PSD: Há erros que não se podem cometer


O PSD, no seu Congresso que hoje terminou aprovou uma alteração estatutária, uma regra, totalmente oposta ao espírito democrático que presidiu à generalidade das intervenções durante o mesmo. Um regra que permite aplicar sanções, de suspensão até dois anos ou mesmo de expulsão do Partido (como?) a quem criticar as orientações da liderança, especialmente nos períodos de eleições directas internas.

Uma regra ridícula, completamente estúpida e contra a inteligência de qualquer democrata. Uma regra que terei, se houver oportunidade TODO o PRAZER em desrespeitar. Porque sou contra todas as formas de cercear a liberdade de expressão e não admito que o meu Partido as venha impor. Nunca! E se tiver de ser, será. Com os tribunais a ver quem tem razão.

Uma coisa é que cada um use de bom senso e que, fazendo parte de uma organização, ou que com ela simpatize, não procure destruir ou provocar o surgimento de facções sem consequências outras que não sejam os seus interesses, passando por cima dos do Partido a que se diz afecto ou militante. Outra é esse Partido não confiar nos seus próprios militantes, mas depois até queres efectuar Congressos (e o PSD é campeão deles) e eleições, pedindo a participação de todos.

Não se pode passar dois dias a zurzir contra a evidente atitude anti-democrática do PS, já sobejamente conhecida, e que nem tem destas regras, mas que na prática usa dos mesmos preceitos e preconceitos e inseguranças, e depois fazer ainda pior do que os outros.

Ridículo! Vergonhoso! E Pedro Santana Lopes, cá me tem para não cumprir coisas destas. Já por coisas parecidas e mais subtis, me escusei sempre a maior e mais activa participação partidárias, quando vejo pessoas como algumas que vi, a nem saberem expressar-se e com responsabilidades, nomeadamente em secções do Partido em Lisboa, que se esquivam a discutir com o povo, decisões suas enquanto vereador na Câmara de Lisboa e inventam um acidente de viação inexistente, para não comparecer numa reunião (há cerca de três anos...) promovida pelo mesmo, para discutir os problemas da droga, em Benfica...porque os populares não concordavam com a sala de chuto prevista para o Bairro do Charquinho...

Quando vejo gente desta, que mancha o PSD, ainda surgir no Congresso...e falar, sem saber falar...

Quando vejo em que se tem transformado o Partido com que simpatizo e milito, numa vergonha que não trará confiança aos portugueses...
...mas a sua veemente condenação. Por coisas destas, bem podem considerar as eleições perdidas. Esperemos para ver.

Como querem algum dia ser alternativa a um Partido tão pouco honesto e tão pouco competente, cheio de redes de influências se deixam nódoas como esta ( e esta gente...) a deteriorar tudo o que sempre foi o ideal de um Partido de gente livre e moderna, com regras tão anacrónicas como vergonhosas?

Os militantes verdadeiramente democratas só lhes vão dar um única hipótese e uma só: anulem esta e outras regras semelhantes. Esta não é uma sugestão. Quem é soberano num Partido, como num país, não são os líderes. Nunca são. Os líderes, lideram, não mandam. Os autênticos, não precisam mandar. São respeitados e seguidos. Não há, no caso de existir um líder genuíno medo de críticas nem opiniões divergentes. Um líder ouve, discute e decide. A sua decisão, após ouvidas as pessoas, deve ser seguida, mas não tem de ser dogmática, nem precisa. Nem as suas decisões se podem tornar inquestionáveis, ou então ...esqueçam a Democracia. E sujeitem-se ao que vier depois. Uma decisão de um líder ou de uma Direcção não tem de ser aceite apenas porque sim. Mas porque exactamente é o sentido e a vontade da generalidade das pessoas lideradas. Nunca ao contrário. Nem num Partido, nem no País- Nem com uma Direcção partidária nem com um Governo ou com o seu Chefe.

Esperemos pois pelas consequências desta vergonha.

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