Triste Figura


Por ocasião das declarações de Bob Geldof, durante uma conferência para a qual o BES e a SIC haviam convidado o famoso cantor e activista dos direitos humanos, o BES fez questão de se desmarcar das mesmas, num comunicado totalmente desprovido de interesse e a roçar o mau gosto, para não dizer abjecto.

Que interessa ao BES, partindo do princípio de que, como todas as empresas, é feito por pessoas?

Que contra tudo e contra todos é sempre melhor defender os interesses económicos, mesmo tendo a plena consciência da razão que assiste a Bob Geldof?

Ou que o seu comunicado terá algum impacte, após as palavras, obviamente da responsabilidade única do seu autor? Alguém no seu bom senso, imagina que o patrocinador de uma conferência é responsável pelo que o convidado profere? Isto, claro, excluindo o próprio Governo de Angola, de quem nem será de esperar bom senso absolutamente nenhum, face à sua atitude autista, no interesse dos mesmos, que é a contínua exploração de um povo explorado e martirizado.

Então como se classifica a atitude do BES, a única que é passível de ser analisada, pois a de Bobo Geldof, só se pode apelidar de inteligente, corajosa e oportuna, além de horrivelmente verdadeira?

A do Governo de Luanda...é escusado comentar, já por ser previsível, já por ser a de um Governo que, perante a complacência de democracias de todo o mundo, segue em frente no seu caminho de exploração e perseguição policial de um povo. Do seu próprio povo. Como o fazem todas as ditaduras despóticas e condenáveis, que sempre recebem o beneplácito de governos mais preocupados com interesses económicos, que, se não fossem com quem são e da forma como se procede, até podiam não ser mesquinhos e, também eles, condenáveis.

Ora o BES, só me merece uma menção: ridículo e vergonhoso. E por isso, se algum dia me passasse pela cabeça ter algum produto do BES, com isto já os retiraria do leque possível das minhas escolhas. Se a isto adicionar a clássica atitude de apego e jogo de influências a que o Grupo BES, não em exclusivo nacional, é claro, já nos habituou, favorecendo e elogiando governos de um ou outro partido. Tudo pela causa mesquinha, do negócio acima de tudo, esquecendo a ética, o que vem dando razão a Marx, para meu desgosto pessoal...

Não basta fazer campanhas de economia e gestão solidárias, como o BES, mais do que outro qualquer grupo económico tem vindo a fazer. É preciso praticar. Mas, na propaganda, tudo está bem, na prática negam tudo o que têm vindo a divulgar.

Triste figura! Triste gestão!

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