22.1.08

Crise Financeira e Optimismo desproporcionado do nosso governo



Será de elogiar o aparente optimismo de Sócrates quanto à crise financeira mundial que se começa a alastrar?

Não me parece...

Portugal está inserido no espaço económico europeu e é uma das economias mais dependentes, nesse espaço, da situação económica e financeira tanto de países europeus, como dos Estados Unidos da América e de países orientais.

É que Portugal deve o seu parco, muito parco crescimento do PIB às exportações para países como os da União Europeia e os EUA. Mas também depende, no equilíbrio da sua balança comercial, das compras feitas a oriente, e também, principalmente a Espanha e Alemanha. Se Espanha tem neste momento um superavit, tem também uma crise crescente, pois o comportamento bolsista das empresas de construção - quase o único e verdadeiro motor económico espanhol devido à forte imigração do norte África- tem sido muito negativo e as maiores empresas do sector apresentam já fortes perdas, muito comprometedoras dos seus resultados. Mas em Espanha há outros problemas, noutros sectores e o governo espanhol debate-se agora com uma economia que começa a desacelerar.

Portugal depende, pois, muito do exterior e estas são apenas algumas razões e há mais. E não estamos tão preparados, pois nem o equilíbrio orçamental nos há-de valer. Não esqueçamos que esse equilíbrio, o famigerado défice, tem sido um estrangulador do nosso crescimento económico e um esforço para cada família, já que tem sido conseguido quase exclusivamente à custa de aumento da carga fiscal.

Além disso há que esperar um aumento de juros (não nos esqueçamos que a perda acentuada de poder de compra contínua dos portugueses, desde há oito anos e maior nos últimos dois anos, trará um risco acrescido nas análises de crédito da nossa Banca), a todos os níveis, mesmo com a previsível redução da taxa de referência do Banco Central Europeu. E ainda temos de contar com a baixa nos rendimentos da Banca portuguesa em 2007...
Uma economia que tem mais o reduzido crescimento económico da UE, abaixo dos 2% quando no tempo de Cavaco Silva tinha mais do dobro e mais do que a Espanha, mesmo tendo em conta um défice, na altura de mais de 6%...estará tão protegida para esta crise financeira mundial?
Uma economia que não consegue, ao contrário da de Espanha, sustentar-se, em parte sequer, no aumento do consumo interno, só pode sofrer e muito quando, com ao factor acrescido da forte valorização do Euro, depende tanto das condições de outras economias. Assim não é pelo optimismo - “confiança” como dizia Sócrates, aliás Carvalho Pinto de Sousa de seu nome de família – que vamos ficar melhor do outros, nem talvez igualmente atingidos por esta crise, mas sim atingidos em muito maior escala.
O problema do optimismo provinciano e desproporcionado do Governo é que normalmente os mercados financeiros reagem muito mal ao irrealismo. Além disso um ministério das finanças em contra-corrente com as opiniões generalizadas, incluindo a do Banco de Portugal, não inspira confiança nos agentes económicos, bem pelo contrário!
Como tal, e não explano aqui muitas mais razões para recear o tempos próximos e para nos prepararmos para um época mais difícil a exigir de todos nós contenção e poupança, devemos esperar um 2008 muito duro para todos.
Melhor contar com isso, realisticamente, do que padecer de um optimismo puramente por propaganda ("balofo", por sugestão do ministro das finanças), que este governo não se cansa de usar e abusar.

Livros... mas não obras literárias



A moda dos livros sobre enigmas, mistérios, segredos nunca antes desvendados pegou de tal forma por todo o mundo que, hoje, é difícil entrar numa qualquer livraria e não dar de caras com uma dessas 'pérolas' da literatura em destaque. Estão por todo o lado.

Os seus títulos são ‘muito interessantes e sugestivos’...de tal modo que é quase possível ‘cloná-los’ ou fazer um pequeno jogo, juntando-os, mais ou menos assim:

“O Legado dos templários” (Steve Berry), descoberto com o “Mapa dos ossos” (James Rollins), ou “ O segredo de Shakespeare” (Jennifer Lee Carrell), que nos desvenda “O sangue dos inocentes” (Júlia Navarro) já muito antes encriptado no “Mapa do Criador” (Emílio Calderón)...

Enfim, qualquer pessoa mais criativa do que eu faria melhor deste ‘jogo’, mas é só um exemplo de alguns títulos que, afinal, dizem o mesmo. Há um mistério universal, de muito alcance para a humanidade, desvendado no livro ‘tal e tal’.

Para mim são títulos hilariantes e todos soam ao mesmo. Mas não significa isso que, entre tantas desgraças literárias, ou mesmo mediocridades, não exista um ou mais, entre tantos títulos idiotas, que tenha até algum valor, ou seja mesmo uma boa obra literária.

Mas também me parece que nem existe, em muitos desses livros, uma verdadeira intenção de conseguir conteúdo. Escreve-se com uma outra intenção, mais ou menos clara. A de vender, vender muito se possível, perseguindo o exemplo de um Dan Brown. E tanto maior será a probabilidade de sucesso se for possível conseguir um tema que choque, pela polémica e, como tal, cause sensação. Ora, só há uma forma de atrair leitores para autores, muitos deles desconhecidos. Pelo título, parvo ou não, mas que capte a atenção de público menos avisado, menos leitor portanto, e menos crítico.

Ler um desses livros é como levar um romance muito ligeiro para a praia, nos momentos em que tudo nos apetece menos...pensar. É como ver um desses filmes sem conteúdos, também vítimas de clonagem, que nem nos deixam espaço para pensar.

E isto também tem o seu lugar, nos momentos em que pensar é tudo menos o que precisamos fazer. É relaxar no ‘vazio’. O pior é depois, a sensação de tempo perdido e o espaço ocupado numa estante.

Mas parece-me que esta moda (pseudo) literária vai durar ainda muito tempo.

21.1.08

O tempo, a nossa vida e a verdade que não chegamos a conhecer

Ao longo da vida, em cada momento, conhecemos dela o passado e o momento que vivemos. Não há, aparentemente, forma de saber alguma coisa sobre o futuro. Parece lógico, mas talvez não seja bem assim...

Para já, é trivial dizer-se que o nosso passado e presente podem ser estimulantes, indiciadores ou condicionantes do nosso futuro.

Sei do meu passado e vivo e sinto o presente. Do futuro, sei que há vários trajectos possíveis, vários futuros possíveis, mas sem saber bem os mais prováveis. Ou talvez não seja bem assim. O único certo é a morte. Mas o queria escolher para mim é condicionado por parte do meu passado e muito pelo presente.

Será que conhecermos, termos conhecido, as pessoas que nos foram surgindo na vida, e não outras, não dá outras possibilidades ou condicionantes, ou até determina o nosso futuro? O futuro que gostaríamos de ter?
Para mim é claro que tem de haver influência dessas pessoas, já sentida no presente, vivida no passado, recente ou não, mas com existência, possível ou não, mais ou menos provável, no nosso tempo que há-de vir. E o nosso pensamento, positivo que é (sempre positivo. Não há pensamentos negativos, há é negação de pensamentos e opostos. Tentem não pensar num carro amarelo, quando lerem isto...) puxa-nos para querermos ter no nosso futuro as pessoas com quem estivemos bem e não desejarmos as outras, que nos trouxeram coisas menos boas.

Mas o problema é, no presente, sabermos avaliar correctamente, quais as influências e até os momentos bons e maus. Só o sabemos, frequentemente, pela memória, que também carece de ser perfeita, do que sentimos quando vivemos tais momentos ou situações. Mas como a visão que temos, hoje e no passado e, assim a nossa avaliação é sempre subjectiva, também condicionada pela experiência do passado (em maior ou menos grau, dependendo da emocionalidade vivida nesses momentos) e, consequentemente, deturpada ou desfocada do real, só no futuro poderemos, eventualmente, pela distância adquirida pelo tempo, saber o que, do passado foi bom ou mau para nós.

A cada momento recebemos mensagens e enviamos outras. De umas podemos conhecer o significado, mas de outras talvez nunca o saibamos verdadeiramente. Nem nunca somos tão abertos de mente ao ponto de as conseguirmos interpretar sem condicionantes. E mesmo das que pensamos saber o significado, pode haver mais do que um sinal ou uma interpretação.

Assim, mesmo do nosso passado pode ficar para nós mesmos, muito por desvendar. E se do que conseguimos saber bem o significado podemos conhecê-lo já fora de tempo útil, imagine-se de quanto nos fica por saber da parte que nos foi impossível interpretar. A nossa mente é um grande mundo com muito poucas respostas. Pelo menos em tempo adequado. Condicionamo-nos a nós mesmos a cada instante, sem o sabermos.

E se fica tanto por saber, como interpretar, cabalmente, o significado que uma pessoa teve para nós, ou tem ainda no presente? Também isto só talvez o futuro nos traga alguma coisa. Ou não. Porque também depende do futuro que queremos ou conseguimos ter.

Por esta incerteza em grande escala se perdem, do nosso passado ou presente, muitas coisas boas, e pessoas, que pensávamos não o serem, ou que sabemos serem, mas não as soubemos aproveitar, e se ganham ou mantêm outras que só mais tarde saberemos não serem a nossa melhor escolha. Com sorte conseguimos manter ou encontrar muita situação ou pessoa muito positiva na nossa vida. Podemos ter influência, mas com a nossa subjectividade e experiência passada a influenciar-nos é mais a sorte que nos permite fazer boas escolhas. Não em tudo, mas em muita coisa.

Da nossa vida só sabemos algumas coisas com certeza. Que nascemos, que iremos morrer e temos o conhecimento possível do presente e do passado.

Mas também, desta reflexão pode ficar a ideia, que nem sue seja em parte alguns sinais que vamos recebemos, nos indicam parte do futuro que poderemos vir a ter. Sobre situações e pessoas.

Saber ler os sinais e mensagens que se nos vão apresentando é a melhor aprendizagem e o maior tributo que podemos dar ao nosso futuro.

Que políticos temos?

O líder do PSD anda a fazer o quê da nossa política? Por que razão não temos alternativa credível perante um Governo tão parco de imaginação e criações positivas?

Se temos uma vida política cada vez mais presente nas nossas vidas, e passamos por um momento tão pobre da nossa democracia, que nos resta de esperança para os próximos tempos?

Temos um Governo arrogante, mas sem obra positiva. Anúncios de reformas, que são alteradas todos os dias, ao sabor de sondagens e de clientela. E temos na oposição, na que teria condições para ser mais viável em termos de governação, uns tantos políticos que se entretêm mais com jogos de ‘ser do contra’, e se ocupam de casos menores, fazendo propostas que até nos parecem brincadeira de putos, sem uma ideia positiva.

Quantas pessoas de vulto público têm coragem para dizer que esta política financeira está a arruinar o país? Uma política estilo Salazar, mas com a desvantagem de aquele ter diminuído a despesa e os de agora nem isso conseguirem, mas também nem se esforçarem. Esta mania europeia do défice não serve um país sem tecido económico definido, que anda ao sabor dos ventos de economias maiores. Pode parecer normal, pela nossa dimensão, mas olhe-se para uma Suíça e outros países, que no pós-guerra passaram até por fortes recessões e até vagas de alguma pobreza (lembram-se de como era uma Suécia há sessenta anos?). Certo que a cultura nesses países era já bem mais sólida do que a nossa, no presente. Mas somo um dos países mais antigos do mundo com as mesmas fronteiras, que podia ter beneficiado de longos períodos de paz e nada soubemos aproveitar, em prol de um povo mais informado, mais culto e, como tal mais participativo e positivamente crítico.

O défice não nos faz nem melhores nem piores. Foi a administração do Estado que o foi criando. A má administração. Era para não o deixar crescer que se elegeram vários Governos. Fizeram o oposto e agora fazem pagar a todos, um monstro que ninguém queria. E da pior maneira. Estrangulando-nos com impostos. Nem tentam diminuir uma despesa, que escondem mas que cresce todos os anos, mais do que o PIB. O défice, essa obsessão irracional, que se tornou o principal objectivo nas Finanças, está a deixar para trás anos e anos de possível desenvolvimento económico, social e até cultural. E afastamo-nos de uma Europa que reclamo o cumprimento dos objectivos para o défice, e nos vê, todos os dias mais distantes. Interessa à Europa ter um país assim no seu seio? E quantos de nós temos coragem de falar contra o famigerado défice, aliás a redução do mesmo, contra tudo o que isso significa para o nosso desenvolvimento? É certo que é importante. Mas o mais importante, num país que assistiu à transformação do seu tecido económico de uma economia mais industrial para uma de serviços, que está nos limites geográficos da Europa, e não consegue impor-se onde só tem hipótese: Serviços precisamente.

O resultado é um Governos medíocre e uma oposição à sua altura, ou pior, que nos retira muita esperança. E só a teríamos numa sociedade com capacidade de renovação de pessoas e mentalidades. Mas ao contrário, temos uma vida amorfa, numa sociedade amorfa, sem ânimo de lutar pelo futuro e sem saber como o fazer.

10.1.08

Aeroporto 'Jamais' no deserto


Há uns bons anos, nos Estado Unidos, surgiu uma cidade no deserto. A partir do nada: Las Vegas (uma cidade surrealista e polémica, pelos aspectos ambientalistas e não só).

Em Israel, os melhores engenheiros de hidráulica agrícola do mundo fizeram surgir produções agrícolas onde antes se julgava inviável qualquer prática produtiva nesse sector. Entre outras coisas isso permitiu a Israel ser hoje um dos principais produtores mundiais de flores, sementes e estacaria para produção de flores de corte, hortícolas e, principalmente, citrinos.

Agora Portugal vai fazer nascer um projecto novo no 'deserto': o novo aeroporto de Lisboa. E até já tem nome: Aeroporto Jamais
Uma decisão sensata e inteligente, pela qual estão de parabéns, desde logo, os habitantes da margem esquerda do Tejo, a designada margem sul...ou 'deserto' (desculpem-me a graça já não faz sentido, eu sei...), os portugueses sensatos, os habitantes da região de Lisboa e até, vamos lá conceder, o próprio Governo!
Ali na foto, o 'deserto' até me parece muito verdinho!

9.1.08

Pintar ou escrever



Há pouco pensava qual o processo que me leva a escrever e as razões para tal, tal como o processo que leva a pintar. Não sei se consegui uma imagem clara.

A corrente da escrita surge em muitas pessoas como necessidade de comunicar, logo por terem ouvido alguém, ou observado alguma coisa que lhes pareceu destacar-se do restante ao seu redor. Também comigo, por vezes. Ou por que em dados momentos, de tristeza ou de alegria, há esse impulso incontrolável de comunicar sentimentos.

Mas por vezes é do vazio que surgem as coisas. Do profundo e aterrador vazio. Desse lugar da solidão que nos rouba o ar, nos tira o ânimo, nos derruba os sonhos. È o espelho e é para pintar o reflexo desse buraco negro que nos traz um peso ao peito. Do cinzento mais carregado de nós mesmos. Que nos torna cativos do nosso lado mais negro.

Outras vezes, vem da euforia que nos trouxe alguma alegria imensa. De uma felicidade que se solta e rasga do peito para fora de nós. Um vulcão de energia que alguém ou algum acontecimento fez explodir em nós. Pode vir de uma paixão que nos enche e nos faz sonhar, ou de um sucesso pessoal que seria inesperado mas que se procurava.

As razões para deixarmos registo do que nos vai por dentro são muitas e muito diversas e, também, apenas, uma forma de organizarmos os nossos ficheiros da nossa mente complexa, de forma consciente, tal como fazemos todos os dias durante o sono, sem termos consciência do processo. É um rearranjo da mente, quando a mente tem essa necessidade e se quer preparar para novos acontecimentos.

A pintura é, pelo menos comigo algo de muito mais exigente e profundo. Um processo criativo que exige muito mais de mim. Pode surgir de forma espontânea, como ideia. Mas a sua criação, ou concretização, nada tem de espontâneo e exige disciplina, concentração, abstracção do mundo à minha volta. É um momento egoísta, em que me volto para dentro. Em que quase não dou conta do que se passa em redor. É também muito exigente e solicita muita energia mental e física e do qual, frequentemente saio, após uma sessão, extremamente esgotado. Como se de um extenuante exercício físico que apela a toda a minha energia. Vem de muito de dentro de mim e o mundo, nesses momentos, quase não existe fora de mim.

Escrever é muitas vezes um processo compulsivo, quer o faça com alguma criatividade ou quase nenhuma. Com qualidade ou com ausência dela. Como quando estou muito triste, ou apenas sinto necessidade de comunicar, nem sei com quem. Pintar é, de forma distinta da escrita, algo que se tem de desenvolver pouco a pouco, em dias ou semanas, primeiro dentro, depois na tela, mas nunca como processo de registo de tristezas ou sentimentos negativos.



Ar limpo e medidas fundamentalistas

Um novo ar começa a fazer-se sentir aos poucos nos nossos espaços fechados. Pode ser fruto de uma lei exagerada, mas o tempo irá dar razão a uma medida como esta.

Sabemos que não foi por um rasgo de inteligência que se fez esta lei, mas apenas por este governo grassar no nosso controlo diário, estrangulando tudo o que puder, passando o rolo por cima de tudo, numa febre de tudo marcar, dominar, manipular...

Há, de tempos a tempos, políticos e políticas assim.
Agora são os limites de 30 (!) km horários...

Já só falta o 'chip' para registar o que pensamos e criar espasmos quando temos pensamentos contra o Grande Timoneiro...

No meio de tudo isto haverá coisas boas que vêm por bem e coisas boas que vem por mal...mas há muitas, muitas que serão sempre más.

Se continuarmos nesta letargia...e não despertarmos nunca com espírito crítico e interveniente...

Turn my grey sky blue


Neste Inverno acanhado, seguimos essas ruas cinzentas tristes
Olhando o chão, olhando o céu,
Procurando em nós aquilo que os olhos
Para fora de nós não conseguem ver
São dias de tristeza apenas aparente?
São dias de uma Natureza em recuperação
Estes cinzentos céus das nossas cidades
Estes frios e húmidos dias de Inverno acanhado
Esperam o acordar, dentro de nós, fora de nós

Sabemos que chega, mas tarda a chegar
Um dia melhor que nos faça acordar
Que liberte as coisas naturais do seu sono anual
Que nos deixe sair de dentro de nós
Neste dormir que não desejámos
Feito triste e frio por vontades alheias, ou por falta delas
Vamos por essas ruas, olhando o chão, onde apenas lágrimas
Dão a humidade aos dias, turvam os nossos céus
Esperamos o tempo da nossa secura, de dentro
De uma secura...para sempre?

Olhamos o chão e olhamos o céu...
Não vemos ainda o tempo que há-de chegar
Mas já sabemos como há-de vir...
E o que irá de nós fazer.

8.1.08

A Ota e os estudos


Muito interessante todo este frenesi sobre a localização de um novo aeroporto de Lisboa.

Um país de dez milhões de pessoas com dezenas de milhares de empresas, centenas de problemas graves para resolver, parece ver o seu futuro muito dependente da Ota e de Tgv’s...

Agora há um novo estudo! Da douta Universidade de Coimbra. Se o Governo já houvera decidido, este estudo e tantos outros que surgiram e mais os que ainda hão aparecer (pró Ota, querem apostar?) já vinham a tempo...

Lá estamos nós com o problema das decisões, certas, erradas, fora ou dentro de tempo certo.

Mas este estudo é interessante. Dizem que a Ota é mais barato. Aliás, claramente mais barato! Por causa das infra-estruturas. Porque, dizem, o que é importante para um aeroporto são as infra-estruturas de comunicação com ele...

E eu, bem sei que não sou de Civil, que pensava ser mesmo o aeroporto em si. As suas capacidades de gestão e manutenção em segurança do tráfico aéreo e...Ah! A proximidade com os grandes centros que há-de servir.

A Ota está ao dobro da distância de Alcochete. A Ota não tem terrenos planos em área suficiente e tem montanhas, pântanos (das poucas zonas do país com pântanos, logo ideal para aeroportos...). Quanto custará um transporte da Ota até Lisboa? Ou até...Alcochete, Atalaia, Setúbal...?

A Ota tem menos anos de vida do que Alcochete...Conhecem todos a zona de Alcochete? Uma das mais vasta zonas planas do país??? Os anos de vida de um aeroporto não tê importância num estudo de viabilidade económica? E se forem anos de vida a metade de outra zona, o que tem mais impacte no custo? A duração do meso ou as infra-estruturas de transportes? Ah...mas fala-se
de TGV..e quem disse que um aeroporto necessita de um TGV à porta? Um comboio norma não basta? Ou os camelos do ‘deserto de Mário Lino...até são mais ecológicos.

Mas os eruditos técnicos de Coimbra lá saberão.

Eu não técnico, mas pagarei a solução que for decidida, como todos nós.

Racionalidade, emoções e decisões




Todos nos confrontamos com decisões. E todos as tomamos certas, umas, erradas, outras. Em geral conseguimos saber do acerto das nossas decisões pelos resultados obtidos. Mas muitas vezes nem assim, nem passado muito tempo, somos capazes de aferir da sensatez, equilíbrio ou adequação das nossas tomadas de decisão.

E já não irei aqui discutir as diferenças, grandes ou ténues entre decisões, tomadas de decisão ou execução das mesmas.

Tomemos um exemplo que pode parecer despropositado, exagerado ou até absurdo (como exemplo para o que de seguida quero dizer). Quando Hitler e os Nazis tomaram a decisão de exterminar uma raça, ou melhor os partidários de uma religião, por sinal das mais antigas do mundo, os Judeus, estariam ou não convencidos de terem tomado uma decisão acertada. Tendo em vista os seus objectivos, sobre os quais hoje muito se conjectura, claro, mas pensemos apenas no controlo de áreas industriais e financeiras que estariam naquela época - não foi assim há tanto tempo...acautelemo-nos de extremismos destes...- nas mãos de judeus, deviam estar mesmo convictos de estarem a proceder bem (não no sentido humanista! Isso não era nem preocupação nem o forte deles, mas estas coisas devem ser inseridas na sua época e na envolvente...). Por outro lado, propagandeando a supremacia da raça, não se pode imaginar que Hitler e os seus seguidores - fica melhor apaniguados – não pretenderiam deixar desaparecer em pouco mais de seis anos, o III Reich, nem muito menos deixarem-se capturar ou sentenciar à morte, ou mesmo suicidarem-se. Então...à vista da decisão tomada, após a morte horrenda de mais cerca de seis milhões de seres humanos, aquela decisão não serviu nunca os seus interesses!

Este exemplo chocante e talvez absurdo, serve-me frequentemente para dizer que muitas vezes é melhor não decidir, do que decidir mal!

Mas, no entanto, assiste-se todos os dias a decisões erradas e por parte de pessoas de valor - todo o ser humano tem valor, mas aqui refiro-me a valor social, reconhecido de alguma forma, ou por sucesso confirmado ou por potencial reconhecido – e de mérito.

Chumbou a matemática quando no ensino secundário e um dia afirmou num jantar sofisticado, a uma senhora que ao seu lado se sentava “sabe eu nunca uso peúgas”...
Einstein não é uma personalidade sobre a qual se questione o valor intelectual nem o mérito da sua obra. Imagine-se a confusão que hoje fazemos com os nossos filhos quando ou chumbam a matemática ou dizem disparates em público!

Jardim Gonçalves é uma personalidade sobre a qual ninguém questiona o mérito de ter construído um Banco, inovador e dinâmico, que contribuiu decisivamente para mudar horizontalmente todo sector financeiro português. No entanto, hoje conhecem-se os resultados de decisões suas ou tomadas com o seu conhecimento e consentimento. Terá sido positivo deixar sair Teixeira Pinto do BCP? Hoje há quem se divida, uns que sim, outros que não. Provavelmente nunca saberemos o verdadeiro acerto da decisão.
Mas sabemos o estado lamentável a que chegou um grupo financeiro com o peso e impacte do BCP. E sabemos das vergonhas, agora também envolvendo o Governo, que ainda por aí correm... (e disparates). Mas falamos de disparates que custam a um grupo como o BCP muitos milhares em vencimentos mensais a cada administrador e milhões em custos ainda não contabilizáveis. De imagem, prestígio, perda de valor nos mercados mobiliários, perda de mercado, clientes, etc. Eu, por mim, se for adiante a tomada de assalto por parte do actual administrador da CGD é certo que termino com todas a minhas actividades com o BCP.
Não aceito que uma empresa seja assim controlada e se torne afecta ao poder político, nem que os seus futuros dirigentes tenham um conhecimento da concorrência que a própria lei da concorrência, portuguesa e europeia tenta acautelar.

Mas todos tomamos decisões. E se acertamos, ficamos bem. Se não...teremos de levar com elas, muitas vezes para o resto das nossas vidas.
Certo é que por vezes temos os dados todos à nossa frente, para as tomarmos bem e acertadamente, mas ainda assim insistimos em seguir um caminho potencialmente inadequado, por questões de conforto imediato, conformismo, falta de coragem, controlo excessivo ou desproporcionado de emoções (versus excesso de racionalismo quando não deve existir – há situações típicas que apenas têm a ver com emoções...), ou falta dele, falta de meios ou de presença de espírito, e de espírito algo visionário...
Como muitas vezes se diz..."vá-se lá saber..."
Mas por vezes sabe-se, a tempo, e sente-se logo. E na política muita gente 'leva com elas'! Mas nas nossas vidas privadas também. Porque não na vida empresarial, sendo as empresas constituídas por pessoas, que pensam, vivem e sentem comos os demais?

7.1.08

A verdadeira crise das nossas sociedades – II



Uma sociedade informada, mais culta, com espírito crítico, não está protegida do surgimento de autoritarismos, de individualidades que carregam consigo essa marca indelével de tudo e todos querer controlar, de se verem a si mesmos como detentores e verdade, de conhecimento e de capacidade de liderança, que outros, nenhum outro, a tem. Uma individualidade assim, tem tido este país infeliz, demasiadas vezes. No nosso caso português, tal pode explicar-se, com talvez demasiada ligeireza, como consequência da falta de espírito informado e crítico e, em consequência, de participação social, política, religiosa e cultural. Um verdadeiro espírito de intervenção social. Esse espírito e mais do que isso, essa atitude e postura social, existe e é facilmente reconhecida nas sociedades dos países nórdicos.

Um individualidade assim, abrangente, totalitária e manipuladora é que temos hoje na pessoa do Primeiro-ministro Sócrates, Mas já o havíamos tido em Pombal, em Salazar, em, inclusive, embora com menos impacte, por se ter preocupado em intervir em apenas parte da sociedade, a dos agentes económicos, em Cavaco Silva. Mas nunca como antes se tornou tão perigosa ter uma personalidade destas a dirigir a administração do nosso Estado Português. É que hoje é premente o nosso desenvolvimento, e não só o económico, mas o social e cultural (humano!).


Devíamos estar bem lançados na autêntica criação de uma base cultural sólida, que num país dos mais antigos da Europa e do mundo é de estranhar nunca se ter logrado. Um desenvolvimento apenas económico, ainda longe de almejar, ou até tecnológico, desejado todos os dias e nunca conseguido, mas mais próximo, ainda assim do que outras áreas de conhecimento e desenvolvimento, não nos levará a nada, pois a atitude intervencionista, no bom sentido, nunca se fará sentir.

Um país não se previne de autoritarismos por ter uma boa base cultural. Não foi assim na Alemanha de Hitler, como o III Reich, nem noutros países. No excepcional livro, As Benevolentes, chocante e polémico de Jonathan Litell, mas excelente, é defendida precisamente essa tese. Um país que sempre foi dos mais cultos e informados da Europa e do mundo, como a Alemanha, não conseguiu evitar o surgimento de uma deformação humana como Adolf Hitler.

Não comparo Sócrates a um déspota (ainda) mas as suas atitudes não andam longe das que praticaria um indivíduo assim, insensível e totalitário, em circusntâncias e ambiente intercnacional diferente. Um homem que se pensa ser o único capaz e que dele todos necessitam. Um narciso, sem formação para tal. Nem inteligência. Pelo menos como eu vejo uma pessoa inteligente. Esperteza imediatista, já será possível (também chamada de saloia, que me perdoem os saloios...)


Comparo Sócrates aos piores casos de caciques locais. Que um dia conseguiu atingir a cadeira máxima do nosso poder político. Porque todos temos andado a dormir.

Há demasiado tempo.
E não se vê ainda quando iremos acordar.
Mas o pior mesmo é o resto, o deserto á volta de Sócrates. Se ele não consegue levar este país a um nível de satisfação para os nossos quotidianos diários, alguém deveria surgir como alternativa, um dia...

Mas há um deserto. E este não é o deserto virtual de Mário Lino. O "deserto" de Lino é um sítio cada vez mais agradável para se viver e só ele não consegue ver isso. Este deserto é pior...é humano. É de gente capaz de mexer com tudo, mas respeitando os outros tal como são e não como agora em que se pretende implicar e mexer com tudo e todos, tudo e a todos controlar, incluindo as nossas formas de ser e de viver (cultos artificiais de imagem como a de um Primeiro-ministro que faz Jogging, como se tratando de um homem saudável, sensato e equilibrado, mas que apenas usa os nomes pessoais e não de família. Tudo a favor. de uma imagem falsa, de plástico, como a actual Directiva e normas que a ASAE pretendem aplicar à restauração).

Tudo...de PLÁSTICO!

6.1.08

A "Lei do Tabaco"


Nunca fui fumador. Esta é a primeira coisa que preciso, desde logo, de deixar claro.

Não tendo nunca fumado, excepto um ou outro cigarro ou charuto em raras ocasiões, não sou, nem nunca fu também um fundamentalista anti -tabaco. É certo que o fumo dos outros me incomoda, e sempre incomodou.

Na minha casa paterna quase todos fumavam: o meu pai e os meus irmãos. Excepto eu e a minha mãe. Já nesses tempos em que vivia com os meus pais, o fumo de quem fumava me incomodava. Mas cedo me habituei a tolerar esse fumo.

Confesso que hoje, principalmente em alturas das refeições, esse fumo que me chega das mesas ao lado ou de alguém próximo de mim me incomoda mais.

Mas pelo que li sobre esta lei, que pretende proteger quem não fuma, parece-me mais uma prepotência fundamentalista, extremista, do que alguma coisa sensata. E vinda de uma administração do Estado que fomenta a produção de tabaco, através de subsídios a produtores e fabricantes... Tenho mais dificuldade em entender uma lei assim, com a qual se quer limitar e regulamentar e policiar, num estilo muito Estado Novo, deixando os fumadores numa atitude de criminosos, onde outros crimes não terão a fiscalização e policiamento comparáveis (drogas duras por exemplo..ou venda de bebidas alcoólicas próximo a estradas e auto-estradas onde se conhece o historial de acidentes...

Com uma ASAE que actua com atitude policial e nos vê a todos como potenciais (ou reais!) criminosos não prevejo nem um bom sucesso á própria lei, nem grande futuro à dita e famigerada - odiada ASAE...

Esperemos...

A verdadeira crise das nossas sociedades - I


Em poucos anos, fruto talvez da rapidez a que nos impulsionaram movimentos acelerados como a globalização económica e cultural, e crises do petróleo e de moedas fortes como o Dólar e a Libra inglesa, tem-se assistido a uma substituição na classe política europeia, de grandes nomes, de individualidades herdeiras ainda dos ideais da chamada cultura ocidental, que sempre se tem vindo a identificar com a liberdade individual, cultural e política, por um grupo de políticos que, sem questionar o seu valor individual, não têm sido capazes de continuar essa missão de dar às sociedades europeias e a Portugal em particular, as armas suficientes para se protegerem da decadência e, finalmente, morte sem remissão da nossa cultura comum.



Jacques Barzun, numa monumental e visionária obra, “Da Alvorada à decadência”, retrata de forma erudita e esclarecida essa queda da nossa cultura e dos nossos valores.



Talvez não estivéssemos mal nesta nossa identificação, se fossemos capazes de assimilar e viver bem com isso, outros valores de outras culturas. Mas tais culturas têm vindo a perder, mais aceleradamente ainda do que a nossa (se a nossa ainda mantém uma identificação como sedno de “ocidental”) as suas bases e a sua identidade. Aliás, em duas obras exemplares (Collapse e Guns, Germs and Steel) Jared Diamond questiona as razões que levaram a uma dita supremacia da nossa cultura ocidental - entenda-se europeia inicialmente e, nos últimos duzentos anos, também americana e, mais recentemente, no pós guerra, um pouco no Japão...



Estes temas da nossa identificação cultural, dos nossos valores morais, sociais e individuais, enquanto elementos de uma sociedade com antigas e sólidas tradições, pretenderei explorarem em vários artigos, para não correr o risco, muito meu, de me tornar extenso, maçador e ilegível.


Na minha leitura muito pessoal, tem havido nos últimos anos um divórcio crescente entre as pessoas, os indivíduos e as sociedades, europeias e portuguesa, e a política e a religião.



Há hoje um fosso entre o que pensam - quando pensam...- as pessoas e a prática política. Mas também entre os indivíduos e a religião, seja ela qual for (umas ainda mais identificadas com as pessoas, outras mais distantes, mas todas em processo de afastamento.



Adiantando-me um pouco aquilo que pretendo aqui reflectir, as nossas sociedades, e nas menos preparadas pior, o materialismo e a rotina diária, têm vindo a consumir o tempo e a vontade que ante ainda podia existir, para permitir a criação e manutenção de bases filosóficas, religiosas ou políticas, princípios que iam passando entre as gerações. Hoje cada um de nós tem menos tempo, ou assim pretende ver as coisas, ou não lhe é permitida outra opção, para viver, na acepção que antes se dava ao termo: pensar, amar, dar e receber, emocionar-se, sentir, participar com ideias, ser criativo em diversas áreas de conhecimento.



O materialismo, talvez não na visão religiosa do termo, mas pelo menos na óptica filosófica, é o nosso dia-a-dia: Trabalhar mais e mais rápido, ter menos tempo me casa, para nós e para os outros, não ter tempo ou nem querer para reflectir e muito menos para participar na vida social e política, que nos atinge, envolve e condiciona o presente e o futuro.



Nesta minha óptica, passível de qualquer crítica, chego a ter muitas dúvidas sobre a real evolução humana, sobre a necessidade de algumas ou muitas evoluções científicas e tecnológicas.



Os media dominam e controlam massivamente os nossos dias, com um marketing muito sofisticado, louvável e justificável na óptica empresarial, mas que devia ter o contraponto da crítica informada de cada um de nós. Mas a nossa informação, e até formação, individual é, hoje, pelo menos em Portugal, muito questionável e, assim, o nosso espírito crítico é quase inexistente.

Maça-nos ou até temos medo de ter opinião sobre tudo ou sobre muitas coisas, e na nossa vida política actual, totalmente dominados por um Governo, não de forte personalidade mas de cariz totalitário, num estilo de Big Brother democrática e tacitamente aceite, nós já não participámos, quando ainda há pouco tempo, em 1974 se travou uma luta no sentido de recuperar a nossa liberdade, e liberdade crítica, mas ao invés, ausentamo-nos de ter opinião, de participar e teremos de levar, todos os dias com a prepotência de um Primeiro-ministro que já quase tudo controla nas nossas vidas, mesmo mais do que no passado durante a ditadura se pretendeu ou conseguiu, mesmo que não nos demos conta de nada.

Aceitamos passiva ou mesmo elogiando as atitudes e comportamentos que nos vão cerceando da nossa liberdade, tão recentemente conquistada. Isto ir-nos-á atingir em tudo. Na nossa vida profissional, como na familiar, na social e, não se surpreendam, na sentimental. Onde não existe lugar a pensar, não há lugar a viver em liberdade, a escolher em liberdade. Onde não há conhecimento, criado e obtido de forma livre, sem condicionantes impostas por uma administração do Estado desprovida de inteligência ou criatividade, mas muito provida de autoritarismo e prepotência e de omnipresença, não há liberdade autêntica.


O que hoje faz de nós o Primeiro-ministro e o Governo em bloco, é mais vasto do que alguma vez George Orwell conseguiria prever. E mais aterrador, por passar despercebido a muita gente!

Onde não houver liberdade individual, não há pensar nem sentir que nos tornem indivíduos melhores e mais felizes.


Recomendo a leitura de um excelente artigo de António Barreto, hoje no Público. um dos seus melhores artigos de sempre, não por melhor escrito do que outros excelentes, também que já produziu, mas pela oportunidade e pela coragem notáveis.
(http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=cronistas%2Easp%3Fcheck%3D1)