Sócrates, a Ministra e os Professores


Li um texto, respeitável obviamente, de José Manuel Silva (http://www.campolavrado.blogspot.com/), ex-Director Regional de Educação do Centro, sobre a polémica reunião de José S. Carvalho Pinto de Sousa com os professores e sobre a as novas medidas que o ministério quer aplicar, no que se refere à avaliação profissional da classe dos docentes. Medidas absurdas, diga-se, pela forma. Mas não pela ideia que as justifica.


Interessante a preocupação com a base eleitoral do PS. Pergunta-se: Mas se é o PS que governa, em maioria, e faz o que faz, não merecerá a redução dessa 'base eleitoral' (fala-se de bases eleitorais, como se de coisas naturais e ternas se tratasse. Já começo a pensar que responsabilidades teria o Sr. José Manuel Silva no ME, para estarmos neste ponto e desgraça em que estamos. O Sr. José Manuel Silva fez questão de referir que desempenhou Altas Funções no ME. 'Altas'? Porquê? Por terem sido num Ministério? Não estou a ver que tem isso de 'alto' ou 'elevado'). Se o PS governa assim, merecerá não ser prejudicado, como refere o José Manuel Silva?


Respeito a opinião dele, até porque o seu texto é sensato, oportuno e certeiro. Respeito os professores, como pessoas, como profissionais. Mas, sinceramente, preocupa-me mais o estado e resultado da Educação e a consequente má preparação e insucesso dos alunos. Dos estudantes e filhos de todos nós.


Esta eterna tendência dos professores para a vitimização e auto valorização, caso único nas classes profissionais em Portugal, preocupa-me tanto ou mais do que a situação profissional deles em si mesma. Esta atitude denota um pensamento muito claro: o problema da educação continua a ser prioritariamente o problema dos professores. E não o dos estudantes. Que triste forma de ver as coisas que conduzirá à eternização da fraca qualidade de ensino que temos em Portugal.


Ser professor é ser um profissional como os outros. Como todas as classes profissionais, merecem o meu e o respeito de todos. E, nesse sentido, todos temos de fazer, como pais o esforço de cumprir com as nossas responsabilidades: educar os filhos para terem um comportamento digno nas salas de aulas, respeitando os outros colegas, os professores, e a eles mesmos. Mas os professores têm frequentemente esta atitude colegial de olharem o umbigo como se só eles o tivesses e só eles fossem atingidos, nomeadamente pela gestão desastrosa, errante e incompetente deste Governo.


José S. Carvalho Pinto de Sousa (conhecido como Sócrates, mau grado a comparação ofensiva para com o famoso filósofo grego) reuniu com professores socialistas, lembrando Mao quando constituiu comissários políticos para espiarem colegas e familiares e espalharem a doutrina oficial do Grande Timoneiro (também temos um agora, bem mais perigoso, pois veste a máscara inverosímil de democrata). Essa reunião encerra em sim mesmas uma ideia muito, muito grave: reunir-se com os profissionais da sua cor política, por não conseguir, nem suportar, ser um autêntico democrata, respeitando as ideias de quem se lhe opõe ou contesta. E doutriná-los como o que de pior se tem feito em política em Portugal.

Prejudicar gravemente o PS e reduzir a sua base eleitoral, é mesmo o melhor, para professores, alunos e para o país inteiro. Mesmo com uma oposição adormecida e incompetente, como se encontra o PSD e outros partidos, no momento. A única coisa boa que podemos ter no futuro, entre tanta desgraça que nos tem acontecido a todos, como termos de pagar um défice obsessivo, que estrangula a nossa economia, nacional e privada, e ainda para mais à nossa custa. Com o pagamento dos nossos impostos. O problema do défice (do seu controlo, controlo orçamental) fez parar o país e até a educação se tem ressentido disso. O controlo orçamental, como pretende a União Europeia, por exigência do FMI, só serve a países bem mais ricos do que Portugal, que perdeu indústria e ainda não encontrou o seu espaço como país de Serviços, que já é há muitos, muitos anos, mas com pouco sucesso internacional. É por isto, fundamentalmente que este Governos, mais do que qualquer outro é profundamente incompetente e irresponsável, tentando passar a imagem oposta, de sensatez, responsabilidade, reformista e decido. Tem sido, em tudo, o exacto oposto da sua propaganda e controlo informativo.


Nem Salazar se teria lembrado de tal coisa. Entre Sócrates e Salazar restam duas diferenças: uma polícia política e a extinção dos outros partidos.


Por enquanto.

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