31.12.09

2010: O primeiro local do Novo Ano


Kiritimati, ou Christmas Island, parte da República de Kiribati, é o primeiro local habitado do mundo, onde o ano muda. Este ano, às 10h00 TMG já se estão, nesta ilha, em pleno pacífico, em 2010.

"É considerada o maior atol do mundo. Tem 642 km² de superfície emersa o que representa 70% do território de Kiribati. É o primeiro local habitado do mundo a ver o nascer de cada dia, pois usa o fuso horário UTC+14. Tem cerca de 5 mil habitantes." (Wikipedia)

Estão eles mais avançados do que nós? No ano novo, claramente. Mas nós levamos vantagem sobre a fabulosa terra-de-todos-os-acontecimentos: New York. Levamos seis horas de avanço no sentido da mudança do calendário.

FELIZ ANO NOVO!
UM GRANDE E EXCELENTE 2010!


29.12.09

A Festa


Hoje, deixo-vos um belíssimo texto, lido pela autora, Aline Bazenga, numa Rádio no Funchal, que conta boa parte da vivência da minha infância, da minha família e da "Festa", do Natal, na minha ilha.

"Uma cereja no Outono, o nariz molhado em molhinhos de Junquilhos, sentada nos degraus, entre os poios.

Cheira-se a Festa a chegar.

De lálem, no Lombinho, sinais da matança no ar.

A do Francisquinho, no meu Lombo,

Senhor Francisco dos Armazéns,

será no Domingo que vem – pensava eu,

com os meus botões.

Estive lá.

Os homens, contentes, do lado de lá,

à volta do porco deitado, já quieto.

Do lado de cá, as mulheres.

Com elas provei o primeiro petisco do porco.

Sabia a morcela sem ser,

e misturava-se a lasquinhas de bacalhau,

de mais apetecer.

Naquele ano não seria na padaria.

O primo Alcino tinha um forno para estrear.

E foi a calhar,

para os meus primeiros bolos também.

E a receita?

A tia dizia – a da avó é a melhor.

A prima Gilberta, que não.

A da sua mãe sim, essa sim, a melhor,

e levava cerveja preta.

De papel na mão, lá fui.

(Do tempo da avó Bela, o avô –

era quem fazia estas compras.

Comprava tudo na Manteigaria União,

colada à Havaneza de ainda hoje,

indo pela Condessa,

até quase ao pé do Semeador, arrumado ali na Câmara,

era onde era - contou-me o pai.)

Na rua do Carmo, à frente do balcão e de lista na mão. Cidra, cravinho da índia, cravo da acha, erva-doce, nozes, amêndoas, canela, noz-moscada,

em pedacinhos de gramas, pesados de colher na mão.

Tudo ali.

A banha e o mel de cana. As laranjas e a raspa de limão.

Na banheira verde, misturei tudo,

amassando esperei, velando,

o tempo da massa crescer.

Seria a massa da avó Bela,

da prima Gilberta,

e agora a minha. Sem cerveja preta.

Junto do forno novo, entre broas de mel e licores,

as fornadas rosando o ar,

a mesa grande a compor-se.

Os nossos bolos a juntarem-se,

embrulhados em papel vegetal,

até serem um sobre um, como num tabuleiro de damas.

O ar doce de todos,

o ar de ficando juntos. Na travessia para a Festa.

Os bolos molhados de memórias –

a avó, as tias, as primas e primos e eu fazendo parte deles,

com as minhas mãos de amassar,

embrulhar,

partir com as mãos de dar.

Os bolos daquela Festa.

Não há melhor bolo de mel que este - também vou repetir, até ser avó um dia.

(E cá para nós, em segredos, ouvi dizer

que ainda hoje no Funchal há uma mercearia,

lá para os lados da prima Gilberta,

onde os bolos de mel são os da avó Bela,

e já eram da avó dela)."

Aline Bazenga

24.12.09

O Tratado

O Tratado. O 'De Lisboa'. Que nos há-de 'tratar' da saudinha, a quase todos. Dizem-nos que é importante. Para dar outra eficiência à Europa, querendo eles dizer às instituições da Europa. Porque a 'Europa', das pessoas, somos nós e não as 'instituições'. Para começar.

Dizem-nos que, assim, a Europa será ainda mais importante aos olhos dos outros, dos não-europeus. Que, assim, terá a Europa (afinal, parte dela apenas, mas a parte da Europa selecta, a evoluída...) terá outra voz, mais forte e sonante, nesse mundo injusto para a Europa, nesse mundo que cria crises financeiras de que, depois a Europa vem a sofrer. Nesse mundo que produz mais barato do que a Europa e é, assim, profundamente injusto para quem lhe ensinou, afinal, a produzir.

Mas a Europa é a dos que decidem por ela? Ou é a dos que decidem quem decide por ela? Dos mesmos que amanhã não sabem se também vão receber a notícia, ou a carta, de que também ficarão desempregados, sem o rendimento e a qualidade de vida que a Europa sempre promete, tal e qual os seus amigos e colegas, que pensavam que seriam casos únicos. Que aconteceria apenas 'aos outros'. O desemprego, como a doença, o acidente e a desgraça. O fim dos sonhos. O fim do estatuto. O fim, ou a mudança de tantas amizades. Com o desemprego, também se vão algumas, muitas amizades. O desemprego, como a lepra de outros tempos...

Interessa a um eleitor sensato, responsável, com sentido do dever democrático, este Tratado, para o qual se celebrou numa cerimónia de mais de um milhão de euros, qual migalha em horizontes de TGV's (uma panaceia para todos os atrasos e todas as misérias) um Tratado assinado por um 'punhado' de usurpadores da vontade dos outros, um Tratado redigido por 'alfaiates' que o foram compondo com as várias medidas e cortes, à medida do capricho de cada 'senhor do poder', de cada Estado-membro? Interessa?

Uma Europa que se constrói em ilusões históricas como o proverbial e estúpido e anacrónico enquadramento ideológico-partidário de 'esquerdas' e 'direitas', como se se pudesse meter cada um de nós numa espécie de cor, de rótulo de forma tão simplória como desajustada. Com tanta evolução, dita humana e tecnológica, e ainda se usam 'encaixes' de pessoas em grupos, grupelhos aliás, ridículos, de esquerda e direita, para assim se dizer, consoante o 'lado' de que se, supostamente, se vêm, dos... 'bons e dos maus'.

Interessa uma 'espécie' de 'ordem social e política que se coloca diariamente nas mãos, ordeiramente, sem me querer repetir, de pseudo-ilustres, iluminados, que sabem o que nos é bom e vantajoso e, por consequência, o que é mau e desvantajoso? Um grupo de insucedidos, economica e politicamente, ou diria melhor, de falhados bem vestidos, bem transportados e bem remunerados, diz-nos que nos devemos 'comportar' bem, e sermos solidários, não com outros iguais a nós, no nosso burgo ou bem longe dele, noutro país, mas com os ditos 'iluminados timoneiros' e votarmos, votarmos sempre e nunca nos abstermos. Votarmos para os eleger (ou não teriam emprego!) e para dizer sim à miséria de Tratados fúteis e ridículos, vazios de significado futuro, para que assim a Europa continue a ser o lugar mais ordeiro do mundo, o mais 'limpinho' o de 'estilo e classe' que os 'outros invejam.

Mas afinal, este Tratado, ou outro qualquer, não vai mudar os destinos dos que ficam sem trabalho e sem futuro, dos que têm de mandar ao lixo os seus brilhantes currículos profissionais e académicos, que são enaltecidos e promovidos pelos senhores do 'status', porque no dia seguinte ou nesse mesmo...ficam sem saber como sustentar o modo de vida, ou apenas...a família e eles próprios.

Uma ordem política democrática que se ri de nós, todos os dias, e nos ri nas costas, com explicações idiotas sobre a origem das crises económicas e sociais, sobre o seu desenvolvimento e sobre o nosso futuro após as mesmas, porque...tudo ficará na mesma, ou, alías, bem pior.

Quem perde o emprego e passou a vida a auto aperfeiçoar-se, a formar-se e subir de grau académico e profissional, amanhã, se voltar a recuperar a ocupação profissional e a dignidade, fá-lo-á à custa de uma nova escravidão. A das horas sem fim ao serviço da nova empresa, das novas e mais restritas e elevadas exigências, do vencimento mais reduzido e dos objectivos mais ambiciosos e vigiados. À custa da dignidade profissional que a tudo custo tentam recuperar, a bem, dizem-nos de uma nova ordem económica, que, pós-crise, tudo terá de mudar, com mais exigência...mas apenas para os que foram engolidos na crise. E nunca para os senhores do Tratado e do Banco Central Europeu.

Um dia trataremos do Tratado e de quem 'tratou' de nós.

Outra vez, porque a história tem esta mania de se repetir.

10.12.09

Os loucos de Lisboa


A manhã começou suave e doce, e fresca e límpida, desde o trajecto de comboio até Lisboa, ao autocarro que me levou ao Largo do Rato. Suave e doce, ainda sem a cafeína que se costuma impor matinal e diariamente, uma dependência que, por enquanto, a sinto pouco prejudicial, e que me acalenta a alma no seu amargo quente ...

O Allegro do belíssimo Trio K502 de Mozart, aquecia-me o ouvido e enchia-me o espirito de coisas boas, enquanto me deliciava com o sol que batia nas lindas fachadas setecentistas da baixa lisboeta, junto ao Cais do Sodré, ou Praça Duque da Terceira. O autocarro parecia assim flutuar pelas notas aveludadas daquela música redonda e envolvente que noz transporta para outras esferas do pensamento e nos protege de pensamentos menos positivos.

Ao passar na rua da Misericórdia, já o rádio do telemóvel ia noutra fantástica obra, a primeira Partita de J.S. Bach, para violino solo. Uma música que nos aproxima 'dos deuses' ainda que eles possam nem existir. Uma música untuosa, que nos abraça e nos faz sentir menores, perante a sua beleza e suprema perfeição.

Antes da paragem do Largo da Misericórdia, um tresloucado decidiu iniciar o seu dia e o dos outros com insultos e impropérios a uma senhora de idade que denotava dificuldade em se deslocar para a parte posterior do autocarro...

(aos berros e num tom misto de insulto e de gozo, irritado com o seu mundo e, pelos vistos, com o dos outros)... "sai-me do caminho, velha do c... que fazes aqui? já devias era estar em casa...e não vir atrapalhar os outros!"

Ao responder a alguém que o interpelou, ainda se excedeu mais, com a mais profícua substantivação às partes íntimas de senhoras e senhores... só se acalmando quando alguém lhe lembrou que havia crianças a bordo, mesmo ao seu lado, mas regressando à sua loucura, consciente, e de estimação, assim que saiu para a rua.

São os 'loucos de Lisboa', neste caso com minúscula, para não desmerecer os autênticos, da "Ala dos Namorados"?

Gente que já não tem algum controlo emocional, nem o mínimo de complacência com a decência...dos outros, que seja. Perturbados e desequilibrados, descompensados sociais, para quem já nada importa, nem o seu mínimo entendimento do que fazem a si mesmos, nem uma escassa noção do mundo em que vivem, e que não se encontram sozinhos nele. Se genuína a sua loucura social, onde acabam pessoas assim? Num grupo de terapia, ou apanhados numa onda de marginalidade? Vítimas voluntárias da loucura maior de um outro qualquer tresloucado, ainda mais arrojado ou fisicamente mais pujante? Ou tudo não passa de um simples 'golpe de encenação teatral', do pior gosto que se possa imaginar?

Ou será pura delinquência?

Um amanhecer aveludado com um sol branco e forte como só Lisboa sabe oferecer, logo perturbado por esta 'cena' de trapos sociais, de uma manta psíquica que cada dia se vai desfazendo em algumas cabeças mais fracas...

9.12.09

Reflexões, ou pura retórica.


Um dia acordamos e parece-nos tudo, quase, normal. Um dia saímos de casa e logo aos primeiros 'acontecimentos' nos damos conta de que esse dia é tudo, menos normal. Ou que, afinal, os outros dias também não o foram.

Porque vemos tudo, se não tivermos feito o esforço devido e honesto de usar outros meios (os dos outros, nomeadamente), pelos nossos olhos (uma composição complexa entre visão, mente e experiências acumuladas, nem todas, sempre positivas ou construtivas...) e nos deixamos levar (talvez nem possa ser de outra forma) no esmagamento que as rotinas diárias nos concedem, não fazemos a pausa que se impõe, para reflectirmos no que andamos a fazer, por vezes há anos, e na construção do mundo em que andámos a laborar...

E nesse dia, alguém, talvez consciente ou não, envia-nos um sinal, ou algo que assim interpretamos. E pomo-nos a pensar...

De que nos adianta esse distanciamento que, tantas vezes obsessivamente, vamos elaborando em relação ao mundo mais primário, mais automático, mais instintivo, mais animal, mas também mais genuíno, intelectualmente honesto, simples mas não simplório, como se de uma missão para toda a vida se tratasse? De que nos serve andarmos toda uma vida nessa azáfama de informação ou educação pessoais, se ela mais adiante ou mais atrás, nos pode conduzir ao afastamento de tantas coisas que são a estrutura básica da nossa sobrevivência e, consequentemente, parte essencial da nossa felicidade? Coisas como as mais pragmáticas das que nos sustentam a forma de vida razoável e sensata? Elaborar numa construção de mais aperfeiçoamento pessoal, mais informação ou, epíteto anti-social, cultura? E se isso nos afasta de tanta gente que, à medida da passagem do tempo, nos acaba por isolar?

'Remar contra a maré'...tem sempre um significado dúbio e pouco saudável, porque, desde logo a 'nossa maré' não é distinta das outras... e a nossa também é objecto dessa mesma actividade que leva tantas outras pessoas a tentarem levar a 'sua embarcação' contra as correntes' que se lhe vão surgindo.

Por obsessão? Obstinação? Teimosia pura e simples? E a quem a aproveita? Porque não deixar-se, apenas, levar nessas marés que por aí surgem?

Hoje, alguém me lembrou este meu sítio onde debito estes dislates de algum mundo interior, nem sempre tranquilo. Sinto-me agradecido, até pela consideração que me merece. Até pelo comentário elogioso. Mas não me sinto com uma energia ou capacidade de dar mais substância, de momento, às futilidades que, por aqui, vos podem maçar.


28.10.09

No país dos carros negros (II)


Entra no café pelas nove da manhã, ali junto à estação da linha do comboio, em Oeiras e pergunta: Posso ir à casa de banho? O empregado, um pouco surpreendido, sentindo-se algo como um professor em sala de aula, responde: sim, é ali à esquerda. A senhora, com evidências de noite mal dormida, arrasta os pés, indolente e preguiçosa, de uma noite de mais tristezas e misérias, que nem a deixam pensar que o direito a frequentar uma casa de banho de um café, é um direito público, que não pode ser bloqueado, para além dos normais 'direitos de admissão' a um espaço que, sendo publico, pertence a uma empresa privada: um café.

Ser de direita e ser de esquerda: continua-se a fazer a divisão da sociedade, em momentos particulares, felizmente, entre os que são, ou serão, de esquerda, 'os bons, amigos dos outros, dos mais carenciados', e os de direita, os egoístas, que vêm o mundo e a vida pelos olhos do 'vil metal' e da nota de Euro/Dólar. Visão minimalista e redutora, para além de total e completamente anacrónica. A dita 'esquerda' pratica cada vez mais políticas tradicionalmente tidas como de 'direita' e a direita, nem por isso as pratica como se fosse 'esquerda'. Como se as ideias da Revolução Francesa (de 1789!!!) ainda hoje fossem actuais e fizessem algum sentido, como se estar de um lado, político, aliás renegado pela generalidade das pessoas, como sendo a política uma 'parte suja' da vida e da sociedade, fosse bom e estar do outro fosse mau.

Não sendo bastante esta redução das pessoas a 'clubes' ou 'sectores' sociais, aliás inexistentes, por quanto a única participação activa e permanente das pessoas na vida política se resume à vida autárquica e, como tal, personalizada na individualidade que tem o pode autárquico na sua zona de residência e/ou de trabalho, ainda se tenta, tantas vezes, passar a ideia de que quem não tinha vida adulta por alturas do 25 de Abril de 1974, ou não esteve na Guerra de África (aliás, áfricas...) não pode, responsavelmente, saber de política ou pretender ter ideias ou, menos ainda, responsabilidades políticas. Mário Soares em muitas ocasiões quis passar esta ideia, estúpida e profundamente ignorante, a qual conduz, em ultima análise a que o deu filho, João Soares, não pode 'saber do que fala', e muito, muito menos, o seus netos. Não há pessoas de direita e pessoas de esquerda! Simplesmente!



As tretas de Saramago


Saramago pretendeu criar suspense pelo seu novo livro ou, genuinamente, divulgar e, sendo uma individualidade com elevada visibilidade, levar mais pessoas à sua causa de uma suposta, mas sempre, por ele, mal explicada aversão às religiões- ou apenas à Igreja Católica, e nem sequer ao Cristianismo, no seu tão vasto universo- e à defesa da ideia da não existência de Deus?

Porque para mim não ficou esclarecido. Não que seja muito importante que um cidadão, absolutamente normal, com uma qualidade de escrita razoável, a roçar a ignorância, tantas vezes, e infantil, frequentemente, mas sempre muito imaginativa, criativa e mediática, que até ganhou um prémio mais prestigiado do que efectivamente de valor cultural indiscutível, se venha agora 'confessar' intrínseca e basilarmente ateu. Não que tenha importância a pretensa polémica que entre ele e outros tão mal informados teólogos do provinciano catolicismo português, que se gerou a propósito de um livro interessante do ponto de vista estético, mas um livro pouco mais do que 'menor', como se de uma obra com bases sólidas e culturalmente respeitáveis se tratasse, venha mudar, de alguma forma, mais ou menos radical ou decisiva, o modo de pensar e, mais importante, de acreditar neste mundo ou no seu 'além'.

Saramago apenas interpela, ou roça de ligeiro, algumas 'imagens', poéticas e nada, mesma nada pretensamente realistas, do Antigo Testamento, e não abordou sequer a essência da Teologia Cristã. Saramago, tal como diz Richard Zimler, denota até, infelizmente, uma profunda ignorância sobre a raiz do Cristianismo, teológica e culturalmente.

Como é possível que um homem de quem se tem a ideia que pensa, de forma reconhecidamente fundamentada, ou se julgava assim ser, vem de modo tão infantil defender argumentos como 'se não se queria que as pessoas pensassem de determinada forma, dever-se-ia ter escrito a Bíblia de uma outra forma?'- aqui devia ter aberto um parêntesis para dizer que apenas o Antigo Testamento, e não a Bíblia no seu todo, que não a aborda e que, como se sabe, ela mesma percorre centenas a milhares de anos de história, cultural e religiosa, do 'mundo ocidental' e das raízes mais profundas da nossa civilização, decadente ou não há mais de quinhentos anos, como defende Jacques Barzun. Mas ele não abriu, talvez levianamente, esse parêntesis.

O artigo a propósito escrito por Zimler merece ser lido e reflectido. Nem um, nem outro, nem Saramago, nem Zimler, porém, nem a igreja, também, a meu ver, como todo o seu passado de pretensa Teologia- uma ciência que não sabe bem o que estuda- põem em causa qualquer ateísmo fundamentado.

Richard Dawkins, no seu livro, esse sim, fundamentado e bem estruturado, mas obviamente, tal como os teólogos do cristianismo, passível de ser ou não criticado, aceite ou rejeitado, The God Delusion, defende que Deus não existe, nunca existiu nenhum Deus e que tal se deveu apenas a uma criação da cabeças dos humanos.

Confesso-me cada vez mais partidário da defesa de ideias de Dawkins e, por isso, me riu das infantilidades de um Saramago, pretensamente erudito e pensante. Mas afinal tão provinciano e superficial. Uma pena. Vale a pena, sempre, ler o livro. É divertido, ao menos. É Saramago, com a sua imaginação e tom jocoso, a rir-se do que outros levam a sério a a levar a sério o que não consegue, nem nunca se conseguiu, ou conseguirá demonstrar.

Mas é, mais precisamente, uma tentativa. vã, tardia e não conseguida de defender que vale mais um deus em Marx, supostamente mais humano, mas como se sabe por trás de cujas ideias se cometeram tantas ou mais desumanidades e crimes contra a humanidade, no tempo dos sovietes, e ainda hoje no tempo de Putin, Castro e outros, do que um Deus desconhecido do ponto de vista físico e material.

Mas sempre se venderam mais uns livritos para que beneficie a companheira Pilar. Nada a opor. Um livro é sempre um livro.

Mas vale a pena ler Zimler, neste excelente texto, publicado na Ipsílon: A insustentável leveza da ignorância,

21.10.09

No país dos carros negros (I)


Neste triste país, de tantas 'modas', hábitos inquestionados, 'memes' (replicadores culturais, tais como os definiu e criou o termo, Richard Dawkins), há de tempos em tempos um ligeiro, muito suave e pouco tempestivo, despertar das mentes...

Saramago publicou um novo livro: Caim. Em com 'Caim', ou através dele, Saramago pretende defender a ideia, inteligente e louvável, aliás, mesmo que se discorde, da perversidade da igreja católica, do cristianismo até- mesmo que, sendo ele um laureado com o Nobel, só os católicos, tenham acusado o 'toque', estranhamente...da inutilidade da religião, ou religiões, e, mesmo, da inexistência de deus.

Começo por dizer que partilho inteiramente da ideia da inexistência de deus e da inútil perversidade, maldade até, das religiões, sejam elas quais forem. Por tão só serem uma criação humana, de vantagens duvidosas, excepto talvez alguma, ou muita, bondade e humanismo de que se revestem muitos praticantes de religiões- mas outros, de maldade e violência, em lugar de atitudes ou comportamentos positivos. Essa circunstância, aliás, é vantagem das religiões e a desvantagem, na mesma proporção de pessoas como Saramago que toda a sua vida defenderam ideiais tipo-religião, como o comunismo, ou socialismos desumanos e arcaicos, e tão ou mais violentos que as religiões, também elas com uma longa história de crimes e desumanindades.

Para mim, quando se defendem ideias controversas, polémicas ou profundamente irreverentes, afrontando tudo o que em centenas ou milhares de anos se tomou como certo, seguro e fiável, e que, como neste tema da religião e da fé, toca bem fundo nas convicções respeitáveis- tanto quanto as de quem não tem essa fé e não se 'prende' a ideais teológicos- deve ter uma cabeça impoluta, livre e sem amarras, ou perde a credibilidade ou fica ferido na asa, de raíz.

É lamentável, mas Saramago nunca terá a plateia que pode ter pretendido. Terá boas vendas, mas não mais.

E a ideia era merecedora.

É assim. Somos assim, neste triste país massacrado por teixeiras dos santos, salazares e outros sócrates, onde a estúpida mania dos carros pretos, ou negros, ou cinzentos, dá de nós esta imagem de 'carneiros' ileterados e comandados por 'memes' automatizados e recebidos por herança cultural involuntária.

Ah! E que tal a mania de afastarmos a mesa do café que estava encostada a outra e pedirmos permissão aos clientes da mesa ao lado...'importa-se que nos sentemos?'...para assim termos uma 'espécie de privacidade', em plena pastelaria? Ou construirmos muros altos nas vivendas para que o vizinho não nos veja a comer no jardim, onde só comemos duas vezes no primeiro ano da construção da casa, mas irmos comer a restaurantes, aos olhos de todos, obviamente sem qualquer problema?

Ah, meu país 'dos carros negros'!

28.9.09

Millennium de Stieg Larson: Os homens que odeiam as mulheres


Li os livros de Stieg Larson de uma assentada. Foram três livros entre as quinhentas e as mais de setecentas páginas de leitura compulsiva. Pela narrativa contagiante e contaminante que o autor imprimiu às três histórias. Quando terminei, a primeira sensação foi de alguma desolação por ... não haver mais para ler.

Não são, em minha opinião, livros de uma literatura de elevado grau, de uma escrita marcante e profunda, ou que possam constituir um padrão e um marco na literatura europeia e sueca. Mas são histórias que têm muitas qualidade. Antes de mais a febre de ler. O prazer regressado de boas histórias, bem contadas e que nos fazem esquecer algumas incongruências do autor, para nos deliciarmos com a vertiginosa sucessão de acontecimentos, não sem que sejam marcantes do ponto de vista da visão e ideias do escritor: a injustiça para com as mulheres, injustiça social em geral, corrupção e manipulação de órgãos de poder e instituições, racismos, etc.

Larson construiu duas personagens fascinantes, uma mais do que outra: Lisbeth Salander (fascinante, após se estranhar...entranha-se e, mais leitura, mais empatia, até ao 'quase culto' da Froeken pró-gótica-salander) e Mikael Blomqvist, o jornalista inspirado, corajoso e lutador, que todos temos no imaginário.

Os livros (Os homens que odeiam as mulheres, A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo e A rainha do Palácio das correntes de ar) são, pois altamente recomendáveis, quer a doentes dos livros e da leitura (como eu...), quer a apaixonados por literatura de levada qualidade (também o sou...), que nestes livros podem 'descansar' um pouco da por vezes esforçada, mesmo que gratificante e deleitante, leitura de grandes romances de autores de referência (por estes dias foi lançado um imenso romance do grande e único Roberto Bolaño: 2666, pela Quetzal), como um Roth, um Rushdie, Naipaul, Yates, Oz, Phamuk, Malouf, etc.

Hoje vi o filme, baseado no primeiro da trilogia literária de Stieg Larson: Os homens que odeiam as mulheres. Um filme super interessante, sem pretensões de perfeição pseudo-intelectual, bem superior a muitos thrillers americanos, com uma qualidade de imagem bem elevada e um desempenho dos protagonistas de deixar muito 'made in the usa' envergonhado.

Aconselho a ver o filme e a ler os três livros e chegar ao trabalho cheio(a) de sono pelo prazer de ler e de se deixar entusiasmar, por uma boa história, mais do que por grande, superior, literatura. Aconselho a ler antes, mas também funciona vendo antes o filme...

Mas não percam estas histórias. Antes se deixem 'perder' no enredo que este malogrado autor, falecido subitamente aos cinquenta anos, sem chegar a assistir sequer à publicação do primeiro livro. Um autor que já é um culto e que planeava escrever dez volumes, de belas histórias contemporâneas.

O primeiro volume desta obra conduz-nos pela crescente vertigem da procura da sobrinha neta de um industrial, Harriet Vanger e choca-nos com a violência revelada sobre as mulheres. No início de cada capítulo Larson divulga estatística também chocantes, e reais, dessa violência sobre as mulheres, num país onde imaginávamos a tranquilidade social próxima da imagem que construímos de um paraíso duvidoso. A psicologia dos personagens é explorada cuidadosa e gradualmente, aspecto que no filme não se conseguiu levar a bom termo, excepto no caso de Lisbeth. Mikael Blomqvist é o herói que sonhamos que irá derrotar a corrupção e a injustiça com as armas que o quarto poder lhe conferem. Este será um tributo aos meios e pessoas onde Larson se movimentava. Os homens do poder, 'do capital', são os maus, ou quanto muito os menos bons, pois o contrário não seria nem de esperar, nem verosímil. O filme, que tenta um 'compacto' sobre as mais de quinhentas páginas do livro primeiro, 'millennium 1', é muito fiel em muitas descrições, de personagens e de locais e paisagens. Lisbeth Salander que nos choca com a sua frieza e violência, em momentos cruciais, acaba por se justificar a si mesma, num contexto de revolta que nos é imprimida pela revelação de crimes gratuitos e odiosos contra mulheres. Num bom policial o autor deve reconciliar-se, após as passagens violentas e chocantes, com o seu leitor, através da justiça que no final se cumpre. Há várias formas de narrativa, em livros desta natureza, mas Larson optou pela narrativa na terceira pessoa, fazendo de 'deus surdo e mudo' que conhece o pensamento dos seus personagens. Assim a vantagem é nossa, e a acção ganha outra dinâmica. Se a narração fosse na primeira pessoa, o impacte podia ser maior, mas acção e principalmente o poder conferido ao leitor, que vai conhecendo o que pensa e como pensa cada personagem e a sua íntima psicologia, não se evidenciariam. Numa obra mais literária, menos policial, outro tipo de narração faria mais sentido e adequar-se-ia mais. Mas aqui, não. Aqui quem domina é o leitor e, claro, o autor. E não há o domínio do personagem sobre o autor. Mas há um nível de conhecimento crescente, do leitor, que o prende e agarra, definitivamente, à leitura.

Boa leitura! Bom prazer!

PSD


Analisadas as causas da triste vitória do PS nas Legislativas, fica-me sempre o sabor de uma derrota mal aceite, do PSD e, mais importante, a ideia de que o maior, se não o único responsável foi o PSD. Foi e tem sido o PSD.

Desde o trabalho que tem feito na oposição, aos escândalos que têm ferido e manchado o PSD, nada é inconsequente e tudo tem sido, e deve, ter uma factura. Se é certo que o PS tem uma história igual ou pior, de escândalos e sombras negras que pairam sobre a sua honestidade e honorabilidade, é também certo que tal não isenta o PSD das suas próprias responsabilidades. E responsabilidades e justificações devidas ao povo português. Agora prevê-se que o PSD venha a ganhar as Autárquicas. Mais responsabilidade tem um partido com esta importância, junto dos seus potenciais eleitores, para que, de uma vez, efectue uma varridela interna dos quadros que se têm mostrado, ora arrogantes, ora desinteressados, ora interessados na sua causa própria e pessoal, ora se têm aproveito da sua influência e conhecimentos na política, ou ainda que se têm imiscuído a participar, dando a cara, às 'batalhas' que respeitam à vida política do seu partido.

Onde andou António Borges por estes dias de campanha? Será mais importante para um vice-presidente de um partido como o PSD, com potencial de governo, que se empenhe e embrenhe na sua actividade académica, do que participe activamente no confronto com as políticas de um partido que tanto tem criticado? Para que serve um vice-presidente assim? Onde estiveram as análises, críticas e confrontos sobre o endividamento do Estado? E sobre os impostos tão elevados? Tanto para os particulares como para as empresas, mas mais para as pessoas, indivíduos - que asfixiadas por estes impostos não podem participar na reanimação de uma economia, quer seja através do seu estimulante consumo, racional e moderado mas presente, quer seja pelas ideias e iniciativa na criação de empresas e negócios que nunca surgem pelas mãos dos gigantes da economia?

Onde andam outros nomes do passado do PSD, como Balsemão, sempre tão activos na crítica ao Governo, mas ausentes da vida do seu partido? E porque não se permite uma abertura dentro do partido que leve a que novos valores e ideias possam surgir? Porque continuam a dominar dentro do PSD os interesses de meia dúzia de indivíduos que controlam a vida a face pública do partido?

Por mim, acho que enquanto não se permitir uma mudança de gente dentro do PSD não haverá uma alternativa e uma esperança, para que no futuro próximo seja a força que vai substituir com legitimidade este PS clientelista e agarrado ao poder- de gente que nunca trabalhou e da vida política depende inteiramente...- e uma alternativa para o futuro do país.

Este PS de gente que inventa estatísticas e mente todos os dias aos portugueses, mas que fabrica muito bem a sua imagem e a vende ainda melhor, como o PSD não o sabe fazer, tem de ser substituído mas por um partido que seja verosímil aos olhos da maioria dos eleitores e seja, de facto um partido com vida, com garra, com energia e deixe os pergaminhos e gravatinhas doutorais, para se meter à luta, com pujança e vontade de avançar.

De avançar, como o PS diz ir fazer e não sabe e nunca faz.

27.9.09

A Democracia e 'O Problema'


Saber perder é uma atitude positiva, por quanto é elegante, talvez responsável e talvez louvável. Mas saber perder, não é gostar de perder. E porque não se 'gosta' de perder, em Democracia, quando se devia, talvez, antes aceitar a decisão de outros, neste caso da maioria? Porque a vitória de 'outros', neste caso, não só não desvanece a preocupação que antes havia, de um futuro negro, bem duro e totalmente comprometido para o país. Porque este PS comprometeu economicamente o país, ao estourar com as contas públicas, ao contrário da propaganda oficial do anterior governo. Uma economia sem dinâmica, a morrer, asfixiada pelos impostos e endividada por muitas e muitas gerações. Uma Democracia empenhada, com as manobras e manipulações da Justiça, da Comunicação Social, da Educação, da Agricultura, da Saúde, da Indústria, e até, como se verá proximamente, da nossa política energética (comprometida com negociozinhos entre amigalhaços socialistas e afins).

Mas, hoje, uma circunstância muito grave surgiu na nossa Democracia: o PSD não soube ser um partido do sistema eleitoral democrático. Pretendeu ter uma atitude nova e distinta, mas agora se viu que erradamente, não fazendo a 'festa' que outros fizeram: nos comícios e na repescagem de 'personalidades' (vergonha nacional, mas enfim...) como Mário Soares e outros quejandos.

No PSD os antigos líderes e 'personalidades' afastam-se e não voltam e, se voltam, falam e dizem-se contra. O PSD mantém este estigma de criar inimigos internos, alguns deploráveis e revestidos de uma certa imbecilidade, como Júdice, Mira Amaral, Balsemão...

O PS, partido clubista de bairro, pseudo-intelectual, cheio de gente indigna pela baixeza de atitudes e palavras (Santos Silva, Alberto Martins, Jorge Lacão, Jaime Gama, João Soares...uma miríade de 'personalidades' sem currículo... e sem dignidade, sem provas de coisa nenhuma e com provas de muita raiva pelos adversários políticos e pelo próprio país. Sem respeito por ninguém, pois a delapidação de recursos, crescente e irresponsável, com obras totalmente inúteis e criações imbecis, como o TGV e auto-estradas prescindíveis, entidades reguladoras que duplicam as funções e responsabilidades de ministérios, como na Saúde, nas Telecomunicações, agora também pretendem nas Finanças...uma multiplicação de amiguismos e compadrios com a complacência de um povo que se recusa a intervir com a sua informação, que despreza, ou cultura, que desdenha, e, finalmente, com a crítica, que não pode saber administrar, dada a ileteracia grassante num país que se gaba de ser o mais antigo da Europa.

O Problema, é um PSD que não tem tido ciência e responsabilidade, para com todos nós, para efectuar uma genuína 'limpeza' de quadros, oportunistas e incompetentes, alguns alvo de suspeitas de corrupção, ou de actos ilícitos, ou moralmente condenáveis.

Manuela Ferreira Leite é vítima de si mesma e da sua gigantesca ilusão: de que ser economistas é abranger o mundo nas suas mão.

Ferreira Leite não só não apresentou um programa rico de ideias que nos catalisasse e contagiasse toda a gente e fosse obreiro da verdadeira mudança, como não foi capaz de nos transmitir o que tantos de nós, afinal sabemos: que Sócrates foi o mais incompetente de todos os Primeiros ministros até hoje, nesta nossa Democracia. Empenhou o país e efectivou as suas tendências anti-democráticas e tentações totalitárias, de profundo desrespeito por todos os que não pensem como ele e não subscrevem o clubismo perigoso que o seu PS encerra.

O problema...tem sido este povo continuar na senda da ignorância. Atroz...

E, por isso nada temos a festejar, mas temos muito luto que fazer.

Por não termos quem nos governe com competência, democracia e respeito por nós e pelos nossos escassos recursos, e por não termos oposição que se lhes oponha. Nem povo que entenda este drama e esta urgência.

De Luto


Um país de luto!

Eu sinto-me de luto e sinto, pela primeira vez, a vergonha de ter nascido neste país...

Sem o saber ainda, o povo votou no suicídio colectivo. Já tínhamos o exemplo de Espanha, que agora agonia com o desemprego, o insucesso económico, a degradação social e a estagnação do desenvolvimento: a segunda mais elevada dívida externa, a taxa de desemprego mais elevada da Europa, a maior corrupção europeia, o 'dinheiro negro' o leite negro, as falsas estatítsicas...

Mas os portugueses não se informam, não querem saber. Não se informam sobre a verdadeira expressão da desgraça em que o PS nos deixou...e deixará ainda mais. Não se informam, nem entendem, e não os informaram adequadamente. O PSD pode agora ficar ainda pior do que no tempo de Santana Lopes.

Somos uma vergonha internacional: a justiça manipulada por um homem que nem tem formação, e mente sobre a mesma. Mente sobre tudo e todas as coisas, com a mesma facilidade com que impunemente o deixam fazer. Enganam-se as pessoas com palavrinhas mansas, mas tal não é novidade portuguesa. Já Hitler o havia feito...pois também havia ganho eleições...

Quando o povo é ignorante acontecem destas coisas.

Viveremos uma decadência e uma vergonha social e internacional.

Viveremos de LUTO. Veremos por quanto tempo.

25.9.09

Em resposta a comentários simpáticos: O PS ganha e desgraça-nos mais um pouco ainda...?




Obrigado pelos vários comentários. Desculpem não ter respondido logo, e a cada um.
Na realidade...concordo em que o PSD não se esforçou para ganhar ao PS e, se acontecer o que as previsões indicam, embora algumas vezes se enganem, e possa surgir uma surpresa, o PS irá, de novo, para o poder, continuar a sua senda de endividamento do país. A despesa pública nunca diminuiu, e a pequena parte que decresceu, no início da legislatura com maioria do PS, foi a que, nessa altura e hoje já não, não devia ter.se perdido: despesa de investimento. Hoje, a despesa corrente é maior do que nunca, e só foi camuflada, estatisticamente, com algum crescimento do PIB, acanhado, no início desta triste maioria PS, porque a base de cálculo era maior.

Hoje, temos uma dívida externa imensa e com perspectivas de crescer, dada a insistência em obras que, mesmo que se justifiquem, pela necessidade e uso que delas se venha a fazer (TGV, novas auto-estradas, nova travessia do Tejo, novo aeroporto de Lisboa, etc), não há condições para que Portugal possa pagar sem endividar ainda mais e sem garantias de futuro.

Enfim, o PSD não se empenhou em demonstrar o caos em que o PS deixou Portugal:

  • contas públicas NÃO ESTÃO EM ORDEM;
  • contas públicas irão ficar ainda em pior estado;
  • educação num caos, porque o alvo das políticas foi errado: é dos programas cheios de disciplinas supérfluas e consumidoras de recursos do Estado e tempo dos alunos e pais que se trata, entre outras coisas mais;
  • SNS também numa desorientação geral, com a continuidade da 'guerra' aos profissionais de saúde e com a falta de cobertura em termos geográficos, e com as falsas estatísticas de cirurgias, 'oferta de interesses na área farmacêuticas (mas medida positiva a da exclusividade da propriedade de estabelecimentos comerciais) etc.;
  • apoio a empresas e a sectores agrícolas distorcidos, atrasados e sem rumo certo;
  • apoios a empresas industriais com base numa política de 'pagar favores' a grandes grupos, sem uma visão de reanimação da produção, e crescimento do PIB, baseada na única classe com capacidade empresarial criativa e inspiradora: classe média, estigmatizada pelos impostos do Teixeira dos Santos (com política financeira salazarista, com mais de oitenta anos de atraso...);
  • política internacional baseada numa lógica 'real-politikesca' que não se justifica nem irá dar frutos, sem princípios e sem humanismo;
  • política social de total desprezo pelas pessoas, começando por não as ouvir, numa lógica de 'nós sabemos tudo', não precisamos de ajuda nem de opiniões, mesmo quando se pretende reafirmar o espírito democrático;
  • política de investigação científica falsa e sem resultados, apenas se destinando a um consumo desajustado de recursos;
  • política de segurança de duvidosa democraticidade, com a concentração de poderes no Primeiro ministro;
  • comunicação social descaradamente manipulada;
  • justiça vergonhosamente manipulada (caso Casa Pia, Freeport, Portucale, etc)
  • ...
Com este 'caos' institucionalizado, seria muito fácil o PSD vencer e com margem, ao PS. Talvez a Ferreira Leite não seja quem precisamos, mas de certeza que de Sócrates já temos que chegue. E dele só precisamos que váa tribunal e responda pelas mentiras e manipulações e, acima de tudo, que deixe de envergonhar o seu próprio partido, necessário a esta desgraçada Democracia...

Mas nem o PSD se tem empenhado, numa muito grande incompetência, pela qual terá de responder também a todos nós, como o PS nem se dá conta da vergonha em que anda a incorrer, com este falso e mentiroso pseudo-engenheiro.

Apesar de tudo, VOTAR PSD é mais garantia de fuuro!



18.9.09

Escutas na Presidência da República

O 'caso das escutas' na Presidência da República voltou à baila.
Cavaco esquivou-se a comentar. Alegou que não pretende comentar casos de partidários. Mas será este um caso partidário? Ou um caso de UM Partido? O PS. Que é o único que está no Governo e, como tal, tem acesso ao SIS (Serviço de Informações e Segurança) e a outros serviços que podem ter condições para tais atitudes, claramente antidemocráticas.

Uma coisa mais, que mostra, para mim, que Cavaco se engana, quando diz que não vai agora investigar, por ser época de eleições: fazer escutas na Presidência não diz respeito ao Presidente. Mas a todos nós! Diz respeito aos portugueses, por se tratar de um atentado à Democracia, de novo. Um atentado e um golpe de Estado! O primeiro órgão institucional do país está sob escuta e vigilância e esse é um Órgão eleito.

Sócrates diz que o director do Público tem muita imaginação. E é sempre assim que ele resolve todos os casos e pessoas que o põem em causa, o 'Grande Democrata'.

Se Sócrates ganhar as eleições, merece governar. Porque o povo diz bem de si mesmo, o que é...e o que merece!

Por mim, voltar a Salazar, não obrigado!

11.9.09

Sondagem Legislativas 2009


Há uns dias saiu uma sondagem de uma empresa, Aximage, que dava a vitória ao PS com cerca de 41% !?!

Agora uma sondagem da Universidade Católica indica que o PS pode ter 37 %, com tendência para descer e o PSD 35 %, com tendência para subir. O BE poderá chegar a uns inimagináveis e muito pejudiciais 11 %, ficando o PCP (CDU) por 8 % e o CDS-PP por 6 %.

Ora, as sondagens da Católica costumam ser das mais rigorosas das que habitualmente se realizam em Portugal, tanto quanto as da Eurosondagem, do amigo de Sócrates, já denunciadas um dia por Manuel Alegre, as que mais tendenciosas temos por cá.

Veremos se estas sondagens batem certo e...faço aqui a minha aposta em como o PS nem assim terá mais pontos percentuais do que o PSD e, em termos do que interessa para a Democracia semi-parlamentar que, por definição, temos, em número de Deputados, ganhará claramente o PSD. E ...aposto numa diferença de alguns pontos mais do que esta sondagem da Católica. Algo como, exactamente o inverso destes números, entre os dois maiores partidos. Obtendo o PSD uns 37 % e o PS abaixo dos 35 ou 33 %.

Apenas uma aposta...e como tal, sempre falível...

Veremos...