A Amizade


Uma amizade é uma relação muito especial entre as pessoas. É uma relação que exige entrega e verdade. Não permite mentiras, pelo menos mentiras graves, que minem a confiança e mútuo prazer de um convívio saudável e liberto de quaisquer preconceitos, amarras sentimentais ou desrespeito pelo outro, tal como ele é.

Uma amizade exige uma confiança e verdade, mas não exige, embora permita, intimidade. Não exige um convívio em espaços privados do outro. Mas fortalece-se, também, por aí. Não exige um constante convívio e permanente contacto, mas sim um respeito integral e são, pela vida de cada um. Mas é óbvio que a relação entre amigos ganha com alguma frequência na visita à sua amizade.

Hoje terminei uma amizade. Por decisão e iniciativa minha. E nunca antes em toda a vida ao havia feito. Pergunte-se porquê. Porque me senti magoado, ou lesado pela pessoa em causa? Nada disso. Porque houve troca de palavras inadequadas entre amigos? Se houve até foram da minha responsabilidade. E eu nunca antes havia terminado com uma amizade, Nunca. E porque venho aqui falar disto? E para quem? Na verdade, se a aceitarem assim, para ninguém. Ou apenas para mim mesmo. Porque me sinto horrível por o ter feito e, no entanto, ainda pelo menos, convicto de ter feito bem. Mas afinal eu descobri que não gostava da pessoa? Ou algo aconteceu entre nós, de facto e apenas amigos, tratando-se de uma mulher? Não? Talvez por não ter acontecido, no tempo certo. No tempo certo, para mim, obviamente.

E terminei com esta amiga por decisão minha e sinto-me horrível. Por nem conseguir dormir, vim aqui…’falar comigo’ e …isso sim, dar-vos conta do meu estado de tristeza e de um sentimento de haver procedido contra tudo o que as minhas convicções têm defendido. Sinto-me mal e até indisposto por tê-lo feito. Sinto-me pior do que terminado com um casamento. Muito pior.

Esta era uma muito querida amiga e ela nem acredita quão querida era para mim. Apenas amiga, mas que eu muito valorizava e acarinhava. Por isso me sinto imensamente triste.
Entreguei-me muito a esta amizade e a esta querida amiga. Vivi os seus momentos de tristeza e preocupei-me com ela. E, é justo dizer, ela comigo, geralmente. E de alegria também.

Porque o fiz então? Porque uma das minhas regras pessoais para o crescimento de uma amizade não foi atendida por esta querida amiga: não me aceitou como um amigo de confiança e não me permitiu a partilha do seu espaço, da sua casa, por mera falta de confiança em mim. E a falta de confiança não me permite continuar uma amizade. Não o consigo e aceito-o pior do que uma mentira suave. Principalmente por ter percebido que a minha amizade, aparentemente acalentada por ela, era preterida para outras, que não me parecerem serem mais merecedoras da confiança dela, do que a minha. Uma questão de ponderação e valoração dos amigos? Talvez. De inveja minha? Nunca! Mas de perda do meu sentimento de entrega a uma pessoa que me era (é) muito querida, como amiga e não me aceitou, mesmo com um intenso e bem agradável convívio frequente nos últimos tempos, entre nós. Foram bem divertidos e até, diria, intelectualmente superiores, muitos momentos entre nós.

É uma das mulheres mais inteligentes que tenho conhecido. E tão superior e culta como agradável, divertida e doce. Mas que senti que a mim e à nossa amizade, não se entregou como eu achei que o devia e, mais, o dizia fazer. Quis deixar aqui este testemunho da excelente pessoa que ela é, da grande mulher e da pessoa doce e querida. Mas também da minha profunda tristeza pelo que senti que tinha de fazer. Porque não consigo viver com esta falta de confiança de uma amiga que eu tanto queria.

Veremos como conseguirei viver, nos próximos tempos, com esta mágoa pelo que fiz. Mas eu nunca volto atrás nestas situações. Infelizmente para mim. Não sei se para ela.

Amiga…se me puderes, um dia, perdoar…

Espero muito de ti com o teu sucesso e brilhantismo e que encontres uma imensa felicidade que, com este amigo não irás partilhar.

Por culpa, se existe a culpa entre seres humanos…minha. Acho eu.


Mas eu não consigo prosseguir uma amizade nesta base que nós tínhamos. Não consigo e não a culpo, a incapacidade é, seguramente, minha.


E quanto lamento...e triste estou minha querida amiga.


Mas preteriste-me... no momento errado.


E já nem te peço que me entendas...


Hoje eu não vou ter descanso...e sei que vou chorar esta decisão...
Mas assim manterei as coisas.
Perdoa-me! E sê, sinceramente, muito feliz!

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