29.6.08

Congresso Feminista


Acho muito interessante, divertido, ou mesmo hilariante este Congresso Feminista 2008. Sei que alguém, talvez muitas senhoras, ou algumas que me lêem podem sentir-se entre confusas e incomodadas, aliás irritadas, com este meu texto.

Mas, por um lado, as que já me conhecem sabem que não padeço do mesmo mal, mas de sinal oposto, das organizadoras e participantes no dito Congresso. Por outro lado, a polémica, se for gerada, nem é por mim, é pelo Congresso, o que só me deixa quase frustrado por não ser a lançá-la, tanto o prazer que me dá entrar em polémicas...

Imagine-se que se organizava um dia destes um Congresso Machista...

Esta ideia do Feminismo é, para mim, absolutamente estúpida, ridícula e para quem assim se sente ou defende, é redutora. Novamente, veja-se um homem a defender o seu machismo, e imagine-se o que se pensa dele: redutor será o mínimo...

Confesso que conheço muito mais mulheres inteligentes e competentes do que homens. Confesso ainda que nunca na minha vida profissional assisti a uma só descriminação sexista. Mas admito que tudo isso exista, ou não faria sentido haver mulheres que se sintam vítimas de machos básicos e anacrónicos e o manifestem ou, venham mesmo a participar em movimentos, desculpem...precisamente sexistas! Ou...homofóbicos. Espantam-se com o vocabulário? Pois, quem se espantar, não exibe a mesma abertura de espírito e mentalidade evoluída, ou inteligência bem acima da média, das mulheres, algumas, que conheço pessoalmente, e de outras com quem só a distância lido.

Asseguro, de novo, que ao nível de uma inteligência fora de série e capacidade pessoal, e competência profissional, reconheço algumas mulheres, amigas ou conhecidas e quase nenhum homem.

Mas também conheço entre essas e outras as que, fruto seja lá de que for, educação familiar, busca de uma segurança ilusória, ou apenas condicionamento social, ou ainda uma mera circunstância temporal, sendo embora muitíssimo inteligentes e bem mais do que os respectivos cônjuges machos, se deixam arrastar numa situação conjugal de desequilíbrio, ao ponto de caírem na mesma situação em que vimos tantos dos nossos progenitores, numa outra época em que a sociedade estava bem menos evoluída e aberta, em tempos de antigo regime ditatorial, com a igreja Católica a dar o seu conhecido contributo negativo, anulando-se perante maridos que não as merecem.

E, assim como se passa entre portas, nas nossas casas, passa-se tantas vezes em ambiente profissional. E também conheço alguém assim. E lamento. Lamento que ainda hoje, mulheres jovens se deixem subalternizar por maridos anacrónicos e mais adequados a um curral medieval do que a terem ao seu lado uma mulher tão espantosa quanto merecedora de outras atenções e considerações. E entristeço-me com isso, quando se passa com alguém amigo.

O meu espanto vai assim, pois, tanto para os machos idiotas que por defesa da sua inferioridade ou por incapacidade emocional, ou por piores razões ainda, usam de um poder a que não têm direito legítimo, mas sim consentido, como vai ainda hoje a minha estupefacção para as mulheres que se deixam levar anos e anos numa subalternização e anulação perante tamanhos estafermos.

A indignação vai, por último, para essas mulheres que publicamente defendem ridículas quotas e medidas legislativas para ou proteger a mulher ou tentar guindá-la a cargos e funções que julgam, por outra forma, não conseguir. Sempre vi mulheres muitíssimo competentes atingirem lugares de destaque e de poder. Sempre assisti à imensa competência feminina. Mas tal como isso existe, também as há bem idiotas e incompetentes, que uma e outras qualidades não se vêm pelo sexo.

Claro que abomino e condeno, pessoalmente práticas de violência doméstica. Obviamente que é um dos crimes mais abomináveis. Tal como a pedofilia e os crimes sexuais em geral. Mas não lhes parece que tantas e tantas vezes se repesca este tema para conseguir a simpatia da opinião pública e dos políticos, para que de alguma forma se institucionalize um conjunto de práticas tão desnecessárias quanto idiotas, como as quotas das mulheres na vida política...


Quem tanto defende um Estado proteccionista das mulheres, fazendo tábua rasa das intrínsecas qualidades naturais do sexo feminino, demonstra de forma cabal e inequívoca a sua própria e atroz incapacidade, reduzida inteligência e ainda incompetência.

Não como mulheres, mas como pessoas. O Feminismo é, assim, para mim uma praga (e uma prática) detestável e odiosa, tanto como o machismo.
E quem tem mérito, tem-no sempre. Quem não tem procura artificializar o equilíbrio social. De forma sexista. E arrogante.
Lamento.

15.6.08

A doença da democracia


A Democracia hoje instituída em todos os países europeus, nos que fazem parte da União Europeia e em mais alguns que não, e menos outros que se dizem democratas e nem sombras disso o são, está pouco a pouco a ser questionada, discutida, levada em polémicas que, esperemos, conduzam a alguma forma de governo e administração política mais saudável, mais representativa e menos arrogante ou, até, corrupta.

Esta forma de Democracia pouco tem a ver com a instituição política original grega, nem havia vantagem nisso, pois na Grécia antiga a democracia era-o só para alguns, mas dentro desse restrito grupo de privilegiados era um autêntica representação dos interesses e vontades de todos.

As nossas democracias actuais são uma evolução que foi, gradualmente, surgindo após o século das luzes. Após os grandes filósofos políticos e sociais como Kant, Espinosa, Voltaire, Rosseau, Montesquieu, Hume, Locke, Diderot, Lessing, Smith e até Marquês de Pombal mas muitos também outros terem lançado um imenso movimento de renovação ideológica sobre as monarquias ditas esclarecidas – que deviam ser por uma vez mais cultas e melhores ouvintes da vontade do povo - sobre os direitos dos humanos e sobre a nobreza do humanismo individual através do respeito pela natureza de que somos todos feitos, sobre, afinal o direito der sermos iguais à nascença e mais tarde perante a justiça e a lei.

A forma institucionalizada destas nossas democracias foi posta em prática tal como hoje conhecemos, em França, onde ainda assim sofreu muitas convulsões, e no reino Unido, onde mantém o mesmo formato desde há séculos.

Hoje a Europa sente-se e diz um bastião da democracia. Mas cada vez põe mais em causa a forma de governo que institucionalizou.

A Europa e a Democracia estão doentes e nem sempre se dão conta disso. A classe política acha-se a eterna e legítima representante dos povos que a elegem, mas logo de seguida só procuram o poder monárquico de subversão dos princípios de que se dizem defensores. O poder político da Europa está hoje entregue a pessoas que nada entendem de Democracia. Podem sabê-lo histórica e culturalmente, mas não o praticam. A Europa e muitos Estados-membros, designação ridícula que se dá a cada Estado que faz parte desta União Europeia a entrar em decadência, usam do poder que têm para mandar em vez de administrar, impor em vez de propor, fiscalizar em vez de fazer a prevenção, policiar em vez de proteger. A arrogância política grassa por toda a Europa, sentindo-se mais, como sempre, nos países latinos. Os governantes que são, ou deviam ser, segundo os princípios democráticos, funcionários do povo eleitor, administradores do Estado mandatados pelos seus povos, sentem-se com direitos de proprietários do Estado, com poderes nunca antes alcançados nem em certas ditaduras.

Instituem-se coisas aberrantes como uma ASAE, que devia proteger o cidadão e o agride, e ainda o confunde, havendo muitos que defendem a sua abjecta actuação - não actividade – fazem-se leis que não defendem as pessoas mas as confrontam e desprotegem ( as normas e directivas europeias como esta da protecção alimentar, estúpida e provocadora lei que nos quer deixar a todos vitimas da assepsia, mesmo ignorando como chegámos até aqui vivos e saudáveis , as normas de segurança que quase nos tiram o prazer das viagens e muitas, muitas mais).
Perseguem-se nos tribunais os cidadãos que pretendem falar livremente tecendo legítimas críticas sobre os seus governantes, realmente incompetentes, arrogantes e, tantas vezes, não premiados com uma réstia de inteligência, que pelo menos de alguma coisa nos sirva, e que seja posta, evidentemente ao nosso serviço, a nós que os elegemos e pagamos…

O Tratado de Lisboa, como Sócrates gosta que lhe chamem, sentindo que foi obra sua, um Tratado que mais é, à boa imagem da sua pessoa e limitada cabeça, uma manta de retalhos e que em abono da verdade serve bem mais a classe política e suas instituições do que os interesses dos povos, foi chumbado há três dias na Irlanda.

Mas os políticos magos que temos, de que Durão Barroso é um dos seus mais fiéis representantes, vieram logo dizer que não está nada perdido. A Irlanda é que se irá tramar. A Irlanda é que não entendeu nada. A Irlanda não é tão iluminada como os outros e nem imagina como ficará a perder. A Irlanda não conta. A magia subversiva - e não há legitimamente outro termo, quando um povo decide num dado sentido e um governante lhe altera o sentido da decisão, que chamar-lhe subversivo e, além disso ilícito - irá encontrar uma solução e um contorno à decisão do povo Irlandês, que teve a ousadia de ir contra a vontade dos outros povos - onde não existiu qualquer referendo, mas votações em ciclo fechado.

Resta-nos a eterna interrogação. Se do Tratado quase ninguém sabe nada, excepto concretamente o povo irlandês pelo processo de divulgação que exigiu o referendo, quem tem razão afinal? E a quem serve este Tratado, no fundo.

Com o chumbo irlandês, levantou-se uma vez mais a questão de se a classe política europeia não anda mais a usar e abusar de poderes que nem devia ter, do que a verdadeiramente lavrar no sentido de nos fazer um dia vivermos melhor e com mais futuro. A Irlanda, esse país que no espaço de tempo idêntico a Portugal e Espanha se tornou um dos mais ricos da Europa, fazendo precisamente aquilo que há anos venho defendendo e é o oposto ao que os nossos ilustres, economistas e políticos defendem, abaixamento de impostos para resolver problemas micro e macro económicos, esta Irlanda do novo milagre económica, que teve um crescimento do seu PIB comparável ao dos países, ainda pobres, do sudoeste asiático, deu-nos uma grande lição.

Uma lição de defesa dos seus legítimos interesses e vontade e da sua capacidade de insurgência contra quem atenta contra os mesmos. E nós, tristes portugueses, que deixamos o maior arrogante e mais evidente incompetente a governar sempre, em tudo o que faz, contra quem o elegeu, fazemos…nada.
Perdão, damos-lhe ainda a vantagem nas sondagens.
Uma perda de tempo para nós e uma vergonha internacional.

12.6.08

Cada povo tem o governo que merece


"Cada povo tem o governo que merece". Esta frase é atribuida a Salazar. Não sei se é verdade que é frase dele ou não. Mas sei que, repetidamente, me parece verídica e oportuna. 

Que dizer de um povo e um país em que se protesta pelo aumento dos preços dos combustíveis e, passados poucos dias, com umas suspeitas negociações com esse homem das cavernas que é o ministro dos transportes e obras públicas (coisa talvez melhor do que ser do 'deserto'...), tudo se dissolve, porque a contento de transportadores?

Mas logo hoje, a Galp anunciou novo aumento de combustíveis...

Povo interessante este...que vê piorarem dia a dia as suas condições de vida, mas acha que esss outro incompetente do Primeiro-ministro, é o homem indicado para conduzir o ógão executivo, que nos há-de levar à miséria total. Não nos admiremos que num ano próximo, a União Europeia nos convide a sair da zona Euro...

Perdemos poder e compra. Tiram-nos mais dinheiro todos os meses para pagar um maldito défice, culpa de Guterres, fazem-nos pagar multas por tudo e nada, não nos dão, com a outra mão, nada que nos compense deste delapidar das nossas parcas economias!

Mas as sondagens, já sabemos que muito manipuladas, aliás como Manuel Alegre denunciou nas Presidenciais, continuam a dar a este pobre e maldito Governo, a vantagem que não merece.

Que povo!

Que sejam todos muito felizes! Com o vosso adorado Sócrates. O maior mentiroso e arrogante que a história nos deu...

Na próxima semana, já agora...vamos ter notícia de mais desgraças económicas...é só esperar mais um pouco, o mais tardar até final de Junho. 

Vivaldi, Lasci la Spina

Per una amica molto especiale, que bisogna molta dolcesa in questo momento...

11.6.08

Normal? Nahhh....


Sempre me senti uma pessoa normal. Apenas mais uma pessoa. Mas...apenas com uma imensa mania: não saber parar. Parar de me auto-aperfeiçoar, ser melhor e, assim sentir-me bem, comigo e com os outros. Mas, se me esforço para ser melhor, e estar melhor com toda as pessoas com quem me relaciono, verifico algum ou, por vezes muito, insucesso, em fazer-me compreender. Ou seja, em ser aceite. Como sou.

Um completo insucesso com muita gente. Que não posso, justamente, atribuir a essas pessoas. Mas sim a mim mesmo, por não me ter sabido relacionar. Embora...às vezes me 'cheire' que comigo, como com todo o mundo, neste miserável país de gente mal formada e invejosa, lidar com alguém que, eventual e muito relativamente, lhes possa parecer melhor, se verifique impossível, um fardo, uma tortura.

E, assim, confirmo o que já há muito sabia: há muitas pessoas que se afastam de nós, ou nem se aproximam, por manifesta incapacidade de lidarem com que lhes pode parecer melhor do que elas mesmas se julgam ser.

Que pena...

E que sejam muito felizes...mesmo que nessa invejosa mediocridade.

Ah...que me chamem os nome(zinhos) que lhes aprouver a imensa imaginação. Comecemos por arrogante...

Bom proveito!

10.6.08

Com Bach no meu caminho


Vim cedo para fora de Lisboa. Para muito perto de Leiria. Pelo caminho apeteceu-me hoje dar asas a Bach e a alguns dos seus mais belos e mágicos concertos para violino e cordas. Mais concretamente, as obras BWV 1041, 1042 e 1043 (este último com um Largo ma non tanto, de cortar a respiração: uma música de Deuses, nem que eles não existam!).

Vim com Bach e vim contigo. Se ontem me sentira mal com alguns pensamentos menos bons... trouxe-te comigo por esta estrada fora. Ouvia Bach e admirava o sol fantástico, tal como brilha no teu sorriso...

Queria que este fosse um dia contigo. Que fosse um dia de início de um futuro. Não apenas um futuro mais, de alguns já desejados ou até quase planeados e nunca cumpridos.

Mas já me chega, agora... este Bach dos deuses e este pensamento em ti. Trago-te contigo todo o dia.

Leva-me também, onde estejas.

Bach já me leva e elevou, logo às primeiras horas da manhã. O que fará do meu dia...um dia especial e ensolarado. Pairando no etéreo. Com os pés na terra e a mente em altos voos, vendo de cima o mundo como as só águias e os deuses.

Este é o sentimento do dia de hoje.

Por ti


I due Foscari

A te..tu sei!

(parar a outra música no player abaixo, á direita, por favor)

Uma cordial advertência...


Porque alguns posts meus se podem, querem, pretendem confundir com alguma realidade, venho só dizer que nem sempre a realidade é real...nos meus textos. E que pode misturar-se a verdade com a ficção. Mas nunca a mentira.


Muitos textos são puro exercício literário ou, mesmo, um jogo de palavras, sem outra intenção.


Alguns, porém, podem nascer da vida real, da minha ou não da minha. Quem se sente alvo ou tema central de algum texto meu, pode equivocar-se ou não. Mas pode alguma coisa ter, de facto, a ver com alguém. Essa pessoa saberá. Ou ficará na incerteza, um bom princípio, que até já grandes terorias filosóficas já deu e dará ainda.


Boas incertezas, pois!

Lamentável Verão...

(foto A.Bazenga)

Gosto de sentir, pensar e viver positivo. Mas os meus caminhos, ou melhor o trajecto que dou aos meus pés, tem-me levado, muito e muitas vezes por fortes simpatias, encantamentos e grandes esperanças, que tão depressa me fazem sentir esse burburinho e fervilhar mental, como tão logo me deixam cair numa, mais uma desilusão. São flocos de ideias, talvez ja fruto de uma demasiado prematura desistência? Ou não são mais do que manchas de amadurecimento e decadência, num pensamento que talvez nunca tenha conhecido a razoabilidade.


Ouvi dizerem-me de arrogante, ou convencido. Ouvi, ou li, que era uma pessoa especial. Ande em passos largos de confiante triunfo, efémero ou fantasioso, ou siga por aí... em indecisos saltos de pedra em pedra, sou fruto de mim mesmo, mas do que os outros pensam de mim, também.
Afinal, o nosso mundo é a visão que dele temos. E somos outra visão para cada outro.
Mas já quase lamento. E te lamento.


O ar tremeluzente dos primeiros dias de calor, chegou súbito e sem aviso. Dei-me à rua e ao sol, numa ânsia de sentir esta ainda tímida canícula prometida. Fui aos meus sítios do costume, ler, ouvir, observar e escrever. E também registar em digitais imagens novas impressões das minhas vizinhanças visuais. Senti de novo a vontade a crescer em mim. Ri e voltei a rir-me, de me sentir assim.


Esse ar quente indeciso, trouxe-me visões de ti...e de ti...que ficas, por opção, para trás...na parte de trás da minha vida, onde guardo o que mais estimo, mas não me consegue compreender, ou não me soube fazer o teu ideial. Disseste-me algumas vezes que eu o era... e logo me desmentiste em actos e ...profundas, doentias, aterradoras desilusões. E ...quanto a ti... que te imaginei ainda alva de espírito, esperança e intenções...por dentro, tanto ou mais como por fora... se ainda não me desiludi, por inteiro, de ti, foi por não me ter iludido, por completo...


Mas com a desilusão vem essa tristeza que se odeia. E que nunca se aprende.


Quero despedir-me de ti...ilusão e não serei capaz. Mas o mesmo ar quente que te traz a mim, em meu próprio interior, vai, um dia levar-te nos mesmos passos, largos ou curtos, mas leves de nada, de vazio, que foi o que me deste...
Igual a como aqui cheguei,


E lamento...


Não deixarei de te cantar ao ar que me leva até ti...mas não me ouvirás, decerto, e outros tímpanos, um dia, me saberão escutar, levando em passos largos e fortes, como só assim os sei e quero dar.
O que se perde de alguém, não se econtra mais em ninguém ou lado algum.
O que perder de ti, não terás, também de mim.
E esse ar leve, branco e são que te faz pairar nos meus desejos, voando acima de todos os pesos das agruras da vida, como só tu sabes ser...
Esfurmar-te-ás. Um dia.
Ou não.
E lamentarei...
Ou ainda não.
Agora, lamento-te... comigo... apenas.