15.12.08

No Centro



Entra-se, um pastel à Renoir, cores e formas diversas em profusão. Sons e até aromas diversos, cativantes ou agoniantes. Um fresco quotidiano.Azáfema de quase-natal. Burburinho de namorados, passeantes sem rumo nem objectivo. 

O Centro, é uma amálgama de gentes e de personalidades. De carácter, de sem-carácter. Mulheres que olham com desdém quem as olha, qual 'que quer este, ai agora este...não tens mulher lá em casa para onde olhar, é?'. Mas regressam a casa, tão seguras da sua vida quanto de que precisam ia ao 'site' ver se lhe enviaram mensagens...homens 'jeitosos' mas 'apenas para amizade' ...

Homens que vão bambolear as barrigas e a estupidez, acompanhados do seu prestigiadamente estúpido jornal desportivo. Nas mãos, os restos microbiológicos da micção acabadinha de fazer sem lavar a 'patinha', em mistura com a impressão microbiana de todas as pessoas que cumprimentou ao longo desse dia. Olham em volta 'cheio de gajas boas, meu..'

Vai-se ali porque se precisa. Vai-se ali porque não se vai a mais nenhum 'ali' em qualquer outro sítio da cidade.

Aqui ao lado no país vizinho, de gente tão ou mais profundamente estúpida e fútil, quanto incompetente e mentirosa, ainda se vai...ao café, à cervejaria e ali se fica com amigos até umas vinte e três horas para 'después cenar'. Mas ainda se vai e convive e as cidades vivem muito a horas inimagináveis a um português, inglês ou alemão. Pelas duas horas regressa-se para mais uma noite sem ler e sem cultivar o auto-aperfeiçoamento. Tal como cá com o Centro, comercial e com a Televisão.

Somos na Europa os que mais passeamos em Centros comerciais, mais televisionamos e embrutecemos, somos dos que mais figuras angélicas e pudicas temos pelas ruas, figuras tristes de hipocrisia feita, que na net procuram ...'nada ' disfarçada de 'amizade', dos que mais conspurcamos as instalações sanitárias, dos que menos lêem e menos sabem.

Somos esse 'fresco' triste e sem futuro de gente que se arrasta pelos seus dias sem poder saber, já hoje, que amanhã será, muito provavelmente, pior! 

Traição


Como uma mulher infeliz e com a vida desfeita, cujo marido lhe fi infiel uma ou muitas vezes, assim está Portugal em relação a este péssimo e incompetente Governo. O marido infiel é, aos olhos da Lei (que tem a mania de meter os olhos em muita coisa, mesmo que não seja o caso da condenável violência doméstica ou manifesto prejuízo da vida dos filhos, situações em que a intervenção do Estado sempre se justifica, mas...adultério apenas e metem o nariz???) um marido incompetente.

Ora ele prometeu e concordou formalmente, assumir as suas funções, mesmo que não as conheça exaustivamente (outra particularidade portuguesa...) e entre elas as de bom marido. Um Governo também e dessa forma conquistou o direito e ser Governo mas, muito mais do que isso ganhou mandato para o ser, como o que implica em ter-se um mandato: uma missão e uma prática consentânea com a mesma, que lhe foi outorgada por quem o elegeu. Tal como o namorado ou namorada que tudo prometem até o objecto dos seus amores ser conquistado...

Após casamento, aliás, eleição, inicia-se o caminho inverso e faz-se pior: governa-se contra quem nos elegeu. 

Passa o povo a ser o grande responsável pela miséria total: pelas fraudes que, na verdade, lhe foi ensinada por quem mais sabe que são os governantes (daí o termo...eleitores defraudados...) pela sua qualidade no trabalho -como pedir a esposo ou esposa que saiba cuidar de um bebé sem ter recebido formação, em geral pelos pais do casal- pela rentabilidade ou produtividade do trabalho, consequência do anteriormente referido mas também dos processos- responsabilidade de chefias/ministros- ou falta de meios (novamente chefias no trabalho ou ministros, nos governos...

Passa o Povo, anónimo quanto mais convenha, a ser responsável pelo que nunca teve a sua mínima intervenção: défice das contas públicas /descontrolo orçamental. Essa é precisamente uma atribuição de governantes que, incompetentes, dizem... "agora vão voçês todos pagar a merda que nós andámos a fazer." Como o marido que infiel e violento ainda bate na mulher por ela ser má esposa...

E depois, tantas e tantas dessas mulheres, humilhadas e destruídas no melhor da sua dignidade ainda ocultam os actos que as vitimam e até defendem publicamente os maridos-carrascos. 

Não há pior traição!

Assim também tem feito este Governo, desde o primeiro dia da sua actuação. E assim , este povo, humilhado e sem dignidade (os médicos é que são os maus profissionais e os enfermeiros e o Ministro é quem sabe e tem razão; professores idem, agricultores idem, empresários idem, bancários idem, alunos idem, militares idem...

Para este Governo da vergonha nacional todos nós temos culpa em qualquer ou muitas coisas, e só 'eles' sabem o caminho, em todas as áreas...em tudo o que temos feito. Eles onde andavam, iluminados...traidores? (pagos por nós e, na verdade, nossos funcionários, com a missão de nos executarem)

Votem então neles ...


10.12.08

Ah! non credea mirarti...


Estive a falar com pessoa cativante. Inteligente, provocadora, algo mordaz, perspicaz até ao suportável (o meu riso parvo...), misteriosa (ainda), e muito bonita. 

Tinha de sair e fui-me deixando.  Agora, passado o tempo de conversa que me arrasta para a curiosidade sobre as próximas palavras com essa pessoa, um quase desafio, visto me surpreender e nem ela tal imagina, em algumas vertentes da inteligência, volto ao siliêncio.

Atrás do vidro demasiado fino para o frio que deixa passar, mas o suficiente para filtar sons da rua e deixar apenas o som cavo e baço chegar cá acima, entrecortado pelos saltos clássicos da chata da vizinha do piso de cima, qual irritante formiga imparável de salto alto (quem usa ainda disto em casa, por favor? deve ser tão clássica grhhh), ouve-se este silêncio, fora de mim.

Cá dentro, há mais ruído e a lembrança da conversa recente da cara bonita da pessoa simpática e positiva que me aturou uma meia hora. 

Paro, vou ao cavalete, desenho uns rabiscos na senda de um projecto de pintura. Coisa que me absorve como poucas. Que me dá ainda muito prazer, mas este quadro em particular está lento de vir cá para fora...

Vou ao café, ouvir gente e estupidez (boa tarde sr. engº, então o que vai ser? Ola d. ermelinda, quer levar já o seu bolinho? oh senhor teixeira nunca mais cá vi aquelas parras gulosas cheias de chantily...e atrás, o porto que este ano não a lado nenhum mas o benfica sim é sempre o maior e mais sério e correcto, o sócrates? ahhh ninguém já fala dele...ainda lá está? ahh clara, vi uns sapatos ali na godiva mas está tudo tão caro! separaram-se? hoje já ninguém tem paciência para aturar ninguém, já só conheço gente separada...o pior são os filhos...olhe o seu cafezinho que vai arrefecer...)

Vou marrar para outra rua, outras paragens que esta estribaria já me chega por hoje. Frio do caraças...

Será que ela ainda volta hoje a falar comigo? 

Um sol bonito de tarde de Inverno, um frio que, não sendo muito, me aborrece a amígdala, uma cabeça tão complicada ...uma outra que limpe a minha de arabescos sem sentido. Um ventinho fresco. Traz-me esse teu ventinho acabado de surgir. Uma bombinha humana cheia de energia e vontade de vibrar. Energia escondida e bem guardada para um dia ser despoletada.

O tempo, sempre o meu maior inimigo. Nunca ao meu ritmo, as coisas. Quase todas, ou as mais gostosas. Dá tempo, homem! Dá-lhe tempo. Senta-te e põe a manta sobre as pernas, e deixa a Bartoli encher-te a cabeça ...

Ah! non credea mirarti si presto estinto, o fiore


Depois do prazo


Não é bem a mania de se sentir e ser, ou querer, apenas, jovem numa idade avançada. Cota. Quando se é cota? Quando os filhos nos vêm assim. Pode-se ter a mesma idade do amigo ou amiga tal, mas se eles não têm os filhos na fase de verem e chamarem cota aos pais, eles não são. É ser jovem, mesmo, após o tempo para o ser.

Depois da idade em que o deveria ter sido. Não o a cinco de Janeiro de sessenta e oito (outro século para os evidentemente jovens...), quando Alexandre Dubcek ganhas as eleições na Checoslováquia e começa a liberalizar o regime, ou em Agosto desse mesmo ano, quando as tropas do Pacto de Varsóvia trazem consigo as negras nuvens da ditadura comunista, num regresso mais violento do que fora antes...ou em Maio desse ano, em Paris, ou no início da guerra do Vietname, na queda de Salazar da cadeira, no assassinato de Marthin Luhter King, na Encíclica Humanae Vitae (umas das proclamações menos humanas do Vaticano, precisamente) ou no ano da morte de Yuri Gagarin...tudo nesse ano de todos os acontecimentos....

 

Não, nesse 1968 era jovem ou ainda antes de jovem. Por isso se passou tudo e tudo e só mais tarde se soube.  Agora, nos dias de hoje mesmo, ter-se passado por esse 68, não nos permite o regresso a sermos jovens, mas outras coisas, talvez...sim.

 

Ser-se jovem por necessidade e não por mania obsessiva. Mas não, também pelo seu oposto, dos que dizem ‘ no meu tempo’, qual morte antecipada de espíritos.

 

Ser-se jovem na idade cota, por não o ter sido, quando se o era. É, talvez, lindo e estimulante, mas aqui é que dói. Não se foi no momento certo, tendo trocado cervejas numa esplanada e voltares de cabeça à passagem das ‘miúdas’. Não, quando era o tempo de esticar-se pelas noites na discoteca com os amigos, a olhar as ‘miúdas’, com olhos de carneiro mal morto...noites inteiras aos fins de semana e nas férias, sofrendo amores nunca chegados a viver...

 

Não, porque o tempo foi outro, foi de sede de ler e de aprender, de ouvir uma Quarta de Beethoven, vivendo o romantismo das notas duzentos anos depois de compostas e não o das garinas, ali mesmo a centenas de metros de casa, nessa esplanada cheia de burburinho e feromonas saudáveis.

 

Ser-se jovem fora de época, de estação e até local, para se viver vida nunca antes vivida. Levou-se meia vida a querer coisas e a mesma meia a perdê-las. Não devia ter sido aquele o curso e nem talvez o primeiro emprego. Não devia ter sido aquela a mulher com quem se casar, nem a cidade onde se viveu.

 

Hoje, todos lhe dizem ser extraordinário e único, um homem excepcional (?) e que não haverá muitos mais e não sabe o que fazer com isso.

 

Conhece gente normal sem formação e quem não consegue nem escrever ou falar ‘direito’. Conhece gente muito bem formada que o desorientam um pouco mais. Não sabe o que fazer com esta gente...

Pelo caminho duas amigas que o deixaram de ser. Duas mulheres inteligentes e interessadas, com quem teve imenso prazer em conviver mas, fruto de muito 'umbigo' feminino, não e interessavam se não por elas mesmas. Ah! interessante a auto-comiseração (este texto será exemplo disso mesmo? Ou um teste a essas simpáticas ex-criaturas?) com que uma delas rotulou a sua atitude nas suas conversas entre eles. Porque será que o uso da mentira, numa, e da frustrante insegurança, não assumida, na outra, lhe soam às suas duas maiores derrotas com amigos?

Porque não se sabe viver uma idade, fora e depois dela.

Bate-lhe um vento frio na janela que lhe perturba a solidão escolhida. Num corpo cheio de uma energia inesgotável e nunca usada, fica sem saber o que lhe fazer. A força e energia ficam presas em nós, à medida que a idade avança. Encerra nessa energia tudo o que lhe ficou por fazer e guarda no seu potencial, todos os sonhos por realizar. 

Conhece uma pessoa muito especial. E talvez outra e outra e tudo o que julgara saber, se gela com o mesmo frio que lhe bate à janela. Mas, sim houve alguém que lhe tocou...

Anda para saber o que fazer consigo mesmo.

(imagem: Doug Geivett's Blog)

7.12.08

As Democracias são mais preguiçosas do que as pessoas


Qualquer dia destes a nossa triste Democracia (se o é, porque graças à arrogância aventureira desta criatura Sócrates que odeia o mundo e as pessoas...e se julga mais um ser especial, com a bênção dos deuses ou dos demónios. Tal como o julgaram Salazar, Hitler, Mussolini, Pinochet, Franco, Julius Ceaser. Mas ‘este’ pigmeu das ditaduras tem um diferença: uma cultura mais pobre do que uma pedra da calçada) tem tantos anos, quantos a ditadura de Salazar.

As Democracias parecem necessitar de mais anos do que as ditaduras, para se tornarem maduras, para se tornarem estáveis e incontestadas. E a nossa tem tudo menos o ser incontestada, como regime. São cada vez mais as pessoas que admitem o recurso a uma Revolução, no extremo ou a uma forte e, talvez violenta, contestação social, na expressão mais poética da nossa passiva e pobre forma de estar.

Hoje, comprado o jornal de Domingo, leio um ou dois títulos e regressa-me esta sensação tão cristalina e forte, quanto triste e pungente de não ter orgulho, mas quase uma vergonha, em viver em tão desgraçado país. 

Uma delas, seguramente publicada com estóico orgulho jornalístico, grassa que o PS, PSD  e CDU gastaram mais verbas do que as autorizadas, permitidas pela lei e, que por isso, os seus responsáveis financeiros se expõem agora a pena de prisão. Para rirmos de tamanha estupidez da Lei? Lei aprovada pelos mesmos que não a cumpriram?

Onde anda a inteligência e sabedoria do Estado e a justiça de uma Lei destas? Então não seria lógico e óbvio que os partidos ficassem sujeitos a dar contas de financiamentos privados e que os mesmos, dada prova de ilícito tráfico de influências , então se submetessem à mão pesada da Justiça? Limitar gastos de campanhas? Que miopia e falta de maturidade de uma Democracia… (mas ao ‘povo’ parece bem este tipo de mesquinho provincianismo, hipócrita como se vê, porque nem é cumprida a Lei, nem vai ninguém preso).

O Presidente da República, que publicamente apoiei considera mais importante a estabilidade governativa do que as nossas vidas…para quem sobra, dos divorciados, empresários falidos, licenciados de alta formação desempregados, escolas desacreditadas, impostos incobráveis, facturações de empresas incobráveis, freqeuentadores de depressões prolongadas e chorudas contas psiquiátricas, filhos quem nem sabem que irão de credºivel e profissionalmente garantido estudar, agricultores desrespeitados e descapitalizados, gestores incompetentes, país desacreditado…

Cavaco Silva toma partido do Governo mais incompetente e, pior, injusto, dos quase quarenta anos de irrealizada e insucedida Democracia, para apenas manter as coisas no pior e mais doloroso martírio nacional.

Sócrates lançava ontem, Domingo, a ideia, veremos com que verbas concretizável, de um novo Hospital de Braga. Sempre respeitável um novo Hospital. Mas aproveitava para dizer que o Governo esta a controlar a crise económico-financeira mundial, e que, dizia ele, na sua mais eloquente e conhecida demagogia, o Governo tomou medidas (que “só o Estado pode e tem capacidade para tomar”…sim endividando-se mais do que os 66 mil milhões de Euros, apenas seis vezes mais do que no tempo de Cavaco… e endividando-se onde??) não para ajudar banqueiros ou accionistas de bancos mas sim as pessoas e as suas poupanças. Quando em 2009 e já no primeiro trimestre os bancos despedirem quadros e ate de topo, logo se verá…e quando se confirmar, a bem de uma regra de verdade fundamental em economia moderna, se souber que Portugal já está em recessão desde Novembro…de 2008 e que nem em dois anos se verá livre da crise, vítima que é de uma política económica e financeira ruinosa, para as empresas claro…porque o tecido económico se destruiu, mais depressa com este Governo, do que em anos e anos de crescimento e expansão internacional de um China vergonhosa e decrépita, ou uma Índia onde diariamente as  mulheres são tratadas como bichos…(a maior Democracia do mundo, a propósito).

Um povo que não lava as mãos ao sair do WC não sei se entende a desgraça onde esta classe política medíocre nos enfiou. E não é só um Sócrates sem formação e mal educado e ignorante, mas também um Durão Barroso medíocre, um Sampaio vaidoso e incompetente, uma Manuela Ferreira Leite que ainda julga que os portugueses desempregados e com fome lhe agradecerão a honestidade, um Santana que nem a si de leva a sério, um Menezes que julga que fazer política é jogar as cartas com reformados e esticar o pescoço ao falar para os jornais a ver se lhe saem palavras mais doutas do que a estupidez que andou a vociferar, um Valentim Loureiro que todos sabem ser corrupto mas as justiça receia, um Jorge Coelho que nem uma banca de jornais sabe gerir mas é administrador de uma grande empresa de construção porque  Governo insiste em esbanjar o que não tem. Um Mário Soares a quem não avisam que não abrilhanta um passado já de si triste e duvidoso com rasgos de asneiras pueris, um Zapatero total e completamente imbecil no país campeão do desemprego e de quem ninguém conhece nem um produto – que não venha com resíduos de pesticidas, que nos matam com cancro todos os dias…- um Sarkozi que julga que a França o ama, através da inveja pela mulher Linda quem tem…

Democracia? Ou um jogo de pais e mães para crescidos?

Tenham dó, ou saiam do caminho que a Revolução pode vir a caminho, de mãos dadas com a fome, miséria e ignorância.

Democracia, com uma comunicação social controlada e censurada por um Governo? Com um processo de pedofilia que não avança e não consegue acusar ninguém - há vítimas sem violadores...

Façam como os brasileiros: sejam felizes por cima das cinzas da sociedade!

1.12.08

Viver agora ou 'deixá prá depois'




A propósito de uma mensagem de correio electrónico que hoje recebi, dessas 'em cadeia' (dessas que nos dizem que se enviarmos a quinze pessoas a Jennifer Connelly nos telefona ou o George Clooney nos envia um bilhete para irmos ter com ele a Paris-isto para as senhoras, que não gosto de misturas, ok?- ou ainda que o Bill Gates nos fez herdeiros universais em, apenas,  dez minutos), que pretendia falar ou doutrinar (exagerando) sobre a Felicidade. Dizia...que a 'felicidade não é um destino, mas um caminho'. Nem discuto. É fútil. Para mim, é, como outras coisas mais que, ao longo da vida, sentimos mais uma dessas grandes palavras, ou epítetos, com que nos comprazemos ou frustramos, em rotular acontecimentos e sentimentos.

Mas seja o que for, à medida de cada um, ou num padrão mais ou menos universal, se puder existir, é tido como coisa boa, muito boa, e, como a tal mensagem, defendo que deve ser procurada, identificada (porque tantas vezes é-nos vizinha...) e vivida HOJE. Ou seja... não ser crente de u,a certa forma de se estar melhor, ou de se ser feliz e, bem ao arredo de tal ideia, ser sempre infiel à mesma, leva-nos sempre a adiar o que no fundo, todos procuramos: se não for ser Feliz, pelo menos, Estar Bem!

Como a diferença entre usar os copos de cristal que nos ofereceram no casamento, ou mesmo usar o homem ou mulher ali ao lado, que nos daria um tremendo gozo e....quiçá a tal felicidade (para fazer rápido e sem delongas a viagem entre estes dois 'absurdos' extremos'), o melhor nunca é, desculpem-me os partidários da felicidade eterna num qualquer paraíso celeste incerto, ou os adeptos das vidas após a morte, nunca é...adiar!

Mas nunca! Se me querem crer. Se não, analisem de puderem as várias felicidades ao longo da vida, pouca ou muita que vão tendo. E comparem, sem medos ou subterfúgios. 

Uma pessoa muito amiga que muito prezo dilui os descontentamentos, frustrações ou infelicidades (terrenas) em querer para si uma espécie de vida em 'low profile'. Nunca entendi e já lho disse, mas sei que no seu caso se tratará mais de um muito inteligente estratégia de defesa psicológica, bem compreensível, por se tratar de alguém totalmente fora de série, de superior inteligência mas vítima de uma muito grave afecção psiquiátrica. E, por profunda amizade, não mais abordei tais temas.  Com esta excepção demarcada, volto a repetir, que nos demais mortais, lembremo-nos que, com ou sem vida post mortem, somos mesmo mortais! E nessas outras vidas, renascidas ou vividas nesse além maravilhoso e eterno (nem imagino a poplução de um tal lugar, algures entre uma nebulosa famosa e uma esquecida galáxia..e os problemas ambientais que já se devem ter gerado por excesso de espíritos perfeitos e eternos!!!...aliás em misturas  de judeus com católicos e muçulmanos, que até se me arrepiam as pilosidades decepadas, quanto mais as que me restam uiiii).

Pois eu, sofredor por opção e intransigente ser vivo com uma só vida conhecida, insisto em ser feliz, hoje e aqui. Seja a pintar um quadro, a galantear uma beleza feminina, uma inteligência fulgurante, a comer um chocolate ou até (imagine-se!) a castigar o corpo num ginásio, ser feliz não pode ser amanhã! Nada disso.

Os copos de cristal têm de se usar para beber 'água do Luso' hoje mesmo, e na cozinha desarrumada. Se aquela amiga especial ou um amigo influente que já não víamos há anos e até nos pode dar um jeito no emprego, ou mesmo o chefe pedante de sapatinhos amaneirados com 'escovinhas' duvidosas na visita que nos irá afzer tiver de beber em copos marcados pelo calcário na máquina ...que se 'amanhem' pois esses copos já deram felicidade, dias antes. Conta mais que mesmo com copos velhos, se receba a jeitosa vizinha divorciada de fresco e carente de afectos novos e juntos, se encontre nem que sejam uns dois minutos da querida felicidade. 

Se até o 'Socas' encontra escassos momentos de felicidade na economia portuguesa..bolas! O home é Engº!!!

Vá lá. Esqueçam o 'futuro' (não sejam chatos, nem me perguntem como se esquece uma coisa de que a memória não registou ainda nada...esqueçam e calem-se!) e sejam felizes, por...!

O Raul Solnado bem dizia...'façam o favor de ser felizes'

Ora bem, pensem no seguinte: amanhã vão pela rua e a empregada da Dona Deolinda ao sacudir o pó dos tapetes atira cum um vaso de secos pelargónios pela janela...e as nossa querida massa cinzenta será a vítima e só nos restam sete milésimos de segundo para pensarmos neste texto imbecil, ou talvez pertinente. 

Ou...prepararmos essa entidade incorpórea, que alguns designam de alma,  que nos habita, para a escolha entre a felicidade eterna da Capela Sistina ou a reincarnação do amigo sorridente Sua Santidade o Dalai Lama.

Eu, por mim, vou já tratar do meu quintalinho da felicidade logo logo após publicar este texto.


25.11.08

Estalo


A grande estalada começa no primeiro sopro. Ou vem com ele. E nunca mais pára. Vem-nos dia a dia em doses certas e subtilmente. Chega-nos de muitos e todos os lados, e apanha-nos no nosso melhor. Muitos de nós livram-se bem desse estalo incomensurável, e andam por aqui como se nada lhes tocasse. E não toca. Só atinge os infectados. Os infectados pela vida, pela vontade de fazer, de sentir e fazer sentir, de ter e de pertencer. Só atinge os incuráveis infectados, contagiados um dia e nunca mais certos pelo passo normal, diria sensato, dos ‘realistas’, dos ‘pragmáticos’, dos ‘normais’.

Tresmalhados, alguns, somos os infectados pela sensibilidade, pela energia inesgotável, pela vontade de aperfeiçoamento, pela mania estúpida de ser diferente para ser melhor. Melhor por melhor, nada que tenha de entrar em comparações com esses cansativos e chatos dos realistas. Não. Apenas infectados, pela VIDA. Até morrer, que nada se relata mais a partir desse dia, do estalo último. 

Acreditamos na vida, nas pessoas, na sinceridade, no humanismo, na honestidade, como um conto infantil que nos deixa encantados e cegos e....susceptíveis ao grande estalo da vida. Levamos com o ‘estalo’ em doses certas, mas pequeninas e repartidas para que dele não nos demos conta e, assim, não nos possamos desviar.

De tanto querer...tudo se perderá, como no aforismo. Dizem de alguns de nós que somos especiais, somos diferentes, até melhores e até super...e só depois entendemos que se trata de mais um estalo e uma partida. Ah! Até creio, digo eu, que pode ser. Seremos especiais, queridos e, uma vez por outra, num extremo e impensado devaneio de alguém, desejados. Somos bons? Talvez. Melhores, seguramente. E nada disso serve de alguma coisa a alguém.

E somos tantos, tantos mas julgamos que somos...só nós. 

E ficamos sempre, um dia, sempre..sós.


5.11.08

Mr. President Obama!


Yes, we can!

Contra todos os que por aí ainda abundam, reafirmando a sua descrença e insegurança próprias de quem até hoje não fez nem viu fazer mudanças políticas, sociais e, mais difícil, até culturais, Barack Obama ganhou a Presidência dos Estados Unidos da América.

No geral, os portugueses, alinhados e bem, com os povos da maioria dos países europeus preferiam Obama e acreditavam na sua eleição. Mas alguns 'ilustres' que fui ouvindo pela noite fora nos vários canais de Tv portugueses lá foram desenrolando a sua má vontade e, bem pior, a sua má fé, quero dizer, falta de fé ou, pelo menos, de esperança. Esta esperança que há dezenas- sim, dezenas- de anos eu não via ressurgir, desde os tempos de um Presidente americano que não teve possibilidade de provar nem de confirmar quase nada, excepto no discurso, John Kennedy.

Cresci com a imagem de uns EUA que se agigantavam perante o mundo nas diversas vertentes do 'desenvlvimento' humano, na ciência, na tecnologia, na política e na economia. Cresci com a imagem dum país que era o maior exemplo da Democracia e das autênticas oportunidades. Com a imagem e a ideia de uns EUA serem o genuíno líder mundial. Um país onde, bem ao contrário do nosso, o mérito próprio pode vencer as 'cunhas', amizades e joguinhos de influência, mais vivos em Portugal do que nunca.

Anos após, e em simultâneo com a quebra nas esperanças de um grande futuro de sucessos pessoais, com o desencanto que, se calhar, nos chega com a maturidade, fui dando conta da mirífica imagem do 'sonho americano, afinal o sonho de muitos de nós. Quando ainda adolescente, e mesmo nos dias de Abril de 1974, que intensamente vivi e que me fizeram apaixonar pelas causas sociais e políticas, pelas pessoas fora do meu círculo familia e de amigos, acreditava na honestidade e na pureza de alguns dos lideres do meu tempo. Pouco a pouco fui assistindo à queda dos meus 'ídolos' de juventude e deixando-os, apenas, numa qualquer página dos compêndios de história.

Cresci com a mania de que cada um e todos nós temos uma missão na vida e que a diferença entre os comuns mortais e os que se destacam, deixando não apenas um nome, mas um bom nome inscrito na história, está na capacidade de acreditar e de levar em frente essa capacidade. Vivendo em conformidade com ela. E rejeitando a falsidade, a dissimulação e a mentira. Fazer história, contribuindo para o genuíno desenvolvimento humano e das respectivas sociedades e comunidades em que nos inserimos é destino apenas possível para os que de nós, acreditando, vivem com toda a força das suas convicções e vivem concretizando os seus sonhos. E até contagiam outros com esse inexorável e demolidor optimismo.

Desiludi-me vezes sem conta. Ainda hoje luto contra essa desilusão.

Tenho assistido ao grassar de uma mediocre classe política mundial, que a todos nos atinge e nos provoca sofrimentos, nem sempre evidentes. Hoje, vivemos tempos dificeís, mas não por acaso. Uma classe política europeia de que ninguém será capaz de dizer quais as ideias e convicções, ou como se dizem anglofonicamente, 'para o que corre': um John W. Bush, um Zapatero, um Sarkozi, um Gordon Brown, um Sócrates, um Durão Barroso, um Berlusconi, um Putin...todos eminentemente medíocres! Ou, quando muito, demasiado medianos.

Estou em plena convicção que nesta noite, nos Estados Unidos da América, se fez história, não apenas por ter sido eleito Presidente que foi, mas pelo que já simboliza de mudança e de renovar de esperança. Uma esperança que talvez, talvez...esta 'onda Obama' nos chegue à Europa e varra definitivamente esta mediocridade dos nossos actuais líderes, que todos os dias se comprazem em nos piorar as vidas.
Assisti aos resultados das eleições americanas e aos discursos finais, em directo de canais americanos e só fiquei com pena de não ter lá estado e viver com aquele povo a mesma onda de euforia, que temos de dar às pessoas o direito de viver e de acreditar- e não a maneira muito europeia, deitar os 'sonhos' logo abaixo antes mesmo de eles poderem surgir.

Não sendo crente, quase me arrisco a dizer...muito à americana ...'God Save America'.

4.9.08

A Amizade - II


Se num dia tive uma certa desilusão, com uma amizade, noutro, ontem, recebi uma prova mais de uma grande amizade, que eu já sabia ser genuína, sólida e de imenso valor.


Alguém que me é muito querido deu-me mais num só dia, em amizade e demonstração de verdadeira preocupação por um amigo, do que se pode receber em muitos momentos e de muitas pessoas.


Nem preciso de escrever muito, nem quero, mas apenas pretendo deixar um registo do meu imenso agradecimento por...existires, Amiga! E por seres tão importante para mim, como sempre o demonstraste, desde o primeiro momento em que nos conhecemos.


Tens um coração imenso e és um ser humano super especial!


Podia dizer muito mais, mas ia repetir-me vezes sem conta, quando afinal nem é necessário.


Obrigado Amiga!

3.9.08

A Amizade


Uma amizade é uma relação muito especial entre as pessoas. É uma relação que exige entrega e verdade. Não permite mentiras, pelo menos mentiras graves, que minem a confiança e mútuo prazer de um convívio saudável e liberto de quaisquer preconceitos, amarras sentimentais ou desrespeito pelo outro, tal como ele é.

Uma amizade exige uma confiança e verdade, mas não exige, embora permita, intimidade. Não exige um convívio em espaços privados do outro. Mas fortalece-se, também, por aí. Não exige um constante convívio e permanente contacto, mas sim um respeito integral e são, pela vida de cada um. Mas é óbvio que a relação entre amigos ganha com alguma frequência na visita à sua amizade.

Hoje terminei uma amizade. Por decisão e iniciativa minha. E nunca antes em toda a vida ao havia feito. Pergunte-se porquê. Porque me senti magoado, ou lesado pela pessoa em causa? Nada disso. Porque houve troca de palavras inadequadas entre amigos? Se houve até foram da minha responsabilidade. E eu nunca antes havia terminado com uma amizade, Nunca. E porque venho aqui falar disto? E para quem? Na verdade, se a aceitarem assim, para ninguém. Ou apenas para mim mesmo. Porque me sinto horrível por o ter feito e, no entanto, ainda pelo menos, convicto de ter feito bem. Mas afinal eu descobri que não gostava da pessoa? Ou algo aconteceu entre nós, de facto e apenas amigos, tratando-se de uma mulher? Não? Talvez por não ter acontecido, no tempo certo. No tempo certo, para mim, obviamente.

E terminei com esta amiga por decisão minha e sinto-me horrível. Por nem conseguir dormir, vim aqui…’falar comigo’ e …isso sim, dar-vos conta do meu estado de tristeza e de um sentimento de haver procedido contra tudo o que as minhas convicções têm defendido. Sinto-me mal e até indisposto por tê-lo feito. Sinto-me pior do que terminado com um casamento. Muito pior.

Esta era uma muito querida amiga e ela nem acredita quão querida era para mim. Apenas amiga, mas que eu muito valorizava e acarinhava. Por isso me sinto imensamente triste.
Entreguei-me muito a esta amizade e a esta querida amiga. Vivi os seus momentos de tristeza e preocupei-me com ela. E, é justo dizer, ela comigo, geralmente. E de alegria também.

Porque o fiz então? Porque uma das minhas regras pessoais para o crescimento de uma amizade não foi atendida por esta querida amiga: não me aceitou como um amigo de confiança e não me permitiu a partilha do seu espaço, da sua casa, por mera falta de confiança em mim. E a falta de confiança não me permite continuar uma amizade. Não o consigo e aceito-o pior do que uma mentira suave. Principalmente por ter percebido que a minha amizade, aparentemente acalentada por ela, era preterida para outras, que não me parecerem serem mais merecedoras da confiança dela, do que a minha. Uma questão de ponderação e valoração dos amigos? Talvez. De inveja minha? Nunca! Mas de perda do meu sentimento de entrega a uma pessoa que me era (é) muito querida, como amiga e não me aceitou, mesmo com um intenso e bem agradável convívio frequente nos últimos tempos, entre nós. Foram bem divertidos e até, diria, intelectualmente superiores, muitos momentos entre nós.

É uma das mulheres mais inteligentes que tenho conhecido. E tão superior e culta como agradável, divertida e doce. Mas que senti que a mim e à nossa amizade, não se entregou como eu achei que o devia e, mais, o dizia fazer. Quis deixar aqui este testemunho da excelente pessoa que ela é, da grande mulher e da pessoa doce e querida. Mas também da minha profunda tristeza pelo que senti que tinha de fazer. Porque não consigo viver com esta falta de confiança de uma amiga que eu tanto queria.

Veremos como conseguirei viver, nos próximos tempos, com esta mágoa pelo que fiz. Mas eu nunca volto atrás nestas situações. Infelizmente para mim. Não sei se para ela.

Amiga…se me puderes, um dia, perdoar…

Espero muito de ti com o teu sucesso e brilhantismo e que encontres uma imensa felicidade que, com este amigo não irás partilhar.

Por culpa, se existe a culpa entre seres humanos…minha. Acho eu.


Mas eu não consigo prosseguir uma amizade nesta base que nós tínhamos. Não consigo e não a culpo, a incapacidade é, seguramente, minha.


E quanto lamento...e triste estou minha querida amiga.


Mas preteriste-me... no momento errado.


E já nem te peço que me entendas...


Hoje eu não vou ter descanso...e sei que vou chorar esta decisão...
Mas assim manterei as coisas.
Perdoa-me! E sê, sinceramente, muito feliz!

4.8.08

Emoção, razão...amor, paixão...responsabilidades: as asneiras seculares nas nossas relações


Volto a alguns temas preferidos para os envolver numa grande amálgama, numa ‘sopa de ideias’ que quero deixar à consideração de quem (ainda) me lê.

Emoção, razão, sexualidade, sentimentos, enamoramento, paixão, amor, casal, sociedade, religião…

É espantosa a confusão que ainda hoje ouço e sei haver entre tantos adultos sobre estes assuntos. Espantoso…

…que se defenda uma relação a dois com base numa justa concentração de sentimentos mútuos, numa fusão de emoções, numa intersecção de ideais um sobre o outro, no fundo, que as relações, de namoro, de casamento se devam pautar pela paixão e amor genuínos, para…tempos depois, no quase sempre inevitável desenamoramento e assumir da perda da paixão ou do amor, se defenda a racionalidade e se considere a emocionalidade, antes defendida, uma coisa para ingénuos, imberbes, irresponsáveis e infantis. Nesse momento, ser ‘racional’ é ser adulto.

Ditam assim as regras sociais, as regras religiosas e toda a nossa educação, activa ou passiva, assim nos vem a formatar desde há vários séculos, numa base judaico-cristã, claro.

A sexualidade ainda hoje é vista como um dos lados ‘quase-negros’ das nossas relações e poucos de nós estamos à vontade, com excepção de tradições mais luteranas do cristianismos, onde se cultiva o gosto por sermos genuínos e maduros, e, sim aí de facto, racionais, para falarmos de temas sexuais, sem que se caia numa sessão de humor ou de vulgaridades. Ou alguém se lembre de entrar pela via dos moralismos, pseudo ou autênticos.

A sexualidade associada às relações que perduram ainda é tida como coisa, um degrau acima, mais estranha.

Se uma relação não perdura e se destrói, ou é destruída por uma das partes, essa parte será muitas vezes apelidada de infantil ou irresponsável. Depois...vem a culpa, esse trauma que nos incutem desde pequeninos, nesta triste raíz judaico-cristã. Mas tantas e tantas vezes é a estupidez levada ao extremo, da defesa da racionalidade - a defesa de uma relação sem caminho, por causas ligadas a ela, mas não responsáveis por ela, como os filhos, ou a família, ou os amigos (‘que pensarão os amigos se for eu a acabar o casamento…?...ou a família?’ E se tiver filhos, ‘não serei um irresponsável?’). é essa (pseudo-) racionalidade uma das causas do término das coisas…é o reajustamento de uma relação de maior ou menor duração que começou por ser emocional e se pretende manter, depois pela via fria, difícil e dolorosa da racionalidade, que a leva a um caminho sem saída.
Muitas relações se mantêm por via do que se imagina ser uma inércia, ou uma acomodação ou ainda resignação (mais um termo muito 'católico', vindo dessa imensa 'seita' pouco inteligente que se espalhou como praga pelo nosso mundo, numa hipócrita atitude de humanismo, e que preverteu o cristianismo original, transformando-se de seita em religião instituída...e ainda hoje responsável pelas vidas destruídas ou condenadas à infelicidade de tanta gente...), quando às tantas mais se deve a um quase inconsciente, mas injustificado, racionalismo.

Outras vezes, porém, a destruição sumária e impensada de uma relação vem com uma, também ela pseudo, modernidade. Uma coisa que se vem impregnando numa sociedade com pressa de viver...

É a procura de um processo racional e a desistência, paralela, natural ou forçada de uma sexualidade saudável que leva à colocação da relação à beira de uma enseada que não permite o regresso, mas sim o passo para o vazio…

Deveria cada um perguntar-se antes de mais, se tem uma vocação ou não para relações monogâmicas ou se não a tendo será capaz de assumir o respeito, e viver em função do mesmo, pela outra parte, eventualmente assumidamente monogâmica.

Deveria cada um de nós perguntar-se se deve lutar por relações sem caminho ou ao invés, procurar um atalho para outro trajecto na sua vida, dando a si mesmo o que pensava ter encontrado e, no fundo pela via, quase, apenas, da razão ficou-se a manter o que já não fazia sentido existir.

Deverá cada um de nós dar menos valor às regras, venham da educação espartilhada pela sociedade e pela religião e, ao invés, dar mais liberdade e soltura, aqui sim de forma racional, mas sempre valorizando a sua mente emocional, à sua própria vontade. No fundo, se existir ‘pecado e por essa via, ‘culpa’ tal deve ter mais a ver com o nosso humanismo, com a nossa postura responsável perante os outros e….nós mesmos…e, é claro, com os sentimentos, que umas vezes consideramos e noutras desconsideramos.

Na vida, só nos fazem andar os nossos actos e muito pouco as nossas ideias. Na vida, os actos por vezes têm de ser de coragem. Primeiro para connosco mesmos, com a responsabilidade que temos connosco. Depois, para com os outros. Mas, a emoção e não a razão, essa parte menos e pouco ‘inteligente’ de pensar e gerir os actos e a vida ela mesma, é que nos deve reger. Responsável, mas decisivamente.

Tudo o que hoje não fizermos por nos cingirmos a regras, não nossas mas dos outros, já não se fará nunca. A perda das coisas e das pessoas acontece-nos a cada momento.

A coerência e a constante auto-análise dos nossos pensamentos e actos, deveria pautar mais as nossas vidas do que as regras dos outros, que devem ser respeitadas, mas não têm de ser as nossas, e assim, a luta e a eterna confusão…emoção, paixão, amor…racionalidade…responsabilidade…já não seriam um dilema, ou um drama para muitos de nós. Mas um caminho natural, sem dor...

2.8.08

Desenvolvimentos sociais assimétricos


O desenvolvimento, assumido como hoje o conhecemos e apelidamos, ou seja, numa base de avanço científico, tecnológico, social e (não consensualmente) humano, tem os seus maiores expoentes na chamada civilização ocidental. Este termo, de origem francesa, já de si tem sido alvo de intensa discussão ao longo do tempo. Tal como 'cultura'. Mas, de forma clássica e do senso comum, entenda-se como cultura e civilização as característica identificativas e diferenciadoras de um conjunto alargado de sociedades, com origens e pontos de 'encontro' múltiplos e persistentes no tempo.

Ora, perguntemo-nos porque razão este tal 'avanço' técnico-científico e social (etc) tem o seu epicentro nos países europeus e americanos (alguns, pelo menos). Porque razão, ou o que terá levado a que, a dado momento do desenvolvimento humano, se impuseram pela força e pela cultura estes países em que nos encontramos, do 'ocidente' e não em sociedades como alguma da Ásia, ou do Pacífico, por exemplo.
Sabemos, pela história narrada e documentada, que as armas e os microrganismos conduziram à subjugação ou à extinção de sociedades ou civilizações bem antigas e algumas bem desenvolvidas, à época, como as pré-colombianas ou algumas das africanas ou asiáticas (Egipto antigo e Suméria - Mesopotâmia, a civilização do Crescente Fértil, localizada entre Tigre e Eufrates.
Sabemos que a nossa cultura, religião, artes, organização política e forma de vida foi exportada, por imposição para outras e, no final, todas as partes do planeta, pelo bem e pelo mal. Mas porque não se deu esse momento noutros locais e noutras civilizações? Porque não foram os Maori e Moriori ou os Polinésios, em termos gerais, os arautos do desenvolvimento e da expansão civilizacional?
É claro que neste caso concreto a localização e a descontinuidade geográfica impuseram-se de forma natural como barreiras a tal expansão e constituição de hegemonias.
Mas os Asiáticos, não são hoje tidos como mais antigos no estabelecimento de uma civilização e culturas bem sólidas e características? Ou não teriam e não tiverem durante muitos séculos esse pendor imperialista e expansionista que hoje se lhes pode imputar? E porque não o tiveram antes?
Um povo ou uma civilização ganham hegemonia e universalidade quando dominam um conhecimento ou tecnologia que se vê como importante e decisivo, numa dada época, para muitos outros povos e áreas geográficas. Talvez isto seja parte da resposta. Mas ainda assim insuficiente, para explicar, ao menos e no limite, como tem um povo essa capacidade e não a tem um outro, noutro local bem diverso.
Portugueses e espanhóis dominaram o mundo numa época em que o domínio da navegação marítima era a solução para os problemas de expansão e necessidades económicas de culturas e países que já não encontravam nos seus territórios, os bens fundamentais ao seu crescimento, ou mesmo subsistência. Alguns séculos mais tarde a descoberta da máquina a vapor veio introduzir um novo factor de desenvolvimento, numa época também ela, de necessidade absoluta de crescimento social e económico.
Em épocas de estrangulamento económico ou social, há tendência para surgir uma nova tecnologia que permite a quem a descobre e/ou a quem a desenvolve uma hegemonia e um domínio sobre os outros, sobre os que não detêm tal conhecimento. A era da informática e iniciou-se nos países anglófonos, mas hoje o seu domínio e desenvolvimento está a deslocar-se para oriente. Por isso mesmo nesses países o desenvolvimento conhece tempos nunca antes vistos e a ameaça, seja ela bem vista ou não aos nossos fracos olhos de ocidentais, de uma nova hegemonia está cada dia mais presente.
Mas falta ainda um novo paradigma em tais países e esse é o do desenvolvimento humano, mais do que o social, que permita outras formas de vida e organização política e que a justiça tenha outra face, e as economias individuais e domésticas sejam bem mais próximas das que conhecemos a ocidente. Sem isso, bem podem os orientais crescer e impor-se economicamente, que a sua hegemonia jamais se construirá.
E nós portugueses que vimos desaparecer esses dias de grande universalidade e importância à escala mundial e hoje crescemos na desorientação do que somos e do que viremos a ser?
Chegaremos nós a descobrir uma nova tecnologia ou conhecimento científico que se torne importante e imprescindível para este mundo globalizado (no início 'americanizado' mas agora mais 'orientalizado', pouco a pouco)?·

Como uma Finlândia conseguiu com as telecomunicações móveis? Mas ...e com este nível educacional que reconhecemos tão baixo, chegaremos algum dia lá?

13.7.08

O fim do Cristianismo e da Cultura Ocidental?



Após dois mil anos de Cristianismo parece-me que se assiste à maior crise das igrejas cristãs de sempre. A católica passou por muitas convulsões e, apesar, das atrocidades cometidas há, no máximo cinco séculos (muito pouco em termos da história da humanidade, mas suficientemente distante para que hoje os praticantes e membros da igreja de Roma se sintam confortáveis com a mesma), continuou a ter fiéis e a manter por muitos séculos, com excepção do final do XX e início deste XXI, a sua hegemonia em muitos dos países de tradicional implantação, se não mesmo uma influência ou autoridade sobre os Estados. Nenhuma igreja cristã se lhe pode comparar em influência no mundo, nas pessoas e na política. A Anglicana, por força da reforma, ou antes, cisão, que lhe deu origem, não manteve a mesma influência ou poder, dependendo isso mais do monarca de cada época, até por ser ele ou ela, os chefes máximos dessa Igreja.

As Igrejas ortodoxas, grega ou russa, com as suas tradições bem enraizadas mas com uma prática mais próxima do adjectivo que lhes dá o nome (ortodoxia), e com as perseguições de que foram alvo, tiveram apesar disso alguma influência sobre o poder e as ideologias reinantes, mas de época para época, a sua hegemonia social foi variando ao longo do tempo e não é ainda claro que o seu papel nas mentalidades e ideologias, ao longo da história tenha sido determinante. Porque outras ideologias se tornam mais hegemónicas, ou totalitárias, pela vertente politica.

A Igreja de Lutero tem, talvez, sido das que mais se vem mantido mais estável e mais fiel aos ritos e tradições originais do fundador. Nos países ou regiões onde se tornou a principal expressão religiosa, ganhou um estatuto de serena estabilidade e respeitabilidade. Desprovida de artefactos e associada a uma ideia de fidelidade aos princípios cristãos originais, transmite ainda uma imagem de estar à parte das políticas e filosofias sociais, o que pode constituir a perfeita receita para a sua imensa estabilidade. Associa-se frequentemente, à sua doutrina e à sua postura, algum do sucesso da sociedades onde se mantém como expressão preponderante de uma religião que, há dois mil anos, se foi implantando pela diferença, baseada no humanismo e na libertação do Homem e, na essência, de forma simplista, da igualdade entre todas as pessoas perante Deus e perante poderes políticos instituídos.

Na actualidade, porém, os movimentos e transformações sociais, políticas e económicas, nas culturas ocidentais, tem vindo a limitar o papel destas Igrejas e do cristianismo em geral, levando-as a um reduto de, cada vez mais, reduzida influência na vida das pessoas e sociedades.

Há um crise crescente, por demais evidente, senão apenas na Igreja Católica, mas em muitas das Igrejas cristãs. Uma crise de influência, uma crise de práticas. Pouco a pouco, ao longo de não mais do que algumas dezenas de anos, o Vaticano foi vendo esvaírem-se dos seus templos de prática, as multidões que antes, durante a vigência de outras ideologias e regimes políticos os enchiam e onde a sua voz era tida em conta. Cada vez mais a voz que antes brandia contra evoluções e tendências sociais crescentes, e que era respeitada, foi deixando de ser levada na mesma conta que outrora se fazia marcar.

Paralelamente, o islamismo tem vindo a ganhar um papel de influência, quer nas suas sociedades de implantação natural, quer nos países para onde os seus fiéis se têm vindo a expandir. A emigração crescente proveniente de regiões do norte de África e das regiões subsarianas, tendencialmente a empobrecer, e crescentemente a desertificarem-se, vem trazendo para as regiões europeias de tradição fundamentalmente cristã, novas populações, mais profícuas em crescer a descendência do que as origem e cultura europeia.

As Igrejas cristãs podem estar mesmo a assistir à sua morte. O islamismo, uma das mais jovens religiões do mundo, com carácter universal, ganha importância e ganha populações.

Os princípios cada vez mais prementes e de reconhecida sensatez, de respeito democrático pelos dois sexos, em igualdade, e por outros credos ou tradições, norma e prática típicas na cultura ocidental, podem um dia, não muito distante, ser postos em causa pela supremacia populacional de outras culturas, no próprio terreno natural da cultura dita ocidental.

Dentro de algumas dezenas de anos a inexorável imigração que a Europa não conseguirá controlar, será o pano de fundo de todas as práticas e tendências sociais nos nossos países europeus. Será este o problema maior com que nos teremos de defrontar, e bem mais, até, do que o do impacte económico e social que esses povos e culturas trarão ao nosso dia-a-dia. Em muito pouco tempo, o regresso de culturas que há cinco séculos portugueses e espanhóis expulsaram da Europa, regressarão de forma bem mais silenciosa e eficiente, e, provavelmente, determinante dos nossos futuros.

E este movimento não tem retrocesso. Os valores, por exemplo do respeito pelas mulheres no seu papel na sociedade poderão, ou não, ser postos em causa. O nosso saudável multiculturalismo europeu, ele mesmo, ficará em cheque.

O status das populações europeias e, bem mais, de uma certa classe política hoje vigente, medíocre e profundamente tanto autista, como narcisista, será afrontado pela supremacia populacional de outros povos e culturas, que crescem e se multiplicam a taxas bem superiores ás das nossas sociedades.

Atitudes como as de se porem em causa a voz das populações, como no caso do referendo na Irlanda, sobre o Tratado de Lisboa, em nada contribuirão para contrariar a decadência acelerada da cultura ocidental, que uma tremenda e perigosa cegueira, insiste em não querer ver.

Para tal contribuíram uma globalização caótica e apenas regida por princípios económicos, que arrastou, mas de forma não racional, práticas culturais pouco consistentes por um lado, e pouco saudáveis e compagináveis com as tendências e necessidades e problemas crescentes: alterações climáticas, crises energéticas, necessidades distintas dos povos e culturas. E até, uma coisa de que pouco se fala: o crescimento da prática democrática à escala mundial.

As alterações climáticas, a crescente escassez de alimentos, associada a duvidosas formas de energia, alternativas sim, mas pouco credíveis em termos de conservação ambiental, as fortes migrações em várias regiões do planeta, transfigurarão as nossas sociedades, e alterarão as hegemonias hoje existentes.



O cristianismo, como hoje o conhecemos, que se expandiu decisivamente após a conversão de Constantino (que alguns estudiosos põem em causa ter-se alguma vez verificado), Imperador de Roma pode estar a desaparecer, ou a perder a sua decisiva influência, vindo a reduzir-se a uma religião-nicho, sem impacte social.

Este processo pode, muito credivelmente, ser acelerado pelo início de mais uma guerra com um país islâmico e esperemos que não tenha carácter nuclear...

6.7.08

Bach e outros: case study do humano


Ouvir Bach (J.S. Bach) hoje é, para quem aprecia o género musical, uma experiência transcendental. Uma música dos deuses, é uma das expressões mais frequentemente ouvidas. Bach é considerado por muitos, especialistas musicólogos ou apenas melómanos o maior compositor do Barroco ou mesmo o maior compositor de sempre (outros consideram Mozart, ou Beethoven, ou Wagner, ou Mahler). Mas Bach, no seu tempo não foi tão reconhecido, em vida, como hoje se poderá imaginar. Nem popular. Era um compositor metódico, que criava sempre de acordo com os cânones, nunca fugindo muito a tais princípios. Mas também dever reconhecer-se que inovou, e muito, mesmo usando as clássicas regras da composição. Criou pérolas de música bem evoluídas para a sua época, como as fugas, invenções, suites para instrumentos solistas, sinfonias e partitas. Obras sacras de grande vulto e fôlego, pequenas obras com base em temas simples por vezes sugeridos por outros como pelo seu admirado o Kaiser Friederich II da Prussia, como a famosa e inovadora Musikaliches Opfer, sobre um tema do Imperador.

Alguém me disse um dia que se tivesse de escolher música para levar para uma ilha deserta, como último consolo da alma, seria música de Bach.

Estranho que nem sempre se saiba que até o Século XIX, quando Mendelssohn reabilitou J. S. Bach, quase que o grande compositor do Barroco Alemão, poderia ter caído, até hoje, no esquecimento. Bach esteve quase para nem se tornar conhecido da corte da Prússia, no seu tempo, pois só pela desistência de Telemann é que conseguiu obter o lugar de Kappelmeister em Leipzig. Pois Telemann era o mais afamado e considerado compositor canónico da época, em terras da Prússia, bem visto. E um outro compositor, que, no seu tempo foi o maior no género, ainda hoje permanece como um grande desconhecido: Reinhard Keiser. Este foi o mais importante, inovador e popular compositor da ópera alemã no período Barroco (termo que, curiosamente vem do português e significava originalmente, tosco, pesado e complexo).

Keiser compôs inúmeras óperas, das quais hoje só uma existe gravada e editada em CD (Croesus, da Harmonia Mundi)


Uma lista de óperas de Keiser podia ser esta :


Der königliche Schäfer oder Basilius in Arkadien (probably Braunschweig 1693)
Cephalus und Procris (Braunschweig 1694)
Der geliebte Adonis (1697)
Der bei dem allgemeinen Welt-Frieden von dem Großen Augustus geschlossene Tempel des Janus (1698)
Die wunderbar errettete Iphigenia (1699)
Die Verbindung des großen Herkules mit der schönen Hebe (1699)
La forza della virtù oder Die Macht der Tugend (1700)
Störtebeker und Jödge Michels (2 sections, 1701)
Die sterbende Eurydice oder Orpheus (2 sections, 1702)
Die verdammte Staat-Sucht, oder Der verführte Claudius (1703)
Der gestürzte und wieder erhöhte Nebukadnezar, König zu Babylon(1704)
Die römische Unruhe oder Die edelmütige Octavia (1705)
Die kleinmütige Selbst-Mörderin Lucretia oder Die Staats-Torheit des Brutus (1705)
Die neapolitanische Fischer-Empörung oder Masaniello furioso (1706)
Der angenehme Betrug oder Der Carneval von Venedig (1707)
La forza dell'amore oder Die von Paris entführte Helena (1709)
Desiderius, König der Langobarden (1709)
Der durch den Fall des großen Pompejus erhöhete Julius Caesar (1710)
Der hochmütige, gestürzte und wieder erhabene Croesus (1710, revised edition 1730)
L'inganno fedele oder Der getreue Betrug (1714)
Fredegunda (1715)
L'Amore verso la patria oder Der sterbende Cato (1715)
Das zerstörte Troja oder Der durch den Tod Helenens versöhnte Achilles (1716)
Die großmütige Tomyris (1717)
Jobates und Bellerophon (1717)
Ulysses (Copenhagen 1722)
Bretislaus oder Die siegende Beständigkeit (1725)
Der lächerliche Printz Jodelet (1726)
Lucius Verus oder Die siegende Treue (1728)


Isto, para falarmos de um aspecto mais do Homem e das sociedades, neste caso ocidentais, da sua cultura e da importância relativa das coisas. Imagine-se que se convidava alguém, uma bela mulher por exemplo, conhecedora ou não, para um concerto para violino de, digamos, Karol Szymanovsky, por Ilya Kaler.

Na Naxos está disponível uma edição excelente por esse artista notável, uma gravação imprescindível. Mas um violinista não muito conhecido e uma editora low price, reservam-lhe lugar de menor destaque. Um compositor não muito popular e um intérprete menos conhecido não eliminam a possibilidade de se poder assistia a um concerto único, ou a uma gravação, como é o caso.

Tal como no tempo de Bach e após ele, muitos compositores e músicos ficaram no esquecimento, e noutras áreas da arte, de forma idêntica. O ser humano é mesmo um case study. Há valores que passam sem serem notados, diria, todos os anos, ou meses…e são relegados ao esquecimento, tal é a nossa preocupação com o marketing (de que sou praticante activo e admirador, diga-se), publicidades, técnicas de comunicação, criação de imagem, marcas ou griffes…

Dito de outra forma, talvez cada um de nós possa, afinal, ter acessível a criação de algo de grande valor mas nós mesmos desprezamos essa possibilidade, quando não o fazem outras (sem critério e no uso da sua plena ignorância) pessoas por nós

5.7.08

Humanos: um 'case study'



É para mim cada dia mais surpreendente a forma como as pessoas se agarram a crenças, convicções e conceitos que nunca poderão confirmar. Sempre, desde novo, mas mais agora, me espantou que a nossa mente usasse dois critérios de raciocínio, de conceptualização, de conduta, de atitude e, depois, procedimento.

Pensemos na ideia de Deus.

Tantos pensadores, filósofos da teologia, ou muitos outros, e tantos humanos que os seguiram, conscientemente ou não, assumiram, pouco a pouco a ideia de Deus, como certa, segura e inquestionável, leia-se, dogmática.

Por detrás não da ideia em si mesma, não do conceito de Deus, ou da crença se quisermos, mas do raciocínio - ou da ausência dela, visto que o dogma uma vez universalmente aceite, dispensa e repudia o raciocínio, pelo menos o que o pode por em causa – há um formato que devia incomodar os pensadores, tanto que a dada altura o fez, mas tal já não passou para as pessoas comuns em geral, como também não se fez eco em relação a outros conceitos, dogmáticos ou que exigem crença ou fé.

Se, por um lado o dogma só existe, enquanto não questionado, pelo menos de forma essencial, por outro, os aspectos pragmáticos que com ele se relacionam já apelam de uma lógica bem mais ‘terrena’, e bem mais prática de sentido e de atitude: as instituições e regras religiosas. Ou seja, com uma parte do nosso cérebro concebemos uma ideia de Deus, e lhe tentamos dar forma, tal a nossa incapacidade de pensar em ‘vazios sem forma’ ou sem ‘imagem’, outra parte, ou outro formato mental e possivelmente estruturas físicas e químicas do cérebro, leva-nos a conceptualizar uma prática para as coisas que sustentarão o dogma. Para mim, na minha incapacidade, de compatibilizar as duas formas, assume-se isto muito estranho. E duvidoso.

Se a ideia de Deus assim se irá por em causa, pouco a pouco, existem outras fés, terrenas, dir-se-á, numa tentativa de sacralizar o desconhecido suposto superior, tais como o amor, a amizade, a lealdade, o carinho…

Tudo questões de fé, se não me equivoco, umas de conceito mais forte ou emocional do que outras. Mas de fé. Ou de crença. Não existem enquanto não cremos nelas. Só existem dentro de nós e, claro, tomam forma, no contacto com os outros, através da mesma simbologia ou linguagem.

Mas Fé religiosa, amor humano, paixões, sentimentos de amizade, são puramente conceitos tipicamente dos homens, e não dos animais, que não conseguem criar e inventar, por assim dizer, o que os sentidos não nos transmitem. Sinais, sim. Formas de linguagem associadas a tais criações da nossa mente, sim. Mas amor, paixão e amizade existem bem dentro de cada um de nós. Se e quando assim o entendermos.

Questões de fé! Mas bem importantes, sem dúvida.

O amor, em particular, ou a paixão, que é outra forma de amor, ou fase, são exigentes connosco mesmos, por necessitarem de uma linguagem não só de um mas de dois. E a conjugação das duas fés, em simultâneo pode afigurar-se impossível, ou difícil ou intransponível em dado momento, mesmo que noutro se tenham realizado. O que pressupõe um realismo, ou seja, uma passagem do conceito à linguagem comum e sincronizada entre, pelo menos, duas pessoas. Parecendo simples e trivial, se nos pusermos a imaginar a ínfima probabilidade de se revelar realidade entre dois seres, calcular-se-á a tremenda dificuldade da coisa. E, para isso os humanos inventaram as relações, físicas, sexuais ou não, que já as havia antes do conceito, mas que se deverão ter ligado a ele, à tal fé ou amor, por necessidade. Necessidade instintiva há milénios, e de procura de equilíbrio emocional cada vez mais presente e premente, à medida que a raça humana foi sendo alvo, ou vítima, de evolução.

Hoje, o amor passional que se vivia, escrevia e lia nos grandes clássicos já nos parece inusitado e inverosímil mesmo que intrinsecamente possa existir, pois a tal necessidade de controlo ou equilibro emocional assim o reverteu para um realismo muito pouco compatível com a fé, ela mesma, bem implantada nas nossas raízes humanas. Fé, no amor por alguém. Hoje, por isso mesmo, se questiona em demasia, por vezes, e nos defendemos (em exagero com frequência, como se a recusa do óbvio fosse um ideia mais racional do que a sua aceitação, mas o que dita a regra é a protecção emocional, contra o sofrimento, não permitindo, tantas e tantas vezes que nos deixemos levar uma vez mais, no canto e encanto que esta fé material nos pode trazer e velando os olhos e sentidos ao mais fácil...e saudável....às vezes), por outro lado, de sermos ´vítimas´dessa que nos torna os dias mais leves e de valor, e permitiu, no limite a continuação da raça, porque precisamente pomos em causa esta fé especial já não o fazendo pela outra, num Deus que ninguém viu.
Mas viu…o humano que lhe solicita o amor…
Mas se, quando o amor existe, existe fé, quando ele não é correspondido, a própria fé no ser humano se pode desvanecer.
E como é com a amizade? Será muito diferente? E a lealdade?

Engraçados somos nós humanos. Um ‘case study’ parece-me…de um estudo interminável.

Bad day


Interessantes os fluxos e variações com que a vida, frequentemente, nos surpreende. Interessantes ou, melhor, decepcionantes, ou, ainda, desafiantes. Se nuns momentos sentimos tudo a correr-nos bem, nesses dias em que tudo, ou quase sai como queremos, noutros, tudo sai ao contrário e parecem, até, desmoronar-se as nossas convicções, superficiais ou não.


Há dias em que nos parece que tudo foi feito à medida das nossas expectativas, mas noutros, basta um sinal, de alguém importante para nós, e o nosso mundo vem por aí abaixo, que nem um castelo de cartas.


Fica-se com vontade de deixar passar. Deixar o tempo correr e que o dia, mau, termine rápido. Mas quando julgamos que já passou o pior vem mais uma notícia, mais um telefonema, ou a ausência dele, e ...até alguns amigos sentimos poder perder.


Uma toca, um esconderijo recôndito ou um lugar no cimo de um grande rochedo à beira-mar, para nos sentarmos sozinhos, à espera do regresso do ciclo bom.


Nada nos sai bem. O que dizemos, o que pensamos...o que nos dizem. O que queríamos que dissessem e não chega.


Esperemos pois. Enquanto houver energia, pelo menos...

2.7.08

No teu regresso


Tu não vieste. Nem entraste na vida que eu ia vivendo.
Foste chegando. O teu efeito ia aos poucos sendo o meu sistema,
Fazias dos meus tempos a ideia que criava de ti.

Não chegaste como se entra numa vida que se suspende a si mesma.
O meu tempo foi uma vítima do teu melhor. A vítima bafejada.
O teu pouco ia agora ser o meu muito. O meu único.

Assim que te ias transformando no meu centro,
Ia desejando não me aprisionar de ti
Mas o teu espaço era o há muito esperado,
Ou era o desejo que o fosse.
A calma e a paixão lutavam em ti.
A tua vinda era esse ar que nos chega fresco com a noite,
Nos dias quentes amordaçados da minha preguiça de viver.
Ia vindo e eras esse duche fresco ao final de uma canícula de asfixiar.
Um ar novo que queria conhecer
Um ar que não queria, afinal, não ter.
Uma brisa humana de seda feita.
Uma nova vida na vida já velha.
Eras o ar respirável na poluição dos meus dias.

És…a minha brisa mais forte e profunda.
Fazes de mim um marinheiro que não quer porto,
Uma folha ao vento que não quer assentar,
Um ébrio que resiste a despertar.

Leva-me nessa brisa que trazes contigo.
Enlevo-te se me trazes a frescura envolvente.

Regressas onde nunca antes estiveste.
Mas onde vais tudo te será como se já vivido.
Porque… se vens, irás…comigo!


29.6.08

Congresso Feminista


Acho muito interessante, divertido, ou mesmo hilariante este Congresso Feminista 2008. Sei que alguém, talvez muitas senhoras, ou algumas que me lêem podem sentir-se entre confusas e incomodadas, aliás irritadas, com este meu texto.

Mas, por um lado, as que já me conhecem sabem que não padeço do mesmo mal, mas de sinal oposto, das organizadoras e participantes no dito Congresso. Por outro lado, a polémica, se for gerada, nem é por mim, é pelo Congresso, o que só me deixa quase frustrado por não ser a lançá-la, tanto o prazer que me dá entrar em polémicas...

Imagine-se que se organizava um dia destes um Congresso Machista...

Esta ideia do Feminismo é, para mim, absolutamente estúpida, ridícula e para quem assim se sente ou defende, é redutora. Novamente, veja-se um homem a defender o seu machismo, e imagine-se o que se pensa dele: redutor será o mínimo...

Confesso que conheço muito mais mulheres inteligentes e competentes do que homens. Confesso ainda que nunca na minha vida profissional assisti a uma só descriminação sexista. Mas admito que tudo isso exista, ou não faria sentido haver mulheres que se sintam vítimas de machos básicos e anacrónicos e o manifestem ou, venham mesmo a participar em movimentos, desculpem...precisamente sexistas! Ou...homofóbicos. Espantam-se com o vocabulário? Pois, quem se espantar, não exibe a mesma abertura de espírito e mentalidade evoluída, ou inteligência bem acima da média, das mulheres, algumas, que conheço pessoalmente, e de outras com quem só a distância lido.

Asseguro, de novo, que ao nível de uma inteligência fora de série e capacidade pessoal, e competência profissional, reconheço algumas mulheres, amigas ou conhecidas e quase nenhum homem.

Mas também conheço entre essas e outras as que, fruto seja lá de que for, educação familiar, busca de uma segurança ilusória, ou apenas condicionamento social, ou ainda uma mera circunstância temporal, sendo embora muitíssimo inteligentes e bem mais do que os respectivos cônjuges machos, se deixam arrastar numa situação conjugal de desequilíbrio, ao ponto de caírem na mesma situação em que vimos tantos dos nossos progenitores, numa outra época em que a sociedade estava bem menos evoluída e aberta, em tempos de antigo regime ditatorial, com a igreja Católica a dar o seu conhecido contributo negativo, anulando-se perante maridos que não as merecem.

E, assim como se passa entre portas, nas nossas casas, passa-se tantas vezes em ambiente profissional. E também conheço alguém assim. E lamento. Lamento que ainda hoje, mulheres jovens se deixem subalternizar por maridos anacrónicos e mais adequados a um curral medieval do que a terem ao seu lado uma mulher tão espantosa quanto merecedora de outras atenções e considerações. E entristeço-me com isso, quando se passa com alguém amigo.

O meu espanto vai assim, pois, tanto para os machos idiotas que por defesa da sua inferioridade ou por incapacidade emocional, ou por piores razões ainda, usam de um poder a que não têm direito legítimo, mas sim consentido, como vai ainda hoje a minha estupefacção para as mulheres que se deixam levar anos e anos numa subalternização e anulação perante tamanhos estafermos.

A indignação vai, por último, para essas mulheres que publicamente defendem ridículas quotas e medidas legislativas para ou proteger a mulher ou tentar guindá-la a cargos e funções que julgam, por outra forma, não conseguir. Sempre vi mulheres muitíssimo competentes atingirem lugares de destaque e de poder. Sempre assisti à imensa competência feminina. Mas tal como isso existe, também as há bem idiotas e incompetentes, que uma e outras qualidades não se vêm pelo sexo.

Claro que abomino e condeno, pessoalmente práticas de violência doméstica. Obviamente que é um dos crimes mais abomináveis. Tal como a pedofilia e os crimes sexuais em geral. Mas não lhes parece que tantas e tantas vezes se repesca este tema para conseguir a simpatia da opinião pública e dos políticos, para que de alguma forma se institucionalize um conjunto de práticas tão desnecessárias quanto idiotas, como as quotas das mulheres na vida política...


Quem tanto defende um Estado proteccionista das mulheres, fazendo tábua rasa das intrínsecas qualidades naturais do sexo feminino, demonstra de forma cabal e inequívoca a sua própria e atroz incapacidade, reduzida inteligência e ainda incompetência.

Não como mulheres, mas como pessoas. O Feminismo é, assim, para mim uma praga (e uma prática) detestável e odiosa, tanto como o machismo.
E quem tem mérito, tem-no sempre. Quem não tem procura artificializar o equilíbrio social. De forma sexista. E arrogante.
Lamento.

15.6.08

A doença da democracia


A Democracia hoje instituída em todos os países europeus, nos que fazem parte da União Europeia e em mais alguns que não, e menos outros que se dizem democratas e nem sombras disso o são, está pouco a pouco a ser questionada, discutida, levada em polémicas que, esperemos, conduzam a alguma forma de governo e administração política mais saudável, mais representativa e menos arrogante ou, até, corrupta.

Esta forma de Democracia pouco tem a ver com a instituição política original grega, nem havia vantagem nisso, pois na Grécia antiga a democracia era-o só para alguns, mas dentro desse restrito grupo de privilegiados era um autêntica representação dos interesses e vontades de todos.

As nossas democracias actuais são uma evolução que foi, gradualmente, surgindo após o século das luzes. Após os grandes filósofos políticos e sociais como Kant, Espinosa, Voltaire, Rosseau, Montesquieu, Hume, Locke, Diderot, Lessing, Smith e até Marquês de Pombal mas muitos também outros terem lançado um imenso movimento de renovação ideológica sobre as monarquias ditas esclarecidas – que deviam ser por uma vez mais cultas e melhores ouvintes da vontade do povo - sobre os direitos dos humanos e sobre a nobreza do humanismo individual através do respeito pela natureza de que somos todos feitos, sobre, afinal o direito der sermos iguais à nascença e mais tarde perante a justiça e a lei.

A forma institucionalizada destas nossas democracias foi posta em prática tal como hoje conhecemos, em França, onde ainda assim sofreu muitas convulsões, e no reino Unido, onde mantém o mesmo formato desde há séculos.

Hoje a Europa sente-se e diz um bastião da democracia. Mas cada vez põe mais em causa a forma de governo que institucionalizou.

A Europa e a Democracia estão doentes e nem sempre se dão conta disso. A classe política acha-se a eterna e legítima representante dos povos que a elegem, mas logo de seguida só procuram o poder monárquico de subversão dos princípios de que se dizem defensores. O poder político da Europa está hoje entregue a pessoas que nada entendem de Democracia. Podem sabê-lo histórica e culturalmente, mas não o praticam. A Europa e muitos Estados-membros, designação ridícula que se dá a cada Estado que faz parte desta União Europeia a entrar em decadência, usam do poder que têm para mandar em vez de administrar, impor em vez de propor, fiscalizar em vez de fazer a prevenção, policiar em vez de proteger. A arrogância política grassa por toda a Europa, sentindo-se mais, como sempre, nos países latinos. Os governantes que são, ou deviam ser, segundo os princípios democráticos, funcionários do povo eleitor, administradores do Estado mandatados pelos seus povos, sentem-se com direitos de proprietários do Estado, com poderes nunca antes alcançados nem em certas ditaduras.

Instituem-se coisas aberrantes como uma ASAE, que devia proteger o cidadão e o agride, e ainda o confunde, havendo muitos que defendem a sua abjecta actuação - não actividade – fazem-se leis que não defendem as pessoas mas as confrontam e desprotegem ( as normas e directivas europeias como esta da protecção alimentar, estúpida e provocadora lei que nos quer deixar a todos vitimas da assepsia, mesmo ignorando como chegámos até aqui vivos e saudáveis , as normas de segurança que quase nos tiram o prazer das viagens e muitas, muitas mais).
Perseguem-se nos tribunais os cidadãos que pretendem falar livremente tecendo legítimas críticas sobre os seus governantes, realmente incompetentes, arrogantes e, tantas vezes, não premiados com uma réstia de inteligência, que pelo menos de alguma coisa nos sirva, e que seja posta, evidentemente ao nosso serviço, a nós que os elegemos e pagamos…

O Tratado de Lisboa, como Sócrates gosta que lhe chamem, sentindo que foi obra sua, um Tratado que mais é, à boa imagem da sua pessoa e limitada cabeça, uma manta de retalhos e que em abono da verdade serve bem mais a classe política e suas instituições do que os interesses dos povos, foi chumbado há três dias na Irlanda.

Mas os políticos magos que temos, de que Durão Barroso é um dos seus mais fiéis representantes, vieram logo dizer que não está nada perdido. A Irlanda é que se irá tramar. A Irlanda é que não entendeu nada. A Irlanda não é tão iluminada como os outros e nem imagina como ficará a perder. A Irlanda não conta. A magia subversiva - e não há legitimamente outro termo, quando um povo decide num dado sentido e um governante lhe altera o sentido da decisão, que chamar-lhe subversivo e, além disso ilícito - irá encontrar uma solução e um contorno à decisão do povo Irlandês, que teve a ousadia de ir contra a vontade dos outros povos - onde não existiu qualquer referendo, mas votações em ciclo fechado.

Resta-nos a eterna interrogação. Se do Tratado quase ninguém sabe nada, excepto concretamente o povo irlandês pelo processo de divulgação que exigiu o referendo, quem tem razão afinal? E a quem serve este Tratado, no fundo.

Com o chumbo irlandês, levantou-se uma vez mais a questão de se a classe política europeia não anda mais a usar e abusar de poderes que nem devia ter, do que a verdadeiramente lavrar no sentido de nos fazer um dia vivermos melhor e com mais futuro. A Irlanda, esse país que no espaço de tempo idêntico a Portugal e Espanha se tornou um dos mais ricos da Europa, fazendo precisamente aquilo que há anos venho defendendo e é o oposto ao que os nossos ilustres, economistas e políticos defendem, abaixamento de impostos para resolver problemas micro e macro económicos, esta Irlanda do novo milagre económica, que teve um crescimento do seu PIB comparável ao dos países, ainda pobres, do sudoeste asiático, deu-nos uma grande lição.

Uma lição de defesa dos seus legítimos interesses e vontade e da sua capacidade de insurgência contra quem atenta contra os mesmos. E nós, tristes portugueses, que deixamos o maior arrogante e mais evidente incompetente a governar sempre, em tudo o que faz, contra quem o elegeu, fazemos…nada.
Perdão, damos-lhe ainda a vantagem nas sondagens.
Uma perda de tempo para nós e uma vergonha internacional.

12.6.08

Cada povo tem o governo que merece


"Cada povo tem o governo que merece". Esta frase é atribuida a Salazar. Não sei se é verdade que é frase dele ou não. Mas sei que, repetidamente, me parece verídica e oportuna. 

Que dizer de um povo e um país em que se protesta pelo aumento dos preços dos combustíveis e, passados poucos dias, com umas suspeitas negociações com esse homem das cavernas que é o ministro dos transportes e obras públicas (coisa talvez melhor do que ser do 'deserto'...), tudo se dissolve, porque a contento de transportadores?

Mas logo hoje, a Galp anunciou novo aumento de combustíveis...

Povo interessante este...que vê piorarem dia a dia as suas condições de vida, mas acha que esss outro incompetente do Primeiro-ministro, é o homem indicado para conduzir o ógão executivo, que nos há-de levar à miséria total. Não nos admiremos que num ano próximo, a União Europeia nos convide a sair da zona Euro...

Perdemos poder e compra. Tiram-nos mais dinheiro todos os meses para pagar um maldito défice, culpa de Guterres, fazem-nos pagar multas por tudo e nada, não nos dão, com a outra mão, nada que nos compense deste delapidar das nossas parcas economias!

Mas as sondagens, já sabemos que muito manipuladas, aliás como Manuel Alegre denunciou nas Presidenciais, continuam a dar a este pobre e maldito Governo, a vantagem que não merece.

Que povo!

Que sejam todos muito felizes! Com o vosso adorado Sócrates. O maior mentiroso e arrogante que a história nos deu...

Na próxima semana, já agora...vamos ter notícia de mais desgraças económicas...é só esperar mais um pouco, o mais tardar até final de Junho. 

Vivaldi, Lasci la Spina

Per una amica molto especiale, que bisogna molta dolcesa in questo momento...

11.6.08

Normal? Nahhh....


Sempre me senti uma pessoa normal. Apenas mais uma pessoa. Mas...apenas com uma imensa mania: não saber parar. Parar de me auto-aperfeiçoar, ser melhor e, assim sentir-me bem, comigo e com os outros. Mas, se me esforço para ser melhor, e estar melhor com toda as pessoas com quem me relaciono, verifico algum ou, por vezes muito, insucesso, em fazer-me compreender. Ou seja, em ser aceite. Como sou.

Um completo insucesso com muita gente. Que não posso, justamente, atribuir a essas pessoas. Mas sim a mim mesmo, por não me ter sabido relacionar. Embora...às vezes me 'cheire' que comigo, como com todo o mundo, neste miserável país de gente mal formada e invejosa, lidar com alguém que, eventual e muito relativamente, lhes possa parecer melhor, se verifique impossível, um fardo, uma tortura.

E, assim, confirmo o que já há muito sabia: há muitas pessoas que se afastam de nós, ou nem se aproximam, por manifesta incapacidade de lidarem com que lhes pode parecer melhor do que elas mesmas se julgam ser.

Que pena...

E que sejam muito felizes...mesmo que nessa invejosa mediocridade.

Ah...que me chamem os nome(zinhos) que lhes aprouver a imensa imaginação. Comecemos por arrogante...

Bom proveito!