15.12.08

No Centro



Entra-se, um pastel à Renoir, cores e formas diversas em profusão. Sons e até aromas diversos, cativantes ou agoniantes. Um fresco quotidiano.Azáfema de quase-natal. Burburinho de namorados, passeantes sem rumo nem objectivo. 

O Centro, é uma amálgama de gentes e de personalidades. De carácter, de sem-carácter. Mulheres que olham com desdém quem as olha, qual 'que quer este, ai agora este...não tens mulher lá em casa para onde olhar, é?'. Mas regressam a casa, tão seguras da sua vida quanto de que precisam ia ao 'site' ver se lhe enviaram mensagens...homens 'jeitosos' mas 'apenas para amizade' ...

Homens que vão bambolear as barrigas e a estupidez, acompanhados do seu prestigiadamente estúpido jornal desportivo. Nas mãos, os restos microbiológicos da micção acabadinha de fazer sem lavar a 'patinha', em mistura com a impressão microbiana de todas as pessoas que cumprimentou ao longo desse dia. Olham em volta 'cheio de gajas boas, meu..'

Vai-se ali porque se precisa. Vai-se ali porque não se vai a mais nenhum 'ali' em qualquer outro sítio da cidade.

Aqui ao lado no país vizinho, de gente tão ou mais profundamente estúpida e fútil, quanto incompetente e mentirosa, ainda se vai...ao café, à cervejaria e ali se fica com amigos até umas vinte e três horas para 'después cenar'. Mas ainda se vai e convive e as cidades vivem muito a horas inimagináveis a um português, inglês ou alemão. Pelas duas horas regressa-se para mais uma noite sem ler e sem cultivar o auto-aperfeiçoamento. Tal como cá com o Centro, comercial e com a Televisão.

Somos na Europa os que mais passeamos em Centros comerciais, mais televisionamos e embrutecemos, somos dos que mais figuras angélicas e pudicas temos pelas ruas, figuras tristes de hipocrisia feita, que na net procuram ...'nada ' disfarçada de 'amizade', dos que mais conspurcamos as instalações sanitárias, dos que menos lêem e menos sabem.

Somos esse 'fresco' triste e sem futuro de gente que se arrasta pelos seus dias sem poder saber, já hoje, que amanhã será, muito provavelmente, pior! 

Traição


Como uma mulher infeliz e com a vida desfeita, cujo marido lhe fi infiel uma ou muitas vezes, assim está Portugal em relação a este péssimo e incompetente Governo. O marido infiel é, aos olhos da Lei (que tem a mania de meter os olhos em muita coisa, mesmo que não seja o caso da condenável violência doméstica ou manifesto prejuízo da vida dos filhos, situações em que a intervenção do Estado sempre se justifica, mas...adultério apenas e metem o nariz???) um marido incompetente.

Ora ele prometeu e concordou formalmente, assumir as suas funções, mesmo que não as conheça exaustivamente (outra particularidade portuguesa...) e entre elas as de bom marido. Um Governo também e dessa forma conquistou o direito e ser Governo mas, muito mais do que isso ganhou mandato para o ser, como o que implica em ter-se um mandato: uma missão e uma prática consentânea com a mesma, que lhe foi outorgada por quem o elegeu. Tal como o namorado ou namorada que tudo prometem até o objecto dos seus amores ser conquistado...

Após casamento, aliás, eleição, inicia-se o caminho inverso e faz-se pior: governa-se contra quem nos elegeu. 

Passa o povo a ser o grande responsável pela miséria total: pelas fraudes que, na verdade, lhe foi ensinada por quem mais sabe que são os governantes (daí o termo...eleitores defraudados...) pela sua qualidade no trabalho -como pedir a esposo ou esposa que saiba cuidar de um bebé sem ter recebido formação, em geral pelos pais do casal- pela rentabilidade ou produtividade do trabalho, consequência do anteriormente referido mas também dos processos- responsabilidade de chefias/ministros- ou falta de meios (novamente chefias no trabalho ou ministros, nos governos...

Passa o Povo, anónimo quanto mais convenha, a ser responsável pelo que nunca teve a sua mínima intervenção: défice das contas públicas /descontrolo orçamental. Essa é precisamente uma atribuição de governantes que, incompetentes, dizem... "agora vão voçês todos pagar a merda que nós andámos a fazer." Como o marido que infiel e violento ainda bate na mulher por ela ser má esposa...

E depois, tantas e tantas dessas mulheres, humilhadas e destruídas no melhor da sua dignidade ainda ocultam os actos que as vitimam e até defendem publicamente os maridos-carrascos. 

Não há pior traição!

Assim também tem feito este Governo, desde o primeiro dia da sua actuação. E assim , este povo, humilhado e sem dignidade (os médicos é que são os maus profissionais e os enfermeiros e o Ministro é quem sabe e tem razão; professores idem, agricultores idem, empresários idem, bancários idem, alunos idem, militares idem...

Para este Governo da vergonha nacional todos nós temos culpa em qualquer ou muitas coisas, e só 'eles' sabem o caminho, em todas as áreas...em tudo o que temos feito. Eles onde andavam, iluminados...traidores? (pagos por nós e, na verdade, nossos funcionários, com a missão de nos executarem)

Votem então neles ...


10.12.08

Ah! non credea mirarti...


Estive a falar com pessoa cativante. Inteligente, provocadora, algo mordaz, perspicaz até ao suportável (o meu riso parvo...), misteriosa (ainda), e muito bonita. 

Tinha de sair e fui-me deixando.  Agora, passado o tempo de conversa que me arrasta para a curiosidade sobre as próximas palavras com essa pessoa, um quase desafio, visto me surpreender e nem ela tal imagina, em algumas vertentes da inteligência, volto ao siliêncio.

Atrás do vidro demasiado fino para o frio que deixa passar, mas o suficiente para filtar sons da rua e deixar apenas o som cavo e baço chegar cá acima, entrecortado pelos saltos clássicos da chata da vizinha do piso de cima, qual irritante formiga imparável de salto alto (quem usa ainda disto em casa, por favor? deve ser tão clássica grhhh), ouve-se este silêncio, fora de mim.

Cá dentro, há mais ruído e a lembrança da conversa recente da cara bonita da pessoa simpática e positiva que me aturou uma meia hora. 

Paro, vou ao cavalete, desenho uns rabiscos na senda de um projecto de pintura. Coisa que me absorve como poucas. Que me dá ainda muito prazer, mas este quadro em particular está lento de vir cá para fora...

Vou ao café, ouvir gente e estupidez (boa tarde sr. engº, então o que vai ser? Ola d. ermelinda, quer levar já o seu bolinho? oh senhor teixeira nunca mais cá vi aquelas parras gulosas cheias de chantily...e atrás, o porto que este ano não a lado nenhum mas o benfica sim é sempre o maior e mais sério e correcto, o sócrates? ahhh ninguém já fala dele...ainda lá está? ahh clara, vi uns sapatos ali na godiva mas está tudo tão caro! separaram-se? hoje já ninguém tem paciência para aturar ninguém, já só conheço gente separada...o pior são os filhos...olhe o seu cafezinho que vai arrefecer...)

Vou marrar para outra rua, outras paragens que esta estribaria já me chega por hoje. Frio do caraças...

Será que ela ainda volta hoje a falar comigo? 

Um sol bonito de tarde de Inverno, um frio que, não sendo muito, me aborrece a amígdala, uma cabeça tão complicada ...uma outra que limpe a minha de arabescos sem sentido. Um ventinho fresco. Traz-me esse teu ventinho acabado de surgir. Uma bombinha humana cheia de energia e vontade de vibrar. Energia escondida e bem guardada para um dia ser despoletada.

O tempo, sempre o meu maior inimigo. Nunca ao meu ritmo, as coisas. Quase todas, ou as mais gostosas. Dá tempo, homem! Dá-lhe tempo. Senta-te e põe a manta sobre as pernas, e deixa a Bartoli encher-te a cabeça ...

Ah! non credea mirarti si presto estinto, o fiore


Depois do prazo


Não é bem a mania de se sentir e ser, ou querer, apenas, jovem numa idade avançada. Cota. Quando se é cota? Quando os filhos nos vêm assim. Pode-se ter a mesma idade do amigo ou amiga tal, mas se eles não têm os filhos na fase de verem e chamarem cota aos pais, eles não são. É ser jovem, mesmo, após o tempo para o ser.

Depois da idade em que o deveria ter sido. Não o a cinco de Janeiro de sessenta e oito (outro século para os evidentemente jovens...), quando Alexandre Dubcek ganhas as eleições na Checoslováquia e começa a liberalizar o regime, ou em Agosto desse mesmo ano, quando as tropas do Pacto de Varsóvia trazem consigo as negras nuvens da ditadura comunista, num regresso mais violento do que fora antes...ou em Maio desse ano, em Paris, ou no início da guerra do Vietname, na queda de Salazar da cadeira, no assassinato de Marthin Luhter King, na Encíclica Humanae Vitae (umas das proclamações menos humanas do Vaticano, precisamente) ou no ano da morte de Yuri Gagarin...tudo nesse ano de todos os acontecimentos....

 

Não, nesse 1968 era jovem ou ainda antes de jovem. Por isso se passou tudo e tudo e só mais tarde se soube.  Agora, nos dias de hoje mesmo, ter-se passado por esse 68, não nos permite o regresso a sermos jovens, mas outras coisas, talvez...sim.

 

Ser-se jovem por necessidade e não por mania obsessiva. Mas não, também pelo seu oposto, dos que dizem ‘ no meu tempo’, qual morte antecipada de espíritos.

 

Ser-se jovem na idade cota, por não o ter sido, quando se o era. É, talvez, lindo e estimulante, mas aqui é que dói. Não se foi no momento certo, tendo trocado cervejas numa esplanada e voltares de cabeça à passagem das ‘miúdas’. Não, quando era o tempo de esticar-se pelas noites na discoteca com os amigos, a olhar as ‘miúdas’, com olhos de carneiro mal morto...noites inteiras aos fins de semana e nas férias, sofrendo amores nunca chegados a viver...

 

Não, porque o tempo foi outro, foi de sede de ler e de aprender, de ouvir uma Quarta de Beethoven, vivendo o romantismo das notas duzentos anos depois de compostas e não o das garinas, ali mesmo a centenas de metros de casa, nessa esplanada cheia de burburinho e feromonas saudáveis.

 

Ser-se jovem fora de época, de estação e até local, para se viver vida nunca antes vivida. Levou-se meia vida a querer coisas e a mesma meia a perdê-las. Não devia ter sido aquele o curso e nem talvez o primeiro emprego. Não devia ter sido aquela a mulher com quem se casar, nem a cidade onde se viveu.

 

Hoje, todos lhe dizem ser extraordinário e único, um homem excepcional (?) e que não haverá muitos mais e não sabe o que fazer com isso.

 

Conhece gente normal sem formação e quem não consegue nem escrever ou falar ‘direito’. Conhece gente muito bem formada que o desorientam um pouco mais. Não sabe o que fazer com esta gente...

Pelo caminho duas amigas que o deixaram de ser. Duas mulheres inteligentes e interessadas, com quem teve imenso prazer em conviver mas, fruto de muito 'umbigo' feminino, não e interessavam se não por elas mesmas. Ah! interessante a auto-comiseração (este texto será exemplo disso mesmo? Ou um teste a essas simpáticas ex-criaturas?) com que uma delas rotulou a sua atitude nas suas conversas entre eles. Porque será que o uso da mentira, numa, e da frustrante insegurança, não assumida, na outra, lhe soam às suas duas maiores derrotas com amigos?

Porque não se sabe viver uma idade, fora e depois dela.

Bate-lhe um vento frio na janela que lhe perturba a solidão escolhida. Num corpo cheio de uma energia inesgotável e nunca usada, fica sem saber o que lhe fazer. A força e energia ficam presas em nós, à medida que a idade avança. Encerra nessa energia tudo o que lhe ficou por fazer e guarda no seu potencial, todos os sonhos por realizar. 

Conhece uma pessoa muito especial. E talvez outra e outra e tudo o que julgara saber, se gela com o mesmo frio que lhe bate à janela. Mas, sim houve alguém que lhe tocou...

Anda para saber o que fazer consigo mesmo.

(imagem: Doug Geivett's Blog)

7.12.08

As Democracias são mais preguiçosas do que as pessoas


Qualquer dia destes a nossa triste Democracia (se o é, porque graças à arrogância aventureira desta criatura Sócrates que odeia o mundo e as pessoas...e se julga mais um ser especial, com a bênção dos deuses ou dos demónios. Tal como o julgaram Salazar, Hitler, Mussolini, Pinochet, Franco, Julius Ceaser. Mas ‘este’ pigmeu das ditaduras tem um diferença: uma cultura mais pobre do que uma pedra da calçada) tem tantos anos, quantos a ditadura de Salazar.

As Democracias parecem necessitar de mais anos do que as ditaduras, para se tornarem maduras, para se tornarem estáveis e incontestadas. E a nossa tem tudo menos o ser incontestada, como regime. São cada vez mais as pessoas que admitem o recurso a uma Revolução, no extremo ou a uma forte e, talvez violenta, contestação social, na expressão mais poética da nossa passiva e pobre forma de estar.

Hoje, comprado o jornal de Domingo, leio um ou dois títulos e regressa-me esta sensação tão cristalina e forte, quanto triste e pungente de não ter orgulho, mas quase uma vergonha, em viver em tão desgraçado país. 

Uma delas, seguramente publicada com estóico orgulho jornalístico, grassa que o PS, PSD  e CDU gastaram mais verbas do que as autorizadas, permitidas pela lei e, que por isso, os seus responsáveis financeiros se expõem agora a pena de prisão. Para rirmos de tamanha estupidez da Lei? Lei aprovada pelos mesmos que não a cumpriram?

Onde anda a inteligência e sabedoria do Estado e a justiça de uma Lei destas? Então não seria lógico e óbvio que os partidos ficassem sujeitos a dar contas de financiamentos privados e que os mesmos, dada prova de ilícito tráfico de influências , então se submetessem à mão pesada da Justiça? Limitar gastos de campanhas? Que miopia e falta de maturidade de uma Democracia… (mas ao ‘povo’ parece bem este tipo de mesquinho provincianismo, hipócrita como se vê, porque nem é cumprida a Lei, nem vai ninguém preso).

O Presidente da República, que publicamente apoiei considera mais importante a estabilidade governativa do que as nossas vidas…para quem sobra, dos divorciados, empresários falidos, licenciados de alta formação desempregados, escolas desacreditadas, impostos incobráveis, facturações de empresas incobráveis, freqeuentadores de depressões prolongadas e chorudas contas psiquiátricas, filhos quem nem sabem que irão de credºivel e profissionalmente garantido estudar, agricultores desrespeitados e descapitalizados, gestores incompetentes, país desacreditado…

Cavaco Silva toma partido do Governo mais incompetente e, pior, injusto, dos quase quarenta anos de irrealizada e insucedida Democracia, para apenas manter as coisas no pior e mais doloroso martírio nacional.

Sócrates lançava ontem, Domingo, a ideia, veremos com que verbas concretizável, de um novo Hospital de Braga. Sempre respeitável um novo Hospital. Mas aproveitava para dizer que o Governo esta a controlar a crise económico-financeira mundial, e que, dizia ele, na sua mais eloquente e conhecida demagogia, o Governo tomou medidas (que “só o Estado pode e tem capacidade para tomar”…sim endividando-se mais do que os 66 mil milhões de Euros, apenas seis vezes mais do que no tempo de Cavaco… e endividando-se onde??) não para ajudar banqueiros ou accionistas de bancos mas sim as pessoas e as suas poupanças. Quando em 2009 e já no primeiro trimestre os bancos despedirem quadros e ate de topo, logo se verá…e quando se confirmar, a bem de uma regra de verdade fundamental em economia moderna, se souber que Portugal já está em recessão desde Novembro…de 2008 e que nem em dois anos se verá livre da crise, vítima que é de uma política económica e financeira ruinosa, para as empresas claro…porque o tecido económico se destruiu, mais depressa com este Governo, do que em anos e anos de crescimento e expansão internacional de um China vergonhosa e decrépita, ou uma Índia onde diariamente as  mulheres são tratadas como bichos…(a maior Democracia do mundo, a propósito).

Um povo que não lava as mãos ao sair do WC não sei se entende a desgraça onde esta classe política medíocre nos enfiou. E não é só um Sócrates sem formação e mal educado e ignorante, mas também um Durão Barroso medíocre, um Sampaio vaidoso e incompetente, uma Manuela Ferreira Leite que ainda julga que os portugueses desempregados e com fome lhe agradecerão a honestidade, um Santana que nem a si de leva a sério, um Menezes que julga que fazer política é jogar as cartas com reformados e esticar o pescoço ao falar para os jornais a ver se lhe saem palavras mais doutas do que a estupidez que andou a vociferar, um Valentim Loureiro que todos sabem ser corrupto mas as justiça receia, um Jorge Coelho que nem uma banca de jornais sabe gerir mas é administrador de uma grande empresa de construção porque  Governo insiste em esbanjar o que não tem. Um Mário Soares a quem não avisam que não abrilhanta um passado já de si triste e duvidoso com rasgos de asneiras pueris, um Zapatero total e completamente imbecil no país campeão do desemprego e de quem ninguém conhece nem um produto – que não venha com resíduos de pesticidas, que nos matam com cancro todos os dias…- um Sarkozi que julga que a França o ama, através da inveja pela mulher Linda quem tem…

Democracia? Ou um jogo de pais e mães para crescidos?

Tenham dó, ou saiam do caminho que a Revolução pode vir a caminho, de mãos dadas com a fome, miséria e ignorância.

Democracia, com uma comunicação social controlada e censurada por um Governo? Com um processo de pedofilia que não avança e não consegue acusar ninguém - há vítimas sem violadores...

Façam como os brasileiros: sejam felizes por cima das cinzas da sociedade!

1.12.08

Viver agora ou 'deixá prá depois'




A propósito de uma mensagem de correio electrónico que hoje recebi, dessas 'em cadeia' (dessas que nos dizem que se enviarmos a quinze pessoas a Jennifer Connelly nos telefona ou o George Clooney nos envia um bilhete para irmos ter com ele a Paris-isto para as senhoras, que não gosto de misturas, ok?- ou ainda que o Bill Gates nos fez herdeiros universais em, apenas,  dez minutos), que pretendia falar ou doutrinar (exagerando) sobre a Felicidade. Dizia...que a 'felicidade não é um destino, mas um caminho'. Nem discuto. É fútil. Para mim, é, como outras coisas mais que, ao longo da vida, sentimos mais uma dessas grandes palavras, ou epítetos, com que nos comprazemos ou frustramos, em rotular acontecimentos e sentimentos.

Mas seja o que for, à medida de cada um, ou num padrão mais ou menos universal, se puder existir, é tido como coisa boa, muito boa, e, como a tal mensagem, defendo que deve ser procurada, identificada (porque tantas vezes é-nos vizinha...) e vivida HOJE. Ou seja... não ser crente de u,a certa forma de se estar melhor, ou de se ser feliz e, bem ao arredo de tal ideia, ser sempre infiel à mesma, leva-nos sempre a adiar o que no fundo, todos procuramos: se não for ser Feliz, pelo menos, Estar Bem!

Como a diferença entre usar os copos de cristal que nos ofereceram no casamento, ou mesmo usar o homem ou mulher ali ao lado, que nos daria um tremendo gozo e....quiçá a tal felicidade (para fazer rápido e sem delongas a viagem entre estes dois 'absurdos' extremos'), o melhor nunca é, desculpem-me os partidários da felicidade eterna num qualquer paraíso celeste incerto, ou os adeptos das vidas após a morte, nunca é...adiar!

Mas nunca! Se me querem crer. Se não, analisem de puderem as várias felicidades ao longo da vida, pouca ou muita que vão tendo. E comparem, sem medos ou subterfúgios. 

Uma pessoa muito amiga que muito prezo dilui os descontentamentos, frustrações ou infelicidades (terrenas) em querer para si uma espécie de vida em 'low profile'. Nunca entendi e já lho disse, mas sei que no seu caso se tratará mais de um muito inteligente estratégia de defesa psicológica, bem compreensível, por se tratar de alguém totalmente fora de série, de superior inteligência mas vítima de uma muito grave afecção psiquiátrica. E, por profunda amizade, não mais abordei tais temas.  Com esta excepção demarcada, volto a repetir, que nos demais mortais, lembremo-nos que, com ou sem vida post mortem, somos mesmo mortais! E nessas outras vidas, renascidas ou vividas nesse além maravilhoso e eterno (nem imagino a poplução de um tal lugar, algures entre uma nebulosa famosa e uma esquecida galáxia..e os problemas ambientais que já se devem ter gerado por excesso de espíritos perfeitos e eternos!!!...aliás em misturas  de judeus com católicos e muçulmanos, que até se me arrepiam as pilosidades decepadas, quanto mais as que me restam uiiii).

Pois eu, sofredor por opção e intransigente ser vivo com uma só vida conhecida, insisto em ser feliz, hoje e aqui. Seja a pintar um quadro, a galantear uma beleza feminina, uma inteligência fulgurante, a comer um chocolate ou até (imagine-se!) a castigar o corpo num ginásio, ser feliz não pode ser amanhã! Nada disso.

Os copos de cristal têm de se usar para beber 'água do Luso' hoje mesmo, e na cozinha desarrumada. Se aquela amiga especial ou um amigo influente que já não víamos há anos e até nos pode dar um jeito no emprego, ou mesmo o chefe pedante de sapatinhos amaneirados com 'escovinhas' duvidosas na visita que nos irá afzer tiver de beber em copos marcados pelo calcário na máquina ...que se 'amanhem' pois esses copos já deram felicidade, dias antes. Conta mais que mesmo com copos velhos, se receba a jeitosa vizinha divorciada de fresco e carente de afectos novos e juntos, se encontre nem que sejam uns dois minutos da querida felicidade. 

Se até o 'Socas' encontra escassos momentos de felicidade na economia portuguesa..bolas! O home é Engº!!!

Vá lá. Esqueçam o 'futuro' (não sejam chatos, nem me perguntem como se esquece uma coisa de que a memória não registou ainda nada...esqueçam e calem-se!) e sejam felizes, por...!

O Raul Solnado bem dizia...'façam o favor de ser felizes'

Ora bem, pensem no seguinte: amanhã vão pela rua e a empregada da Dona Deolinda ao sacudir o pó dos tapetes atira cum um vaso de secos pelargónios pela janela...e as nossa querida massa cinzenta será a vítima e só nos restam sete milésimos de segundo para pensarmos neste texto imbecil, ou talvez pertinente. 

Ou...prepararmos essa entidade incorpórea, que alguns designam de alma,  que nos habita, para a escolha entre a felicidade eterna da Capela Sistina ou a reincarnação do amigo sorridente Sua Santidade o Dalai Lama.

Eu, por mim, vou já tratar do meu quintalinho da felicidade logo logo após publicar este texto.