Partido com classe


O Instituto Nacional de Habitação despediu no mês de Abril quatro jovens com licenciatura que ali estavam há cerca de um ano, com contratos através de uma empresa de trabalho temporário. Logo de seguida o mesmo instituto contratou, provavelmente à mesma empresa, outros tantos jovens para desempenharem as mesmas funções. A hierarquia dessas jovens não tem qualificações, concretamente formação jurídica, mas o Estado prefere manter os seus quadros tal como estão, em lugar de fazer, ele mesmo, o que defende e apregoa para o sector privado. Tais jovens recebiam um vencimento de cerca de quinhentos e quarenta euros mensais, sendo que o Estado paga o dobro à empresa de trabalho temporário.

Este não é um caso isolado. São milhares de jovens licenciados pelo país fora em situação idêntica.  

Estes são os contratos que o governo de um Partido Socialista, um partido com classe, nas palavras de Clara Ferreira Alves, tem administrado, através de uma figura sinistra como Vitalino Canas. O mesmo Estado que vem agora pretender taxar as empresas que optem por prolongamentos de contratos a termo certo, foge a essa regar pela forma mais indigna, diria mesmo leviana e mercantil, através de uma falsa criação de empregos, mas sempre a cumprir a estatística, essa sim, uma obsessão de Sócrates.

Assim Sócrates pode continuar a mistificação dos números: não amenta o número de funcionários, porque estes jovens não são dos seus quadros, nem serão. E alimenta uma série de empresas de trabalho temporário, com as quais alguns membros do PS têm contrato, de chorudas remunerações.  Mas também não diminui a despesa com funcionários, coisa aliás pouco interessante, porque Teixeira dos Santos resolve o problema com os impostos, e até recebe aplausos. 

Em última instância, são os próprios familiares de tais jovens, e todos nós claro,  que contribuem com os seus impostos para manter esta indecorosa situação, mas com classe - porque para Clara Ferreira Alves, e muitos portugueses,  só não se tem classe quando se vem  a público denunciar as coisas com coragem e frontalidade. Fazer pela calada, secretamente é ter classe, ainda que se faça exactamente a mesma coisa. E até votarão no PS.

Um autêntico comércio de pessoas no mercado de trabalho, por um partido não com classe, mas apenas que se fecha bem mais do que um Partido Social Democrata, vivendo ainda nos dias de hoje, com a mesma atitude das sociedades secretas, como a Carbonária ou a Maçonaria. É desta ‘classe’ que temos: comércio de jovens, de quem pode nunca chegar a saber-se o verdadeiro valor e, com a constante alteração dos seus empregos, de contrato a contrato, numa pura lógica de sobrevivência, estes jovens licenciados como o dinheiro do próprio Estado, receberão a pior formação das suas vidas.

Mas com a classe de Vitalino Canas, qual negreiro do Século XXI, Sócrates resolve alguns problemas nos diversos serviços da Administração Pública e cumpre as estatísticas, para, com classe, continuar a mentir ao Parlamento e aos portugueses que o querem eleger novamente em 2009.

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