Políticos de pós-gestão

Como havia previsto, o dia acordou, como rescaldo da noite passada na RTP- confesso que me contive, sem ver o programa desta vez- em novas (novas?) e iluminadas análises à situação política, ao governo e a dar mais uma mãozinha a quem nem demonstrou alguma vez poder fazer melhor e, por isso, não augura nada de bom, nem evidencia qualidades pessoais que o distinga de outros seus antecessores.

Em fase de transição para o período eleitoral o Governo encontra-se na forma de Governo de gestão- utilizando uma expressão gasta, como gastas são tantas outras utilizadas até à exaustão pelo nosso jornalismo caseiro (demasiado caseiro, sem olhar com a devida atenção ao que se faz a este nível em muitos outros países europeus).

Mas o que me motivou a escrever agora, transformando o meu dia branco de ontem no cinzento de hoje (cinzento de “sempre o mesmo” ou “volta o disco e toca o mesmo”), foram as iluminadas e resplandecentes (ofuscantes, só para invisuais...) declarações de Freitas do Amaral, no programa “Prós e Contras” da RTP.

Porque, acreditem, tenho e sempre tive a maior das considerações e admiração intelectuais por Freitas do Amaral (FA).

Sempre o considerei um dos políticos de referência na sua área, sempre uma promessa para um contributo verdadeiramente válido para Portugal, em termos políticos, repito. Pois intelectualmente nem me sinto à altura de tecer considerações sobre quem tem provas confirmadas, nesse plano.

Mas exactamente no plano político continuo a vê-lo apenas como uma promessa. Por confirmar. Para quem fundou um partido como ele o fez, quem integrou governos em épocas mais conturbadas e também de maior indefinição sobre o rumo do país, para quem, como ele diversas vezes pareceu querer intervir, participar mais directamente, na vida política nacional, apenas fica, para mim, a imagem de um político-promessa, que nunca passou disso mesmo.

Estarei eu eventualmente equivocado mas o seu contributo nunca foi integralmente concretizado, ficando-se, tal como Santana que ela agora acusa, muitas vezes, no início de um trajecto, ou numa fase de projecto.

Ora, quem assim se prefigura deverá ter análises tão contundentes, para com políticos da sua ala ideológica?

Em lugar de criticar a posteriori porque não intervém FA ajudando, com a sua inegável capacidade intelectual a sua experiência pessoal e todo o seu ascendente, junto das forças políticas de quem se sente mais próximo? Mesmo que, por hipótese, não seja facilmente aceite por essas mesmas forças poderá FA intervir, tal como tem feito, através dos media, onde certamente tem um acesso prioritário, para recomendar, sugerir, aconselhar, como é normal às referências fazerem?

Por mim continuo a aguardar que individualidades como Freitas do Amaral sejam mais consequentes com a sua postura, e dêem um contributo decisivo para o sempre adiado relançamento do país.

Em vez de “bota abaixo”, como qualquer um de nós é bem capaz de fazer e faz, as personalidades de destaque e carisma nacional não deviam sendo mais originais doq eu até ao momento ser mais pro-activos?

Em vez de passarem a imagem de políticos de uma gestão pós-desgraça, ou pós-gestão, a pró-gestão ficar-lhes-ia melhor ao retrato.

Estão a ver como consigo, sem esforço, utilizar o modelo de comunicação dos nossos queridos jornalistas, todo ele baseado em chavões e frases feitas? Que riqueza! Que poesia!
Até me surpreendi a mim mesmo.
Boa, rapaz!

Comentários

mmicr disse…
credo...vamos então à re-engenharia política! Passada
Hipatia disse…
Por acaso gostei do debate. Achei-os velhos e cansados. Mas - e nunca gostei particularmente de nenhum deles - achei-os também com conteúdo, com ideias, com valores, com as suas ideologias. Depois, passou-me pela ideia uma comparação com os que se perfilam para assumir os comandos do país e... bem, os de agora perdem em toda a linha.

Gostei especialmente das intervenções do politólogo e não fiquei nem um pouco surpreendida com os resultados do inquérito
abf disse…
Bem... se se fizer a comparação com a actual Nomeklatura... os 'de ontem' ganham de facto. Mas isso é demasiado fácil. Tão fácil que dá vontade de chorar, porque, por uma linha ou por outra..perdemos nós!

E o comboio descarrilará certamente!
satirikon disse…
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