Crónica de uma morte anunciada

Escrevia eu, há uns dias, que após a aprovação do orçamento viriam as más notícias sobre a economia portuguesa.
Logo depois de ter passado na Assembleia da República - qual espécie de encenação desta maioria entregue, pelo povo, a um partido de incompetentes - seguiram-se as entrevistas a diversas personalidades tidas como referências na área económica. Quase todas foram unânimes em que o Orçamento de Estado para 2006 é, em termos gerais, um bom documento, do ponto de vista teórico, pois se pudesse ser posto em prática, os resultados em termos de redução do défice das contas públicas e em termos, mais difíceis de execução e de obtenção de resultados positivos, de crescimento da economia, assim como da melhoria da distribuição de riqueza.

O problema é a execução do Orçamento. O problema é ainda, agora, mais real depois de ter sido confirmado que o crescimento da nossa economia será, em 2006, muito menor do que o Governo queria fazer crer. E com um crescimento da ordem dos 0,3% ou 0,4%, valores que constituem as previsões de, respectivamente Banco de Portugal e União Europeia - Eurostat, não há forma de entender como se pode controla e, eventualmente, diminui um défice que anda a estrangular o nosso desenvolvimento.

Um défice que poderá ainda este ano os 7,0%...

Mas insiste-se me construir TGV's, Aeroportos e outras megalómanas obras que se querem preparar, como se fosse mais importante parecer fazer, do que concretizar. Uma filosofia, postura e atitude muito típica em socialistas, infelizmente...

Hoje ouvimos a notícia de que o Orçamento Rectificativo para 2005, apresentado na Assembleia da República não coincide com aquele que foi publicado no Jornal oficial...

Isto já não é incompetência, mas mentira, da mais baixa e irresponsável que se pode admitir a um Governo de um país em Crise Económica Persistente ("CEP")!

Mas que se vê, nos órgãos de comunicação?
Deixar passar o assunto sem lhe dar o devido relevo, nem lhe entender a gravidade. Pois, assim sendo, com tais discrepâncias, entre o proposto na AR e o publicado, o Rectificativo nem serve para grande coisas, nem se atinge a tal redução de défice tão proclamada para este ano, nem se augura futuro promissor para o OE de 2006...

...e nem nada de bom para todos nós.

Caso, talvez, para ir pensando em demitir o Governo. Se estivéssemos num país de gente informada, preocupada e responsável consigo própria....o que não o nosso caso, claro.

O Documento das nossas contas públicas parece ter, assim, morte anunciada. Por isso é que alguns economistas declararam que, apesar do valor do documento em si, o seu valor como "coisa" concretizável era suspeito...

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