O Ocidente como resguardo de ventos do Leste

As Sextas-feiras são habitualmente um Templo onde pratico o início do meu (e de muitos milhões, claro está) processo de renovação e recobro energético semanal. Por estas alturas acontecem-me paradoxalmente duas coisas: chegar a casa cheio de uma vontade incontida de nada fazer, ou seja, nada para o que habitual e estupidamente consideramos de útil, já que de outras actividades, lúdicas, artísticas, culturais e, já agora, blogueiras, encontram-me sempre disponível. Por outro lado, o stress dá-me jeito este nome que uso para outras acumulações de frustrações não resolvidas, tais como o Euromilhões que nunca me sai...porra!- dá-me para disparatar com a família, ao mínimo decibel fora de escala que me atinja os meus sensíveis ouvidos, ou outras perturbações que atropelem os meus egoístas planos de fim de semana.

Esta Sexta porém, sentia uma estranha tranquilidade ao atravessar a porta de entrada do meu reduto, donde vos escrevo, ao ponto de, sem prévia preparação, os meus a canais auditivos terem ficado alerta ao noticiário, confesso de nem sei já qual canal- só para que marcar que de TV não entendo eu nadinha, pevas! E é verdade, que o digam os meus amigos, que bem podem atestar a minha sacramental ignorância televisiva.

Assim foi que dei por uma notícia que, mais do que as habituais paragonas que nos costumam a todos enfrenizar, me deixou logo a pensar se não deverei repensar - assim mesmo em repetição para dar mais salero - algumas das minhas malditas teorias sobre este amaldiçoado povo que somos.

Então a reportagem mencionava alguns casos de enfermeiros de origem eslava, que ao terem debandado o seu país natal vieram dar a este porto tranquilo, que lhes abriu as portas e tem permitido, exemplarmente a prática de uma profissão que lhes corre nas veias, e a qual na sua origem não lhes prometia nada, nem futuro.

Os casos em reportagem sentiam-se reconhecidos, realizados e orgulhosos.

Isto tudo para dizer, e terminar, que ao menos em saber receber e não demonstrar arrogância chauvinista Portugal pode ensinar, e disso há milhentos exemplos, em larguíssimos anos de história, todos ou muitos dos que se proclamam de inventores ou baluartes da tolerância e democracia, por esse mindo afora (esta para dar um ar jornalístico, caraças, também posso).

Bom povo tolerante é assim mesmo!

Pena que com os da casa nem sempre o mesmo suceda... (lá estou eu, de novo, merda!)

Comentários

Hipatia disse…
Durante muitos anos, o bem que mais exportávamos era a nossa gente. Muitos deles não foram, certamente, bem tratados nas terras de destino. Mas muitos outros têm histórias felizes para contar. Penso que não temos o direito moral de receber mal quem aqui procura uma vida melhor. Temos antes a obrigação moral de os receber bem. Agora, uma coisa é certa: também é preciso tratar bem quem já cá está. Mas não esquecendo que estes que chegam não se importam de trabalhar no que for preciso, enquanto muitos dos que já cá estão preferem antes viver do Rendimento Mínimo...

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