24.6.05

No Portugal Profundo...e por todo o lado

Vale a pena ler este texto, Do Portugal Profundo ( o link está ali acima, no título do post)...
...e atentar onde estamos...com quem estamos.

Isto é para si, principalmente, senhor Jorge Sampaio, para mais uma das suas cruzadas...

18.6.05

Post ligeirinho de fim de semana

Hoje andei nas minhas lides de pai em fim de semana.

Entre deiversas actividades... tive de levar uma filha a uma festa de aniversário. Seria absolutamente normal, para pai em fim de semana- quem é pai ou mãe, com filhos em idade escolar, sabe do que falo- não fosse que a festa se efectuava na Costa da Caparica, no INATEL (Inatel, imaginem...ainda existe! Existe, persiste e tem culto, com uma das glórias do antigamente, do tal outro regime). Existe e lá estavam pessoas com ar feliz. Pareceu-me. Acho muito bem, quem sou eu...

Ora, ir de Benfica (pois, ainda há gente que vive em Benfica, diria um amigo meu...) até à Costa, num fim de semana de Verão ?!? Há cada um... isto só mesmo para pais... às duas e mei da tarde?! Regresso previsto para as 18:30 h ?!

Fiz o pânico todo ainda nem o elevador havia chegado ao meu piso, antes ainda de descer à garagem com a filhota. Eu ia meter-me numa daquelas bichas (as de carro, as filas de trânsito, tenham lá paciência...or'essa!) de praia? Nem acreditava em mim...

Na estrada, com a filhota e uma colega da escola- "podes levar a minha filha que nós não estamos cá"...o esperto, ahn?- até nem tive grandes problemas com o trânsito. Pelas 15 h e algo lá estava, ou seja, isso após um curso de interpretação cartográfica que tive de fazer pelo caminho, para descobrir o tal Inatel da Costa.

Numa área bastante considerável, inserida num parque de campismo, dos bem portugueses, diga-se, com a terra, pó, obras, zigue-zagues, tapumes e mais à mistura, lá estava a piscina da festa. Imensa. Descomunal. Dois milhões de portugueses, no mínimo, lá se encontravam também... Que pena tive da filhota... mas o espaço era enorme, de facto.

Quando vinha a sair..."o senhor é daqui?" perguntou-me um rapaz... devia ter ar de ser dali...não sei porquê.
Eu achava que, ali, as pessoas tinham aquele ar deslavado de, sei lá, catecistas? macrobióticos? (não me levem a mal, não tenho nada contra) uma espécie de gente, saída de um filme antigo, um filme com quarenta ou mais anos. Despigmentadas, descoloridas mas, talvez, com ar feliz.

Ainda não havia percorrido o caminho todo, de regresso ao carro, e voltaram a dirigir-se-me: "quanto custa a entrada na piscina do Inatel, senhor?" Devia mesmo ter ar de ser dali...mas não queria...

Junto ao carro havia uma vedação, que separava o parque- parque é figura de estilo, enfim, terra seca e pó em barda, a dar negócio aos fabricantes de graxa para sapatos e às estações de lavagem de automóveis- do restante recinto, um grupo de idosos lia um papelinho apenso à porta da dita vedação: e liam, todos, concentrados, como se de um jornal de parede chinês se tratasse, anunciando uma novidade política qualquer: "Informam-se os utentes que ao Domingo e Feriados estamos fechados". Qualquer coisa assim. Estranho... justamente aos Domingos e Feriados... então paar que servia "aquilo".
Eu devia ter lido mal. Eu não era dali.
E o ar daqueles idosos... de calção...mais um filme antigo...
Lembrei-me dos Serões da província". Que aconchegante!
Felizmente que uma outra mãe de colega da minha filha iria fazer o favor de a trazer de volta...

A ver se conseguia umas horitas egoístas, para me entregar a um livrinho, que me tem levado para lá deste mundo, que me vai dando bons pedaços de vida e de ar puro de imaginação.

(antes isto que pensar em política, com este calor!)

15.6.05

Continuemos nesta senda de medíocridade

Sócrates já "conseguiu" os novos mil empregos. Mas apenas para os amigos:

Gostores hospitalares, gestores de empresas públicas ou participadas do Estado (Estado não é Governo! Oh usurpador!), Directores Gerais, Sub-qualquer coisa, sub-, vice- sub-vice, adjunto, adjunto-sub, adjunto-sub-vice, etc...

Mas diz o palerma do Primeiro Ministro que foram apenas lugares do Governo, ou de confiança política. Pois... entre nós portugueses, só existe confiança política entre membros do mesmo partido (será partido, com maiúscula?).

Enganei-me ali em cima...palermas somos nós!

Mas fiquemos descansados, estes agora nomeados oferecem mais confiança, são verdadeiramente mais competentes. E também não vão lá ficar muitos anos. Apenas o suficiente para garantir mais uma reforminha...para além das outras três ou quatro que já possuem.

Ah...que se passou com a reformita do Senhor Ministro das Finanças? E o das (des) Obras Públicas?

Agora entendi... estes 1.000 (mais de 1.000) eram essenciais para o choque tecnológico e para a redução do défice. Eles vão criar, não empresas, mas comissões para estudar, estudar, estudar o choque... traumatológico que iremos sofrer quando, no final de 2005, o défice chegar aos 7,5 %...

Que palerma eu sou! A por em dúvida o iluminado, superiormente inteligente "grego".

Força portugueses, continuem a preferir o "grego" e dêem-lhe as sondagens que ele tanto gosta. Tão bem fabricadas...

13.6.05

Três mortes...

(Sem ver o que hoje se escreveu, pela bogosfera, sobre a morte de Álvaro Cunhal, de Vasco Gonçalves ou de Eugénio de Andrade, para não me deixar sugestionar)

Morreu Cunhal...

Custa a morte dele, pois já tive de ver e ouvir Soares tantas vezes, vezes de mais...e outras ainda piores. Dizem todos que foi um grande homem. Inteligente, sim. Líder, sim. Organizado, decidido, convicto, persistente, lutador. Tudo isso, sim. Mas que mais? Também perigoso, irresponsável: de que serviram as nacionalizações (perdão, roubos de empresas de outros), as manifestações, greves...algumas sim, mas o clima de instabilidade...olhe-se para Espanha e comnpare-se! Hoje pagamos e muito caro o que homens como ele nos fizeram ao país. Não tenho nem uma réstia de dúvida. E eu saí à rua na primeira mainifestação do 1º de Maio em 74 e depois voltei já em 1975... e fiquei-me por aí, quando assiti ao quebrar das sedes do CDS, das agressões de rua a manifestantes do PSD, quando tentavam colar cartazes de campanha eleitoral...os meus prórpios irmãos foram agredidos por esses anos de 75 e 76..em nome de Cunhal. Fico-me com essa memória dos seus feitos, se não se importam!
( uma memória tão degradada que até me esqueço dos seus dotes artísticos...que pena)

Vasco Gonçalves:
Nada me custou na morte dele...pois foi o homem de mão de Cunhal e pouco mais. Agora dizem.nos que tinha ideias... mas, na altura eu já lia, e tentava manter-me informado...lembro.me muito bem dos seus discursos, estúpidos e vazios, típicos de um militar sem nada de cerebral. Nesta óptica, que diferença para Cunhal! No resto... foi o executante das nacionalizações. Esses roubos institucionalizados que envergonham Portugal. Se os antigos donos dos impérios económicos não serviam a um país democrático, também o que veio depois não melhorou nada. Mas atrasou-nos o desenvolvimento... que ainda aguardamos...
Um desperdício de tempo e uma vergonha é o que penso do "camarada Vasco".

Eugénio de Andrade:
Um enorme poeta. Também politicamente polémico... mas tão grande na sua arte que tudo se lhe perdoa...e aliás era um direito dele (porque as suas ideias não nos empobreceram e até nos engradeceram). Este sim, uma perda enorme!

O Poeta que escolhia as palavras simples e belas, para nos encantar os dias. Um homem simples e de grande visão.

Um músico das palavras.

Este poeta devemos chorar, como alguns dos seus poemas choraram por nós!

O grande Poeta nada tem de comum com os outros dois (pessoas que infelizmente a História não deixará esquecer, como não se esquece de Salazar...)

7.6.05

Classe média emprobrece o(no) país!

"Classe média empobreceu mais de 15% em 4 anos".

Este é o título do DNnegócios de hoje.

Há anos que digo em todos os círculos, de amigos, de colegas, pessoas em geral com que vou tendo oportunidade de conversar sobre a visão, o rumo e a estratégia que Portugal tem seguido ou devia seguir, que enquanto não tivermos uma classe média mais rica, mais folgada financeiramente, com capacidade de investir em pequenos negócios, familiares, ou pequenas sociedades é impensável e impossível esperar-se qualquer desenvolvimento acelerado para o nosso país.

Mas eu sou apenas eu...

A classe média é o estrato social mais numeroso em Portugal, tal como na maioria dos países europeus, ou de cultura ocidental.

Nesses países foi sempre da classe média que surgiram os mais inovadores investimentos, as mais inovadoras empresas e projectos económicos. Nunca das grandes multinacionais, que aliás tiveram também, todas esta mesma génese.

Foi assim na Alemanha, em França, no Reino Unido, em Itália, em Espanha (ainda hoje é assim em Espanha), nos EUA.

Não é assim, ainda, em Portugal. Porque a classe média não é valorizada, não é estimada.

Só haverá uma grande revolução económica quando à classe média forem dadas as condições para se erguer de novo. Quando tiver alguma capacidade económica, para que os seus licenciados, técnicos ou da área económica, possam criar empresas de grande valor tecnológico e elevado potencial crescimento.

A Classe Média não empobrece o país, mas não existindo no seu esplendor, não permite o seu enriquecimento.

Ainda teremos de esperar, que deixemos de ter Sócrates incompetentes que não entendem nada mais do que a distorcida lógica do Estado.

Ainda teremos de esperar...

4.6.05

Uma vergonha no (de) Governo

Quero começar por referir ( e cumprimentá-lo por tal) mais um excelente artigo de Rodrigo Moita de Deus, no Acidental.

Penso exactamente o mesmo sobre esta situação. Que foi criadra por Campos e Cunha e não por um qualquer de nós. Ele criou, preparou, a regra que fez com que ele próprio pudesse usufruir, ao fim de APENAS cinco anos de trabalho (muito esforçado, extenuante, desgastante, apoiado em umas três ou cinco secretárias , una cinco assessores e um motorista...?!? Ou eram mais ainda?) certamente de grande valor (ninguém sabe qual...já que agora tudo continua na mesma, na banca, na economia, nas finanças portuguesas (mas continuamos com este desfilar de vassalagens aos GRANDES especialistas portugueses, que fazem um doutoramento nos "states" e ...continuam teóricos), certamente de grande valor para SI MESMO.

O ministro não abdica dos seu PRIVILÉGIOS ESPECIAIS.
Agora também o seu colega das (des)Obras Públicas (Mário Lino)tem privilégios de qua não abdica. Eles assim decidiram e já está.
Primeiro decidiram ter os privilégios, porque se sentem especiais e melhores do que os demais. Porque lhes apetece ter mais um dinheirinho, para ombrearem com os gestores (exploradores e delapidadores, também eles, das suas próprias empresas privadas, que depois querem benefícios e subsídios, para formação e para investimento...e ainda insultam o Estado, por isto e por aquilo). Porque querem ter os privilégios e porque sim!
Depois decidem manter os privilégios (três mil contos pagos por uma instituição para quem já NÃO TRABALHAM, e não é privada!?!). E apenas se dignam afirmar que não vão prescindir de nada. Nós só temos de ouvir e aceitar!

Porque nós somos os burros, as crianças, os ignorantes, os estúpidos!

Mas há mais dado insignificante...o mesmo Ministro Campos e Cunha pretende impor a revogação e o abandono de privilégios idênticos (só diferem os valores e instituições) aos outros detentores de cargos públicos. Boa Ministro!
Devo dizer que tinha grandes esperanças neste Ministro. devo ainda dizer que nem acho que ele se deva demitir. Nunca. Tem de trabalhar por aquilo que preconizou e assumir o seu próprio plano. Um Ministro é um funcionário nosso, numa Democracia. Se não o é, então também isto não é Democracia (vide exemplo da Democracia Britânica! Lá têm os políticos que prestar contas de TUDO e não se imiscuem a tal. Nem recebem muito por serem Ministros).

Não ponho em causa aquela estupidez de afirmar a legalidade das contas, dos privilégios e da razão do(s) Ministro(s). Não caio nessa...

Lembro que no tempo de Salazar também a polícia política era legal. E na ex-URSS também...
Mais recentemente em Itália Berlusconi legalizou a sua ilegalidade e criou para si uma imunidade antes inexistente, imiscuindo-se a um processo judicial.

Ontem ouvi a Inês Serras Lopes do Independente (quem nem costumo ler) e fiquei abismado pela sensatez e razoabilidade dos seus argumentos.

Hoje leio no Expresso os resultados as sondagens do amigo Oliveira e Costa (que há anos as fabrica para o PS) e interrogo-me sobre o estado de doença em que estamos.

Uma palavra não se pode aplicar Campos e Cunha ou a Mário Lino: corrupção. Mas VERGONHA, sim!

Eles recebem, assim, mais do que o Presidente da República (que até nem trabalha muito, sabemos...mas irrita bastante, sabemos, enfim, mas sempre é Presidente)

É uma vergonha, Senhores Ministros! É uma vergonha para José Sócrates, pelo que ontem disse sobre sito. Voltou à história da cabala e da perseguição. Mas...não foram os seus ministros que deram azo a isto? Não foram eles os causadores desta IMORALIDADE?

Agora uma promessa lhes faço: deste insignificante blogue não darei tréguas a estes Ministros que me trazem uma vida pior e mais degradada - e eu nunca fugi a impostos, porque nem para isso tenho meios - e se outorgam a si uma vida privilegiada. Porque merecem já que contribuem para piorar a minha.
Não lhes hei-de dar descanso!

Nem a Sócrates enquanto não perceber bem o que se passou entre ele e as cimenteiras, nomeadamente a da Outão, na Arrábida, para terem a garantia da co-incineração...
Há ainda muito para saber sobre isso...

3.6.05

Freitas do Amaral continua na senda dos disparates

"Eu em dois meses e meio já fiz mais pelos portugueses do que se tivesse sido Presidente da República"

A frase é de Freitas do Amaral, em entrevista a Judite de Sousa, hoje na RTP 1.

Referiu também que o cargo de Presidente da República (PR) não tem uma função de muita importância (Sampaio, em casa, com o seu bom carácter, deve ter-lhe chamado uns nomes lindos...)

Excelente! Diz tudo de um homem que parece estar a caminhar a passos largos para a incapacidade... e sem dar conta do que diz.
Ele próprio já quiz ser Presidente. Nessa altura estava convicto que seria muito útil ao país. E que era o melhor.
Agora é outra vez o melhor...e já fez muito em dois meses e meio- mas ninguém deu por nada (terá sido só para alguns, que fez muita coisa, como é habitual no PS?)

Mas a resposta não nada a ver com o actual PR nem com as suas genuínas ideias sobre o cargo, a função de PR.

É uma resposta viciada. Viciada porque vem de quem já sabe ( etodos nós também sabemos) que, desta vez, se Cavaco Silva for candidato à PR o PS não terá ninguém à sua altura, para concorrer com ele e ganhar.

Isto diz muito deste homem. Um político menor, mesquinho e movido por interesses de ocasião. E, para mim, de nada lhe servem as eloquências e falinhas mansas. Mesquinhice e política de "trazer por casa" não se conseguem disfarçar.

Já fez mais em dois meses e meio...Eheheh. "Presunção e água benta..."

Mau é ainda termos gente desta na política.
Vejam outra maravilha deste homem, na mesma entrevista:
O problema do referendo em França foi da cisão no PS francês...foi Laurent Fabius que a provocou e, por isso, o sim não teve força suficiente.

Onde deixa, um pensamento destes, o povo? O tal povo a quem se pede encarecidamente que vá votar? E desta vez votaram 80 % em França! Então se o povo conta assim tãopouco, porque tudo se decidiu nas "altas esferas" da politca francesa, esse povo é imbecil, afinal??? E isto que faz da Democracia? À Democracia, francesa ou outra.

Mais uma pérola do senhor Professor: (sobre o Tratado Cosntitucional Europeu) "Portugal já tem a sua posição! O PR tem a sua posição e o Primeiro-ministro também". Então para quê o referendo???? (que alías já nem serve de nada, pois o Tratado já foi chumbado definitivamente) É este o respeito que um homem como ele tem pelo povo??? Portugal já tem posição porque DOIS homens já a têm e já a definiram!

Que apetece chamar a um homem destes?

Há uns meses, aqui, manifestei a minha opinião sobre Freitas...houve quem se indignasse, pois o senhor Professor até já tinha sido Presidente da Assembleia Geral da ONU- cargo, aliás que não serve para nada, mas nesse caso ele não disse o que agora afirmou sobre o cargo de Presidente da República Portuguesa.

Um político menor, sem ideias, mas cheio de contradições. Um político menor que já fez Portugal perder muito tempo, dando-lhe ouvidos e atribuindo-lhe um estatuto que não merece. Não basta ser-se Catedrático de Direito e fundador de uma Faculdade, para que SEMPRE se tenha de ser levado a sério e respeitado.
Já muita gente "bem lá em cima" disse e fez disparates...São tantos os exemplos.
Os portugueses têm sempre um certo fascínio pelas pessoas em posições elevadas, mas este caso, de Freitas e seus disparates merece-nos consideração???

1.6.05

Dia Mundial para algumas crianças

Não costumo seguir a “tradição” bloguística de dedicar, sempre e por norma, um artigo a um Dia Mundial de “qualquer coisa”, mas hoje, Dia Mundial da Criança, é a excepção que tudo justifica.

Pelas crianças.

Pelas crianças, o nosso último reduto de felicidade, o nosso último repositório de esperança, de fé num futuro tantas vezes sonhado e outras tantas desiludido, vale a pena dedicarmos uns minutos a escrevermos aqui e muito, muito mais do nosso tempo- a nossa vida toda, se pudermos!- a falarmos delas, a trabalharmos e vivermos para elas.

Querendo escrever um pequeno texto, pequeno porque os grandes textos não são os mais inspirados e elegantes e podem ser inadequados ao objecto que aqui pretendo tratar, as crianças, comecei afinal por dar um tom menos positivista.

É que se a todos nos inspira e nos puxa para a frente, vermos uma das nossas crinças crescer, aprender, evoluir, nestes dias de pouca fé no nosso futuro caímos repetidamente na tentação de sentirmos que o futuro delas, crianças, está muito mais comprometido e condicionado do que está o “nosso tempo”, o ainda nosso futuro. O nosso futuro que é o de sermos ainda por muito mais anos os subalternos dos europeus, dos espanhóis. Os nosso licenciados e especialistas que fizeram o mesmo esforço do que os do país vizinho vêm agora, e mais no futuro próximo a sua carreira ser uma espécie de subalternização das responsabilidades, funções e posições dos outros. O nosso futuro é curto, é mau e é infeliz. O futuro das nossas crianças poderá não ser melhor do que o nosso.

Mas temos a enorme responsabilidade de o fazermos melhor.

Num espaço europeu que deveria permitir oportunidades e condições de vida mais aproximadas entre os vários países, vê-se cada dia mais crescer a desigualdade, a assimetria. Tudo pelo mau trabalho que fazem os pais deles. Os nossos dirigentes políticos e empresariais que, ao imaginarem que podem estar a dar melhor vida e futuro mais garantido aos seus filhos, pelo modo de vida novo-riquista que criaram, não entendem que às suas próprias crianças os espera uma situação de subalternização em relação a Espanha, por exemplo. Que lhes podem dar todos os cursos, formação e pós-graduação, nacional e internacional, mas isso não irá garantir nada nem coisa alguma. Não podem assegurar esse futuro a não ser que hoje dispensem o seu modo de vida novo-riquista, egoísta e despesista e passem a sentir outra consideração por todos os seus colaboradores. (uma empresa espanhola vem hoje a Portugal procurar profissionais para lhes pagar mal, muito mal, pois sabe que assim pode fazer. E isso com profissionais muitas vezes mais qualificados e preparados do que eles próprios. Quem conseguiu isto foi o egoísmo dos nossos dirigentes e empresários, ninguém mais).

Os dirigentes que temos têm esta responsabildade, que é ainda maior do que a nossa. è a responsabilidade de quem dirige uma empresa, de quem investe. É a responsabildade de quem politicamente nos conduz, e de quem ainda teima em comprometer o futuro da classe média e das classes mais baixas da nossa sociedade. Toda a possibilidade de crescimento, de investimento de melhoria do futuro das nossas crianças está depositada em tais (maus e muito incompetentes) dirigentes. Em mais ninguém. E isso é muito mau. De mau presságio.

As crianças que hoje vemos a crescer e aprender, com tanto esforço- em meios urbanos muito mais “entupidos” de pessoas, de automóveis de actividades, de problemas- que hoje vemos a aprender um instrumento musical tão difícil como o violino ou o piano, porque também têm hoje mais oportunidades para tal, é verdade; que com isso nos dão tantas alegrias e nos comovem e nos orgulham, têm um futuro muito difícil e incerto à sua frente.

E estas são as crianças privilegiadas. Porque neste injusto mundo há milhões e milhões de crianças que não conhecem esta linguagem: a linguagem do desenvolvimento, da alimentação adequada, do crescimento- porque muitas não sabem que não chegarão a crescer e a se tornarem adultos, infelizes, mas adultos- a linguagem da cultura, do bem estar, de ter um futuro.

As nossas crianças podem não ter um futuro, uma vida, como o terão as dos países do centro da Europa, com mais oportunidades e menos incerteza, mas terão seguramente muito melhor vida do que as crianças de Moçambique, do Sri Lanka, da Indonésia, do Sudão, da Índia ou mesmo da China, e ...tantos outros países que somam duas terças partes do nosso mundo cruel. Estas crianças em número esmagador não chegarão em grande parte a deixar de o ser. Nunca passarão de crianças. Nunca serão adultos.

Queria um texto alegre, de regozijo e orgulho e vaidade pessoal pelas minhas próprias crianças, que são fantásticas e felizes, e privilegiadas também.

Não consigo escrever tal texto.

Não sou capaz de escrever coisas belas e bonitas ao lembrar-me de tantos milhões que nem sabem que dia é hoje.

Porque hoje devia ser o seu Dia.

Hoje devia ser o Dia Mundial da Criança.

Mas não é.

Vou hoje dar uma prenda e umas horas mais às minhas crianças... e pensar em todas aquelas que não têm muitas pessoas que pensem nelas...

(e isto, mais do que tudo o que já escrevi até hoje, custou-me imenso a escrever)