23.2.08

Sócrates, a Ministra e os Professores


Li um texto, respeitável obviamente, de José Manuel Silva (http://www.campolavrado.blogspot.com/), ex-Director Regional de Educação do Centro, sobre a polémica reunião de José S. Carvalho Pinto de Sousa com os professores e sobre a as novas medidas que o ministério quer aplicar, no que se refere à avaliação profissional da classe dos docentes. Medidas absurdas, diga-se, pela forma. Mas não pela ideia que as justifica.


Interessante a preocupação com a base eleitoral do PS. Pergunta-se: Mas se é o PS que governa, em maioria, e faz o que faz, não merecerá a redução dessa 'base eleitoral' (fala-se de bases eleitorais, como se de coisas naturais e ternas se tratasse. Já começo a pensar que responsabilidades teria o Sr. José Manuel Silva no ME, para estarmos neste ponto e desgraça em que estamos. O Sr. José Manuel Silva fez questão de referir que desempenhou Altas Funções no ME. 'Altas'? Porquê? Por terem sido num Ministério? Não estou a ver que tem isso de 'alto' ou 'elevado'). Se o PS governa assim, merecerá não ser prejudicado, como refere o José Manuel Silva?


Respeito a opinião dele, até porque o seu texto é sensato, oportuno e certeiro. Respeito os professores, como pessoas, como profissionais. Mas, sinceramente, preocupa-me mais o estado e resultado da Educação e a consequente má preparação e insucesso dos alunos. Dos estudantes e filhos de todos nós.


Esta eterna tendência dos professores para a vitimização e auto valorização, caso único nas classes profissionais em Portugal, preocupa-me tanto ou mais do que a situação profissional deles em si mesma. Esta atitude denota um pensamento muito claro: o problema da educação continua a ser prioritariamente o problema dos professores. E não o dos estudantes. Que triste forma de ver as coisas que conduzirá à eternização da fraca qualidade de ensino que temos em Portugal.


Ser professor é ser um profissional como os outros. Como todas as classes profissionais, merecem o meu e o respeito de todos. E, nesse sentido, todos temos de fazer, como pais o esforço de cumprir com as nossas responsabilidades: educar os filhos para terem um comportamento digno nas salas de aulas, respeitando os outros colegas, os professores, e a eles mesmos. Mas os professores têm frequentemente esta atitude colegial de olharem o umbigo como se só eles o tivesses e só eles fossem atingidos, nomeadamente pela gestão desastrosa, errante e incompetente deste Governo.


José S. Carvalho Pinto de Sousa (conhecido como Sócrates, mau grado a comparação ofensiva para com o famoso filósofo grego) reuniu com professores socialistas, lembrando Mao quando constituiu comissários políticos para espiarem colegas e familiares e espalharem a doutrina oficial do Grande Timoneiro (também temos um agora, bem mais perigoso, pois veste a máscara inverosímil de democrata). Essa reunião encerra em sim mesmas uma ideia muito, muito grave: reunir-se com os profissionais da sua cor política, por não conseguir, nem suportar, ser um autêntico democrata, respeitando as ideias de quem se lhe opõe ou contesta. E doutriná-los como o que de pior se tem feito em política em Portugal.

Prejudicar gravemente o PS e reduzir a sua base eleitoral, é mesmo o melhor, para professores, alunos e para o país inteiro. Mesmo com uma oposição adormecida e incompetente, como se encontra o PSD e outros partidos, no momento. A única coisa boa que podemos ter no futuro, entre tanta desgraça que nos tem acontecido a todos, como termos de pagar um défice obsessivo, que estrangula a nossa economia, nacional e privada, e ainda para mais à nossa custa. Com o pagamento dos nossos impostos. O problema do défice (do seu controlo, controlo orçamental) fez parar o país e até a educação se tem ressentido disso. O controlo orçamental, como pretende a União Europeia, por exigência do FMI, só serve a países bem mais ricos do que Portugal, que perdeu indústria e ainda não encontrou o seu espaço como país de Serviços, que já é há muitos, muitos anos, mas com pouco sucesso internacional. É por isto, fundamentalmente que este Governos, mais do que qualquer outro é profundamente incompetente e irresponsável, tentando passar a imagem oposta, de sensatez, responsabilidade, reformista e decido. Tem sido, em tudo, o exacto oposto da sua propaganda e controlo informativo.


Nem Salazar se teria lembrado de tal coisa. Entre Sócrates e Salazar restam duas diferenças: uma polícia política e a extinção dos outros partidos.


Por enquanto.

Estado-vergonha


Não vivemos uma época de Estados Providência. Já sabemos. Mas os Estados de Direito europeus, onde a cultura social sempre tem conduzido a níveis de protecção elevados, baseados em princípios de equidade, solidariedade, ética e responsabilidade, têm, por tradição, bases intelectuais, políticas e económicas que nos distanciam de outros continentes, culturas, e blocos económicos, tais como os EUA ou mesmo o Japão.


Portugal devia pautar-se pelo respeito de tão sedimentadas tradições, princípios e comportamentos.


Portugal, inserido neste imenso espaço democrático e apologista de um moderno multiculturalismos, devia começar, na pessoa da Administração do Estado, do Governo eleito, para bem ou para mal, devia dar o exemplo, a agentes económicos e à sociedade em si mesma.


A prática da nossa Administração política, eleita para nos melhorar as condições de vida, defender os acima apostos princípios éticos e democráticos, é bem diversa de tais tradições europeias. O nosso Governo continua a patrocinar a negação destes comportamentos esperáveis, e com uma mão tira aquilo que propagandeia, com a outra, numa lógica altamente reprovável de desprotecção social. Através do emprego digno e na linha do que afirma serem os seus guias na melhoria das condições de vida e da formação individual profissional de cada português.


Nos institutos, altas autoridades, provedorias, serviços públicos e outras áreas de actuação próprias do Estado (mesmo que por exagero, clientelista e provinciano tais altas autoridades e institutos nem devessem existir…) que todos os dias se multiplicam, pratica a mais reprovável política de emprego, que apregoa querer combater.


O Estado, ou a sua administração, dão ocupação laboral - não posso honestamente considerar emprego - a jovens licenciados - num país com a mais elevada taxa de desemprego de licenciados da Europa, 60.000 ou mesmo mais - a quem lhes paga, através de empresas de trabalho temporário, valores como mil e cem euros mensais, dos quais só metade ou menos serão pagos a cada jovem. Ou seja, o Estado patrocina vencimentos indignos, de cerca de quinhentos euros, mas paga às empresas de trabalho temporário o dobro. Porque não quer que a estatística faça aumentar o número de funcionários? Porque tem contratos milionários, ou têm-nos alguns negociadores do Governo (Ministros, secretários de Estado? Ou quem?) com tais empresas?

Um jovem poderia receber mil ou mais euros directamente da Administração Pública, mas ao invés, recebe metade e vê a sua situação, todos os meses manter-se precária. Neste mesmo país, ainda se faz propaganda inócua sobre a formação dos jovens. Neste país, há menos licenciados por habitante do que em qualquer outro da Europa. E mais, muitos mais, sem trabalho, do que em algum outro da União Europeia.



Mas este Governo, que diz de preocupações sociais, mantém e faz crescer esta indigna situação. Não investe na formação dos seus quadros mais qualificados e mantém em cargos de chefia imensa gente desqualificada, a comandar os destinos de sectores onde se inserem jovens da mais recente e eficiente preparação universitária. E traz o desalento e desmotivação, indignamente, a milhares de jovens.


Todos os meses, durante anos e anos.

17.2.08

Pelo bosque ou junto ao rio?




Estar a passear sozinho num bosque, numa manhã fresca de Primavera, num desses fins-de-semana em não que apetece ficar em casa a ler, ouvir música, ver televisão ou fazer arrumações e limpezas, o sol penetrando pelas altas árvores e o vento fresco, agradável. Sozinho com os pensamentos frescos, livres a fluírem, reflectindo sobre mim mesmo e sobre os outros. Sobre e vida, o que nos deu ou há-de ainda trazer. O aroma das ervas novas a florescerem, transmite a tranquilidade e inspiração adequadas. Nada fazendo, excepto uma fotos, pensadas com tempo. Sente-se alguma música que nos sai da mente e se enquadra naquele ambiente bucólico e renovador. Uma Sinfonia pastoral de Beethoven, ou uma obra de Dvorák, ou ainda a Fantástica de Berlioz. Tudo parece perfeito e terapêutico.

Ou estar numa cidade como Lisboa junto ao rio, numa manhã fresca de Primavera, num desses fins-de-semana em que não apetece ficar em casa a ler, ouvir música, ver televisão ou fazer arrumações e limpezas, o sol penetrando pelas altas árvores e o vento fresco, agradável. Sozinho com os pensamentos frescos, livres a fluírem, reflectindo sobre mim mesmo e sobre os outros. Sobre e vida, o que nos deu ou há-de ainda trazer. Ao lado do Tejo, onde tanta gente se passeia a pé, ou de bicicleta. O sol reflecte-se nas águas e puxa-nos para ideias e pensamentos, distintos do turbulento quotidiano. Mas o ruído, mesmo que um tanto distante da carros nas marginais ali próximas, não nos permite uma interiorização total das nossas atitudes ou dos outros. O burburinho ainda assim presente, não nos liberta na realidade, de forma inspiradora. Surgem músicas que levamos com os nossos passos, músicas da nossa memória recente e algo transitória. Por dentro, canta-se em silêncio, uma balada dos Outlandish, um ‘Agarra-te a Mim’ de Jorge Palma, talvez um andamento do irrequieto terceiro andamento do terceiro concerto de Rachmaninov.

Quantos de nós temos a oportunidade destes momentos de reflexão e auto-análise? Pensarmos no que somo, por nós, para nós e com os outros? Pensar no que queremos e que julgamos poder conseguir? Reflectir sobre atitude, nossas e dos outros, sobre comportamentos, emoções, paixões, amizades, conhecimentos, aprendizagens, leituras, vivências e convivências?

Se não nos interiorizamos e não nos esforçamos por nos conhecermos, como podemos entender os outros? Se não conhecemos, nem que superficial e subjectivamente os outros, como podemos ajuizar sobre elas e eles?

Para a análise de nós, emocional e racional, não necessitamos de uma base? Uma sólida base, dinâmica de conhecimentos, uma base fundada em aprendizagens, num caminho de busca constante, numa procura, culturalmente apetrechada, do nosso lugar na vida e com os outros. Do que são esses outros para nós?

Num país em que necessidades primárias são ainda muito a ocupação mental e preocupação diárias de uma imensa parte das pessoas, como analisar o caminho a fazer, nosso e dos outros, e com elas e eles, e as oportunidades que nos surgem ou que conseguimos criar? Como saber quem em política se deve escolher? Que rumo dar à vida? Que formação perseguir? Que profissão procurar. Que negócio construir?

Como escolher correctamente um político para administrar o nosso Estado ou, mais difícil ainda, como entender a importância, hoje demasiado presente e na mesma medida carente de interesse nosso e merecedor da nossa confiança? Como podem surgir elementos válidos de uma sociedade assim, tão preocupada com o imediatismo da vida, com o materialismo da mesma, o sucesso fácil e plastificado, sem visão e consequente preparação, planificação de futuros?

Como não hão-de surgir políticos apenas medianos, como os que actualmente ocupam os lugares de destaque nesta triste sociedade? Com foi possível um Partido Socialista eleger um José S. Pinto de Sousa, que se empenha cada vez mais em nos controlar a vida e cercear a liberdade? E um adormecido Luís Filipe Menezes que tanto se empenha em produzir gafes, disparates e envergonhar o partido que, em momento de cegueira colectiva o elegeu? Que ganhámos ou podemos vir a ganhar com estas escolhas que fizemos?

E as nossas escolas que professores, programas e métodos têm que não se orientam por elevados padrões de exigência, competência e qualidade. Quando hoje, num contexto globalizado, os riscos de más escolhas nesta área, levam ciclos de mais de dez anos a corrigir.

E os piores gestores da Europa - com felizes excepções, sempre as mesmas, em promíscua constante rotação pelas grandes empresas - que não valorizam ou remuneram os valores humanos que tanto se empenham perante uma ingrata e incompetente direcção nas suas empresas?

Porque somos tão pouco criativos, ou quando somos não valorizamos esse nosso capital?
O nosso espírito crítico devia ser mais objectivo, auto-avaliador, reflectido, criativo, positivo, construtivo. Mas para tal, temos de ser melhores, mais cultos e esclarecidos, como pessoas e e elementos de uma sociedade.

Os sinais e mensagens que nos chegam quotidianamente dos valores humanos que ainda abundam no nosso país, não têm sido reconhecidos. Esses tantos valores, em tanta gente, conhecida ou incógnita são o melhor capital de um país, que no caso do nosso os tráficos de influências tantas vezes aniquilam.

Todos devemos, uma ou outra vez passear por um bosque, o mais próximo de nós, dentro de nós mesmos e deixar-nos inspirar pela atmosfera limpa e reveladora que nos pode guiar a melhores atitudes, mais responsáveis, críticas e autocríticas, num caminho de empatia com quem vamos tomando contactos. Usando do melhor da nossa emocionalidade, temperando com a racionalidade clarividente que pudermos.

Para compreendermos os outros, temos antes de nos conhecermos melhor. Para, assim, fazermos escolhas nossas ou sobre outras pessoas, temos de criar empatias e dominar emoções, mas não usar em demasia de racionalidades artificiais, que nos conduzem a impulsos e atitudes menos sensatas e que acarretam uma potencial carga de insucesso ou sofrimento futuro.
Esta é uma área onde a psicologia e a sociologia se encontram. É um campo de batalha intelectual, moral e ético, onde cada um de nós, encontra a paz que lhe advém do conhecimento, do controlo emocional e da razão. Ou nos defrontamos numa batalha contra a incompreensão, frustração e desencanto, por não termos sabido preparar-nos para avaliações, criticas e escolhas responsáveis, apaziguadores connosco mesmos, sensatas e dignificantes. Escolhas para nós ou sobre outros. Por não termos enveredado pelo caminho do auto-aperfeiçoamento, na busca do conhecimento e da cultura.
Os nossos actuais governantes pautam-se pela nossa obscuridão, individual e colectiva, limitando as nossas liberdades no que aos interesses secretos deles e dos seus amigos lhes parecer ameaçador.
Só um indíviduo informado, esclarecido e culto é verdadeiramente livre. O mesmo se aplica a todo um povo.

Ensino Artístico



A propósito da ‘reforma’ (esta moda de chamar reforma a tudo, é mais uma das manias socialistas, de a tudo tentar dar uma ideia da profundidade de medidas, verdadeiramente, avulsas, as quais se mudam várias vezes, para não correr riscos a tempo de ir a votos e sondagens) sobre o ensino da música, especializados versus ensino integrado, lembrei-me da miséria que graça no ensino do desenho e pintura, designado de educação visual (impropriamente, pois nesse caso deveria abranger ensino de outras artes visuais, como escultura, fotografia, vídeo, etc.

Quando as nossas crianças são pequeninas, antes de irem para o pré-escolar, ou infantil, um dos seus maiores prazeres é desenhar e pintar. Assim que chegam ao ensino básico - outra designação com que não concordo, visto que básico num país que se quer mais preparado, bem formado e culto até, esse ‘básico’ deveria chegar até ao 10º ano de escolaridade – desaprendem quase na totalidade o pouco e rudimentar que antes haviam aprendido: não se lhes ensina a desenhar, para o que existem técnicas adequadas, e muito menos a pintar, para o que, em geral, nenhum professor formado numa escola de Belas Artes não tem preparação.

Há anos frequentei um curso de técnicas de pintura e entre todas as colegas - todas mulheres, professoras do Básico ou Secundário - uma ou duas conheciam os materiais, e muitas eram pintoras, ou os sabiam adequadamente utilizar. O professor, nesse curso, um excelente Mestre uruguaio, mostrava-se atónito com o desconhecimento demonstrado por tantas professoras e asseverava que noutros cursos por ele ministrados, o panorama era o mesmo.

Uma das coisas mais frequentes no ensino primário é fornecer às crianças crayons de cera para pintarem a seco. Um material fabricado para ser usado com um diluente que, obviamente, não pode ser utilizado por crianças, dada a sua toxicidade. Pintar a cores a seco, por crianças, só com lápis seco. Pastel seco que liberta muito pó, não pode, igualmente ser fornecido a crianças, e até o seu preço seria proibitivo em escolas públicas, pelo menos.

Mas há matérias muito mais inofensivos pouco explorados nas nossas escolas e poucos serão os professores habilitados a ensinar a desenhar ou pintar, pois a sua formação é artística e não pedagógica. E até nas escolas de Belas Artes são vítimas de um ensino demasiado estigmatizado por ideias absurdas de uma criatividade com pés de barro, estereotipada por conceitos artísticos e ideológicos distorcidos e elitistas.

E do ensino artístico ainda há muito para falar. Estranha ‘reforma’ que não destaca o ensino da dança, das artes cénicas, da escrita criativa. Por aqui se vê como sofrem de dependência mediática os nossos políticos, no que à Educação e à Cultura dizem respeito.

As modas pseudo-democráticas do PS são uma infelicidade fora de tempo, uma contracorrente com os países com mais tradições e sucessos reconhecidos nestas áreas, como uma Áustria, Alemanha, Suíça, França Reino Unido, Itália, Espanha, USA, países nórdicos, Argentina, Chile e Japão.
Mas repare-se que de outros partidos pouco se ouve. Estarão ainda vivos? Onde pára o PSD? Alguém sabe deles?

16.2.08

Educação Musical democrática?


A Ministra da Educação é um dos membros do Governo que, ao início da sua actividade, foi tida como eficiente, pragmática e competente. Rapidamente, através de um série ainda interminável de disparates (retirada do exame de Filosofia para entrar na Universidade em... Filosofia, e noutros curros afins, as famosas aulas de substituição que, ainda hoje, ninguém vê como úteis …)

Nos últimos tempos a Ministra tem dado crédito a estudos, perfeitamente irresponsáveis, apressados e até mesmo idiotas, como a Reforma, que nunca é aplicada como anunciada, tal como TODAS as reformas do infeliz e incompetente Governo do Eng.º Técnico José de Sousa (para não insultar a memória do ilustre filósofo grego)e, mais recentemente, as anunciadas, ainda não legisladas, medidas sobre o ensino especializado da música.

Quer o ministério, impor, estilo quero-mando-e-posso, muito ao gosto de José de Sousa, que as escolas ensinem música em modelo integrado. E deixe de haver ensino gratuito, entenda-se subsidiado pelo Estado (que somos nós, sendo o Governo apenas uma parte, pequena, mas executiva, parte a que se deve chamar, até pelo carácter transitório, e por isso com mais responsabilidades de “prestação de contas” e de exercício democrático, com mais propriedade Administração do Estado) nas actuais Escolas especializadas, tais como os Conservatórios, regionais ou nacionais. Assim, tais escolas passariam a ter de ser pagas, como se fossem privadas, mas pertencendo ao Estado. Só por aqui, o Estado pretende voltar ao mundo dos negócios, coisa que no sec. XXVI não se compreende…

Mas pior é dizer-se que, assim, se democratiza o ensino da música, quando o que faz é acabar com o esse mesmo ensino, num modelo competente, deixando aos jovens apenas a possibilidade de aprenderem uns toques de bombos, ou algo parecido. Nunca se imagine, a curto prazo, claro, uma escola secundária poder ensinar violino, piano, trompete, etc. Crianças, jovens a tocarem Bach, Bruch, Händel, Vivaldi, Lalo, Chopin, Schubert, Gluck, Geminiani, Fiocco, Saint Säens, para já não mencionar Beethovem, Rachmaninov, Kreisler...

Por todo o mundo o ensino da música, sério e com resultados até bem mais visíveis do que neste Portugal sem cultura, é possibilitado pelas ditas escolas, que a pouco culta ou informada ministra, tem como elitistas. Os portugueses, povo sem fortes tradições musicais, mas que ainda assim tem alguns concursos internacionais de renome mundial (violoncelo de Guilhermina Suggia, Piano de Vianna da Mota), descobrem agora, pela mão de um psicólogo de carreira universitária, de duvidoso gosto e duvidosa competência (social e não psicológica…que competência tem um Doutor em psicologia para estas matérias, Sr.ª Ministra? … imagino que as mesmas que eu mesmo… e não mais) que a música, num país aculturado nesta aérea deve ser democratizada.

Triste ministra, triste governo…tristes de nós, com tanta falta de democracia e de saber ouvir quem realmente sabe!

13.2.08

(Im)Previsões e outros "temas"

1. O Governo fez previsões económicas, para 2008, demasiado optimistas. Segundo a Comissão Europeia.
Sobre isto já eu havia escrito aqui, da última vez em 20 de Janeiro.
Parecem pouco graves estes erros, mas não nos esqueçamos que muitas previsões económicas, privadas e públicas, são elaboradas com base nas do Governo, Banco de Portugal e intituições internacionais.
Um dos cálculos que mais nos afecta é o do Indíce de Produtos no Consumidor (inflação), outro será o crescimento do Produto Inerno Bruto (PIB, crescimento económico da riqueza gerada num país), e a estes dois índices estão ligados, de forma directa...os salários- já de sei os mais baixos e com maior perda de poder de compra, de toda a União Europeia.
E pior do que o grau de confiança nos agentes económicos, nacionais e internacionais, é o que de facto significa e o que afecta um menos crescimento do PIB, um menor crescimento das exportações e, ainda mais importante, numa época de crise financeira, e já económica, internacional, um mais baixo crescimento do consumo interno.
Mas quando as coisas saem mal a Teixeira dos Santos ou a Sócrates, dispara-se com outra coisa que, às tantas, nos últimos dois segundos, até esteve favorável...
2. E aproveita Sócrates para insultar os deputados na Assembleia da República, e enganar a verdade ("os projectos que assinei foram todos da minha responsabilidade"precisamente é de responsablidade que se trata e isso confirma-se...assinando...mas a pergunta referia autoria, coisa bem difrerente. E, espante-se, passou...ninguém deu por nada! Onde anda a oposição? Alguém viu o PSD???)
3. O nosso primeiro-ministro (quanto me custa escrever este título para me referir ao Engº Técnico José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, a quem nem um quisque jornais confiaria...) continua no seu estilo, insultuoso, jucoso, passeando as suas omissões, "não-quero-responder-não-me-dá-jeito" pela Assembleia (adormecida) da República e, assim, quando amua...responde com uma piada-insulto, que faz a todos os sim-sim da bancada socialista rirem.
Esta Assembleia já foi a casa da Democracia...

9.2.08

Marinho Pinto, Corrupção ou Tráfico de Influências



Já tanto se escreveu sobre corrupção em Portugal.

Agora comenta-se sobre as declarações do Bastonário da Ordem dos Advogados. Para uns um escândalo, pela forma, para outros pelo conteúdo (atentatório da intocável dignidade dos políticos. Mas tal dignidade tem, efectivamente, se ser merecida, e não se a tem apenas pelo cargo que se ocupa!)

O Bastonário Marinho Pinto, foi de facto bastante bombástico, mas, para mim, mais no estilo do que no conteúdo. De qualquer forma, há que se provar acusações, para que não se tornem gratuitas, e não se comprometa, assim, o autor das mesmas. Ou então não é correcto e, pior, não são atingidos os objectivos, perfeitamente legítimos e nobres, de denúncia de situações e de pessoas, cuja gravidade de actos nos atingem a todos, por terem implicações profundas nos bens do Estado que, afinal, são propriedade colectiva de todos os portugueses contribuintes cumpridores.
Mas, primeiro erro, governos como este, e políticos como os da nossa triste actualidade, confundem-se e pretendem confundir Estado, dom Administração do Estado. E, em consequência, sentem-se mais do que simples administradores, com o deve legítimo de cuidar dos nossos bens colectivos, proprietários legítimos dos mesmos. E, assim a arrogância, que no caso português, tem séculos de uso e abuso, que nos toma a todos como potenciais imbecis e, frequentemente, gente de quem se deve desconfiar, como potenciais criminosos, contra quem sempre será necessário legislar e controlar.
O Big Brother de Orwell foi inventado em Portugal, já nos idos tempos da Monarquia, e perduram os mesmos abusos ainda em pleno séc. XXVI.

Marinho Pinto exagerou no tom e no estilo, e foi inconsequente com muito do que disse. Mas a atitude que tomou foi de inovadora e reconhecida coragem, num país muito adormecido, social, política e até, psicologicamente. A importância do que disse perdurará muito para além do conteúdo e significado, responsável ou não das suas palavras. Num Portugal tão doente de letargia colectiva, de mansidão suicida, um homem com a posição Bastonário dos Advogados, já desempenhou bem mais o seu papel de cidadão, e, como tal de responsabilidade social, do que muitos de nós e, principalmente do que muitos dos que o acusam e procuram o seu homicídio social e profissional.

Uma das personalidades que mais se insurge, e tão veementemente o faz que já nem desconfiança nos provoca, mas uma impressionante certeza do seu insuspeito comprometimento político, e mais invectiva Marinho Pinto, é precisamente o antigo Bastonário da mesma Ordem profissional, José Miguel Júdice, senhor de atitudes indignas para quem tem um passado respeitável e uma actualidade, no mínimo desconcertante e, no mais justo juízo, uma desoladora colagem à mediocridade socialista.


E pela forma como pratica as suas discordâncias e até insulta o actual colega (desentendimentos antigos e inimizades não se devem misturar com observações sobre actividade profissional e o respeito pelos cargos, até se deve preservar, não?), já só há lugar a esta certeza: como pode um homem com um passado louvável e uma inquestionável inteligência e argúcia, estar tão comprometido com o escandaloso estado socialista, do senhor (desculpem-me …engenheiro, para o ser, tem de estar inscrito e activo numa Ordem ou organização profissional legalmente reconhecida…e projectos legais só os pode assinar quem em tais organizações faça parte!)


Aceito que personalidades de relevo e reconhecida intelectualidade que me merecem todo o respeito, sobre as quais sigo de perto os seus escritos e obra, como António Barreto - uma das poucas vozes livres deste Portugal amordaçado Pacheco Pereira ou pela mordacidade e acutilante inteligência, Vasco Pulido Valente, não se queiram identificar com o estilo de Marinho Pinto. Mas, tal como muito e muitos portugueses, pessoas simples ou diferenciadas, louvo e agradeço que ainda surjam pessoas como o Sr. Bastonário dos causídicos, para nos trazerem uma lufada de ar novo e, esperemos que purificante ou libertador, e nos renovem a esperança de sermos salvos de Sócrates e seus ministros menores, ou também da triste figura que se tem revelado ser Luís Filipe Menezes.


Não conheço português que não se sinta agradecido a Marinho Pinto.!

Moderem-lhe o tom, não lhe elogiem o estilo mas deixem-mo falar!