31.1.05

O momento da Criatividade


Fizeram-me a graça da provocação da criatividade... o que me lembrou...

Mas esse é o dilema, apenas, dos criadores, o que não é o caso...acidentalmente.
Um criador tem, por vezes, muitas, demasiadas, segundo o próprio, momentos de “paragem”. De ausência, na criação. Ou, talvez, de recuperação.

O pintor perante a tela - ou papel, entenda-se - branca à sua frente. O escritor, perante o papel - ou monitor, mais modernamente. O escultor com os materiais que vai utilizar na sua obra, diante de si, sem lhes tocar, hesitantemente receoso.

O momento da “branca” vem destas ocasiões de (quase) paralisante falta de capacidade criativa. O momento que antecede o de maior produtividade, a partir do interior, da mente humana.
Terão muitos dos verdadeiros génios criadores, tido o momento da falta, momentânea de criatividade?

De Beethoven diz-se que teve os seus momentos de angústia. O sentimento ainda mais propiciador da paralisação criativa, que antecedeu maravilhosos outros momentos de enorme capacidade criadora, inovadora. Ele demonstrou que trabalhando num tema o trabalho criativo pode ser continuadamente prosseguido até ser atingido o estádio em que o artista, neste caso, considera a obra completa.

Emingway terá sofrido dessa ansiedade, ao viajar como o seu Moleskine, por Paris, Espanha ou Cuba? Terá ele aberto por diversas vezes o seu caderno de notas, voltando-o a fechar, com a frustração na alma?

Quantas vezes terá Van Gogh tentado iniciar uma nova obra e outras tantas desistido, para de novo atacar a tela?

Ou seria ele como um Mozart, de quem se diz que de uma “assentada” iniciava e terminava uma nova composição, ainda por cima completamente revolucionária e inovadora? (mesmo que não se considere tão profundamente revolucionária como a maioria das composições de Beethoven).
Saramago, e como ele tantos outros criadores, costuma dizer que o momento de inspiração não existe propriamente. Mas antes um caminho que vai conduzindo ao momento inicial da obra. Quando, a partir dele tudo se pode desenvolver em jorros de criatividade.
Criatividade.
É, seguramente, o processo que se inicia no momento de maior elevação intelectual que o cérebro humano pode atingir.

O papel branco. A tela vazia, de uma brancura angustiante. Ou talvez não.
Talvez seja o momento fundamental, da pausa imprescindível, da grande angústia necessária, da ansiedade iluminada, para o momento que se segue.
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28.1.05

No subject and no time... have to go to listen the greatest music of all!

This is my No-subject or No-time post to my blog-friends.

Boa tarde. Um fim de tarde beethoveniano a todos!

http://w3.rz-berlin.mpg.de/cmp/beethoven.html

Recomendo a Sonata para Piano nº 31 am La Maior, Op. 110, para aquecer a alma (quem a tiver) ou o espírito (quem o queira ter) ou, melhor, para refrescar a mente com a inspiração do grande génio da música. Um homem livre... ( e homem mesmo, segundo se sabe) e libertador!

I have to go...music is waiting for me. The genious of the great lover of freedom is there... to be an inpiring spirit for us all!

26.1.05

Nantes: La Folle Journée 2005


Folle Journée: Beethoven et ses amis

Começou hoje a Folle Journée, em Nantes, a grande festa de música clássica.

Na cidade da organização original de René Martin, festeja-se este ano "Beethoven e os seus amigos": para além do grande génio da música clássica, desfilarão ainda compositores muito pouco conhecidos do grande público, como Clementi, Cramer, Hummel, Diabelli, Dussek, Pleyel, Czerny e, claro, o homem que não matou Mozart, Salieri- injustamente acusado algumas vezes, pela incultura norte-americana, como assassino do génio de Salzburg e desconsiderado na qualidade como compositor.

A verdadeira novidade não deverá ser, para a generalidade do público, o criador do Hino à Alegria, génio e livre-pensador de Bona, mas antes os seus "amigos". Muitos deles, desconhecidos em geral, foram decisivos na obra de Beethoven.

Estas fantásticas jornadas, que também já chegaram há alguns anos a Lisboa e também a Tóquio, são famosas pela perfeita aliança entre elevada qualidade nas execuções e preços muito acessíveis.

A Folle Journée (Festa da Música, em Portugal) são fruto de uma capacidade de organização e gestão - que para poder dar corpo a este tipo de organizações de grande envergadura, propositadamente fez um curso de gestão - do seu mentor René Martin, igualmente responsável pela realização de Lisboa.

A música clássica assim democratizada, onde todos descontraidamente se dirigem, desportivamente trajados, e se vive um verdadeiro ambiente festivo, durante três dias consecutivos, torna-se um acontecimento de grande força, na divulgação deste género, frequentemente mal conhecido e mal amado, de um público que não se apercebe do seu valor, na génese de tantos outros géneros musicais, mais contemporâneos e universalmente divulgados.

No fim de semana de 25 a 27 de Abril será a vez de Lisboa. Lá estarei, de tenda montada, no meu stress de estimação, de sala em sala, tenatndo assistir ao maior número possível de concertos e recitais, num gozo pessoal indescritível! Posted by Hello

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Amanhã, vou assim para o trabalho

25.1.05

A infelicidade de ser Acidental

Há uns anitos li um livro de Constantin Virgil-Gheorghiu, o escritor romeno mais conhecido pela sua outra obra, A 25ª Hora ( livro que foi adaptado ao cinema). Aquele livro a que me quero referir designa-se, em português (nunca de mais salientar em que língua se intitula um livro, tão famosas que são algumas das nossas traduções...), “A infelicidade de me chamar Virgílio”.

Trata-se de um livro autobiográfico em que o autor “reza” ou ”prega” a infelicidade que uma pessoa, como ele, na Roménia tem se o seu nome não tem correspondente em nenhum santo católico, pois no seu país é costume comemorar-se, para além do dia de nascimento, o dia do santo onomástico. E não há, segundo ele, nenhum santo de nome Virgílio. Todos os seus amigos e colegas de infância comemoravam, assim duas vezes, anualmente, o nascimento e o dia do santo como o seu nome. Ele obviamente, não podia.

Aquele livro tornava-se, após percorridas umas vinte a trinta páginas quase insuportável, uma verdadeira via sacra de leitura. Sendo católico não praticante (se isto se pode dizer desta forma, tratando-se de um dogma, que ou se pratica ou não se é...) não me conseguia interessar e concentrar no livro, tendo acabado por ao abandonar, aos santos.

Eram santos e santos, e porque os havia, e porque não os havia, e os nomes dos santos e os santos dos nomes, agrhhhhh!

Foi nessa altura uma desilusão, após ter lido a 25ª Hora (para mim, um dos melhores romances sobre o tema que tive oportunidade de ler) que tanto me havia impressionado, com as suas descrições do martírio dos judeus nos campos nazis e ainda após outros dois que li, do mesmo autor, também razoavelmente interessantes.

Mas isto não é o assunto que aqui me trouxe.

Acontece que eu, tal como o desgraçado do “Virgil”, por ter um nome que começa com a letra “A” (Acidental, acidentalmente, claro) tenho outro tipo de infelicidade, esta mais contemporânea: a das chamadas involuntárias de telemóvel.

Pois é. Isso mesmo. Muitas pessoas conhecidas, família e amigos, telefonam-me sem saberem que o estão a fazer. Imaginam isto?

Há telemóveis que bloqueiam automaticamente os teclados, se assim os programarmos, mas outras há que não têm essa muito útil função. E como frequentemente o meu nome é o primeiro da lista nesses telemóveis, lá levo eu com chamadas, até mensagens (SMS) sem que o chamador o quisesse.

E assim, são conversas no supermercado “ficas aí no carrinho e não sais, ouviste?” na sala de espera de um médico- estas felizmente em tom mais baixo (ufff)- concertos de autocarro com acompanhamento de conversas sobre telenovelas de fundo, e...mesmo assim tenho tido muita sorte. Qualquer dia ainda ame sai uma daquelas...que me irá fazer corar, acreditem! Um dia levei com umas doze mensagens SMS, sem assunto, claro. Gratificante.

Tentei informar e sugerir alguns fabricantes de telemóveis, de que seria muito útil introduzirem a função de auto-bloqueio do teclado, em todos os equipamentos, mas sem sucesso

Já pensei e acho que terei de mudar de nome. Por isso mesmo venho pedir sugestões: que acham de, em vez de “(Ocidental-)Acidental”, mudar para qualquer coisa como (Ocidental-)Incidental? Sempre passava para o meio de um lista de telemóvel. Não era?

Ou mesmo (Ocidental-)... aghhh, agora não me lembro de nada...com uma letrinha do fim do alfabeto, ajudem-me lá!

Bem... já entenderam?

É só sofrer, acreditem.

24.1.05

Preocupante!

Que futuro nos aguarda?

Neste momento só me ocorre dizer que acho esta notícia do The Independent muito preocupante...

O fim do futuro em dez anos???

Necessito de mais informação e reflexão sobre a matéria...

Erros que se pagam muito caro

Fui dos que considerei que Sampaio, após a saída de Durão Barroso para Bruxelas, devia ter feito, o que fez, ao nomear Santana (PSL) para formar Governo.

Penso, aliás estou hoje certo, de que tal análise tinha que ver mais com simpatias políticas- numa análise comparativa, entre o que , na altura, se nos apresentava como alternativa: Santana ou Ferro Rodrigues- do que com a convicção profunda das reais capacidades e aptidões para o cargo.

Presentemente, porém, tenho outra certeza. Esta mais reflectida: Santana deveria ter forçado, o mais possível, a realização de eleições, no momento em que Ferro as pretendia. As possibilidades do PS seriam mais ou menos idênticas às que actualmente dispõe, em termos de vencer e ter um bom resultado eleitoral. Mas as de Santana ser-lhe-iam, seguramente, mais favoráveis.

Santana é muito melhor em campanhas eleitorais, comícios, reuniões mediáticas, do que como gestor político, ou líder mesmo, do partido dele.

Está muito melhor no papel que agora vai desempenhar, na campanha do que naquele em que esteve nos últimos quatro a cinco meses, como chefe do Governo.

Assim, e independentemente de considerarmos que se ganhasse, eventualmente, as eleições a Ferro Rodrigues, tal seria positivo para o país- os elementos mais recentes apontam em sentido oposto- a discussão política naquela fase seria mais proveitosa para todos: para o PSD, para o PS e para o país.

E poderia ainda o PSD, ganhar algum tempo para aprofundar, numa discussão interna, se deveria indigitar o próprio Santana para "candidato a primeiro-ministro" (figura que, na realidade, não existe no nosso panorama político, pois são todos candidatos a deputados à AR) ou indicar outra personalidade, deixando-se ficar como líder do partido, apenas. Ou teria o PSD tempo e, assim, o país, para realizar todas as discussões internas conducentes a uma eventual substituição de Santana Lopes à frente do seu partido.

Ao partir para um acto eleitoral na situação em que parte, verdadeiramente em desvantagem, por ter deixado deteriorar (ainda mais) a sua imagem pública, após todas as trapalhadas de que temos conhecimento, nós eleitores, deixa o próprio país com menos alternativas de escolha, o que é manifestamente mau em democracia.

Toda a preocupação de Santana e do PSD deveria ter sido esta: dar a si mesmo, partido e líder, as mesmas possibilidades de concorrer em igualdade, com o actual líder do PS. Ganharia Portugal, claramente.

Neste momento esta é uma análise injusta, bem sei. Pois é fácil, por ser posterior a tudo ao que aconteceu desde o fim do Governo de Durão, com os erros em exponencial que se foram sucedendo, por parte do Governo de PSL e do PSD. Mas, infelizmente, poucas seriam as pessoas capazes de fazer uma análise nesta direcção, na altura em que parecia mais importante fazer frente e contrariar a estratégia de Ferro, do que actuar de forma mais racional.

Erros destes...têm custos demasiado elevados e o PSD talvez ainda não esteja bem ciente do preço a pagar...

22.1.05

O Ocidente como resguardo de ventos do Leste

As Sextas-feiras são habitualmente um Templo onde pratico o início do meu (e de muitos milhões, claro está) processo de renovação e recobro energético semanal. Por estas alturas acontecem-me paradoxalmente duas coisas: chegar a casa cheio de uma vontade incontida de nada fazer, ou seja, nada para o que habitual e estupidamente consideramos de útil, já que de outras actividades, lúdicas, artísticas, culturais e, já agora, blogueiras, encontram-me sempre disponível. Por outro lado, o stress dá-me jeito este nome que uso para outras acumulações de frustrações não resolvidas, tais como o Euromilhões que nunca me sai...porra!- dá-me para disparatar com a família, ao mínimo decibel fora de escala que me atinja os meus sensíveis ouvidos, ou outras perturbações que atropelem os meus egoístas planos de fim de semana.

Esta Sexta porém, sentia uma estranha tranquilidade ao atravessar a porta de entrada do meu reduto, donde vos escrevo, ao ponto de, sem prévia preparação, os meus a canais auditivos terem ficado alerta ao noticiário, confesso de nem sei já qual canal- só para que marcar que de TV não entendo eu nadinha, pevas! E é verdade, que o digam os meus amigos, que bem podem atestar a minha sacramental ignorância televisiva.

Assim foi que dei por uma notícia que, mais do que as habituais paragonas que nos costumam a todos enfrenizar, me deixou logo a pensar se não deverei repensar - assim mesmo em repetição para dar mais salero - algumas das minhas malditas teorias sobre este amaldiçoado povo que somos.

Então a reportagem mencionava alguns casos de enfermeiros de origem eslava, que ao terem debandado o seu país natal vieram dar a este porto tranquilo, que lhes abriu as portas e tem permitido, exemplarmente a prática de uma profissão que lhes corre nas veias, e a qual na sua origem não lhes prometia nada, nem futuro.

Os casos em reportagem sentiam-se reconhecidos, realizados e orgulhosos.

Isto tudo para dizer, e terminar, que ao menos em saber receber e não demonstrar arrogância chauvinista Portugal pode ensinar, e disso há milhentos exemplos, em larguíssimos anos de história, todos ou muitos dos que se proclamam de inventores ou baluartes da tolerância e democracia, por esse mindo afora (esta para dar um ar jornalístico, caraças, também posso).

Bom povo tolerante é assim mesmo!

Pena que com os da casa nem sempre o mesmo suceda... (lá estou eu, de novo, merda!)

21.1.05

O Zé e o Joe

Ia eu hoje, por estas horas do dia, escrever alguma coisa sobre o Zé Povinho e sobre o centenário de Bordalo Pinheiro, de que fui informado de manhã na Rádio, e outras ideias mais, acerca de quão pouco o nosso povo ainda evoluiu, em termos de informação, de cultura, de, sei lá tantas teorias que se costumam elaborar, sociológica e politicamente, quando li um post, muito inspirado e bem mais elucidativo do que eu o conseguiria, no Espumadamente, sobre o Joe Littlepeople, o nosso moderno Zé, aí pronto para as curvas (antigamente eram curvinhas)

Assim o recomendo, sem que se leva a essa leitura um tom crítico, ao estilo “tenho de dizer alguma coisa a este gajo”, ou “isto não está bem assim” ou, pior, “não concordo nada, que exagero”. Merece ser lido como está, porque tem o update necessário à imagem criada por Bordalo Pinheiro, e porque, em minha opinião, se peca por alguma coisa, é por lhe faltar em exagero, o que lhe sobra em criatividade e inspiração.

Logo, se ainda me restar ideia alguma, voltarei a outros temas...(que eu sou mais sério, bolas! E chato...)

19.1.05

 Posted by Hello


Flowers to my international visitors!
Blumen zu meinen Internationalen Besuchern un Beschurerinen!
Fleurs pour mon visiteurs international!
Fiori per tutti me internationale lettore!
Flores para todos mis visitas internacionales

Reitor de Harvard?

Reitor de Harvard, Lawrence Summers, diz que os "rapazes têm mais jeito para as ciências do que as raparigas, devido a diferenças genéticas" (in Público de 19.01.05)

No momento em que se comemora a Teoria da Relatividade e o génio que a criou, Albert Einstein, elogiando assim a sua personalidade criativa, tanto como a sua personalidade como cidadão, que entre outras coisas se demarcou do uso da sua Teoria para fins bélicos, não pacifistas e sempre se bauetu por uma atitude tolerante, mesmo da ciência, parece estranho que um reitor (de minúscula... de facto) de uma das mais influentes Universidades ocidentais tome esta posição.

Estranho é pouco, porém, se soubermos que aquelas palavras foram proferidas durante uma conferência sobre o papel das mulheres e das minorias (esta sim, estranha associação de grupos..) nas ciências e engenharias, promovido pelo Centro Nacional de Investigação Económica norte-americano.

Talvez a genética que Summers evoca lhe tenha obnibliado o pensamento. Mas essa mesma genètica, se lhe permite tais conclusões (duvido, mas sempre desconfiei da ciência, mais do que das artes, por exemplo, numa lógica de procura do conhecimento) tal também se dev, seguramente ao marcante papel de muitas mulheres no seu desenvolvimento (da ciência, naõ de Summers, que demonstra o oposto a desenvolvimento).

Quantas mulheres trabalham para Summers em projectos científicos?

Ainda como nota final: segundo o Público, parace que apenas uma estudante abandonou a sala onde decorria a prelação do iluminado Summers. As outras deviam estar com sono...

A música e o baile da nossa política

Música:
Diz António Costa que os portugueses sabem que a cultura do PS não é de abuso do poder...

...pois, tal como aconteceu com Fátima Felgueiras, António Saleiro e, hoje mencionado na primeira página do Público “Nuno Cardoso arguido por suspeito de peculato, abuso de poder e participação em negócio.

Eu sei, sei que houve e há muitos outros, do PS (e não só, claro, mas especialmente do PS, como Mário Soares que de Norte a Sul de Portugal é comentado como tendo negócios ilícitos em Angola – e não sendo destas citações e provérbios, “onde há fumo...”- como tendo sido um líder partidário autoritário e agarrado ao poder, não aceitando o desastre político que é o filhinho... mas não vou ser exaustivo)

Baile:
Diz Paulo Portas que devia haver uma lista de cargos da alta administração (perdoem-me não usar a deferência da maiúscula) do Estado que, sendo de confiança política, poderiam mudar com o partido que fosse para o Governo e que outros cargos não...

Como num baile, a mudar de par, ou na dança das cadeiras...

...não devia ser doutra forma? Para uns e outros, criar estabilidade, garantindo continuidade de políticas e acções e orientações de gestão a decorrer? Não devia ser criada uma confiança profissional, mais do que política, que devia ser aceite e praticada por quem nomeia e por quem está nos tais cargos? E a estes deviam ser responsáveis e responsabilizados, pela implementação de políticas, independentemente do partido (aqui devia usar maiúscula, em bom português não era?) que estivesse no poder?

Eu, numa empresa privada, nem sei o partido (e ele insiste na minúscula) do meu chefe ou dos meus colaboradores, que de mim dependem... só por não serem funções políticas? Não querem que os cargos e funções públicas sejam cada vez mais orientados por critérios profissionais?

Mas não se faça intermitentemente de pacto de regime, de interesse nacional? Isso é compatível com mudanças de cadeira cada quatro, perdão, dois anos?

18.1.05

Políticos de pós-gestão

Como havia previsto, o dia acordou, como rescaldo da noite passada na RTP- confesso que me contive, sem ver o programa desta vez- em novas (novas?) e iluminadas análises à situação política, ao governo e a dar mais uma mãozinha a quem nem demonstrou alguma vez poder fazer melhor e, por isso, não augura nada de bom, nem evidencia qualidades pessoais que o distinga de outros seus antecessores.

Em fase de transição para o período eleitoral o Governo encontra-se na forma de Governo de gestão- utilizando uma expressão gasta, como gastas são tantas outras utilizadas até à exaustão pelo nosso jornalismo caseiro (demasiado caseiro, sem olhar com a devida atenção ao que se faz a este nível em muitos outros países europeus).

Mas o que me motivou a escrever agora, transformando o meu dia branco de ontem no cinzento de hoje (cinzento de “sempre o mesmo” ou “volta o disco e toca o mesmo”), foram as iluminadas e resplandecentes (ofuscantes, só para invisuais...) declarações de Freitas do Amaral, no programa “Prós e Contras” da RTP.

Porque, acreditem, tenho e sempre tive a maior das considerações e admiração intelectuais por Freitas do Amaral (FA).

Sempre o considerei um dos políticos de referência na sua área, sempre uma promessa para um contributo verdadeiramente válido para Portugal, em termos políticos, repito. Pois intelectualmente nem me sinto à altura de tecer considerações sobre quem tem provas confirmadas, nesse plano.

Mas exactamente no plano político continuo a vê-lo apenas como uma promessa. Por confirmar. Para quem fundou um partido como ele o fez, quem integrou governos em épocas mais conturbadas e também de maior indefinição sobre o rumo do país, para quem, como ele diversas vezes pareceu querer intervir, participar mais directamente, na vida política nacional, apenas fica, para mim, a imagem de um político-promessa, que nunca passou disso mesmo.

Estarei eu eventualmente equivocado mas o seu contributo nunca foi integralmente concretizado, ficando-se, tal como Santana que ela agora acusa, muitas vezes, no início de um trajecto, ou numa fase de projecto.

Ora, quem assim se prefigura deverá ter análises tão contundentes, para com políticos da sua ala ideológica?

Em lugar de criticar a posteriori porque não intervém FA ajudando, com a sua inegável capacidade intelectual a sua experiência pessoal e todo o seu ascendente, junto das forças políticas de quem se sente mais próximo? Mesmo que, por hipótese, não seja facilmente aceite por essas mesmas forças poderá FA intervir, tal como tem feito, através dos media, onde certamente tem um acesso prioritário, para recomendar, sugerir, aconselhar, como é normal às referências fazerem?

Por mim continuo a aguardar que individualidades como Freitas do Amaral sejam mais consequentes com a sua postura, e dêem um contributo decisivo para o sempre adiado relançamento do país.

Em vez de “bota abaixo”, como qualquer um de nós é bem capaz de fazer e faz, as personalidades de destaque e carisma nacional não deviam sendo mais originais doq eu até ao momento ser mais pro-activos?

Em vez de passarem a imagem de políticos de uma gestão pós-desgraça, ou pós-gestão, a pró-gestão ficar-lhes-ia melhor ao retrato.

Estão a ver como consigo, sem esforço, utilizar o modelo de comunicação dos nossos queridos jornalistas, todo ele baseado em chavões e frases feitas? Que riqueza! Que poesia!
Até me surpreendi a mim mesmo.
Boa, rapaz!

Um dia branco

Hoje foi o dia que escolhi para o meu dia sem “trânsito”. Sem trânsito noticioso. Não europeu, mas provinciano. Na província onde habito e (quase, não exageremos...) labuto. Na cidade provinciana capital de províncias (nomes em desuso mas só por aqui)
Fiz uma interrupção no fluxo dos dias. "Não sei de nada". É tão bom poder dizer isto assim. Um dia branco.
Não ouvi notícias, não vi notícias, nem quis saber. Nem quis saber se o PS acusou o Governo de Santana de abusar da sua situação de "governo de gestão". Ou se Santana ripostou que não iria ripostar. Não quis saber.
Quis ter um dia branco. Não quis saber se agora acham mal a visita de Sampaio à China, sem ele ter feito menção aos (atentados aos) direitos humanos. Não quis saber. Quis ter uma dia diferente. De paz. De luz branca. Para amanhã logo acordar, sôfrego de novidades, para as notícias. Para amanhã logo pôr essas coisas em dia. A ver se uma dia fazia diferença, sem ouvira o Mexia a mexer connosco, na sua habitual pedantice pseudo - eficiente, dizendo dislates, seguidos dos de Carapatoso (porque não se liberalizam os postos de trabalho deles, como exemplo? A ver se eles sabem bem os gestores que temos...já que não devem ser eles, mas outros, são sempre outros...). Não quis isto também, hoje. Quis ficar em branco, no meu dia branco, nesta cidade que, hoje, também esteve de luz branca e bela. No meu dia branco de noticiários. De paz...
De paz provinciana.

14.1.05

A vista em X

Obrigado Mr Gates. Obrigado pelo seu maravilhoso programinha do X. O eXcel! Hoje fiquei verdadeiramente a ver a vida que me rodeia em X. Uma sensação nova (nem tanto) mas nem por isso agradável, a acrescer às costas em S ou, se calhar também a formarem X.

Boa noite mundo dos normais que vêm a vida por linhas visuais paralelas!

12.1.05

Um bom "repasto" neste Inverno

 Posted by Hello


Max Bruch e o seu "Concerto para Violino No. 1 em Sol menor, Op. 26" acompanharam-me a caminho de casa, no regresso do trabalho.

Trata-se de uma daquelas obras pouco conhecidas do grande público, talvez por exigirem um ouvido mais atento, ou um momento de especial dedicação à audição deste género de música dita clássica.

Mas é inscontestavelmente uma beleza melódica que, depois de lhe ter sido dedicada a audição devida, temos prazer em estimar, como se tratasse de um objecto raro de colecção.

Se tecnicamente não estou à altura de discutir os seus detalhes de construção, nas principais vertentes de uma composição (ritmo, melodia, harmonia, tonalidade) como ouvinte e amador apaixonado pelo género, tenho para mi de que se trata de uma composição sinfónica de dificil execução, quer para a orquestra, para o maestro e principalmente para o solista.

Recomendo especialmente a interpreteção de Anne-Shopie Mutter, solista num concerto dirigido pelo polémico, famoso e saudoso maestro Herbert von Karajan à frente da não menos famosa orquestra Filarmónica de Berlim.

Como acompanhamento (neste caso por esta ordem de importância/relevância) um bom livro, tipo Amin Malouf, Arturo Perez Reverte ou um clássico, como Faulkner ou Steinbeck.

Servir frio ao fim de semana (quero dizer com frio) à lareira.

Cursores demoníacos

Um amigo meu pretendeu comentar um post meu e não o conseguiu porque o cursor, ou barra de 'scroll', no computador dele, quando o tentou fazer, não lho permitiu.

Já viram uma coisa assim? Cursores com vontade própria?

Se não fosse bastante terreno, diria que se trata de um curso possesso a necessitar de um exorcismo informático. Ora, onde 'já se viu' coisa assim? Se o computador fosse meu...

Até logo... se para aí me der ainda volto a esta blogosfera.

7.1.05

Sobre um artigo de Eduardo Lourenço

Hoje estou numa de links. Mas seguir os melhores nunca foi má coisa.

Vale a pena a visita, a este texto, ao Pura Economia.

É feita uma reflexão concisa e incisiva sobre a já proverbial "depressão comum portuguesa", como base num excelente artigo de dos nossos pensadores e ensaístas mais prestigiados, Eduardo Lourenço.

Com a devida vénia e absoluta concordância (e a mesma dificuldade de muitos em ter como suas estas sensatas e muito positivistas ideias...)

Não se pode estar mais de acordo em como, de facto, no global, Portugal mudou imenso num espaço de dezenas de anos (se atendermos aos oito séculos de história que fazem de nós uma das mais antigas nações da Europa, e do Mundo...) e para melhor.

Podemos, individualmente, ou em determinados “círculos” ou grupos profissionais, não sentir muito melhor do que um desalento, face ao desenvolvimento continuado de parceiros europeus. Mas a FACE do país e as suas ESTRUTURAS mais essenciais, mudaram acentuadamente, em poucas décadas. Há crises que não são apenas portuguesas, como na Educação, na Cultura, na nossa atitude geral sobre novos fenómenos (ou velhos, com novas facetas), como o terrorismo, ou as modernas e recentes guerras, etc.

Mas há alguns outros primas pelos quais se pode reflectir sobre alguma nossa inadaptação, que tenho como temporária, à realidade moderna dos nossos tempos, globalizados: sempre se desenvolveu, social, cultural e economicamente, quem (os países) que dominaram uma, ou umas, tecnologias, importantes na época em que se inserem (em que surgiram). Assim foi com Portugal quando dominava a tecnologia associada à navegação (e cartografia, cosmologia, matemática...). Assim se passou com o Reino Unido, quando da Revolução Industrial. A tecnologia da guerra, se lhe podemos chamar isso, foi muito desenvolvida pelos Estados Unidos, muito depois, dando-lhe, assim uma supremacia política sobre os outros. Mas, nessa altura, como noutras épocas, muito mais pelo domínio da tecnologia ou conhecimentos em causa, do que pela natureza da mesma (neste caso, a ciência e, claro, industria associadas ao armamento e à guerra).
Hoje, são ainda os países anglo-saxónicos, mas tudo se vai alterando em favor de países da região asiática, precisamente, agora sofredora de uma catástrofe natural.

Não será, uma vez mais, sempre assim. Um dia outra zona do planeta, quero dizer outro ou outros países terão domínio sobre algum conhecimento ou tecnologia com elevada relevância para todos os outros: pode ser alguma tecnologia associada ao ambiente, por exemplo, ou outra. E tudo mudará “de mãos”, de novo.

E não é linear que Portugal, como outros, não consigam acompanhar, mesmo a ritmo distinto, os novos futuros líderes, ou seja o nosso país o próprio líder.

Há cerca de 30, 40 ou 50 anos, como estavam (social e economicamente...culturalmente já tenho mais dificuldade em referir) países como a Finlândia, Suécia, Suíça, Noruega?

Entre ânimo e desalento tudo isto avançará! E Portugal continuará a melhorar, apesar de alguns sobressaltos...


"Fornicação". Só faltava esta!

Vale a pena ler, sem comentar, para que se entenda que o lado obscuro das coisas, que está sempre presente, também...
(Fawzan Al-Fawzan, professor na universidade Al-Imam, na Arábia Saudita)

Li através do Aviz.

Uma desgraça nunca vem só!

Sem muitos comentários, leia-se aqui como se receia que a “ajuda monetária internacional, pedida na cimeira de Jacarta, nunca chegue ao terreno (...) existe sempre um receio em países com conflitos de longa duração que alguma ajuda seja extraviada”. Tal como este oportuno e elucidativo Post, da Voz em Fuga nos indicava há dias. Recomendo.

Será que podemos continuar e confiar a contribuir para aliviar toda a tragédia?

Isto lembra-me aquele tipo de histórias (quando se liam histórias assim) como o "David Copperfield" ou "Oliver Twist" de Charles Dickens, entre outras, em que uns meninos desamparados, pobres e maltratados, eram objecto de uso para indivíduos sem escrúpulos, que os obrigavam a surripiar umas 'coins', que depois deveriam ter o destino não devido, dos pobres, mas dos chefes de 'bando'. Perdoem-me a analogia, porque a proporção é de tal modo díspar que depois de ter escrito, até me chocou. Porque, agora, no Índico, onde já o subdesenvolvimento era atroz, esta catástrofe veio piorar tudo...mas pode melhorar para alguns se suceder o que acima é dito, à guisa de aviso!

5.1.05

Pulmeria white-yellow

Posted by Hello


A bunch of white flowers for the unfortunate people
A bunch of white flowers for the sad people
A bunch of white flowers for the nice ones
A bunch of white flowers for all that want to take it!

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CLOWNS OF THE MONDERN TIMES: Como num grande, enorme, gigantesco circo,à escala planetária, que nos entretém, ou a isso se propõe, menos à medida dos antigos bobos de corte, do que à de palhaços brancos - sem demérito para estes...- em várias esquinas do mundo, os políticos da nossa actualidade, fazem um cortejo de hipocrisia, idiotices, manobras ilícitas para fins de engrandecimento pessoal, da personalidade, da vaidade ou mesmo da fortuna. Passando por cima de tudo, de todos, com um à vontade pleno de arrogância.

Assistimos diariamente a cortejos de personalidades, tais como Bush, Blair, Schröder, Barroso, Lula, Chirac, Berlusconi e, mais à escala da nossa província, Santana, Sócrates e Sampaio (... não tendo seguido as regras protocolares, do alinhamento dos nomes, mas mais um critério, digamos, artístico), dizendo dislates, extremismos, desaforos, enormidades, querendo a todo o custo um cantinho no mausoléu da credibilidade e da fama.

As coisas passam-se por todo o lado, fazendo uso dos mesmos princípios de egoísmo individualista, à custa do sacrifício dos princípios de outros (dos outros), numa usurpação das regras de recíproco respeito democrático, entre eleitores e eleitos e, onde tais regras nem existem, porque inexistente é a própria democracia, pelo abuso, simples e cru, dum poder, tomado à força, ou nascido com o berço.

Seja porque razão for, não temos nós, os espectadores deste “circo”, tido sucesso toda e qualquer tentativa de ignorar o espectáculo destes nossos “Clowns”.

Recentemente, na nossa pequena parcela europeia, a que mais a oeste se situa - o que nos dá aquela ideia de que, ao menos, poderemos um dia saltar à agua - o nosso circo, provinciano, não se tem poupado a esforços para nos entreter. Uns artistas - que, neste caso, tenho mesmo dificuldade em inserir noutra área profissional, e tenho também nesta, visto nutrir a máxima consideração pela arte, em geral - que dizem e dizem o su contrário, fazem e dizem que nunca sequer tinham pensado fazer, ou que afinal já tinham pensado, antes de todos os outros... nomeiam e retiram a nomeação, indigitam e demitem ainda antes do acto de posse, etc... (nem pensem que vou exemplificar mais, pois passaria horas a escrever!).

Mas, nesta cruzada ingrata contra a Democracia, como ideal (ainda existem ideais, aliás porque são isso mesmo), há uma vantagem que fica do nosso lado, do lado dos que assistem: poderem ter emoções riso, choro, contentamento, depressão, mas sobretudo riso, muito riso.

"Levanta-te e ri"?
"Fico chateado, pois claro que fico chateado..."

3.1.05

Nada... nem novo, nem velho.

De novo, desta feita, até há: o ano.
E vai ser excelente, tem de ser (embora ainda isso não se faça sentir).
Mas eu... não tenho nada de novo... e de velho, não me apetece.
Perdoem-me o egoísmo.
Viva o silêncio da escrita e... ler os outros!
Há muito quem hoje tenha escrito bem...
Boa noite amigos bloguers!
Obrigado a quem me 'comentou', agradecendo e coisas mais.