Sócrates...e a (ainda pouca) esperança dos póximos tempos

O que me faz rir e sorrir...o mesmo que diz a Hipatia no seu blogue. Rio, de sofrer da mesma síndroma da moeda, que refere o Espumante. Não por ser financeiro, monetarista ou agiota...mas por ser, como mais uns dez milhões (descontando os contemplados e seus friends –ia para acrescentar um prefixo a “friends”mas seria mal entendido...) vítimas de uma má moeda ter sido trocada por outra igualmente má. E isso...

...é o que me faz chorar!

O que me faz chorar, logo assim, ao primeiro dia, do “day after Lopes” é ter ouvido um líder vencedor, com expressiva maioria, ter usado como primeiríssima expressão: “Conseguimos, conseguimos!”. Isto dito na arrepiante entoação de quem estava muito mais preocupado pela sua vitória pessoal, que para já o destaca claramente de anteriores chefes do seu partido, sem dúvidas- e isso não me interessa rigorosamente nada!- mais vaidoso com o facto de ter afastado o adversário político, do que com reais e responsáveis preocupações com o nosso futuro comum.

O que me fez chorar, foi ter assistido ao eterno desfile de consagradas incompetências, que se acotovelavam nos últimos dias, junto ao líder, para surgir nas imagens o mais possível a junto a ele, personalidades que nos presentearam diversas vezes com a sua larga experiência de incompetentes, estado-dependentes, sem profissão própria e grandes protagonistas nesse movimento social de “ajuda-me-a-mim-que-também-te ajudo”...um verdadeiro polvo sugador das nossas contribuições para o Estado. Um corporativismo instalado há largos anos no nosso país...(a isto terei imensas oportunidades de voltar nos próximos tempos)

Chorar é o que me apetece ao ver todos os nomes que nos fizeram retirar Guteres do poder. Ver que todos eles serão a partir de agora os responsáveis por uma anunciada renovação, mudança de rumo, etc...

É o mesmo que esperar ensinar línguas a burros velhos! Renovar com gente antiga e viciada.

Fez-me ficar novamente preocupado por termos substituído mau por pior.

Ainda me resta um fôlego de esperança, muito ténue: o de ver Sócrates constituir Governo com base em novas caras. O de o ouvir falar do país e das suas ideias para o mesmo, o de não o ouvir dizer “Conseguimos, conseguimos”, com aquela malícia de quem mais se preocupa em esmagar adversários- dizendo-se ao mesmo tempo democrata- e o de não o ouvir dizer que conseguiram contra todos os que pensavam que eles não eram capazes...de ter maioria absoluta.

Maioria absoluta só por si não faz política, não traz reformas, não acarreta melhorias.

Gostaria de o ter ouvido como ouvi Cavaco quando ganhou a maioria: que era preciso trabalhar, trabalhar, apertar cintos, ter austeridade, não ser popular apenas para ganhar votos.

Gostaria de ter ouvido o futuro Primeiro-ministro do meu país falar, não de medidas e personalidades governamentáveis, obviamente, mas da ideia da resistência a clientelismos. Nunca ouvi...nem ontem, a primeira grande oportunidade para tal.

Sei muito bem que ser popular dá votos. Que os grandes grupos económicos sempre preferiram o PS no Governos, porque isso faz do Estado gastador o seu cliente privilegiado. Ma estou-me nas tintas para tais atitudes de empresários – tão maus como sabemos, tão preocupados em terem os seus elevados proveitos e salários (os mais elevados da Europa)...se, por essas razões, o país empobrece, e se degrada, social, cultural e economicamente.

Quero que o próximo Primeiro-ministro de Portugal me dê esperanças de não ver (vou resistir à tentação de dizer os sues nomes, mas todos os vimos) incluídos, sem excepção, no Governo que se irá constituir. Que esse Governo não despesista, que não vai ser mais popular do que eficiente (ao contrário de todos os outros governos PS que já tivemos). Que não andar todo o tempo a usar de demagogias tipo 1000 jovens licenciados para serem colocados em empresas- que não controla. Porquê mil? E não 322, ou 4625?? Em que se baseou?

O próximos Governos quer inaugurar um novo rumo e uma nova postura. Que comece por dar justificações a todos nós, dos seus cálculos superficiais, das suas ideias vagas e imprecisas, do seu desapego ao poder-pelo-poder, da sua independência pessoal de um Estado providencia (até agora só tenho visto os mesmos políticos que só foram isso mesmo na sua vida: políticos...estado-dependentes).

Não quero assistir mais a estúpidas manifestações de regozijo desajustado como as que ontem assisti no primeiro discurso de Sócrates. Não o vamos pagar para isso. Já tivemos disso o bastante. Quero que trabalhem para todos nós. Para isso foram eleitos, para isso serão pagos.

Se tirámos do poder a incompetência comprovada de Santana, só faz sentido que se melhore com este Sócrates.

Mas o seu primeiro discurso de vencedor, foi preocupante...e confrangedor.

Mas até Outubro (altura de leições auta´rquicas) podemos bem esperar por políticas populares. Tentem fazê-las coincidir com medidas eficazes e de melhoria, por favor.

Para que deixemos de chorar pelo nosso querido Portugal!

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