No Centro



Entra-se, um pastel à Renoir, cores e formas diversas em profusão. Sons e até aromas diversos, cativantes ou agoniantes. Um fresco quotidiano.Azáfema de quase-natal. Burburinho de namorados, passeantes sem rumo nem objectivo. 

O Centro, é uma amálgama de gentes e de personalidades. De carácter, de sem-carácter. Mulheres que olham com desdém quem as olha, qual 'que quer este, ai agora este...não tens mulher lá em casa para onde olhar, é?'. Mas regressam a casa, tão seguras da sua vida quanto de que precisam ia ao 'site' ver se lhe enviaram mensagens...homens 'jeitosos' mas 'apenas para amizade' ...

Homens que vão bambolear as barrigas e a estupidez, acompanhados do seu prestigiadamente estúpido jornal desportivo. Nas mãos, os restos microbiológicos da micção acabadinha de fazer sem lavar a 'patinha', em mistura com a impressão microbiana de todas as pessoas que cumprimentou ao longo desse dia. Olham em volta 'cheio de gajas boas, meu..'

Vai-se ali porque se precisa. Vai-se ali porque não se vai a mais nenhum 'ali' em qualquer outro sítio da cidade.

Aqui ao lado no país vizinho, de gente tão ou mais profundamente estúpida e fútil, quanto incompetente e mentirosa, ainda se vai...ao café, à cervejaria e ali se fica com amigos até umas vinte e três horas para 'después cenar'. Mas ainda se vai e convive e as cidades vivem muito a horas inimagináveis a um português, inglês ou alemão. Pelas duas horas regressa-se para mais uma noite sem ler e sem cultivar o auto-aperfeiçoamento. Tal como cá com o Centro, comercial e com a Televisão.

Somos na Europa os que mais passeamos em Centros comerciais, mais televisionamos e embrutecemos, somos dos que mais figuras angélicas e pudicas temos pelas ruas, figuras tristes de hipocrisia feita, que na net procuram ...'nada ' disfarçada de 'amizade', dos que mais conspurcamos as instalações sanitárias, dos que menos lêem e menos sabem.

Somos esse 'fresco' triste e sem futuro de gente que se arrasta pelos seus dias sem poder saber, já hoje, que amanhã será, muito provavelmente, pior! 

Comentários

Anónimo disse…
Como eu gosto de te ler!!!... gosto quase tanto, como de ver os teus quadros... escreves como pintas e pintas como sentes... um beijo meu e outro do Camões... :)
Olá amiga anónima... Muito obrigado! Ao Camões não...questão de 'princípios'- Camões dizem que era bem 'macho'...- mas, a ti, um Beijo.
Anónimo disse…
Gosto muito de o ler e, estou tão de acordo consigo, que vou imprimir este texto e "pendurá-lo" no meu gabinete.
Continue e bom ano de 2009.
Subscrevo inteiramente. Aliás eu acho que uma táctica que poderia resultar seria chamarem ao Centro Cultural de Belém o Centro Comercial de Belém. Talvez assim, de embuscada se conseguisse mudar alguma coisa :-)
Anónimo disse…
O Homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros (Confúcio)

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