Conjuntura económica


Em Fevereiro deste ano eu escrevia que Portugal é um dos países, se não o mais susceptível, que mais afectado pode ser pela crise financeira iniciada pelo crash dos subprime nos EUA.

Por esses dias o Ministro Teixeira dos Santos, logo seguido do sempre 'sorridente-optimista-qual-arrogante-com-vidinha-a-gozar-a-dos-outros' Sócrates, vinha dizer que Portugal está bem preparado para enfrentar qualquer crise. Seria o encantatório défice que lhe provocava tal autismo e exaltação?

Enfim, agora, para minha tristeza e nosso mal comum, vêm os mesmos que antes perfilavam Teixeira dos Santos, embriagados por um controlo orçamental que nem uma Alemanha cumpre (mas que nós, alunos exemplares, de uma estúpida política europeia, asfixiante e limitativa de desenvolvimento económico, queremos a todo custo seguir), dizer que, afinal...afinal Portugal será dos mais atingidos por esta crise mundial. Pois! E quais as razões? Ora...as que eu aventava nesse meu texto de Fevereiro. Mas eu não sou ministro nem um ilustre economista, como os que jornais após jornais e, em programas televisivos como o Expresso da meia-noite, e o próprio Nicolau Santos, no Expresso, em edições seguintes, diziam que o nosso país estava preparado...

Preparados estão, apenas e tão só, os países nórdicos e as emergentes economias asiáticas. E porquê? Porque continuam a gerar riqueza e construir estabilidade, económica e também financeira.

Mas vou arriscar mais uma das minhas extremistas previsões: a crise não se fica por aqui. Porque associada a esta crise vem juntar-se uma outra de muito maior duração e que levará a ajustamentos em quase todos os países ocidentais.

A crise que nos provocará uma reviravolta nas nossas vidas vem aí e durará anos...
É a crise que se associa à procura desenfreada, a um ritmo nunca observado, de procura e de consumo, de matérias-primas e produtos dos países ocidentais, por parte de todos os emergentes países asiáticos, mas principalmente pela China e Índia.

A procura de bens produzidos tradicionalmente a ocidente é a principal, mas não única, causa das subidas de preços de quase tudo: combustíveis, aço, plástico, produtos químicos em geral, bens alimentares.

Nesta crise acentuar-se-á a diferença entre ricos e pobres, crescerá o nível de fome e pobreza nos mais pobres pelo mundo fora, estagnará o desenvolvimento em países ainda de economia incipientemente desenvolvida e estável, como Portugal e…Espanha (que muitos imaginam de economia segura e crescente, vejam lá se lembram de um ‘produto’ espanhol…se identificam Espanha com algum produto, exceptuando agrícolas, claro). Nesta crise, muito mais vasta e duradoura, países como Portugal não sentirão crescimento quase nenhum, ou seja, acima de 2,0%...Porque Portugal não produz nada de significativo e a única coisa que nos poderá salvar são os Serviços, ou seja a economia terciária, a qual já nos caracteriza como tecido económico principal, desde há mais de 20 anos.

Mas para uma economia de serviços, não pode o Estado ter esta ‘mão presente’ e reguladora que Teixeira dos Santos pretende e que Sócrates nem vislumbra de que se trata.

Não nos podemos dar a este luxo de termos um ministro autista e anacrónico, que impõe medidas adoptadas por Salazar há mais de setenta anos. Não nos podemos dar ao luxo de termos um Primeiro-ministro que nada entende sobre economia ou desenvolvimento e actua por medidas avulso, ou copy-paste de outras economias bem diversas. Tem de ser repensada uma estratégia moderna e adequada ao próprio país: um país sem formação, um país inculto e acrítico. Um país em profunda crise social. Só a descoberta de um novo ciclo, de produtos ou serviços, como a descoberta de uma internet permitiu, ou das telecomunicações móveis.

Os países dominam quando controlam uma tecnologia dominante e importante para todos. Foi assim com Portugal no século XV e XVI. Foi assim na Grã-Bretanha no sec. XVIII, foi assim no século XX nos EUA. É assim no século XXI (fins do Sec. XX) nos países do norte da Europa e sudoeste asiático.

Se países como Portugal não encontram o seu caminho nas tendências contemporâneas ou não são timoneiros a alternativa pode ser…o colapso económico e social.

Mas a minha pergunta persiste: porque resistem tanto alguns economistas e o Governo em particular em assumir a realidade atempadamente, evitando medidas e correcções de urgência e, possivelmente já manifestamente tardias?

Porque não prepara o Governo a sociedade e os agentes económicos em particular para uma realidade já evidente e para um futuro ainda mais, com grande probabilidade, difícil e duro?

Que prestígio merecem ver reconhecido, individualidades como os ministros deste governo, gestores bancários e outros economistas, que insistiram num optimismo serôdio e perigoso?
Agora o Governo já prevê um crescimento de 1,5% para 2009 e não de 2,0%. Esperemos conseguir passar 1%...A Espanha, por exemplo não conseguirá, mas lá, como cá, conta mais a propaganda política de gente, socialista, que depende do Estado para ter emprego, para viver…
Não se trata de ser pessimista. Não se trata de desejar desgraças. Trata-se de querer realismo.

Agora Sócrates que tentar os últimos recursos perante um economia quase estagnada: lançar grandes, vultuosos e irresponsáveis investimentos públicos. Tentando com isso animar a economia - e consegue-o, nem que parcial e efemeramante. Mas ilude-se e a nós também- e servir, assim, também, o seu interesse mais querido, como bom socialista, estado-dependente, salvar as eleições a seu favor.
Mas agravará o défice e perde os seus objectivos para esse indicador, para 2009. E dispende recursos em obras inúteis e megalómanas. Obras nos deixarão a marca indelével da nossa desgraça comum. Onde está a consistência disto?
E se tivesse deixado a responsabilidade do relançamento da economia para os privados? Por exemplo baixando de forma sensível os impostos? Aliviando a carga fiscal e a burocracia, que continua aí bem presente, contrariamente à propaganda socialista. Seria irresponsável? João Ferreira do Amaral, entre outros, insurgiram-se contra algumas vozes favoráveis à descida de impostos...e agora vem defendê-la!?
Pagar a multa por não atingir o objetcivo dos 3% do défice sairia bem mais barato a Portugal. Porque seria pontual, conjuntural. E não teria o efeito perverso e perdurador, e estruturante, do aumento de impostos. O IVA, por exemplo, é um imposto quase sem retorno quando se aumenta. Todos os economistas o sabem.
Portugal paga a multa por taxar os automóveis duplamente, isto sim uma decisão errada, precisamente. Mas os socialista cumprem como o seu oráculo de péssimos gestores, fazendo tudo ao contrário.
Deviam aliviar a carga fiscal e deixar a classe média respirar e poder investir. Colocar o desenvolvimento nas mãos de grandes grupos e do próprio Estado nunca serviu à economia. Todos os países ricos têm uma classe média, criativa e empreendedora por natureza, saudável e pujante. Mas Portugal, à imagem dos tempos de Salazar, continua à espera de Belmiros de Azevedo e Amorins salvadores...

Tristeza esta que nos arrasta para o emprobrecimento, já evidente, e não somos capazes de retirar dos órgãos de poder.
Porquê?

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