30.11.05

O pior dos corporativismos

Sempre fui contra o Corporativismo, como forma de estar na vida profissional e pessoal e de se defenderem interesses, muitas vezes até justificados.

Hoje temos ainda em Portugal uma das mais fortes e duradouras expressões do Corporativismo: as farmácias, como actividade económica.

Não conheço nenhuma outra forma de expressão comercial tão lucrativa e saudável, que tantas alegrias tem dado aos seus proprietários e alguns colaboradores, pelo facto de terem conseguido impor a defesa de uma actividade profissional, como nenhuma outra o conseguiu.

É aberrantemente retrógrada a ideia de que uma Farmácia tenha de ser propriedade de um farmacêutico, pelo facto, aliás falsamente defendido pelos seus mentores - Associação Nacional de Farmácias e seu dirigente, farmacêuticos e alguns "iluminados", como o foi Ferro Rodrigues, que conseguiu descobrir uma função social no negócio mais rentável que em Portugal existe e, de forma muito estável, contra todas as crises ainda se mantém de assim poder prestar um serviço com garantia técnica aos seus clientes (e não utentes, que neste caso não o são).

Ferro Rodrigues defendia que as farmácias não são um negócio, mas sim um serviço. Enfim... todos os negócios são um serviço, mas só ele parecia não saber.

O pior da defesa de tais ideias, uma especificidade portuguesa aliás, é que assim se vem mantendo um lobby, muitíssimo forte e demasiado lucrativo, pelo que acarreta de preços elevados para os seus clientes. Muitas análises têm demonstrado que em Portugal os medicamentos são bem mais caros do que em todo o resto da Europa - resto é forma de dizer, pois resto, somos mesmo nós, mas para alguns um resto, muito lucrativo.

Acabe-se de vez com esta Lei absurda da exclusividade da propriedade das farmácias e logo se há-de ver se a concorrência e a ausência de proteccionismo não elimina boa parte das margens comerciais que nos custam a todos.

29.11.05

Um sonhador compulsivo

Tinha por hábito fazer o seu passeio a pé até um dos bancos junto à margem do rio. Manuel, Teodósio de segundo nome, que ninguém sabia, nem ele usava, era um ser solitário e, ali, naquele banco, sentindo o frio seco e o vento suave, mas cortante, que anunciava o Inverno, se sentava a pensar num mundo só seu. Num mundo que queria tivesse existido, mas que nunca na verdade conhecera.

Baixava ligeiramente a cabeça e, por baixo das suas grossas sobracelhas, herança familiar que lhe davam aquele ar antigo e sisudo, ia observano o raro e triste movimento, no rio e no passeio que o separava da água.

Os homens e as mulheres conheciam-se há uns milhões e milhões de anos e não se entendiam, não se conheciam. Continuavam a debater-se os mesmos temas de costume. Da igualadade, da liberdade, da distrubuição de riqueza, da justiça e das mesmas oportunidades para todos. Mesmo que tendo avançado muito, o mundo desde um Platão, um Lutero, um Robespierre, um Montaigne, Sartre e tantos outros continuava a ignorar ou fazer por tal, que apenas um terço de si mesmo podia dar-se a esse luxo que era pensar e discutir. As duas terças partes deste nosso mundo nem ânimo, nem tempo, nem hábito tinham de pensar e muito menos de por as suas ideias abertas à discussão.

Ali estava ele, àquele frio estimulante que lhe chegava do rio e lhe soprava nessas suas grisalhas sobrancelhas de marca familiar, tentava assegurar-se que os seus pensamentos não eram nenhuma espécie de mania pessoal de se sentir exclusivo e diferente, mas sim o fruto da convicção mais profunda da futilidade da maioria das discussões quotidianas. As mulheres são melhores do que os homens, os homens são executantes e não perdem tempo a pensar, a esquerda política é mais justa, a direita é mais pragmática e outras tantas máximas, pretensiosas e desinseridas, que até se perguntava quantos anos de desenvolvimento teriam sido em vão, para se chegar a este ponto, a tão pouco...

Manuel, sentado na beira da cama pensava como lhe seria tão agradável, um dia, estar junto ao rio com o tempo e vaida toda para pensar. Com as ideias certas para poder ajudar, fosse, assim possível, um dia, fazer-se ouvir. Um dia iria para a margem do seu rio, para o seu banco, analisar a justeza dos seus pensamentos, sentindo a brisa fria a roçar-lhe a cara e as ainda negras sobrancelhas grossas...

28.11.05

Cavaco

Já há muito decidi votar em Cavaco. O que é mentira, parcialmente. Na verdade, apenas depois de ele anunciar oficialmente a candidatura...
Nesse dia porém, só não fiquei eufórico porque alguma experiência de vida já acumulada, me desinibe de tais excessos pueris.


Mas há uma coisa que me tem incomodado.

Gostaria de ver Cavaco Silva mais inovador no discurso, mais fluente e menos repetitivo. O que apenas tem a ver com questões semânticas, pois para se ser Presidente, ou qualquer outra coisa em política, há muito que tenho para mim que, mais importante do que a fluência da palavra é a seriedade da mesma. A genuidade da palavra. Por oposição à correnteza boçal e excessiva quase roçando a ponografia da mesma, como acontece há mais de trinta anos com Soares e há menos que isso com Guterres, Sócrates e outras falsidades que por aí abundam.

Nós e os outros

Somos os tristes da UE...

Porque tem de ser assim?
Podemos ser uma potência europeia de Turismo, Energia (com um forte investimento em Energias alternativas e Nuclear), indústrias tecnológicas e de precisão...

Mas em vez disso teremos de viver, asfixiando-nos, com um nível de impostos insustentável, apenas porque o Estado insiste em permanecer gordo e despesista... Ou julgamos nós (porque o Governo há muito que o sabe, mas não diz a verdade, por lhe ser adversa) que com uma tão tímida redução da despesa pública e manutenção de despesismo (megalominas nas obras públicas, criação de comissões e grupos de trabalho- caso do Metro do Porto, que se já estava mal, como ficará com aumento das despesas por via de um grupo de trabalho de amiguinhos...?) se pode algum dia dar um forte impulso a novas áreas de investimento e criação de riqueza?

Portugal precisa de uma solução 'filandesa' na sua economia, ou irlandesa, em termos económicos e sociais... mas não se vê como com esta arrogância governativa, que não dialoga como ninguém, qual autismo irresponsável, que nos há-de comprometer ainda mais, com esta atitude de querer servir primeiro os amigos e, escandalosamente, a todos os nomear sem olhar a competência...

Quase apostaria que isto ( esta arrogância socratiana) não vai durar uma legislatura.

Entretanto os outros, a Grécia, a Irlanda, a Finlândia, a República Checa, a Hungria... vão aproveitando na mesma proporção em que nós desperdiçámos

Ohhh Sr. Sócrates dê ouvidos ao país!

23.11.05

Crónica de uma morte anunciada

Escrevia eu, há uns dias, que após a aprovação do orçamento viriam as más notícias sobre a economia portuguesa.
Logo depois de ter passado na Assembleia da República - qual espécie de encenação desta maioria entregue, pelo povo, a um partido de incompetentes - seguiram-se as entrevistas a diversas personalidades tidas como referências na área económica. Quase todas foram unânimes em que o Orçamento de Estado para 2006 é, em termos gerais, um bom documento, do ponto de vista teórico, pois se pudesse ser posto em prática, os resultados em termos de redução do défice das contas públicas e em termos, mais difíceis de execução e de obtenção de resultados positivos, de crescimento da economia, assim como da melhoria da distribuição de riqueza.

O problema é a execução do Orçamento. O problema é ainda, agora, mais real depois de ter sido confirmado que o crescimento da nossa economia será, em 2006, muito menor do que o Governo queria fazer crer. E com um crescimento da ordem dos 0,3% ou 0,4%, valores que constituem as previsões de, respectivamente Banco de Portugal e União Europeia - Eurostat, não há forma de entender como se pode controla e, eventualmente, diminui um défice que anda a estrangular o nosso desenvolvimento.

Um défice que poderá ainda este ano os 7,0%...

Mas insiste-se me construir TGV's, Aeroportos e outras megalómanas obras que se querem preparar, como se fosse mais importante parecer fazer, do que concretizar. Uma filosofia, postura e atitude muito típica em socialistas, infelizmente...

Hoje ouvimos a notícia de que o Orçamento Rectificativo para 2005, apresentado na Assembleia da República não coincide com aquele que foi publicado no Jornal oficial...

Isto já não é incompetência, mas mentira, da mais baixa e irresponsável que se pode admitir a um Governo de um país em Crise Económica Persistente ("CEP")!

Mas que se vê, nos órgãos de comunicação?
Deixar passar o assunto sem lhe dar o devido relevo, nem lhe entender a gravidade. Pois, assim sendo, com tais discrepâncias, entre o proposto na AR e o publicado, o Rectificativo nem serve para grande coisas, nem se atinge a tal redução de défice tão proclamada para este ano, nem se augura futuro promissor para o OE de 2006...

...e nem nada de bom para todos nós.

Caso, talvez, para ir pensando em demitir o Governo. Se estivéssemos num país de gente informada, preocupada e responsável consigo própria....o que não o nosso caso, claro.

O Documento das nossas contas públicas parece ter, assim, morte anunciada. Por isso é que alguns economistas declararam que, apesar do valor do documento em si, o seu valor como "coisa" concretizável era suspeito...

11.11.05



Foi uma falha minha.

Mas passou-me, aqui na blogosfera, o lançamento do livro Encandescente. Por nos últimos tempos andar imenso em viagens, por cá e por lá. Não tenho já a frequência destes espaços, como desejava.

Não conhecendo ainda o livro, mais do que pela sua capa, sei, no entanto, pelo blog que costumo visitar, pela sua qualidade, sensibilidade e imensa beleza, dos textos e das fotos, o livro tem de ser lido e saboreado.

Parabéns Encandescente! Posted by Picasa

Orçamento aprovado. Agora virão as más notícias...

Orçamento aprovado. Uffffa! Foi dificil, com este estado de poder absoluto do governo absolutista... quase que não conseguiam, ufaaaa!

Aprovadas também as contas do início da nossa desgraça: do TGV, da OTA, dos institutos, comissões, etc... que se irão criar para dar emprego aos amiguinhos...

Mas enfim, como pelo menos metade do que lá está no orçamento não é para cumprir, como sempre o é com governos socialistas, podemos ainda ter a sorte de que o que não se fizer seja a parte que realmente é melhor que não façam.

Mas agora virão os dias difíceis do bluf Sócrates: o relatório do Banco de Portugal- mesmo que maquilhado pelo amiguinho que lá está - o da União Europeia, do FMI, etc...

O problema é, como sempre, que seremos sempre nós todos a pagar a incompetência e a arrogância (também a arrogância de pouco a pouco, paulatinamente, se ir colocando tudo o que é amigo, e se compromete a não fazer ondas) em tudo o que lugar de nomeação.

Como diz Saramago (que visão, homem! que democrata!) até dá vergonha de se ser português (mas por razões bem diversas das do autor mais lido - e menos compreendido, pelas boas razões- de Portugal).

10.11.05

O palhaço e o seu "cara-branca"

Sempre gostei de circo. Desde criança que aprecio o espectáculo do circo, pelo seu ambiente, pela magia que me transmite e por tudo o que lá vejo, toda a espécie de números e pela variedade também, claro.

Os palhaços sempre me mereceram o maior respeito. Nunca os achei artistas menores e, pelo contrário, sempre os considerei e ao seu papel, inteligente, na minha forma de os ver, usando de uma arte específica, que não está ao alcance de todos, para atingir o objectivo da crítica, social, cultural ou mesmo política.

Não quero, por isso, que me entendam mal, quanto ao mais elevado respeito que tenho por palhaços, mas pelo profissionais, claro.

Ontem, no entanto, ouvi o
Jorge Coelho referir-se a Nikolas Sarkozy como sendo "um palhaço político". Fiquei mais embasbacado do que quando ia com os meus pais ao circo!

Não pelo objecto da ofensa ser ou não o que Coelho pretende que ele é. Mas pelo tom que, vindo de um palhaço, humano e político, como
Jorge Coelho (upsss, fiz o mesmo...upsss), um tipo de pessoas de quem nunca ouvi nada de inteligente nem original, mas apenas repetição de alguma coisa já antes dita por alguém, ter, apesar de tudo a ousadia e a falta de educação suficiente para afirmar "aquilo", com a ligeireza com que o fez apenas porque o francês em causa não é da sua área política.

Se um for mesmo um palhaço político, este outro, o Coelho será, quanto muito um seu "cara-branca" que, como sabemos, faz sempre papel de estúpido...perante a inteligência mais aguçada do outro...

Só me entristece que os portugueses, cada vez menos embora, não consigam entender que tipo de pessoas arrogantes e fascizantes nos andam a pretender governar.

E que me perdoem os verdadeiros Palhaços ("caras-brancas" ou não), artistas maiores na minha escala de valores!

9.11.05

Desligar ou exasperar-me?

Hoje assistindo a um pouco, apenas a um pouco, da discussão sobre o Orçamento de Estado para 2006, espantei-me e exasperei-me (porque ainda me admiro eu com tais coisas, depois de tanta intolerância e arrogância demonstrada? Ainda por cima por gentinha tão menor e mal formada, mas de uma repetida incompetência que nos sairá, a todos, a eles também, muito cara) quando, pela observação de António Pires de Lima, Sócrates- com a sua arrogante má-criação com que, diariamente, nos presenteia fazia gestos, trejeitos e observações para o lado, para os seus (coitados) ministros...

...após o que deu recado ao ministro dos Assuntos Parlamentares (os dos Recados Parlamentares, tal a desconsideração que esta maioria absolutista -ou será poder absoluto?- nos habituou)...

Cada dia tenho mais vontade de desligar. A mim e à TV.

Um desgraçado orçamento que tenta - pretende, aliás- equilibrar as contas nacionais com mais receita, mas com (quase) a mesma despesa... é ...de rigor??? Hmmm, talvez, talvez, como introspecção democrática, mas de eficiência??? E o TGV, e a OTA e as SCUTS???

Eles são, afinal, pagos para tanto disparate?

Nunca mais começa e...depressa acaba

Pois... já me começo a saturar de ouvir as idiotices de Mário Soares. O candidato do PS- é assim, partidarizado, que ele se quer- tenta mostrar o seu ar de homem de estado, como sempre se esforçou, tentando apagar, ou fazer esquecer o tom provicatório e ameaçador com que iniciou a sua pré-pré-pré campanha "contra a direita", esse bicho mau e perigoso, esse homem que pode tornar-se um perigo para a democracia que, ele Mário, acha que fundou...

Irrrrra! Que o homem não nos deixa em paz.

Interessate é observar os modelos europeus e não só, ditos socialistas democratas, ou vice-versa, vem a dar ao mesmo, como falidos se tornaram. Nunca resolveram problemas de desemprego em nenhum país. Nunca contribuiram para o crescimento económico nem prosperidade em sítio nenhum, mas, ao invés, sempre conseguiram contribuir para a melhoria do bem estar dos políticos-profissionais (ahhh! esta é que os tem deixado aflitos! Pelo que sabem como os atinge, como estado-depedentes e arrogantes-estatizados que são), dos que nunca têm uma vida e uma carreira sem o "alimento" do estado e da vida pública.

Mas, sinceramente, nunca mais é Janeiro, neste país???

Nunca mais começa a campanha Presidencial e depressa termina???