30.5.05

Os economistas

(insistindo em escrever apenas para mim... e para mais alguns habitués...mas hmmm não sei se me apetece mais comentar nos blogues de outros...)


Os economistas.

Tenho muita consideração pelos economistas. Perdoem-me os outros especialistas de tantas outras áreas. Os getores, quero dizer, os licenciados em gestão em particular. Porque pelos graduados em Gestão não nutro nem uma parcela ínfima da consideração que tenho pelos economistas.

Nada de orgânico, nem de particular animosidade. Até conheço alguns gestores por quem tenho a maior das considerações pessoais. Mas, desculpem a minha manifesta ignorãncia, nunca entendi porque razão um licenciado em Gestão é, de forma natural, um líder, numa organização empresarial, muitas vezes assumindo logo de entrada nessa organização posições de superior hierarquia, onde outros já (tentaram ou) demonstraram valores firmes de qualidade profissional. Uma carreira deve iniciar-se sempre por uma base e por um tempo de formação. Nem um suposto formado em Gestão, dando de barato que a sua formação é a adequada a líder da organização (Administração, Direcção, etc.) deveria entrar logo directo ao topo da empresa/organização empresarial.
Por tal não acontecer... muitas são as vezes em que os ditos "gestores" são os mais incompetentes profissionais da organização. Onde os outros necessitaram de formação e tempo de adaptação, os "gestores" demonstram aptidões pouco consentâneas com a condição de recém licenciados.

Esta é uma permissa, para mim, completamente errónea nas nossas empresas ( em muitas delas, principalmente as familiares); uma má interpretação da real da diferença entre a vocação de um curso e a aptidão de um recém licenciado.

Já com os economistas não se passa, frequentemente, a mesma coisa. Sofrem, em geral da necessidade do mesmo tempo de formação de um engenheiro, arquitecto, médico, etc.

Mas o meu apreço e consideração pelos economistas tem a mais a ver com o facto de eu ter gostado de ter estudado economia e, só muito tarde, quando já estufava engenharia me ter apercebido disso.

Tem também que ver com o facto de dominarem matérias de alguma aridez, para a maioria de nós, que ainda para mais envolvem decisões com enormes repercussões nas nossas vidas. Ainda tem a ver com o facto de se tratar de uma formação baseada em muita teoria... e pouca concretização. Não, não é contraditório...

Se são muito teóricos, no limite, a interpretação das suas ideias e afirmações deve ficar-se or aí mesmo: ser tomada como teórica. E não vem mal ao mundo, excepto...

... quando envolve decisões governamentais...

Todos os economistas afirmam que o recente anúncio de subida de impostos irá conduzir a um agravamento da recessão...mas aplaudem mesmo assim!

Expliquem-me...(coitado de mim e das minhas limitações). Há uma recessão boa e uma recessão má?

Isto faz-me lembrar a anedota da hiena: a hiena é um animal que come feses de outros animais, faz sexo uma vez por ano...e ri. De que se ri a hiena?

28.5.05

Garotice, falta de ética e Estatismo

1. Ferro Rodrigues afirmou, em entrevista na rádio (não o cito por ele ter alguma importância, note-se, mas para que, como mau exemplo, os "outros" seus companheiros, tenham mais sensatez, evitando criancices, garotices e uso de má-fé) que, se Cavaco for Presidente da República (ainda nem confirmou se é candidato e já temem a sua inteligência e postura de honestidade e de estadista), teme (ele Ferro, o de boca de cavalo..no que diz, claro...) que o Governo possa ser demitido, por dissolução da Assembleia da República.

2. Marcelo Rebelo de Sousa disse que o Presidente ideal será Cavaco pois, na actual conjuntura, sendo um especialista de assuntos económicos, pode dar um contributo e uma ajudo ao próprio Governo.

Qual das duas posições (opiniões) é mais sensata e mais realista? Qual das duas opiniões é mais própria de um homem de Estado, com sentido de responsabilidade? Qual das duas é mais própria de quem age apenas por moto e interesse próprio, apenas vinculado aos seus interesses pessoais e partidários, apenas com o egoísmo de quem procura apenas "abotoar-se" bem e tratar de garantir a sua vidinha e dos seus correligionários?

Eu tenho a minha opinião, clara e inequívoca sobre o assunto: nunca passará pela cabeça de um português sensato, honesto e responsável que Cavaco se irá preocupar mais com o futuro político dos seus amigos partidários do que com o país. Ele mesmo já diversas vezes se destacou dos seus amigos políticos, sempre que considerou que o país estava em primeiro lugar...sofrendo com isso, nos últimos tempos e repetidamente as críticas de alguns dos anteriores dirigentes do próprio PSD.

Ferro é, como sempre foi... próprio Sócrates também já o demonstrou, um homem para quem a ética política não tem significado algum. Um homem frustrado e solitário, irrealizado politicamente, que só é ouvido por uma comunicação social que comunga da mesma ausência de ética, sentido de Estado e nacionalismo que ele. A mesma comunicação social que continua a ouvir homens mentalmente esclerosados como Mário Soares e Manuel Alegre...

Sócrates tem, ao menos, a seu favor a juventude mental suficiente para se demarcar de tais tremendas faltas de sentido nacional e de ética política.

Portugal não lhe perdoará uma oportunidade perdida, se se deixar arrastar por barcos à deriva como alguns elementos que insistem em por em primeiro lugar os seus interesses pessoais e dos seus amiguinhos, relegando os interesses de Portugal, dos portugueses...

Homens como Ferro Rodrigues, Jorge Coelho, Mário Soares...

27.5.05

Master Toíbin



" It seemed strange, almost sad, to him that he had produced and published so much, rendered so much that was private, and yet the thing that he most needed to write would never be seen or published, would never be known or understood by anyone."

Colm Toíbín, The Master

Colm Toíbín é hoje um dos melhores escritores de língua inglesa. Um livro seu, já traduzido para português, O navio farol de Blackwater, já o havia demonstrado. Este livro, que vivamente recomendo (para leitura tranquila, num traquilo deleite de fim de semana) sobre o grande mester americano Henry James é uma confirmação da excelente prosa deste irlandês.

Se temos de pensar em tanta coisa má e preocupante, sobre o nosso futuro como país, por estes dias que, ao menos, nos demos a nós próprios um prazer de uma boas horas, passando páginas e saboreando... na angústia de não querer abandonar esta obra de Toíbín.
Posted by Hello

"Portugal no seu melhor"

Portugal é reconhecido como um dos países mais atrasados (económica, social e culturalmente) da União Europeia (antes e depois do último alargamento aos países de Leste).

Portugal é o país que mais necessita de fazer um esforço para se aproximar do patamar de desenvolvimento dos seus parceiros e concorrentes europeus.

No pós guerra (Segunda Guerra Mundial) diversos países, mais directamente envolvidos ficaram com o seus tecidos económicos e sociais destruídos, ou bastante danificados (com excepção de algumas indústrias directamente ligadas ao esforço de guerra). Foi o caso da Alemanha, da França do Reino Unido e da Itália e, ainda - embora de forma distinta e a ritmo muito inferior e, principalmente, com objectivos e pressupostos diferentes- os países de Leste, para além da Cortina de Ferro.

O enorme esforço de reconstrução é, hoje ainda, o pilar de grande parte da economia industrial dos países mais envolvidos naquela guerra absurda. Os padrões de comportamento laboral ficaram indelevelmente marcados naquelas sociedades.

Em muitos desses países o sentido de nacionalidade é tão forte que ainda actualmente pode por em risco grandes reformas como a entrada em vigor do Tratado Constitucional Europeu, levando a situações como a que, presentemente, se assiste em França com o referendo sore aquele Tratado.

Quando alguma coisa está em causa na defesa de interesses nacionais, enconómicos ou outros, assiste-se, nos países mencionados, e pode-se acrescentar a Espanha a essa lista a verdadeiras movimentações nacionais. A reais manifestações de nacionalismo.

O nacionalismo tem muitos defeitos, mas também algumas virtudes: impede ou retarda um desenvolvimento em comunidade, para além das fonteiras do país em causa mas permite, também, um sentimento de união e de luta pelos interesses nacionais.

Portugal é dos países com mais elevado número de Feriados, religiosos ou políticos. Uns e outros, em muitos casos ideologicamente opostos (feriados religiosos e outros de inspiração mais marxista até).

Portugal é também dos países com mais elevado absentismo, associado à mais baixa produtividade no contexto da União Europeia.

Ontem foi feriado de Corpo de Deus. Um dos dias religiosos mais significativos do calendãrio cristão. Mas portugal não é um país totalmente cristão. E mesmo sendo-o maioritariamente, a prática religiosa é apanágio de não muitos portugueses.

Os feriados como o de ontem são frequentemente utilizados para as fugas tradiconais para as regiões de praia, ou para visitas à terra.

Os feriados como o de ontem não têm a utilidade religiosa pretendida. Mas também não têm outra qualquer utilidade. (excepto a louvável recuperação de energias... de que também não sou adversário).

Mas agora pergunto: no actual contexto nacional, de crescente miséria social e económica, não deveríamos encarar estes feriados de outra forma? Não os aproveitando de forma perfeitamente instituída e automatica?

Dispensarmo-nos de fazer feriado e ainda pior, ponte, não seria mais proveitoso e louvável, porque mais contributivo para uma luta nacional por uma melhor produtividade?

O exemplo dos países que há sessenta anos sofreram a Guerra não deveria ser, para nós todos, algo que nos levasse a questionarmo-nos sobre esta nossa atitude nacional conjunta, de falta de sentido de luta nacionalista?

Ouvi um representante de um sindicato da Função Pública mostrar-se indignado com a eventual perda de previlégios da classe. Mas a garantia de emprego, por si só, associada à mais baixa produtividade de todo o tecido laboral português, não é um previlégio suficiente?

Dizer que a perda das regalias de assistência na saúde é colocar os funcinários públicos em desvantagem em relação aos privados, porque a maiorias das empresas tem um sistema de assistência médica para os seus funcionários- o que uma declarada mentira, quando o problema número um do Estado é precisamente o custo das remunerações dos seus colaboradores... é de uma irresponsabilidade atroz!

Na Alemanha, por diversas vezes os trabalhadores de diversos sectores, nomeadamente metalúrgicos sacrificam aumentos salariais e até aceitam perder relagias sociais, para assegurarem a manutenção do seu trabalho e a sobrevivência das suas empreas e do sector em que se inserem...

Quando mudamos a nossa atitude colectiva?

Mas numa coisa dou razão aos sindicatos e a muitos portugueses anónimos: a classe política não dá bons exemplos ainda suficientes (quando vamos saber da perda de regalias pelos actuais Deputados, membros do Governo e da Adminstração local? Quanto nos custam essas mordomias??? Continuamos a aguardar, já que sobre as anunciadas não sabemos se são para os futuros políticos ou se têm efeitos retroactvos...) e muito menos as gestores, ou empresários, que, hoje, por exemplo estão de ponte...

Uma boa ponte, para quem a faz!

25.5.05

O (des) Governo da teoria

(ia escrevendo por aqui abaixo e pluffff! rebentou-me o Firefox na ponta dos dedos e agora...e agora... perdidas aquelas primeiras palavras, ao fluir da mente- pouca-mente, mas alguma...- já nem apetece escrever o mesmo...)

Então o Sócrates (não me apetece chamar ninguém de Engenheiro ou doutor, desculpem-me, sou mais primário, como se costuma dizer da Direita, que é quem todo aquele que não se acha de Esquerda, segundo alguns papalvos...) sempre aceitou as medidas do Ministro das Finanças?

E fez muito bem. Pelo menos assim já o Governo pode dizer que fez alguma coisa. Já não era sem tempo. Mas fez mal. Isso é outra história...

Tantos anos de Estado despesista, imobilista, retrógrado (old fashioned é mais elegante, mas hoje estou mais básico, mesmo- hoje e sempre para os meus caríssimos amigos esquerdistas, dou-lhes essa de barato!), pesadão, improdutivo...

Tantos anos de empresas despesistas (embora aí com maior rigor na selecção de quem pode e quem não pode ser despesista), imobilistas, retrógradas, pouco produtivas, com gestões inadequadas, mais voltadas para a alimentar a ‘vidinha’ do gestor- com o handicap de ser dos mais bem pagos da Europa, faltoso aos seus deveres de contribuinte, doloso até, frequentemente...

E agora a solução, fresquinha e acabadinha de chegar da teórica Cátedra do Senhor Ministro: subam-se os impostos. Fácil! Estou a vê-lo(s) sentado (s) à(s) secretária(s) com a calculadora ao lado (mas desligada), uma folhinha de papel e duas a três linha escritas: subam-se os impostos- o IVA o ISP, sobre o Tabaco e sobre o álcool...e mais uns mais pequenitos. Uma assinatura (Professor Doutor tal e tal...) Pronto (prontos, é mais moderno...). Fácil! Estão a ver? E tarefa cumprida! Agora que se deslindem os outros: as empresas medievais portuguesas, os casais jovens aspirantes a classe média, os pobres, que cada dia são mais.

Até quando o aumento? Alguém diz? Pois era bom saber.

Resolvido o défice (sê-lo-á algum dia?) que fazer depois, que não se deva iniciar já, agora? Sem mais delongas!

Estas medidas lembram-me as empresas que, vendo reduzido o seu mercado, ou a sua base de clientes, sobem os preços, porque um iluminado gestor aplica assim, de régua e esquadro, as teorias da Faculdade. Resultado mais frequente: vende ainda menos e...fecha, passado pouco tempo, por não ter percebido a tempo que o mercado não aceita tudo. Não absorve tudo e não está disposto a tudo.

...não aceita e não está disposto a tudo senhor Ministro! (não fossem os empresários nacionais peritos em fugas a impostos...e agora mais altos, claro que vão pagar melhor, pois... com eles mais se preocupam é com essa entidade, para eles indefinida e nebulosa, chamada País...)

Mas irão ser feitos grandes esforços para melhorar a colecta (engraçado... não me lembro de ter algum dia resultado, sem que não fossem feitos 'descontos' e dadas benesses... contrário ao espírito do próprio aumento da carga fiscal)

Isto é do lado da receita ( do lado mais curto do Orçamento do Estado).

Do outro lado (do lado da despesa, como dizem os economistas...)
Que se vai fazer para se REDUZIREM as despesas públicas? Apenas a congelação de promoções? E de salários? Quanto vale isso tudo somadinho?

Com que contam as empresas, boas e más, nos próximos anos- que estão na imediata vizinhança destes malfadados anos onde ainda nos encontramos, recorde-se!

O Governo diz que vai anunciar medidas para estimular a economia? Não entendo...como?

Sou eu que não entendo...mas esperemos e, já agora, o meu vaticínio: no final do ano o défice será de mais de 7 %. Aposto até em 7,5 %. (Com o sou leigo e irresponsável- no sentido de não ser responsável num qualquer organismo fiscal ou económico- é o mesmo que apostar chegar primeiro numa corrida para a qual nem nos preparámos). Não?

Ou isso, ou estes governantes não são mesmo socialistas!

Aguardemos...

Mais pobres, infelizes e cépticos, mas aguardemos...

16.5.05

A dificuldade de um português ser optimista

Nos últimos tempos- anos- tem o nosso querido Portugal, andado por mares muito mal navegados, coisa que, no mínimo, não fica nada bem a um país de ancestrais marinheiros (mas também isto se tem vindo a esboroar, a perder, talvez em definitivo).

Num primeiro impulso, talvez pueril, ou consequência de uma análise superficial, sou tentado a dizer que os últimos tempos têm uns... quatrocentos anos (tendo o nosso declínio, se tivemos apogeu, se iniciado exactamente logo após a grande época das Descobertas). Mas, contendo-me, vou esforçar-me por assumir uma sensatez que se me torna cada dia mais difícil encarnar.

Limitemo-nos, pois, a uma análise de duas épocas: antes do 25 de Abril e os últimos dez anos.

Do “antes de Abril de 1974”...nem é preciso escrever muito, pois já muito foi dito, nem sempre a verdade, tal como a sentimos todos nós, os “sem nome”. Mas para esta minha reflexão, basta-me uma simples constatação: nem tudo o que de mau se passou se deveu a um homem apenas mas, também , a uma Igreja pactuante, a uma classe política entre colaboracionista e radicalizante, numa lógica de constituição de duas facções...de um mesmo povo, para um mesmo povo. Resultado: nem os governantes confiavam no povo governado, nem o povo se sentia bem- aliás sentia-se oprimido e era-o de facto- com tais governantes, corporativos, arrogantes... e muitos outros adjectivos que muitos, bem mais informados e iluminados do que não se cansaram, e não se cansam ainda hoje de repetir, à exaustão.

Inquestionável!

Resultado: Portugal não avançou social, política, económica, religiosa e – o que mais me preocupa, por se tratar de um motor de tudo o demais- culturalmente. Direi até que a Portugal lhe sobrou em atraso o que lhe era desejável em avanço.

Tantos anos depois – á escala de uma vida, pois em termos nacionais, convenhamos que trinta anos nem não muito, para um país com mais de oitocentos- em que ponto estamos nós?

Economicamente é incontestável reconhecer avanços reais. Não tanto quanto desejaríamos, e muito menos do que outros, agora parceiros e concorrentes simultaneamente, lograram. Mas houve avanços, principalmente em termos de melhor distribuição da riqueza, mas precisamente neste capítulo temos ainda um longo caminho de aproximação a uma paridade europeia.

Socialmente...bem ou estou míope- coisa normal ...- ou nem sei se avançámos!

Politicamente, é óbvio que houve avanços, por alguns designados de “conquistas”, por lhes ser própria a linguagem castrense de que acusam outros.

Mas, neste âmbito quero deter-me um pouco mais: Após um líder forte, mesmo que não consensual, mas na realidade, eficiente, que foi Cavaco Silva, Portugal escolheu para Primeiro-ministro um político que se lhe apresentava como um homem de diálogo e consenso, mas que se veio a notabilizar pela falta de capacidade de decisão, porque as decisões poderiam ser-lhe desfavoráveis, por impopulares- Guterres, no seu melhor, como sabemos.

Nem pretendo debruçar-me sobre os breves Governos (sugestão: ler O breve reinado de Pepino IV de Steinbeck) de Durão Barroso, nem de Santana Lopes, pois pessoalmente tenho dificuldade em analisar tão efémeras acções. Posso, de forma curta e sucinta- e injusta, obviamente- considerá-los de pouco efectivos e um tanto trapalhões.

Agora estamos novamente num período de maioria absoluta.

Maioria de um partido que sempre acusou a anterior(s) maiorias, adversárias políticas, de arrogância, precisamente por má utilização dessa larga expressão parlamentar.

Maioria que acusou Cavaco Silva de, durante as suas maiorias absolutas se ter tornado arrogante, insensível à expressão popular e principalmente à actividade jornalística- que vive exactamente da caça às notícias da política nacional.

Esta actual maioria acusava Cavaco de silêncio abusivo, por “ter de prestar contas” e ter de “ser fiscalizado”. Houve até quem abordasse o perigo de uma nova ditadura- e esta menção veio precisamente do Presidente da República da altura, Mário Soares.

Esta maioria, talvez pelo fascínio secreto que o actual Primeiro-ministro nutre por Cavaco Silva, ensaiou agora um estilo de governação e de relacionamento com a sociedade portuguesa, com a imprensa e com os adversários políticos, bem mais arrogante e de secretismo do que Cavaco foi capaz.

Que críticas tem sofrido da mesma comunicação social que antes acusava e detestava Cavaco? Nada!!! Mas, sejamos claros, estão no seu direito. Embora isso mau profissionalismo, estão no seu direito. Como eu estou de não os ler ou ouvir.

Atrevo-me a comparar esta fase da nossa vida comum com a de Salazar: para mim, Sócrates daria um bom Salazar, noutra época...
Sócrates atira-se aos adversários, na Assembleia da República, como se desejasse que ali não estivessem, com raiva, agressiviade e arrogância. (" o PS tem a sua agenda..." diz e repete, Jorge Coelho).

Se uma estratégia não lhe corre bem actua em resposta com a mesma arrogência e agressividade, em tom revanchista- caso do referendo sobre o aborto.

Muda tudo e todos os que com o partido anterior tem a ver -caso das dministarções dos Hospitais, Governos Civis, etc...("fazem o mesmo que fizeram os outros", dizem-me alguns amigos; não percebo, eles não se dizam diferentes?!).

Coloca-se uma mordaça na comunicação social, agora de forma mais eficiente, através de lobbies e (tráfico de) influências. Ou não? É excesso meu? Nem o Governos fala, nem dele se exige nada...estranho! Há ministro que nem ainda apareceram - estão na fase dos projectos, os famos projectos socialistas, de que já se ufana o candidato deles a Lisboa. Projectos sim, realizações logo se vê.

Até vim um Prós e contras só com socialistas...que giro! Os outros, essa raça detestável e inferior, não culta dos outros, ou seja os não socialistas, estavam apenas no público e chega!Que sucedeu entretanto? Sócrates fala pouco e, diz J. António Saraiva, no Expresso, “quem fala pouco, erra pouco” Como???? Que tem a ver falar, muito ou pouco com eficência?

Sócrates podia falar pouco e de facto ser eficiente, mas analisemos um facto da maior importância e verdadeiramente condicionante do nosso futuro próximo: Campos e Cunha, o Ministro das Finanças foi aconselhado a alterar os seus planos para 2005. Nada de aumentos de impostos (seria impopular e dá poucos votos e assim pode arredar o PS do Governo); Nada de aumentar os impostos dos combustíveis (seria, também impopular e dá poucos votos e assim pode arredar o PS do Governo...). Não pode haver redução de efectivos da Função Pública (seria ainda mais impopular e... dá poucos votos e assim pode arredar o PS do Governo...)

Parece de pouca monta, mas isto a seguir assim, já me disse tudo sobre as nossas possibilidades de recuperação económica nos próximos anos.

Se não tivermos uma economia saudável, a crescer, com contas de boa saúde, que nos permitam viver um dia-a-dia melhor, com esperança, como europeus, afinal, como havemos de ter ânimo para pensarmos em tudo o resto. E no resto está, na verdade, o mais importante de tudo: a cultura.

Se um dia formos mais cultos, também havemos de fazer melhores escolhas políticas e não esta coisa de colocarmos no Governos arrogantes incompetências como estas dos últimos tempos.

Mas vou ainda ser positivo: vou acreditar ainda, neste Governo. Vou ser mais crente, que é uma atitude mais religiosa do que cultural ou política e de científica não tem nada. Apenas fé e nada mais!

11.5.05

A importância de LER: uma análise superficial



Para que fiquem mais claras algumas ideias, antes de me enveredar pela reflexão a que me proponho, quero começar pelos seguintes pressupostos:

Primeiro ponto: Para vivermos e sentirmo-nos bem, não é fundamental termos gosto pela leitura. Tudo depende das nossas expectativas, em relação à vida, ao que se quer e espera dela. E do nosso relacionamento com o meio em que nos inserimos.

Segundo ponto: Para sermos informados, não é fundamental lermos livros. Aliás, uma grande parte da informação flui hoje com velocidade tal que não se compadece com o ritmo da feitura (escrita, revisão, proposta a editoras, impressão, distribuição, ...etc) de um livro. Hoje, o ritmo e a frequência informativa são de tal ordem que tudo nos chega mais rápido do que a informação contida num livro (partindo do princípio que esta será relevante, formativa e contribuinte real para a cultura individual). As notícias chegam ainda mais rápido do que o tempo de uma viagem, mesmo de avião. E nem sempre assim foi.

Terceiro ponto: Será mesmo fundamental termos a preocupação da aprendizagem? Da evolução cultural e formativa, individual?

Se tudo isto acima referido é verdade, é apenas parte dessa mesma verdade. Para mim, entenda-se.

Podem-se ler jornais, revistas, notícias pela internet, blogues e outros meios próximos, mais ou menos enquadrados no que designamos de imprensa, ou media.

Pode-se (e é real) aprender em conversas de café, de família, em viagens, etc. è verdade também.

Mas façamos a reflexão sobre a verdadeira importância dos livros.

Um livro- principalmente se for bem construído, estruturado, bem escrito, com originalidade, ou seja algo inovador, informativo do ponto de vista cultural e pedagógico- pode ser um meio bem diferente, porque mais marcante, porque o seu efeito será mais permanente, menos efémero, do que um artigo de jornal ou revista ou do que um artigo (post) de um blogue.

Uma boa história, que nos faça prender à leitura por muitas horas, dias ou semanas, tem, para além do efeito do seu conteúdo e do seu impacte (como acima referido), também um efeito no nosso comportamento. Leva-nos a uma concentração, a sentirmos emoções que podem variar de dia para dia, de hora para hora, tem efeito também na nossa atitude cultural- pois a reflexão que nos possibilita é incomparavelmente superior á de um artigo de revista ou jornal. E ensina, um livro ensina.

E. voltando ao ponto três, se um livro nos ensina, muitas coisas novas, então já é positivo. Muito positivo. E aprender, sempre, pela vida fora é, tenho-o para mim como ideia básica, uma coisa muito, muito importante.

Mas, os livros também podem ter efeitos perversos, negativos. É lógico que sim, se forem maus...e há-os muitos por aí. Só que esta presunção não nos deve inibir de procurarmos o que é bom.

Agora vejamos, de forma superficial embora, o que se tem feito pelos livros em Portugal.

Constituíram-se benefícios fiscais para tantas coisas e produtos em Portugal: produtos bancários, produtos relativos à educação e à saúde.

Mas, num país onde se lê, ainda, tão pouco (embora o cenário esteja a melhorar) não se deveria pensar noutras formas de promover o Livro? Por exemplo, dando a possibilidade de utilizar valores de aquisição de livros, para deduções fiscais, no IRS acima de um dado valor; ou por escalões; ou ainda, por géneros literários (estabelecendo códigos que seriam logo à venda introduzidos nas facturas das livrarias).

Por mim, poucas coisas me dão tanto prazer como a leitura de um BOM LIVRO. As experiências, sensações e novos conhecimentos que um livro me possibilita são inigualáveis. Nem um concerto, nem uma viagem, nem uma conversa, nem um curso, nada se compara à leitura, senão de um, de um conjunto continuado de livros e leituras.

Um dia gostava que esta doença se espalhasse, como epidemia, pelo meu país fora...
( países com a Alemanha, Áustria, Itália, Reino Unido, podem gabar-se de estarem doentes...)Posted by Hello

10.5.05

A nova mania dos desafios

Há algum tempo que me questiono sobre o que motiva alguns dos mais assíduos (diariamente frequentadores) escrevedores (escritores/as??) dos blogues portugueses a se desafiarem mutuamente... a questionários, textos e outras coisas mais.

Será instinto infantil?
Será a procura constante por uma constante frequência dos seus blogues, pelos seus leitores? A mania do "sitemeter"?

Interessante...

Porque não, apenas, escrever livremente? A forma, aliás, mais segura de se ser livre? Pensar e exprimir (não expressar, como agora é frequente ouvirmos e lermos) livremente, seguindo, assim a natureza e originalidade da "filosofia" (termo exagerado, diga-se) da blogosfera.

Há por aí muitos escrevedores de blogues que encaram isto como se de um jogo - do género dos que se podem fazer em fins de semana com amigos ou família, à laia de "passatempo" (quando a conversa ou a leitura é demasiada para certas cabeças...) - se tratasse.

Enfim...há gostos para tudo, mesmo que maus.

E também há pobreza de (espírito) de escrita.

Mas que o contador vai rodando, lá isso vai...

5.5.05

Lê-se mais...

Tenho lido que se lê mais, agora (interessante frase...) em Portugal.

Espero que sim, sinceramente, eu que me arrepio quando assisto a cenas da nossa via provinciana, diariamente, em todo o lado.
Nas ruas, nos cafés, nas empresas, nos espectáculos, na TV (mas desta não posso dizer muito pois sou mau cliente)

Lê-se mais e espero que se leia MELHOR.

Com espírito crítico, com profundidade, para retirar da leitura uma aprendizagem, uma experiência nova, ideias, sensações.

Para que a leitura mostre a todos os que agora se acrescentam, todos os dias, pouca a pouco, ao clube de leitores reduzido, ainda de Portugal, se torne mais culto, mais informado, mais exigente consigo e com os outros.

Espero que esta senda continue. Que esta Onda se alastre e se agigante.

Que nos renovemos por dentro, para darmos aos outros mais e MELHOR de nós.

Mas agora resta saber se temos muitas editoras à altura do que Portugal necessita neste campo. Muitas editoras, sei que temos. Editoras boas...algumas, sim...mas suficientes?

Boas leituras!

4.5.05

Não há razão para alarme...

Diz o Ministro da Agricultura que não há, ainda, motivo que justifique a declaração de Estado de Calamidade no país.

Isso mesmo... é o que dá termos governos arrogantes!

É o que dá termos ministro teóricos, gestores de dossiers (o Expresso escreve dossiê, à moda do Brasil, pois, por pura e simples ignorância, não sabe que o acordo da língua permite as duas formas..eu mantenho dossier, mesmo não sendo português, tal como a outra forma não o é).

É o que dá que governos que têm a "sua agenda", como diz e repete à exaustão mais "chata" e arrogante, Jorge Coelho (mas o país, que dá emprego ao governo, note-se...votar é também dar empregos!, o país continua à espera da Agenda...que nem sabe qual é).

Uma redução de oitenta por cento em culturas de regadio no Alentenjo, não é "ainda" razão para calamidades...

Mas o que significa o "ainda" do iluminado Ministro? Tem apenas a ver com a famosa (famigerada) agenda?

É...que desde este tempo, este Maio seco até a um hipotético Novembro chuvoso não vai haver mais água, Sr. Ministro! Mainadinha!

Daqui a algum tempo, podem bem as empresas de águas minerais subir os preços dos seus produtos, de tão preciosos se vão tornar.

E se ainda nos faltam seis meses, SEIS, para termos chuvinha...então o que é calamidade?

Quem vende produtos (factores de produção) para a gricultura sabe bem o que é uma redução de oitenta (80!) por cento nas vendas...por não haver nada que os pague, nem culturas, nem ânimo e, principalmente, capital, pois não vão haver rendimentos...

Mas urgente mesmo é o assunto do aborto!
Assunto em que quem marca a AGENDA é o Bloco! Boa, bloco! Impuseram a agenda à maioria absoluta..e aqueles espécimes raros, leia-se de inteligência rara, do PS ainda julgam que mandam nisto!

O aborto é que é urgente...avalie-se quantas são as mulheres afectadas!
Mais do que as afectadas por outras doenças? Pelo desemprego? Pela subserviência a uma sociedade conservadora e bacoca? Por salários mais baixos do que os homens? Por violência familiar? Etc, etc...

O aborto, ou seja a despenalização do aborto, ou melhor a revisão da Lei que regula a IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez) é um assunto de prioridade nacional????

Não entendam mal...não suporto que uma mulher vá atribunal por causa da Lei que temos...mas é um tema urgente para o país mais atrasado da Europa?

Uma relíquia medieval em termos de educação? De cultura? De avanço social? Em termos de desenvolvimento e, pior, futuro viável, económico?

Decrete-se Estado de Calamidade Bacional pelo Aborto, então? E prenda-se Jorge Sampaio...

Ah, não é ele o responsável...é o PSD, claro..que se limita a ter uma opinião (que vergonha!) sobre o assunto, ou nem a ter e deixá-la à consciência de cada um. Mas são burros por isso, ora! Nada dos inteligentes do Bloco que (surpreendentemente???) pensam sempre todos o mesmo?

Boas risadas meus amigos, por este país...e suas palhaçadas!

3.5.05

Um favor do Sr. Presidente

Estava para regressar ao meu blogue sem entrar pelo comentário político, ou mesmo observação do nosso frequentemente triste quotidiano. Mas é irresístivel... O nosso circo social, político e empresarial (principalmente este, com tanta incompetência na área da gestão das nossa tristes empresas).

Irei, pois, de vez em quando (apenas...espero) escrever sobre essas nossas mesquinhices políticas e outras minoridades

Mas pretendo (esta não é uma declaração de intenções) ter um blogue mais "livre" de politiquices e coisas comuns do nosso dia-a-dia.

Jorge Sampaio concluiu que seria melhor dar uma mãozinha a Sócrates, já demasiado incomodade com esta coisa do referendo sobre a IVG. Não é muito popular e, nesta fase, antes de eleições autárquicas, muito pertubador.

Obrigado amigo Sampaio (não sou eu que digo) , ele (ele, Sócrates, claro) já lhe deve duas: a maioria absoluta e mais esta agora.