Portugal: a Resistência à Sensatez

O Governo insiste em grandes obras públicas, num momento de profunda crise económica, e não apenas financeira. A crise económica em Portugal tem muitos mais anos do que a crise financeira mundial, contrariamente ao que Sócrates insiste em afirmar, e em propagandear. Portugal que nunca foi um país industrializado, passou em poucas décadas a ser um país de serviços. Só por si, tal não seria nefasto, se o nosso papel na cena internacional tivesse outro peso e significado. E, por outro lado, em época de crise financeira internacional e nacional, um país que não possui uma base produtiva sólida, fica mais exposto e mais susceptível. 

Neste caso, a nosso exposição é-o também aos designados especuladores financeiros, que usam e abusam das notações negativas das agências de Rating. Mas a nossa exposição, nas próprias palavras do gestor do Estado no maior Banco privado português, o socialista colocado na Administração do Millenniumbcp, verifica-se porque 'nos pusemos a jeito'...

E porque Portugal nunca foi um país industrializado? E porque, tal como hoje lia na palavras de um reputado economista, Professor universitário, basta visitarmos outros países europeus, o Reino Unido, a França, a Alemanha ou mesmo a Espanha, para constatarmos, nos edifícios antigos, monumentais aí existentes, que o nosso país sempre foi mais pobre e mais modesto, e menos ambicioso, do que esses outros...

E, no entanto, Portugal já foi um líder mundial, em épocas já remotas, cinco séculos atrás, em que dominava a construção naval, a navegação, a matemática importante para essa navegação, o comércio mundial...e depois, nada disso soube aproveitar, perdendo-se nas suas imensas mas efémeras riquezas, não sabendo aproveitar o oportunidade para construir o que um povo deve mais a si mesmo: o futuro. Para o qual necessitava de desenvolver a ciência e a cultura, caminho esse que ao ter sido iniciado, em lugar do muito português egoísmo dos líderes, que a si dão tudo e a outros, dão despojos e mãos cheias de coisa nenhuma...

Esta forma de ser tão portuguesa ainda hoje se faz sentir tão presente e com tanto impacte nas empresas nacionais, e até nas internacionais, e passa a toda a sociedade, sendo uma marca que não nos abandona e um estigma que nos levará ao mais profundo do nosso fosso económico e social...

Os nosso empresários são em grande, larguíssima escala, os menos formados da Europa e os mais incompetentes e de menor formação, que não respeitam nunca os seus colaboradores, muitos deles bem formados e de elevadas competências. Eu mesmo já fui disso prova, vítima por algumas vezes e conheço exemplos em larga escala. Em lugar de investirem em elementos mais formados e retribuírem o seu trabalho de forma a conseguir rete-los nas suas empresas, preferem contratar alguém menos qualificado, menos assertivo e mais passivo, de modo a que nunca corram o que pensam ser o seu maior risco: ser-lhes exigido mais remuneração ou compensação ou acabarem por perder os seus quadros. E esta atitude, de procurarem pessoas menos formadas e mais passivas é transversal à grande maiorias das nossas empresas, mas não sucede, em regra, noutros países europeus.

Após um Salazar proviciano e que, de facto, não criou as bases de nada, de um economia forte e com solidez alicerçada em indústria possante e competitiva, ou numa economia mais plural, com um mercado interno concorrencial e livre, mas, ao invés, baseada numa oligarquia de poucas grandes famílias, apadrinhadas pelo regime, e com uma despesa brutal para suportar a estúpida guerra com as colónias...

...após um sonho socialista, dos anos pós 1974, ancorado numa regime falido e decadente, numa URSS em quase estertor...

...após o sonho de Cavaco Silva, de um país fundeado num Estado Providência, com toda a gente a ganhar melhores salários, numa economia onde desapareciam indústrias básicas, com a China e toda a emergente Ásia, ressurgente e poderosa a ameaçar os nossos benditos empresários-paradigmas dos baixos salários e da escassa/diminuta formação da mão de obra...com a despesa do Estado a agigantar-se...

...caímos no novo sonho, de Sócrates, ainda mais triste, decadente e medíocre, de um país afinal jovial, alegre e optimista, sem razões para tal, onde o Estado substituia, e sbustitui, os privados, como motor de Economias novas, onde as 'grandes obras' inúteis e insustentáveis, servem para encher o orgulho de vaidade de gentinha socialista medíocre, com construção de auto-estradas ainda hoje vazias de carros e de sentido...com pontes, TGV's de teimosia, que servirão o sonho espanhol, mais do que o português (como outros sonhos de outras eras, também espanhóis, o do abate da nosso frota pesqueira, num país que é o terceiro em consumo de peixe per capita e que tudo compra a tais espanhóis que não comem peixe mas que no-lo vendem...)...

...ao descalabro total e descrédito (literalmente, pois é o que aí vem com a bancarrota...!).

Há já mais de quatro anos que escrevo sobre este sonho falido e sem futuro. Desde a primeira eleição desta criatura sem formação e sem escrúpulos, que ontem mais uma vez deu provas do seu total e miserável desprezo por todos nós, ao convidar para conselheiro desse nefasto órgão de segurança nacional, um deputado sem nível social, político e, desconfio que humano, que subtraiu dois gravadores a dois jornalistas, num total desrespeito pela propriedade alheia, desrespeito pela sua condição de deputado, que tem de Nos prestar contas, sempre que lhe seja exigido...

Não sei que espera o Presidente Cavaco Silva, mas eu que fui seu apoiante oficial, com subscrição da sua candidatura oficialmente, já nem acredito nas suas virtudes de então e já só espero que este povo adormecido desperte de uma vez, para a todos dar um valente susto!

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