanimar a economia. Iremos perder poder de compra, o que conduzirá a um dramático abaixamento do consumo, e, consequentemente a uma Receita do Estado insuportavelmente reduzida. Isso, só por si, levará a um Orçamento Rectificativo, e a mais medidas depressivas...como tão bem sabe fazer o teórico incompetente Teixeira dos Santos. Nem uma medida para reanimar e Economia terá signficiado e as invenções estatísticas encomendadas ao INE já não surtirão qualquer efeito.

É contra este empobrecimento nacional, imposto pela força por Sócrates, e por razões de se fazer pagar a sua incompetente administração, que neste 24 de Novembro se realiza a, talvez única, Greve Geral Justa e bem vinda. Mas é contra o défice democrático de Sócrates, também, que esperemos não venha a tomar medidas repressivas, tão a seu gosto, e pelo menos respeite, que se sente tão desiludido e deprimido, com a mais justa e nobre das razões: ver a sua vida próxima desprovida de qualquer esperança.

Esta é pois, uma Greve que devemos respeitar, se não mesmo apoiar. Por ser necessária, ou por ser compreensível.

Que Sócrates ( e o seu provinciano retrógrado Teixeira dos Santos) a sinta em toda a sua força!

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