Encosta-te a mim


Esperava-te com aquela mesma impaciência que me agitava, sempre que chegava antes de ti. Mas com a mesma certeza de que virias para o meu lado, desfrutar da beleza da nossa paisagem, tão plena de energia, como de luz e promessa. Enquanto não vinhas ia-me deleitando com tudo à minha volta. O sol que espalhava baixo e sereno, os raios quentes, redondos de veludo aconchegante. Como um mel amarelo de sonho e esperança. No verde das ervas em redor, a luz amarela atravessava a clorofila deixando uma imagem que percorreria séculos. Esse contraluz lindíssimo que me aquecia e apaziguava, enquanto me deixava ali ficar para ti. Um vento suave e doce agitava-nos carinhosamente e refrescava-nos, dando força para resistir ao que podia ser mais um dia quente. Ao ritmo dessa balada da brisa as ervas faziam a dança do costume, num abraço intemporal e reconfortante. Tudo perfeito para que tu chegasses.

E vieste! Abriste-te para mim em toda a tua cor, linda como sempre! Quando te vi, mal podia acreditar, mas eras tu. Ali mesmo ao meu lado. Olhámo-nos e ficámos em silêncio, deleitando-nos um com o outro. Não era preciso mais do que isto. Uma visão de ti, e tu outra de mim e sentíamos como se o tempo tivesse parado para nós. Éramos donos do tempo, da luz, do vento e da magia daquele momento. Num breve e doce olhar de nós, sorrindo com a melhor cor com que conseguíamos sorrir. Agora só teríamos de esperar que este vento meigo nos aproximasse, nos desse de nós aquilo que era a razão de ali estarmos. Um abraço. Um beijo. Um único beijo. E não eram precisos mais. Mais algum ainda podia tirar o sabor e valor daquele primeiro. Quando desabrochaste ao meu lado, só estava ali para esse abraço e o terno, quente e único beijo.
Tão especial e única és para mim que um breve contacto e um só abraço, coroado desse beijo quente, me chega para terminar a minha missão ali. Aqui.


Depois, bem posso morrer. Já tudo se cumpriu, como previsto.

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