4.12.05

Há 25 anos... inflectiu-se o progresso do país

Há vinte e cinco anos morreram Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, num brutal atentado que fez interromper uma inflexão irreversível na vida política nacional, e num futuro mais auspicioso para todos nós.

Quem os matou, ou mandou matar sabia bem da ameaça pessoal que representavam, pela sua qualidade individual intrínseca, que tinha toda a sabedoria, inteligência e coragem necessárias à mudança que, evidentemente não interessava a quem lhes ceifou a vida.

Hoje cumpriu-se a homenagem às suas memórias e lembrei-me do dia 4 de Novembro desse ano de 1980, em que chorei a sua morte, de Sá Carneiro, como se de um parente próximo se tratasse.

Durante todos estes anos fui ouvindo diversas opiniões sobre o significado de Sá Carneiro, o significado da sua vida para todos nós e da sua morte também.

Algumas vezes me diziam que ele não nos deu experiência política suficiente para que lhe pudessemos reconhecer as qualidades. Foi isso precisamente o sentido de oportunidade que sentirm os seus assassinos...

O Tribunal da Relação publicou a prescrição do processo aberto pelos familiares das vítimas da queda do avião de Amaro da Costa, Sá Carneiro, Snu Abecassis e Patrício Gouveia.

Triste justiça esta... melhor que vergonha de Justiça temos, por mais esta estupidez, e mais esta injustiça.

O último inquérito, alicerçado em relatórios de técnicos portugueses, ingleses e espanhóis, havia sido unânime em que se tratou de atentado e não de acidente, confirmando, assim as conclusões de todos os anteriores inquéritos e investigações.

Como pode uma coisa destas prescrever???

30.11.05

O pior dos corporativismos

Sempre fui contra o Corporativismo, como forma de estar na vida profissional e pessoal e de se defenderem interesses, muitas vezes até justificados.

Hoje temos ainda em Portugal uma das mais fortes e duradouras expressões do Corporativismo: as farmácias, como actividade económica.

Não conheço nenhuma outra forma de expressão comercial tão lucrativa e saudável, que tantas alegrias tem dado aos seus proprietários e alguns colaboradores, pelo facto de terem conseguido impor a defesa de uma actividade profissional, como nenhuma outra o conseguiu.

É aberrantemente retrógrada a ideia de que uma Farmácia tenha de ser propriedade de um farmacêutico, pelo facto, aliás falsamente defendido pelos seus mentores - Associação Nacional de Farmácias e seu dirigente, farmacêuticos e alguns "iluminados", como o foi Ferro Rodrigues, que conseguiu descobrir uma função social no negócio mais rentável que em Portugal existe e, de forma muito estável, contra todas as crises ainda se mantém de assim poder prestar um serviço com garantia técnica aos seus clientes (e não utentes, que neste caso não o são).

Ferro Rodrigues defendia que as farmácias não são um negócio, mas sim um serviço. Enfim... todos os negócios são um serviço, mas só ele parecia não saber.

O pior da defesa de tais ideias, uma especificidade portuguesa aliás, é que assim se vem mantendo um lobby, muitíssimo forte e demasiado lucrativo, pelo que acarreta de preços elevados para os seus clientes. Muitas análises têm demonstrado que em Portugal os medicamentos são bem mais caros do que em todo o resto da Europa - resto é forma de dizer, pois resto, somos mesmo nós, mas para alguns um resto, muito lucrativo.

Acabe-se de vez com esta Lei absurda da exclusividade da propriedade das farmácias e logo se há-de ver se a concorrência e a ausência de proteccionismo não elimina boa parte das margens comerciais que nos custam a todos.

29.11.05

Um sonhador compulsivo

Tinha por hábito fazer o seu passeio a pé até um dos bancos junto à margem do rio. Manuel, Teodósio de segundo nome, que ninguém sabia, nem ele usava, era um ser solitário e, ali, naquele banco, sentindo o frio seco e o vento suave, mas cortante, que anunciava o Inverno, se sentava a pensar num mundo só seu. Num mundo que queria tivesse existido, mas que nunca na verdade conhecera.

Baixava ligeiramente a cabeça e, por baixo das suas grossas sobracelhas, herança familiar que lhe davam aquele ar antigo e sisudo, ia observano o raro e triste movimento, no rio e no passeio que o separava da água.

Os homens e as mulheres conheciam-se há uns milhões e milhões de anos e não se entendiam, não se conheciam. Continuavam a debater-se os mesmos temas de costume. Da igualadade, da liberdade, da distrubuição de riqueza, da justiça e das mesmas oportunidades para todos. Mesmo que tendo avançado muito, o mundo desde um Platão, um Lutero, um Robespierre, um Montaigne, Sartre e tantos outros continuava a ignorar ou fazer por tal, que apenas um terço de si mesmo podia dar-se a esse luxo que era pensar e discutir. As duas terças partes deste nosso mundo nem ânimo, nem tempo, nem hábito tinham de pensar e muito menos de por as suas ideias abertas à discussão.

Ali estava ele, àquele frio estimulante que lhe chegava do rio e lhe soprava nessas suas grisalhas sobrancelhas de marca familiar, tentava assegurar-se que os seus pensamentos não eram nenhuma espécie de mania pessoal de se sentir exclusivo e diferente, mas sim o fruto da convicção mais profunda da futilidade da maioria das discussões quotidianas. As mulheres são melhores do que os homens, os homens são executantes e não perdem tempo a pensar, a esquerda política é mais justa, a direita é mais pragmática e outras tantas máximas, pretensiosas e desinseridas, que até se perguntava quantos anos de desenvolvimento teriam sido em vão, para se chegar a este ponto, a tão pouco...

Manuel, sentado na beira da cama pensava como lhe seria tão agradável, um dia, estar junto ao rio com o tempo e vaida toda para pensar. Com as ideias certas para poder ajudar, fosse, assim possível, um dia, fazer-se ouvir. Um dia iria para a margem do seu rio, para o seu banco, analisar a justeza dos seus pensamentos, sentindo a brisa fria a roçar-lhe a cara e as ainda negras sobrancelhas grossas...

28.11.05

Cavaco

Já há muito decidi votar em Cavaco. O que é mentira, parcialmente. Na verdade, apenas depois de ele anunciar oficialmente a candidatura...
Nesse dia porém, só não fiquei eufórico porque alguma experiência de vida já acumulada, me desinibe de tais excessos pueris.


Mas há uma coisa que me tem incomodado.

Gostaria de ver Cavaco Silva mais inovador no discurso, mais fluente e menos repetitivo. O que apenas tem a ver com questões semânticas, pois para se ser Presidente, ou qualquer outra coisa em política, há muito que tenho para mim que, mais importante do que a fluência da palavra é a seriedade da mesma. A genuidade da palavra. Por oposição à correnteza boçal e excessiva quase roçando a ponografia da mesma, como acontece há mais de trinta anos com Soares e há menos que isso com Guterres, Sócrates e outras falsidades que por aí abundam.

Nós e os outros

Somos os tristes da UE...

Porque tem de ser assim?
Podemos ser uma potência europeia de Turismo, Energia (com um forte investimento em Energias alternativas e Nuclear), indústrias tecnológicas e de precisão...

Mas em vez disso teremos de viver, asfixiando-nos, com um nível de impostos insustentável, apenas porque o Estado insiste em permanecer gordo e despesista... Ou julgamos nós (porque o Governo há muito que o sabe, mas não diz a verdade, por lhe ser adversa) que com uma tão tímida redução da despesa pública e manutenção de despesismo (megalominas nas obras públicas, criação de comissões e grupos de trabalho- caso do Metro do Porto, que se já estava mal, como ficará com aumento das despesas por via de um grupo de trabalho de amiguinhos...?) se pode algum dia dar um forte impulso a novas áreas de investimento e criação de riqueza?

Portugal precisa de uma solução 'filandesa' na sua economia, ou irlandesa, em termos económicos e sociais... mas não se vê como com esta arrogância governativa, que não dialoga como ninguém, qual autismo irresponsável, que nos há-de comprometer ainda mais, com esta atitude de querer servir primeiro os amigos e, escandalosamente, a todos os nomear sem olhar a competência...

Quase apostaria que isto ( esta arrogância socratiana) não vai durar uma legislatura.

Entretanto os outros, a Grécia, a Irlanda, a Finlândia, a República Checa, a Hungria... vão aproveitando na mesma proporção em que nós desperdiçámos

Ohhh Sr. Sócrates dê ouvidos ao país!

23.11.05

Crónica de uma morte anunciada

Escrevia eu, há uns dias, que após a aprovação do orçamento viriam as más notícias sobre a economia portuguesa.
Logo depois de ter passado na Assembleia da República - qual espécie de encenação desta maioria entregue, pelo povo, a um partido de incompetentes - seguiram-se as entrevistas a diversas personalidades tidas como referências na área económica. Quase todas foram unânimes em que o Orçamento de Estado para 2006 é, em termos gerais, um bom documento, do ponto de vista teórico, pois se pudesse ser posto em prática, os resultados em termos de redução do défice das contas públicas e em termos, mais difíceis de execução e de obtenção de resultados positivos, de crescimento da economia, assim como da melhoria da distribuição de riqueza.

O problema é a execução do Orçamento. O problema é ainda, agora, mais real depois de ter sido confirmado que o crescimento da nossa economia será, em 2006, muito menor do que o Governo queria fazer crer. E com um crescimento da ordem dos 0,3% ou 0,4%, valores que constituem as previsões de, respectivamente Banco de Portugal e União Europeia - Eurostat, não há forma de entender como se pode controla e, eventualmente, diminui um défice que anda a estrangular o nosso desenvolvimento.

Um défice que poderá ainda este ano os 7,0%...

Mas insiste-se me construir TGV's, Aeroportos e outras megalómanas obras que se querem preparar, como se fosse mais importante parecer fazer, do que concretizar. Uma filosofia, postura e atitude muito típica em socialistas, infelizmente...

Hoje ouvimos a notícia de que o Orçamento Rectificativo para 2005, apresentado na Assembleia da República não coincide com aquele que foi publicado no Jornal oficial...

Isto já não é incompetência, mas mentira, da mais baixa e irresponsável que se pode admitir a um Governo de um país em Crise Económica Persistente ("CEP")!

Mas que se vê, nos órgãos de comunicação?
Deixar passar o assunto sem lhe dar o devido relevo, nem lhe entender a gravidade. Pois, assim sendo, com tais discrepâncias, entre o proposto na AR e o publicado, o Rectificativo nem serve para grande coisas, nem se atinge a tal redução de défice tão proclamada para este ano, nem se augura futuro promissor para o OE de 2006...

...e nem nada de bom para todos nós.

Caso, talvez, para ir pensando em demitir o Governo. Se estivéssemos num país de gente informada, preocupada e responsável consigo própria....o que não o nosso caso, claro.

O Documento das nossas contas públicas parece ter, assim, morte anunciada. Por isso é que alguns economistas declararam que, apesar do valor do documento em si, o seu valor como "coisa" concretizável era suspeito...

11.11.05



Foi uma falha minha.

Mas passou-me, aqui na blogosfera, o lançamento do livro Encandescente. Por nos últimos tempos andar imenso em viagens, por cá e por lá. Não tenho já a frequência destes espaços, como desejava.

Não conhecendo ainda o livro, mais do que pela sua capa, sei, no entanto, pelo blog que costumo visitar, pela sua qualidade, sensibilidade e imensa beleza, dos textos e das fotos, o livro tem de ser lido e saboreado.

Parabéns Encandescente! Posted by Picasa

Orçamento aprovado. Agora virão as más notícias...

Orçamento aprovado. Uffffa! Foi dificil, com este estado de poder absoluto do governo absolutista... quase que não conseguiam, ufaaaa!

Aprovadas também as contas do início da nossa desgraça: do TGV, da OTA, dos institutos, comissões, etc... que se irão criar para dar emprego aos amiguinhos...

Mas enfim, como pelo menos metade do que lá está no orçamento não é para cumprir, como sempre o é com governos socialistas, podemos ainda ter a sorte de que o que não se fizer seja a parte que realmente é melhor que não façam.

Mas agora virão os dias difíceis do bluf Sócrates: o relatório do Banco de Portugal- mesmo que maquilhado pelo amiguinho que lá está - o da União Europeia, do FMI, etc...

O problema é, como sempre, que seremos sempre nós todos a pagar a incompetência e a arrogância (também a arrogância de pouco a pouco, paulatinamente, se ir colocando tudo o que é amigo, e se compromete a não fazer ondas) em tudo o que lugar de nomeação.

Como diz Saramago (que visão, homem! que democrata!) até dá vergonha de se ser português (mas por razões bem diversas das do autor mais lido - e menos compreendido, pelas boas razões- de Portugal).

10.11.05

O palhaço e o seu "cara-branca"

Sempre gostei de circo. Desde criança que aprecio o espectáculo do circo, pelo seu ambiente, pela magia que me transmite e por tudo o que lá vejo, toda a espécie de números e pela variedade também, claro.

Os palhaços sempre me mereceram o maior respeito. Nunca os achei artistas menores e, pelo contrário, sempre os considerei e ao seu papel, inteligente, na minha forma de os ver, usando de uma arte específica, que não está ao alcance de todos, para atingir o objectivo da crítica, social, cultural ou mesmo política.

Não quero, por isso, que me entendam mal, quanto ao mais elevado respeito que tenho por palhaços, mas pelo profissionais, claro.

Ontem, no entanto, ouvi o
Jorge Coelho referir-se a Nikolas Sarkozy como sendo "um palhaço político". Fiquei mais embasbacado do que quando ia com os meus pais ao circo!

Não pelo objecto da ofensa ser ou não o que Coelho pretende que ele é. Mas pelo tom que, vindo de um palhaço, humano e político, como
Jorge Coelho (upsss, fiz o mesmo...upsss), um tipo de pessoas de quem nunca ouvi nada de inteligente nem original, mas apenas repetição de alguma coisa já antes dita por alguém, ter, apesar de tudo a ousadia e a falta de educação suficiente para afirmar "aquilo", com a ligeireza com que o fez apenas porque o francês em causa não é da sua área política.

Se um for mesmo um palhaço político, este outro, o Coelho será, quanto muito um seu "cara-branca" que, como sabemos, faz sempre papel de estúpido...perante a inteligência mais aguçada do outro...

Só me entristece que os portugueses, cada vez menos embora, não consigam entender que tipo de pessoas arrogantes e fascizantes nos andam a pretender governar.

E que me perdoem os verdadeiros Palhaços ("caras-brancas" ou não), artistas maiores na minha escala de valores!

9.11.05

Desligar ou exasperar-me?

Hoje assistindo a um pouco, apenas a um pouco, da discussão sobre o Orçamento de Estado para 2006, espantei-me e exasperei-me (porque ainda me admiro eu com tais coisas, depois de tanta intolerância e arrogância demonstrada? Ainda por cima por gentinha tão menor e mal formada, mas de uma repetida incompetência que nos sairá, a todos, a eles também, muito cara) quando, pela observação de António Pires de Lima, Sócrates- com a sua arrogante má-criação com que, diariamente, nos presenteia fazia gestos, trejeitos e observações para o lado, para os seus (coitados) ministros...

...após o que deu recado ao ministro dos Assuntos Parlamentares (os dos Recados Parlamentares, tal a desconsideração que esta maioria absolutista -ou será poder absoluto?- nos habituou)...

Cada dia tenho mais vontade de desligar. A mim e à TV.

Um desgraçado orçamento que tenta - pretende, aliás- equilibrar as contas nacionais com mais receita, mas com (quase) a mesma despesa... é ...de rigor??? Hmmm, talvez, talvez, como introspecção democrática, mas de eficiência??? E o TGV, e a OTA e as SCUTS???

Eles são, afinal, pagos para tanto disparate?

Nunca mais começa e...depressa acaba

Pois... já me começo a saturar de ouvir as idiotices de Mário Soares. O candidato do PS- é assim, partidarizado, que ele se quer- tenta mostrar o seu ar de homem de estado, como sempre se esforçou, tentando apagar, ou fazer esquecer o tom provicatório e ameaçador com que iniciou a sua pré-pré-pré campanha "contra a direita", esse bicho mau e perigoso, esse homem que pode tornar-se um perigo para a democracia que, ele Mário, acha que fundou...

Irrrrra! Que o homem não nos deixa em paz.

Interessate é observar os modelos europeus e não só, ditos socialistas democratas, ou vice-versa, vem a dar ao mesmo, como falidos se tornaram. Nunca resolveram problemas de desemprego em nenhum país. Nunca contribuiram para o crescimento económico nem prosperidade em sítio nenhum, mas, ao invés, sempre conseguiram contribuir para a melhoria do bem estar dos políticos-profissionais (ahhh! esta é que os tem deixado aflitos! Pelo que sabem como os atinge, como estado-depedentes e arrogantes-estatizados que são), dos que nunca têm uma vida e uma carreira sem o "alimento" do estado e da vida pública.

Mas, sinceramente, nunca mais é Janeiro, neste país???

Nunca mais começa a campanha Presidencial e depressa termina???

26.10.05

O verdadeiro tempo dos boys

O PS de Guterres foi criticado pela célebre frase "no jobs for the boys"porque, precisamente porque foi dos momentos da nossa história política em que mais jobs se distribuíram entre os ditos boys.

E boys foi um termo feliz de Guterres, pois sem querer estava a caracterizar de forma magistral um punhado de "meninos" que, sem a mínima competência, se iam instalando nos lugares do poder e do sector empresarial do estado (para usar um termos socialista...).

Mas nessa altura o PS ainda estava um tanto fragilizado. Porque o poder lhe caíu nas mão quando não o esperava, após a derrota do PSD. Porque tinha uma maioria parlamentar. Porque Guterres é mais um homem que "pretende fazer" do um homem que "sabe fazer".

Hoje, com a maioria que o PS obteve, o PS assume-se em toda a sua arrogância, como exactamente pretendeu ser essa uma característica do PSD. Sempre o PS quis dar a entender que a arrogância é uma característica da direita. Direita que nada tem a ver com o PSD...

Mas hoje, com esta maioria, o PS perdeu o decoro e esqueceu a ética e passou a substituir tudo e todos quanto com eles não se identifiquem, ou que se lhes oponham, ou de algum modo os contrariem, na sua tomada do poder metódica e totalitária - porque o termo é este.

Não perderei um minuto e não me distrairei de denunciar todas as situações que se revelem como parte de tal estratégia de tomada total, totalitária, do poder.

Desde o deputado que é nomeado para Presidente do Tribunal de Contas, sem que se possa esperar o mínimo de imparcialidade de tal senhor, passando pela Refer, pela Carris, pelos hospitais todos, por todas as Direcções Gerais, Direcções e Presidências de Institutos, etc, etc, etc.

Tudo e todos serão tomados pela gripe das galinha do PS que, em histeria total, não admite nenhuma crítica nem contrariedade.

Um PS verdadeiramente fascizante!

21.10.05

Co-incinerações

Lá insistem os homens na dita co-incineração...

Em vez de se fechar a cimenteira do Otão, inserida num Parque Natural (?!?)... insiste-se na sua perpetuação, através de um modelo em queda ou desuso, contrariamente ao que dizem os membros da comissão de especialistas- resta saber em quem costumam votar tais senhores... e se até os magistrados se encontram sob suspeita... serão tais cientistas, insuspeitos??

Um dia havemos de saber quem está a lucrar com tais negócios... Sr. Sócrates!

Porque nãp se reciclam tais cientistas? E assim se viabilizaria melhor o NEGÓCIO da co-incineração. Ou co-incinerações...

Cavaco e os outros

Ontem confirmou-se uma vez mais o estilo, ou antes, a diferença de estilo e de atitute de Cavaco Silva e de todos os outros (pré) candidatos à Presidência da República.

Cavaco é vertical, é sincero e honesto em termos ideológicos. Sem subterfúgios sem atitudes teatrais. Candaidata-se porque está convicto das suas capacidades de ajudar o país. Para servir o país.

Não se candidata por estar contra. Contra os outros. Como os outros todos, o fazem, por estar contra ele.

Ouvi o Alegre (triste) poeta -até é simpático, por acaso- dizer que Cavaco não explicou como pensa exercer o mandato- como se assumisse que Cavaco já está eleito, e de facto é verdade...- mas ele próprio apenas disse da sua candidatura, em substância, que o faz para tentar impedir uma vitória de Cavaco à primeira volta. Que explicou sobre o seu projecto? Nadinha...

E Soares? Nadinha...
De Louçã já sabemos e do Jerónimo também: são contra as privatizações feitas por Cavaco- e não só- o que significa que defendem monolólios e arrogâncias empresariais do Estado. O mesmo que ainda temos tanto por aí e que tem elvado a este mau, baixo, nível de vida português. O que tem feito com que continuemos a ser um país de preços elevados (Telecomunicações, Energia, Água, etc.) em comparação com Espanha, com França e com Alemanha!

Um bom candidato, Cavaco, contra as medíocriodades.

Seja bem vindo, regressado, à política Professor Cavaco!

30.9.05

Arrogância ou incompetência?

O que leva o minstro da justiça a não (saber) falar com os magistrados?

O que leva o ministro da agricultura a não querer falar com os agricultores?

Arrogância ou incompetência? Incapacidade?

A incapacidade leva, numa empresa privada, um gestor a fugir ao diálogo com os seus colaboradores. Mas isso tem, mais cedo ou mais tarde, a consequência ou da decadência da empresa ou da susbtsituição do gestor.

Na política, neste caso concreto, deste Governo, se tal não acontece, é por haver a cobertura total de um Primeiro-ministro que, já nos tempos do governo de Guterres fez cátedra da sua arrogânica e autismo. Também por insegurança. Que ainda hoje é evidente.

Mas aqui, no caso deste dois ministros, também se trata de incompetência...e arrogância. A arrogância dos incompetentes, que o povo designa, simplesmente de... burros.

Não questiono as razões dos ministros, de quererem, no caso da justiça, imprimir mais eficiência- rara no caso do PS, partido dos homens estado-dependentes, que se move por projectos, estudos, comissões, ideias...e mais-nadinha- ou mesmo justiça (dentro do regime de injustiça que grassa no meio judicial), ou no caso da agricultura, por uma manifesta falta de fundos para apoiar agricultores, eles sim mutio descalpitalizados e vítimas de um ano (anos seguidos) de adversidade climática. Os mesmos agricultores que insistem em produzis parte dos consumimos, mesmo que parte de nós seja indiferente (e, por isso, arrogante) quanto a tudo o que se passa no meio agrícola.

Qual o caso destes ministros? E ainda de outros mais, que têm manifestado autismo, por sofrerem da maiorite-absoluta?

Para mim são as duas coisas: arrogância e incompetência.




25.9.05

Os sombristas e Cavaco Silva

Andamos há mais de trinta anos a ouvir o discurso do perigo da Direita, do fantasma do Fascismo ou, mais recentemente, do liberalismo.

O perigo da Direita! (como se houvesse uma Direita, verdadeira e ameaçadora, em Portugal. Com valores identificáveis, com os de personagens sinistras- curiosamente o termo sinistro, em italiano, língua com a mesma raiz da nossa, significa esquerda...)

Neste momento, em que se rapidamente se aproxima a data em que Cavaco Silva pode vir a anunciar a sua candidatura a Belém, cresce o frenesim das gentes que se sentem ou julgam de esquerda, na mesma medida em que se conjectura sobre uma vitória esmagadora (e muito provável) do candidato, ainda virtual, que poderá efectuar o bloqueio da tomada de poder total da esquerda-polvo, que pouco a pouco estende os seus tentáculos para tudo o que seja posição ou função dependente do Estado (já que a nível privado não se conseguem afirmar suficientemente?!).

E tenta-se, uma vez mais, depois de tantas em trinta anos de quasi-democracia (esta espécie de democracia-letárgica em que vivemos...), assustar os eleitores portugueses com o perigo da Direita: "...é preciso é derrotar o candidato da Direita", dizia o triste poeta (quasie-poeta) Manual Alegre. E como eles outros sombristas (fica-lhes melhor este termo do que o de socialistas, ou bloquistas, já que a sombra que tentam projectar sobre perigos inexistentes é-lhes a todos comum).

Há de facto uma ameaça real ao nosso país, uma sombra projectada pelos profissionais da política -aqueles que dependem sempre do poder para perpetuarem as suas elevadas condições económicas, as suas mordomias e as suas arrogâncias - homens como Guterres, Soares, Sócrates, Alegre, Almeida Santos, Coelho, etc. Homens que sem a vida política ficam sem lugares, se funções e sem emprego: os sombristas.

A ameaça, a sombra, que tais interesses corporativistas estatizados projectam, sobre a nossa vida politica e, pior económica, mas também cultural, deturpando tudo e a tudo influenciando (desde o polvo que têm vindo a instalar a nível da comunicação social à sua instalação sistemática e progressiva em todas as funções que dependam de nomeação do Governo), é real e vai estrangular, asfixiar e impedir o futuro ao nosso Portugal.

A ameaça dos homens sombra, dos demagogos sombra da esquerda triste, anacrónica e degradante que temos, é uma ameaça real.

De vez em quando aparece um projecto, e mais outro projecto e nada de concreto.
Todos os dias temos a propaganda política do governo triste e medíocre que temos, através de órgãos como a TSF e outros, sobre uma pseudo-actividade que nunca chega a existir, ou concretizar-se, de um Governo de maioria, mais apostado em servir-se e servir amigos, e afinal, o que se nota é uma degradação contínua e progressiva da nossa vida real, comprometendo o futuro e, ainda pior, uma crescente contestação social que não apazigua a nossa vida social, nem contribui para um clima de confiança e produtividade, económica e cultural.

Só um homem pode travar este estender de tentáculos do polvo, do polvo dos homens estado-dependentes. Os homens sombra da nossa política. Os sombristas.

O homem indicado, no momento, é Cavaco Silva.

23.9.05

A sensação de asco

Chegar uma vez mais a Portugal, vindo de outro país, e ler nos nossos jornais as últimas noviades dos nossos candidatos autarcas-indiciados...

Um em Amarante, que até se gaba das suas patifarias. Goza com o diheiro público...e o público promete votar nele...

Outra que veio do Brasil, preparou tudo com o isteme judicial e (obviamente tinha de lhe agradecer e mostrar reconhecimento público, terá sido a única coisa que lhe pedirram, como parte do pacto?) e com o chefe do seu (ex) partido...

Que delícia!

Nessas localidades onde tudo se prepara para votar e eleger tais candidatos, as mesmas que votuperam "Lisboa", jurando a pés juntos que "lisboa fica com tudo" (mama tudo), mesmo que, depois, as estatísticas comprovem o contrário (que o tal Norte, hoje abaixao uns 13-15 % da média do PIB nacional e baixo da oficial "pobreza", esse Norte afinal leve bem mais do que Lisboa, no aos fundos europeus diz respeito)

A isto assiste um Presidente inapto- sempre o foi desde o início do primeiro mandato- e uma oposição amorfa, que ainda assiste a bem pior coisa: o polvo socialista que se vai instalando e "mamando"

Choro ou vou-me embora?

7.9.05

Argumentos infantis

Os argumentos e as bases da extemporânea, desenquadrada e retrógada candidatura de Soares, partem de um errado presuposto, que se quer a todo o custo fazer passar como mensagem nacionalista, ao povo português:

O de que sendo ele uma referência na vida política nacional se sente obrigado, melhor, compelido, a se candidatar porque é urgente dar uma nota de positivismo, de ânimo e de optimismo a todo o país.

Será ele a pesssoa indicada? Se, ao apresentar a candidatura, uma das ideias que ventilou foi a de uma certa urgência na vida nacional, ou de uma certa fatalidade, principalmente se se confirmar a candidatura de Cavaco Silva.

Estamos outra vez, como Soares tanto aprecia, numa daquelas ocasiões em que se dramatiza a situação, que pode advir da vitória do candidato que não é da esquerda (neste caso não é indiferente que possa ser Cavaco Silva...)

Dois erros pois, melhor três, em todo este processo:

  • Soares foi uma referência na nossa política, mas as referência não sendo eternas, ele não a é mais;
  • Dramatizando a situação, põe-se, em primeiro lugar, em causa, o desempenho de um Presidente cessante socialista, também ele e o de um Governo maioritário;
  • O de apenas os políticos da áera socialista serem patriotas e democratas e os restantes ameças à Democracia
Os dois primeiros erros de concepção desta candidatura-em-desespero por parte da esquerda voltar-se-á contra a própria esquerda. O terceiro é muito mais lesivo da Democracia do que uma qualquer eventual e remota ameaça de direita ou liberal- como se aidna hoje fosse possível uma regulação nacioanl da vida económica, que não se faça depender das orientações da União Europeia!

Muito grave é esta nuvem socialista, feita de gente que nuonca fez mais nada que não fosse depender da política e do Estado. E se a nuvem se estendesse a Belém, numa perigosa- essa sim- hegemonia, coisa que o nosso povo não permitirá, então já nem vale a pena...sentirmo-nos portugueses...

...o que a Espanha- posso afiançar- agradece ( e nem quer saber de nos retirar a independência como nação, sair-lhes-ía muito mais caro!)

Pois, Mário Soares nem parece ter a noção daquilo a que nos quer conduzir!

2.9.05

To New Orleans

Conheci New Orleans em 2000. Gostei imenso da cidade, por ser diferente, por ter um bairro francês bonito e animado. Pelo Jazz, pelas luzes ao fim do dia, pela "loucura" dessa cidade pouco americana. Pelo Preservation Hall e todos os demais locais de música genuína, dessa cidade única, agora ferida.

Hoje sinto uma tristeza pela cidade e esforço-me por recordá-la tal como a conheci. Arrepia-me pensar na inundação da cidade e ainda mais, no desalojamento de tanta gente, na desolação e nas horas difíceis porque estão a passar.

Outra vez o Soares? Tá tudo doido!

Ia eu pela Autovia del Mediterraneo... "el anterior Presidente de Portugal Mario Soares ha comunicado que se canditará al presidencia de Portugal diez años despues del término de su anterior mandato"...

Saber eu eu (quase) sabia, mas a coisa é tão estúpida que nem se quer acreditar. O homem tem 80 anos ( se fosse eleito, coisa que nem me passa pela cabeça, terminaria o mandato com 85!!!)

Náo há mais ninguém no meu país, lá pela (dita) esquerda que reuna o consenso para ser candidato dessa ala política?
A esquerda "tá" assim tão mal? Mas não tiveram eles a maioria nas últimas eleições legislativas???
Não se entende. E o Soares continua a julgar-se uma referência? E uma referência insubstituível?
Não há paciência!

22.8.05

Entre aeroportos e outras paragens

Entre aeoroportos e outras paragens- casa, outros países, férias, casa, outro país, etc...- só aqui venho para manifestar as minhas saudades por este espaço...

...e para mantê-lo, ainda, vivo.

Abraços! Até ao fim de semana próximo!

3.7.05

Mais uns disparates do Ministro da Economia...

Manuel Pinho, sobre a oportunidade da energia nuclear em Portugal, de manhã, ainda de ideias fresquinhas: o nuclear é "muito actual, devido à alta do preço do petróleo... deve ser olhado com a máxima atenção e seriedade".

Nesta altura, cauteloso, como é norma em quem não entende nada de determindada matéria, protegendo-se, Manuel Pinho, diz aquele tipo de coisas que não são "carne nem peixe". Mas isso é normal, nem o ministro tem de saber de tudo e energia é matéria de Engenharia e não de Economia, embora muitos tendam a pensar o contrário.

Mas, permitam-me, quando o ministro afirmou que a energia nuclear poderia estar entre as formas de energia, alternativas às energias fóssseis derivadas de petróleo, a serem consideradas estratégicas para o país, estava no caminho certo.

Mais tarde, pela hora de almoço, o mesmo Manuel Pinho dizia que "A grande prioridade do Governo são as energias alternativas e a eficiência energética, que têm um peso muito grande no programa de investimentos em infra-estruturas hoje apresentado" (estratégia, aliás, correcta e de grande visão, mas já lá iremos...) .

Nada contra a opção pelas energias alternativas, excepto que, para mim, tais forma de energia (solar, eólica, das marés, biogás...) só não têm avançado em Portugal (a Grécia tem o mesmo número de horas de sol de Portugal e já o líder mundial em nergia solar...) porque os corporativismos do costume nunca consegiram acautelar definitivamente os seus interesses assim como garantir os fundos europeus convenientes. Mas como agora temos um Primeiro ministro que já andou por esses "lados" das energias alternativas... aposto que haverá, muito proximamente, condições para todos (leia-se "alguns"). Embora, de urgente, já exista m caso a resolver: o de uma empresa alemã que tem um projecto avançado para energia eólica e está desde 2004 a aguardar autorização - coisa que também faz dos dois governos do PSD algo responsável, diga-se.

Agora o que não faz sentido e é pueril é ignorar a energia nuclear. A energia, nuclear e as ditas alternativas não poluentes (ou menos poluentes, paar sermos mais precisos) podem ser negócios exportáveis para Espanha...ou não, senhor ministro?

Uma sugestão ao Governo: se o programa de Governo não contemplava o nuclear que importância tem isso? Também não contemplava aumentos de impostos...
A minha sugestão é qeu se estude de novo e rapeidamente- até porque os exemplos de outros paises permite acelerar a fase de "estudos" em que Portugal e, particularmente o PS, é tão pródigo. Mas que não se ponha de fora nenhuma opção, viável claro, de energias alternativas às do petróleo, que se prevê ainda aumente mais e torne Portugal um país sem futuro económico absolutamente nenhum. Nenhum! (leiam-se os últimos relatórios de especialistas em que se prevê o fim do petróleo, com o consequente reflexo nos enormes aumentos do preço do barril).

Esta é uma matéria da maiior mais urgente importância para o nosso país!

24.6.05

No Portugal Profundo...e por todo o lado

Vale a pena ler este texto, Do Portugal Profundo ( o link está ali acima, no título do post)...
...e atentar onde estamos...com quem estamos.

Isto é para si, principalmente, senhor Jorge Sampaio, para mais uma das suas cruzadas...

18.6.05

Post ligeirinho de fim de semana

Hoje andei nas minhas lides de pai em fim de semana.

Entre deiversas actividades... tive de levar uma filha a uma festa de aniversário. Seria absolutamente normal, para pai em fim de semana- quem é pai ou mãe, com filhos em idade escolar, sabe do que falo- não fosse que a festa se efectuava na Costa da Caparica, no INATEL (Inatel, imaginem...ainda existe! Existe, persiste e tem culto, com uma das glórias do antigamente, do tal outro regime). Existe e lá estavam pessoas com ar feliz. Pareceu-me. Acho muito bem, quem sou eu...

Ora, ir de Benfica (pois, ainda há gente que vive em Benfica, diria um amigo meu...) até à Costa, num fim de semana de Verão ?!? Há cada um... isto só mesmo para pais... às duas e mei da tarde?! Regresso previsto para as 18:30 h ?!

Fiz o pânico todo ainda nem o elevador havia chegado ao meu piso, antes ainda de descer à garagem com a filhota. Eu ia meter-me numa daquelas bichas (as de carro, as filas de trânsito, tenham lá paciência...or'essa!) de praia? Nem acreditava em mim...

Na estrada, com a filhota e uma colega da escola- "podes levar a minha filha que nós não estamos cá"...o esperto, ahn?- até nem tive grandes problemas com o trânsito. Pelas 15 h e algo lá estava, ou seja, isso após um curso de interpretação cartográfica que tive de fazer pelo caminho, para descobrir o tal Inatel da Costa.

Numa área bastante considerável, inserida num parque de campismo, dos bem portugueses, diga-se, com a terra, pó, obras, zigue-zagues, tapumes e mais à mistura, lá estava a piscina da festa. Imensa. Descomunal. Dois milhões de portugueses, no mínimo, lá se encontravam também... Que pena tive da filhota... mas o espaço era enorme, de facto.

Quando vinha a sair..."o senhor é daqui?" perguntou-me um rapaz... devia ter ar de ser dali...não sei porquê.
Eu achava que, ali, as pessoas tinham aquele ar deslavado de, sei lá, catecistas? macrobióticos? (não me levem a mal, não tenho nada contra) uma espécie de gente, saída de um filme antigo, um filme com quarenta ou mais anos. Despigmentadas, descoloridas mas, talvez, com ar feliz.

Ainda não havia percorrido o caminho todo, de regresso ao carro, e voltaram a dirigir-se-me: "quanto custa a entrada na piscina do Inatel, senhor?" Devia mesmo ter ar de ser dali...mas não queria...

Junto ao carro havia uma vedação, que separava o parque- parque é figura de estilo, enfim, terra seca e pó em barda, a dar negócio aos fabricantes de graxa para sapatos e às estações de lavagem de automóveis- do restante recinto, um grupo de idosos lia um papelinho apenso à porta da dita vedação: e liam, todos, concentrados, como se de um jornal de parede chinês se tratasse, anunciando uma novidade política qualquer: "Informam-se os utentes que ao Domingo e Feriados estamos fechados". Qualquer coisa assim. Estranho... justamente aos Domingos e Feriados... então paar que servia "aquilo".
Eu devia ter lido mal. Eu não era dali.
E o ar daqueles idosos... de calção...mais um filme antigo...
Lembrei-me dos Serões da província". Que aconchegante!
Felizmente que uma outra mãe de colega da minha filha iria fazer o favor de a trazer de volta...

A ver se conseguia umas horitas egoístas, para me entregar a um livrinho, que me tem levado para lá deste mundo, que me vai dando bons pedaços de vida e de ar puro de imaginação.

(antes isto que pensar em política, com este calor!)

15.6.05

Continuemos nesta senda de medíocridade

Sócrates já "conseguiu" os novos mil empregos. Mas apenas para os amigos:

Gostores hospitalares, gestores de empresas públicas ou participadas do Estado (Estado não é Governo! Oh usurpador!), Directores Gerais, Sub-qualquer coisa, sub-, vice- sub-vice, adjunto, adjunto-sub, adjunto-sub-vice, etc...

Mas diz o palerma do Primeiro Ministro que foram apenas lugares do Governo, ou de confiança política. Pois... entre nós portugueses, só existe confiança política entre membros do mesmo partido (será partido, com maiúscula?).

Enganei-me ali em cima...palermas somos nós!

Mas fiquemos descansados, estes agora nomeados oferecem mais confiança, são verdadeiramente mais competentes. E também não vão lá ficar muitos anos. Apenas o suficiente para garantir mais uma reforminha...para além das outras três ou quatro que já possuem.

Ah...que se passou com a reformita do Senhor Ministro das Finanças? E o das (des) Obras Públicas?

Agora entendi... estes 1.000 (mais de 1.000) eram essenciais para o choque tecnológico e para a redução do défice. Eles vão criar, não empresas, mas comissões para estudar, estudar, estudar o choque... traumatológico que iremos sofrer quando, no final de 2005, o défice chegar aos 7,5 %...

Que palerma eu sou! A por em dúvida o iluminado, superiormente inteligente "grego".

Força portugueses, continuem a preferir o "grego" e dêem-lhe as sondagens que ele tanto gosta. Tão bem fabricadas...

13.6.05

Três mortes...

(Sem ver o que hoje se escreveu, pela bogosfera, sobre a morte de Álvaro Cunhal, de Vasco Gonçalves ou de Eugénio de Andrade, para não me deixar sugestionar)

Morreu Cunhal...

Custa a morte dele, pois já tive de ver e ouvir Soares tantas vezes, vezes de mais...e outras ainda piores. Dizem todos que foi um grande homem. Inteligente, sim. Líder, sim. Organizado, decidido, convicto, persistente, lutador. Tudo isso, sim. Mas que mais? Também perigoso, irresponsável: de que serviram as nacionalizações (perdão, roubos de empresas de outros), as manifestações, greves...algumas sim, mas o clima de instabilidade...olhe-se para Espanha e comnpare-se! Hoje pagamos e muito caro o que homens como ele nos fizeram ao país. Não tenho nem uma réstia de dúvida. E eu saí à rua na primeira mainifestação do 1º de Maio em 74 e depois voltei já em 1975... e fiquei-me por aí, quando assiti ao quebrar das sedes do CDS, das agressões de rua a manifestantes do PSD, quando tentavam colar cartazes de campanha eleitoral...os meus prórpios irmãos foram agredidos por esses anos de 75 e 76..em nome de Cunhal. Fico-me com essa memória dos seus feitos, se não se importam!
( uma memória tão degradada que até me esqueço dos seus dotes artísticos...que pena)

Vasco Gonçalves:
Nada me custou na morte dele...pois foi o homem de mão de Cunhal e pouco mais. Agora dizem.nos que tinha ideias... mas, na altura eu já lia, e tentava manter-me informado...lembro.me muito bem dos seus discursos, estúpidos e vazios, típicos de um militar sem nada de cerebral. Nesta óptica, que diferença para Cunhal! No resto... foi o executante das nacionalizações. Esses roubos institucionalizados que envergonham Portugal. Se os antigos donos dos impérios económicos não serviam a um país democrático, também o que veio depois não melhorou nada. Mas atrasou-nos o desenvolvimento... que ainda aguardamos...
Um desperdício de tempo e uma vergonha é o que penso do "camarada Vasco".

Eugénio de Andrade:
Um enorme poeta. Também politicamente polémico... mas tão grande na sua arte que tudo se lhe perdoa...e aliás era um direito dele (porque as suas ideias não nos empobreceram e até nos engradeceram). Este sim, uma perda enorme!

O Poeta que escolhia as palavras simples e belas, para nos encantar os dias. Um homem simples e de grande visão.

Um músico das palavras.

Este poeta devemos chorar, como alguns dos seus poemas choraram por nós!

O grande Poeta nada tem de comum com os outros dois (pessoas que infelizmente a História não deixará esquecer, como não se esquece de Salazar...)

7.6.05

Classe média emprobrece o(no) país!

"Classe média empobreceu mais de 15% em 4 anos".

Este é o título do DNnegócios de hoje.

Há anos que digo em todos os círculos, de amigos, de colegas, pessoas em geral com que vou tendo oportunidade de conversar sobre a visão, o rumo e a estratégia que Portugal tem seguido ou devia seguir, que enquanto não tivermos uma classe média mais rica, mais folgada financeiramente, com capacidade de investir em pequenos negócios, familiares, ou pequenas sociedades é impensável e impossível esperar-se qualquer desenvolvimento acelerado para o nosso país.

Mas eu sou apenas eu...

A classe média é o estrato social mais numeroso em Portugal, tal como na maioria dos países europeus, ou de cultura ocidental.

Nesses países foi sempre da classe média que surgiram os mais inovadores investimentos, as mais inovadoras empresas e projectos económicos. Nunca das grandes multinacionais, que aliás tiveram também, todas esta mesma génese.

Foi assim na Alemanha, em França, no Reino Unido, em Itália, em Espanha (ainda hoje é assim em Espanha), nos EUA.

Não é assim, ainda, em Portugal. Porque a classe média não é valorizada, não é estimada.

Só haverá uma grande revolução económica quando à classe média forem dadas as condições para se erguer de novo. Quando tiver alguma capacidade económica, para que os seus licenciados, técnicos ou da área económica, possam criar empresas de grande valor tecnológico e elevado potencial crescimento.

A Classe Média não empobrece o país, mas não existindo no seu esplendor, não permite o seu enriquecimento.

Ainda teremos de esperar, que deixemos de ter Sócrates incompetentes que não entendem nada mais do que a distorcida lógica do Estado.

Ainda teremos de esperar...

4.6.05

Uma vergonha no (de) Governo

Quero começar por referir ( e cumprimentá-lo por tal) mais um excelente artigo de Rodrigo Moita de Deus, no Acidental.

Penso exactamente o mesmo sobre esta situação. Que foi criadra por Campos e Cunha e não por um qualquer de nós. Ele criou, preparou, a regra que fez com que ele próprio pudesse usufruir, ao fim de APENAS cinco anos de trabalho (muito esforçado, extenuante, desgastante, apoiado em umas três ou cinco secretárias , una cinco assessores e um motorista...?!? Ou eram mais ainda?) certamente de grande valor (ninguém sabe qual...já que agora tudo continua na mesma, na banca, na economia, nas finanças portuguesas (mas continuamos com este desfilar de vassalagens aos GRANDES especialistas portugueses, que fazem um doutoramento nos "states" e ...continuam teóricos), certamente de grande valor para SI MESMO.

O ministro não abdica dos seu PRIVILÉGIOS ESPECIAIS.
Agora também o seu colega das (des)Obras Públicas (Mário Lino)tem privilégios de qua não abdica. Eles assim decidiram e já está.
Primeiro decidiram ter os privilégios, porque se sentem especiais e melhores do que os demais. Porque lhes apetece ter mais um dinheirinho, para ombrearem com os gestores (exploradores e delapidadores, também eles, das suas próprias empresas privadas, que depois querem benefícios e subsídios, para formação e para investimento...e ainda insultam o Estado, por isto e por aquilo). Porque querem ter os privilégios e porque sim!
Depois decidem manter os privilégios (três mil contos pagos por uma instituição para quem já NÃO TRABALHAM, e não é privada!?!). E apenas se dignam afirmar que não vão prescindir de nada. Nós só temos de ouvir e aceitar!

Porque nós somos os burros, as crianças, os ignorantes, os estúpidos!

Mas há mais dado insignificante...o mesmo Ministro Campos e Cunha pretende impor a revogação e o abandono de privilégios idênticos (só diferem os valores e instituições) aos outros detentores de cargos públicos. Boa Ministro!
Devo dizer que tinha grandes esperanças neste Ministro. devo ainda dizer que nem acho que ele se deva demitir. Nunca. Tem de trabalhar por aquilo que preconizou e assumir o seu próprio plano. Um Ministro é um funcionário nosso, numa Democracia. Se não o é, então também isto não é Democracia (vide exemplo da Democracia Britânica! Lá têm os políticos que prestar contas de TUDO e não se imiscuem a tal. Nem recebem muito por serem Ministros).

Não ponho em causa aquela estupidez de afirmar a legalidade das contas, dos privilégios e da razão do(s) Ministro(s). Não caio nessa...

Lembro que no tempo de Salazar também a polícia política era legal. E na ex-URSS também...
Mais recentemente em Itália Berlusconi legalizou a sua ilegalidade e criou para si uma imunidade antes inexistente, imiscuindo-se a um processo judicial.

Ontem ouvi a Inês Serras Lopes do Independente (quem nem costumo ler) e fiquei abismado pela sensatez e razoabilidade dos seus argumentos.

Hoje leio no Expresso os resultados as sondagens do amigo Oliveira e Costa (que há anos as fabrica para o PS) e interrogo-me sobre o estado de doença em que estamos.

Uma palavra não se pode aplicar Campos e Cunha ou a Mário Lino: corrupção. Mas VERGONHA, sim!

Eles recebem, assim, mais do que o Presidente da República (que até nem trabalha muito, sabemos...mas irrita bastante, sabemos, enfim, mas sempre é Presidente)

É uma vergonha, Senhores Ministros! É uma vergonha para José Sócrates, pelo que ontem disse sobre sito. Voltou à história da cabala e da perseguição. Mas...não foram os seus ministros que deram azo a isto? Não foram eles os causadores desta IMORALIDADE?

Agora uma promessa lhes faço: deste insignificante blogue não darei tréguas a estes Ministros que me trazem uma vida pior e mais degradada - e eu nunca fugi a impostos, porque nem para isso tenho meios - e se outorgam a si uma vida privilegiada. Porque merecem já que contribuem para piorar a minha.
Não lhes hei-de dar descanso!

Nem a Sócrates enquanto não perceber bem o que se passou entre ele e as cimenteiras, nomeadamente a da Outão, na Arrábida, para terem a garantia da co-incineração...
Há ainda muito para saber sobre isso...

3.6.05

Freitas do Amaral continua na senda dos disparates

"Eu em dois meses e meio já fiz mais pelos portugueses do que se tivesse sido Presidente da República"

A frase é de Freitas do Amaral, em entrevista a Judite de Sousa, hoje na RTP 1.

Referiu também que o cargo de Presidente da República (PR) não tem uma função de muita importância (Sampaio, em casa, com o seu bom carácter, deve ter-lhe chamado uns nomes lindos...)

Excelente! Diz tudo de um homem que parece estar a caminhar a passos largos para a incapacidade... e sem dar conta do que diz.
Ele próprio já quiz ser Presidente. Nessa altura estava convicto que seria muito útil ao país. E que era o melhor.
Agora é outra vez o melhor...e já fez muito em dois meses e meio- mas ninguém deu por nada (terá sido só para alguns, que fez muita coisa, como é habitual no PS?)

Mas a resposta não nada a ver com o actual PR nem com as suas genuínas ideias sobre o cargo, a função de PR.

É uma resposta viciada. Viciada porque vem de quem já sabe ( etodos nós também sabemos) que, desta vez, se Cavaco Silva for candidato à PR o PS não terá ninguém à sua altura, para concorrer com ele e ganhar.

Isto diz muito deste homem. Um político menor, mesquinho e movido por interesses de ocasião. E, para mim, de nada lhe servem as eloquências e falinhas mansas. Mesquinhice e política de "trazer por casa" não se conseguem disfarçar.

Já fez mais em dois meses e meio...Eheheh. "Presunção e água benta..."

Mau é ainda termos gente desta na política.
Vejam outra maravilha deste homem, na mesma entrevista:
O problema do referendo em França foi da cisão no PS francês...foi Laurent Fabius que a provocou e, por isso, o sim não teve força suficiente.

Onde deixa, um pensamento destes, o povo? O tal povo a quem se pede encarecidamente que vá votar? E desta vez votaram 80 % em França! Então se o povo conta assim tãopouco, porque tudo se decidiu nas "altas esferas" da politca francesa, esse povo é imbecil, afinal??? E isto que faz da Democracia? À Democracia, francesa ou outra.

Mais uma pérola do senhor Professor: (sobre o Tratado Cosntitucional Europeu) "Portugal já tem a sua posição! O PR tem a sua posição e o Primeiro-ministro também". Então para quê o referendo???? (que alías já nem serve de nada, pois o Tratado já foi chumbado definitivamente) É este o respeito que um homem como ele tem pelo povo??? Portugal já tem posição porque DOIS homens já a têm e já a definiram!

Que apetece chamar a um homem destes?

Há uns meses, aqui, manifestei a minha opinião sobre Freitas...houve quem se indignasse, pois o senhor Professor até já tinha sido Presidente da Assembleia Geral da ONU- cargo, aliás que não serve para nada, mas nesse caso ele não disse o que agora afirmou sobre o cargo de Presidente da República Portuguesa.

Um político menor, sem ideias, mas cheio de contradições. Um político menor que já fez Portugal perder muito tempo, dando-lhe ouvidos e atribuindo-lhe um estatuto que não merece. Não basta ser-se Catedrático de Direito e fundador de uma Faculdade, para que SEMPRE se tenha de ser levado a sério e respeitado.
Já muita gente "bem lá em cima" disse e fez disparates...São tantos os exemplos.
Os portugueses têm sempre um certo fascínio pelas pessoas em posições elevadas, mas este caso, de Freitas e seus disparates merece-nos consideração???

1.6.05

Dia Mundial para algumas crianças

Não costumo seguir a “tradição” bloguística de dedicar, sempre e por norma, um artigo a um Dia Mundial de “qualquer coisa”, mas hoje, Dia Mundial da Criança, é a excepção que tudo justifica.

Pelas crianças.

Pelas crianças, o nosso último reduto de felicidade, o nosso último repositório de esperança, de fé num futuro tantas vezes sonhado e outras tantas desiludido, vale a pena dedicarmos uns minutos a escrevermos aqui e muito, muito mais do nosso tempo- a nossa vida toda, se pudermos!- a falarmos delas, a trabalharmos e vivermos para elas.

Querendo escrever um pequeno texto, pequeno porque os grandes textos não são os mais inspirados e elegantes e podem ser inadequados ao objecto que aqui pretendo tratar, as crianças, comecei afinal por dar um tom menos positivista.

É que se a todos nos inspira e nos puxa para a frente, vermos uma das nossas crinças crescer, aprender, evoluir, nestes dias de pouca fé no nosso futuro caímos repetidamente na tentação de sentirmos que o futuro delas, crianças, está muito mais comprometido e condicionado do que está o “nosso tempo”, o ainda nosso futuro. O nosso futuro que é o de sermos ainda por muito mais anos os subalternos dos europeus, dos espanhóis. Os nosso licenciados e especialistas que fizeram o mesmo esforço do que os do país vizinho vêm agora, e mais no futuro próximo a sua carreira ser uma espécie de subalternização das responsabilidades, funções e posições dos outros. O nosso futuro é curto, é mau e é infeliz. O futuro das nossas crianças poderá não ser melhor do que o nosso.

Mas temos a enorme responsabilidade de o fazermos melhor.

Num espaço europeu que deveria permitir oportunidades e condições de vida mais aproximadas entre os vários países, vê-se cada dia mais crescer a desigualdade, a assimetria. Tudo pelo mau trabalho que fazem os pais deles. Os nossos dirigentes políticos e empresariais que, ao imaginarem que podem estar a dar melhor vida e futuro mais garantido aos seus filhos, pelo modo de vida novo-riquista que criaram, não entendem que às suas próprias crianças os espera uma situação de subalternização em relação a Espanha, por exemplo. Que lhes podem dar todos os cursos, formação e pós-graduação, nacional e internacional, mas isso não irá garantir nada nem coisa alguma. Não podem assegurar esse futuro a não ser que hoje dispensem o seu modo de vida novo-riquista, egoísta e despesista e passem a sentir outra consideração por todos os seus colaboradores. (uma empresa espanhola vem hoje a Portugal procurar profissionais para lhes pagar mal, muito mal, pois sabe que assim pode fazer. E isso com profissionais muitas vezes mais qualificados e preparados do que eles próprios. Quem conseguiu isto foi o egoísmo dos nossos dirigentes e empresários, ninguém mais).

Os dirigentes que temos têm esta responsabildade, que é ainda maior do que a nossa. è a responsabilidade de quem dirige uma empresa, de quem investe. É a responsabildade de quem politicamente nos conduz, e de quem ainda teima em comprometer o futuro da classe média e das classes mais baixas da nossa sociedade. Toda a possibilidade de crescimento, de investimento de melhoria do futuro das nossas crianças está depositada em tais (maus e muito incompetentes) dirigentes. Em mais ninguém. E isso é muito mau. De mau presságio.

As crianças que hoje vemos a crescer e aprender, com tanto esforço- em meios urbanos muito mais “entupidos” de pessoas, de automóveis de actividades, de problemas- que hoje vemos a aprender um instrumento musical tão difícil como o violino ou o piano, porque também têm hoje mais oportunidades para tal, é verdade; que com isso nos dão tantas alegrias e nos comovem e nos orgulham, têm um futuro muito difícil e incerto à sua frente.

E estas são as crianças privilegiadas. Porque neste injusto mundo há milhões e milhões de crianças que não conhecem esta linguagem: a linguagem do desenvolvimento, da alimentação adequada, do crescimento- porque muitas não sabem que não chegarão a crescer e a se tornarem adultos, infelizes, mas adultos- a linguagem da cultura, do bem estar, de ter um futuro.

As nossas crianças podem não ter um futuro, uma vida, como o terão as dos países do centro da Europa, com mais oportunidades e menos incerteza, mas terão seguramente muito melhor vida do que as crianças de Moçambique, do Sri Lanka, da Indonésia, do Sudão, da Índia ou mesmo da China, e ...tantos outros países que somam duas terças partes do nosso mundo cruel. Estas crianças em número esmagador não chegarão em grande parte a deixar de o ser. Nunca passarão de crianças. Nunca serão adultos.

Queria um texto alegre, de regozijo e orgulho e vaidade pessoal pelas minhas próprias crianças, que são fantásticas e felizes, e privilegiadas também.

Não consigo escrever tal texto.

Não sou capaz de escrever coisas belas e bonitas ao lembrar-me de tantos milhões que nem sabem que dia é hoje.

Porque hoje devia ser o seu Dia.

Hoje devia ser o Dia Mundial da Criança.

Mas não é.

Vou hoje dar uma prenda e umas horas mais às minhas crianças... e pensar em todas aquelas que não têm muitas pessoas que pensem nelas...

(e isto, mais do que tudo o que já escrevi até hoje, custou-me imenso a escrever)

30.5.05

Os economistas

(insistindo em escrever apenas para mim... e para mais alguns habitués...mas hmmm não sei se me apetece mais comentar nos blogues de outros...)


Os economistas.

Tenho muita consideração pelos economistas. Perdoem-me os outros especialistas de tantas outras áreas. Os getores, quero dizer, os licenciados em gestão em particular. Porque pelos graduados em Gestão não nutro nem uma parcela ínfima da consideração que tenho pelos economistas.

Nada de orgânico, nem de particular animosidade. Até conheço alguns gestores por quem tenho a maior das considerações pessoais. Mas, desculpem a minha manifesta ignorãncia, nunca entendi porque razão um licenciado em Gestão é, de forma natural, um líder, numa organização empresarial, muitas vezes assumindo logo de entrada nessa organização posições de superior hierarquia, onde outros já (tentaram ou) demonstraram valores firmes de qualidade profissional. Uma carreira deve iniciar-se sempre por uma base e por um tempo de formação. Nem um suposto formado em Gestão, dando de barato que a sua formação é a adequada a líder da organização (Administração, Direcção, etc.) deveria entrar logo directo ao topo da empresa/organização empresarial.
Por tal não acontecer... muitas são as vezes em que os ditos "gestores" são os mais incompetentes profissionais da organização. Onde os outros necessitaram de formação e tempo de adaptação, os "gestores" demonstram aptidões pouco consentâneas com a condição de recém licenciados.

Esta é uma permissa, para mim, completamente errónea nas nossas empresas ( em muitas delas, principalmente as familiares); uma má interpretação da real da diferença entre a vocação de um curso e a aptidão de um recém licenciado.

Já com os economistas não se passa, frequentemente, a mesma coisa. Sofrem, em geral da necessidade do mesmo tempo de formação de um engenheiro, arquitecto, médico, etc.

Mas o meu apreço e consideração pelos economistas tem a mais a ver com o facto de eu ter gostado de ter estudado economia e, só muito tarde, quando já estufava engenharia me ter apercebido disso.

Tem também que ver com o facto de dominarem matérias de alguma aridez, para a maioria de nós, que ainda para mais envolvem decisões com enormes repercussões nas nossas vidas. Ainda tem a ver com o facto de se tratar de uma formação baseada em muita teoria... e pouca concretização. Não, não é contraditório...

Se são muito teóricos, no limite, a interpretação das suas ideias e afirmações deve ficar-se or aí mesmo: ser tomada como teórica. E não vem mal ao mundo, excepto...

... quando envolve decisões governamentais...

Todos os economistas afirmam que o recente anúncio de subida de impostos irá conduzir a um agravamento da recessão...mas aplaudem mesmo assim!

Expliquem-me...(coitado de mim e das minhas limitações). Há uma recessão boa e uma recessão má?

Isto faz-me lembrar a anedota da hiena: a hiena é um animal que come feses de outros animais, faz sexo uma vez por ano...e ri. De que se ri a hiena?

28.5.05

Garotice, falta de ética e Estatismo

1. Ferro Rodrigues afirmou, em entrevista na rádio (não o cito por ele ter alguma importância, note-se, mas para que, como mau exemplo, os "outros" seus companheiros, tenham mais sensatez, evitando criancices, garotices e uso de má-fé) que, se Cavaco for Presidente da República (ainda nem confirmou se é candidato e já temem a sua inteligência e postura de honestidade e de estadista), teme (ele Ferro, o de boca de cavalo..no que diz, claro...) que o Governo possa ser demitido, por dissolução da Assembleia da República.

2. Marcelo Rebelo de Sousa disse que o Presidente ideal será Cavaco pois, na actual conjuntura, sendo um especialista de assuntos económicos, pode dar um contributo e uma ajudo ao próprio Governo.

Qual das duas posições (opiniões) é mais sensata e mais realista? Qual das duas opiniões é mais própria de um homem de Estado, com sentido de responsabilidade? Qual das duas é mais própria de quem age apenas por moto e interesse próprio, apenas vinculado aos seus interesses pessoais e partidários, apenas com o egoísmo de quem procura apenas "abotoar-se" bem e tratar de garantir a sua vidinha e dos seus correligionários?

Eu tenho a minha opinião, clara e inequívoca sobre o assunto: nunca passará pela cabeça de um português sensato, honesto e responsável que Cavaco se irá preocupar mais com o futuro político dos seus amigos partidários do que com o país. Ele mesmo já diversas vezes se destacou dos seus amigos políticos, sempre que considerou que o país estava em primeiro lugar...sofrendo com isso, nos últimos tempos e repetidamente as críticas de alguns dos anteriores dirigentes do próprio PSD.

Ferro é, como sempre foi... próprio Sócrates também já o demonstrou, um homem para quem a ética política não tem significado algum. Um homem frustrado e solitário, irrealizado politicamente, que só é ouvido por uma comunicação social que comunga da mesma ausência de ética, sentido de Estado e nacionalismo que ele. A mesma comunicação social que continua a ouvir homens mentalmente esclerosados como Mário Soares e Manuel Alegre...

Sócrates tem, ao menos, a seu favor a juventude mental suficiente para se demarcar de tais tremendas faltas de sentido nacional e de ética política.

Portugal não lhe perdoará uma oportunidade perdida, se se deixar arrastar por barcos à deriva como alguns elementos que insistem em por em primeiro lugar os seus interesses pessoais e dos seus amiguinhos, relegando os interesses de Portugal, dos portugueses...

Homens como Ferro Rodrigues, Jorge Coelho, Mário Soares...

27.5.05

Master Toíbin



" It seemed strange, almost sad, to him that he had produced and published so much, rendered so much that was private, and yet the thing that he most needed to write would never be seen or published, would never be known or understood by anyone."

Colm Toíbín, The Master

Colm Toíbín é hoje um dos melhores escritores de língua inglesa. Um livro seu, já traduzido para português, O navio farol de Blackwater, já o havia demonstrado. Este livro, que vivamente recomendo (para leitura tranquila, num traquilo deleite de fim de semana) sobre o grande mester americano Henry James é uma confirmação da excelente prosa deste irlandês.

Se temos de pensar em tanta coisa má e preocupante, sobre o nosso futuro como país, por estes dias que, ao menos, nos demos a nós próprios um prazer de uma boas horas, passando páginas e saboreando... na angústia de não querer abandonar esta obra de Toíbín.
Posted by Hello

"Portugal no seu melhor"

Portugal é reconhecido como um dos países mais atrasados (económica, social e culturalmente) da União Europeia (antes e depois do último alargamento aos países de Leste).

Portugal é o país que mais necessita de fazer um esforço para se aproximar do patamar de desenvolvimento dos seus parceiros e concorrentes europeus.

No pós guerra (Segunda Guerra Mundial) diversos países, mais directamente envolvidos ficaram com o seus tecidos económicos e sociais destruídos, ou bastante danificados (com excepção de algumas indústrias directamente ligadas ao esforço de guerra). Foi o caso da Alemanha, da França do Reino Unido e da Itália e, ainda - embora de forma distinta e a ritmo muito inferior e, principalmente, com objectivos e pressupostos diferentes- os países de Leste, para além da Cortina de Ferro.

O enorme esforço de reconstrução é, hoje ainda, o pilar de grande parte da economia industrial dos países mais envolvidos naquela guerra absurda. Os padrões de comportamento laboral ficaram indelevelmente marcados naquelas sociedades.

Em muitos desses países o sentido de nacionalidade é tão forte que ainda actualmente pode por em risco grandes reformas como a entrada em vigor do Tratado Constitucional Europeu, levando a situações como a que, presentemente, se assiste em França com o referendo sore aquele Tratado.

Quando alguma coisa está em causa na defesa de interesses nacionais, enconómicos ou outros, assiste-se, nos países mencionados, e pode-se acrescentar a Espanha a essa lista a verdadeiras movimentações nacionais. A reais manifestações de nacionalismo.

O nacionalismo tem muitos defeitos, mas também algumas virtudes: impede ou retarda um desenvolvimento em comunidade, para além das fonteiras do país em causa mas permite, também, um sentimento de união e de luta pelos interesses nacionais.

Portugal é dos países com mais elevado número de Feriados, religiosos ou políticos. Uns e outros, em muitos casos ideologicamente opostos (feriados religiosos e outros de inspiração mais marxista até).

Portugal é também dos países com mais elevado absentismo, associado à mais baixa produtividade no contexto da União Europeia.

Ontem foi feriado de Corpo de Deus. Um dos dias religiosos mais significativos do calendãrio cristão. Mas portugal não é um país totalmente cristão. E mesmo sendo-o maioritariamente, a prática religiosa é apanágio de não muitos portugueses.

Os feriados como o de ontem são frequentemente utilizados para as fugas tradiconais para as regiões de praia, ou para visitas à terra.

Os feriados como o de ontem não têm a utilidade religiosa pretendida. Mas também não têm outra qualquer utilidade. (excepto a louvável recuperação de energias... de que também não sou adversário).

Mas agora pergunto: no actual contexto nacional, de crescente miséria social e económica, não deveríamos encarar estes feriados de outra forma? Não os aproveitando de forma perfeitamente instituída e automatica?

Dispensarmo-nos de fazer feriado e ainda pior, ponte, não seria mais proveitoso e louvável, porque mais contributivo para uma luta nacional por uma melhor produtividade?

O exemplo dos países que há sessenta anos sofreram a Guerra não deveria ser, para nós todos, algo que nos levasse a questionarmo-nos sobre esta nossa atitude nacional conjunta, de falta de sentido de luta nacionalista?

Ouvi um representante de um sindicato da Função Pública mostrar-se indignado com a eventual perda de previlégios da classe. Mas a garantia de emprego, por si só, associada à mais baixa produtividade de todo o tecido laboral português, não é um previlégio suficiente?

Dizer que a perda das regalias de assistência na saúde é colocar os funcinários públicos em desvantagem em relação aos privados, porque a maiorias das empresas tem um sistema de assistência médica para os seus funcionários- o que uma declarada mentira, quando o problema número um do Estado é precisamente o custo das remunerações dos seus colaboradores... é de uma irresponsabilidade atroz!

Na Alemanha, por diversas vezes os trabalhadores de diversos sectores, nomeadamente metalúrgicos sacrificam aumentos salariais e até aceitam perder relagias sociais, para assegurarem a manutenção do seu trabalho e a sobrevivência das suas empreas e do sector em que se inserem...

Quando mudamos a nossa atitude colectiva?

Mas numa coisa dou razão aos sindicatos e a muitos portugueses anónimos: a classe política não dá bons exemplos ainda suficientes (quando vamos saber da perda de regalias pelos actuais Deputados, membros do Governo e da Adminstração local? Quanto nos custam essas mordomias??? Continuamos a aguardar, já que sobre as anunciadas não sabemos se são para os futuros políticos ou se têm efeitos retroactvos...) e muito menos as gestores, ou empresários, que, hoje, por exemplo estão de ponte...

Uma boa ponte, para quem a faz!

25.5.05

O (des) Governo da teoria

(ia escrevendo por aqui abaixo e pluffff! rebentou-me o Firefox na ponta dos dedos e agora...e agora... perdidas aquelas primeiras palavras, ao fluir da mente- pouca-mente, mas alguma...- já nem apetece escrever o mesmo...)

Então o Sócrates (não me apetece chamar ninguém de Engenheiro ou doutor, desculpem-me, sou mais primário, como se costuma dizer da Direita, que é quem todo aquele que não se acha de Esquerda, segundo alguns papalvos...) sempre aceitou as medidas do Ministro das Finanças?

E fez muito bem. Pelo menos assim já o Governo pode dizer que fez alguma coisa. Já não era sem tempo. Mas fez mal. Isso é outra história...

Tantos anos de Estado despesista, imobilista, retrógrado (old fashioned é mais elegante, mas hoje estou mais básico, mesmo- hoje e sempre para os meus caríssimos amigos esquerdistas, dou-lhes essa de barato!), pesadão, improdutivo...

Tantos anos de empresas despesistas (embora aí com maior rigor na selecção de quem pode e quem não pode ser despesista), imobilistas, retrógradas, pouco produtivas, com gestões inadequadas, mais voltadas para a alimentar a ‘vidinha’ do gestor- com o handicap de ser dos mais bem pagos da Europa, faltoso aos seus deveres de contribuinte, doloso até, frequentemente...

E agora a solução, fresquinha e acabadinha de chegar da teórica Cátedra do Senhor Ministro: subam-se os impostos. Fácil! Estou a vê-lo(s) sentado (s) à(s) secretária(s) com a calculadora ao lado (mas desligada), uma folhinha de papel e duas a três linha escritas: subam-se os impostos- o IVA o ISP, sobre o Tabaco e sobre o álcool...e mais uns mais pequenitos. Uma assinatura (Professor Doutor tal e tal...) Pronto (prontos, é mais moderno...). Fácil! Estão a ver? E tarefa cumprida! Agora que se deslindem os outros: as empresas medievais portuguesas, os casais jovens aspirantes a classe média, os pobres, que cada dia são mais.

Até quando o aumento? Alguém diz? Pois era bom saber.

Resolvido o défice (sê-lo-á algum dia?) que fazer depois, que não se deva iniciar já, agora? Sem mais delongas!

Estas medidas lembram-me as empresas que, vendo reduzido o seu mercado, ou a sua base de clientes, sobem os preços, porque um iluminado gestor aplica assim, de régua e esquadro, as teorias da Faculdade. Resultado mais frequente: vende ainda menos e...fecha, passado pouco tempo, por não ter percebido a tempo que o mercado não aceita tudo. Não absorve tudo e não está disposto a tudo.

...não aceita e não está disposto a tudo senhor Ministro! (não fossem os empresários nacionais peritos em fugas a impostos...e agora mais altos, claro que vão pagar melhor, pois... com eles mais se preocupam é com essa entidade, para eles indefinida e nebulosa, chamada País...)

Mas irão ser feitos grandes esforços para melhorar a colecta (engraçado... não me lembro de ter algum dia resultado, sem que não fossem feitos 'descontos' e dadas benesses... contrário ao espírito do próprio aumento da carga fiscal)

Isto é do lado da receita ( do lado mais curto do Orçamento do Estado).

Do outro lado (do lado da despesa, como dizem os economistas...)
Que se vai fazer para se REDUZIREM as despesas públicas? Apenas a congelação de promoções? E de salários? Quanto vale isso tudo somadinho?

Com que contam as empresas, boas e más, nos próximos anos- que estão na imediata vizinhança destes malfadados anos onde ainda nos encontramos, recorde-se!

O Governo diz que vai anunciar medidas para estimular a economia? Não entendo...como?

Sou eu que não entendo...mas esperemos e, já agora, o meu vaticínio: no final do ano o défice será de mais de 7 %. Aposto até em 7,5 %. (Com o sou leigo e irresponsável- no sentido de não ser responsável num qualquer organismo fiscal ou económico- é o mesmo que apostar chegar primeiro numa corrida para a qual nem nos preparámos). Não?

Ou isso, ou estes governantes não são mesmo socialistas!

Aguardemos...

Mais pobres, infelizes e cépticos, mas aguardemos...

16.5.05

A dificuldade de um português ser optimista

Nos últimos tempos- anos- tem o nosso querido Portugal, andado por mares muito mal navegados, coisa que, no mínimo, não fica nada bem a um país de ancestrais marinheiros (mas também isto se tem vindo a esboroar, a perder, talvez em definitivo).

Num primeiro impulso, talvez pueril, ou consequência de uma análise superficial, sou tentado a dizer que os últimos tempos têm uns... quatrocentos anos (tendo o nosso declínio, se tivemos apogeu, se iniciado exactamente logo após a grande época das Descobertas). Mas, contendo-me, vou esforçar-me por assumir uma sensatez que se me torna cada dia mais difícil encarnar.

Limitemo-nos, pois, a uma análise de duas épocas: antes do 25 de Abril e os últimos dez anos.

Do “antes de Abril de 1974”...nem é preciso escrever muito, pois já muito foi dito, nem sempre a verdade, tal como a sentimos todos nós, os “sem nome”. Mas para esta minha reflexão, basta-me uma simples constatação: nem tudo o que de mau se passou se deveu a um homem apenas mas, também , a uma Igreja pactuante, a uma classe política entre colaboracionista e radicalizante, numa lógica de constituição de duas facções...de um mesmo povo, para um mesmo povo. Resultado: nem os governantes confiavam no povo governado, nem o povo se sentia bem- aliás sentia-se oprimido e era-o de facto- com tais governantes, corporativos, arrogantes... e muitos outros adjectivos que muitos, bem mais informados e iluminados do que não se cansaram, e não se cansam ainda hoje de repetir, à exaustão.

Inquestionável!

Resultado: Portugal não avançou social, política, económica, religiosa e – o que mais me preocupa, por se tratar de um motor de tudo o demais- culturalmente. Direi até que a Portugal lhe sobrou em atraso o que lhe era desejável em avanço.

Tantos anos depois – á escala de uma vida, pois em termos nacionais, convenhamos que trinta anos nem não muito, para um país com mais de oitocentos- em que ponto estamos nós?

Economicamente é incontestável reconhecer avanços reais. Não tanto quanto desejaríamos, e muito menos do que outros, agora parceiros e concorrentes simultaneamente, lograram. Mas houve avanços, principalmente em termos de melhor distribuição da riqueza, mas precisamente neste capítulo temos ainda um longo caminho de aproximação a uma paridade europeia.

Socialmente...bem ou estou míope- coisa normal ...- ou nem sei se avançámos!

Politicamente, é óbvio que houve avanços, por alguns designados de “conquistas”, por lhes ser própria a linguagem castrense de que acusam outros.

Mas, neste âmbito quero deter-me um pouco mais: Após um líder forte, mesmo que não consensual, mas na realidade, eficiente, que foi Cavaco Silva, Portugal escolheu para Primeiro-ministro um político que se lhe apresentava como um homem de diálogo e consenso, mas que se veio a notabilizar pela falta de capacidade de decisão, porque as decisões poderiam ser-lhe desfavoráveis, por impopulares- Guterres, no seu melhor, como sabemos.

Nem pretendo debruçar-me sobre os breves Governos (sugestão: ler O breve reinado de Pepino IV de Steinbeck) de Durão Barroso, nem de Santana Lopes, pois pessoalmente tenho dificuldade em analisar tão efémeras acções. Posso, de forma curta e sucinta- e injusta, obviamente- considerá-los de pouco efectivos e um tanto trapalhões.

Agora estamos novamente num período de maioria absoluta.

Maioria de um partido que sempre acusou a anterior(s) maiorias, adversárias políticas, de arrogância, precisamente por má utilização dessa larga expressão parlamentar.

Maioria que acusou Cavaco Silva de, durante as suas maiorias absolutas se ter tornado arrogante, insensível à expressão popular e principalmente à actividade jornalística- que vive exactamente da caça às notícias da política nacional.

Esta actual maioria acusava Cavaco de silêncio abusivo, por “ter de prestar contas” e ter de “ser fiscalizado”. Houve até quem abordasse o perigo de uma nova ditadura- e esta menção veio precisamente do Presidente da República da altura, Mário Soares.

Esta maioria, talvez pelo fascínio secreto que o actual Primeiro-ministro nutre por Cavaco Silva, ensaiou agora um estilo de governação e de relacionamento com a sociedade portuguesa, com a imprensa e com os adversários políticos, bem mais arrogante e de secretismo do que Cavaco foi capaz.

Que críticas tem sofrido da mesma comunicação social que antes acusava e detestava Cavaco? Nada!!! Mas, sejamos claros, estão no seu direito. Embora isso mau profissionalismo, estão no seu direito. Como eu estou de não os ler ou ouvir.

Atrevo-me a comparar esta fase da nossa vida comum com a de Salazar: para mim, Sócrates daria um bom Salazar, noutra época...
Sócrates atira-se aos adversários, na Assembleia da República, como se desejasse que ali não estivessem, com raiva, agressiviade e arrogância. (" o PS tem a sua agenda..." diz e repete, Jorge Coelho).

Se uma estratégia não lhe corre bem actua em resposta com a mesma arrogência e agressividade, em tom revanchista- caso do referendo sobre o aborto.

Muda tudo e todos os que com o partido anterior tem a ver -caso das dministarções dos Hospitais, Governos Civis, etc...("fazem o mesmo que fizeram os outros", dizem-me alguns amigos; não percebo, eles não se dizam diferentes?!).

Coloca-se uma mordaça na comunicação social, agora de forma mais eficiente, através de lobbies e (tráfico de) influências. Ou não? É excesso meu? Nem o Governos fala, nem dele se exige nada...estranho! Há ministro que nem ainda apareceram - estão na fase dos projectos, os famos projectos socialistas, de que já se ufana o candidato deles a Lisboa. Projectos sim, realizações logo se vê.

Até vim um Prós e contras só com socialistas...que giro! Os outros, essa raça detestável e inferior, não culta dos outros, ou seja os não socialistas, estavam apenas no público e chega!Que sucedeu entretanto? Sócrates fala pouco e, diz J. António Saraiva, no Expresso, “quem fala pouco, erra pouco” Como???? Que tem a ver falar, muito ou pouco com eficência?

Sócrates podia falar pouco e de facto ser eficiente, mas analisemos um facto da maior importância e verdadeiramente condicionante do nosso futuro próximo: Campos e Cunha, o Ministro das Finanças foi aconselhado a alterar os seus planos para 2005. Nada de aumentos de impostos (seria impopular e dá poucos votos e assim pode arredar o PS do Governo); Nada de aumentar os impostos dos combustíveis (seria, também impopular e dá poucos votos e assim pode arredar o PS do Governo...). Não pode haver redução de efectivos da Função Pública (seria ainda mais impopular e... dá poucos votos e assim pode arredar o PS do Governo...)

Parece de pouca monta, mas isto a seguir assim, já me disse tudo sobre as nossas possibilidades de recuperação económica nos próximos anos.

Se não tivermos uma economia saudável, a crescer, com contas de boa saúde, que nos permitam viver um dia-a-dia melhor, com esperança, como europeus, afinal, como havemos de ter ânimo para pensarmos em tudo o resto. E no resto está, na verdade, o mais importante de tudo: a cultura.

Se um dia formos mais cultos, também havemos de fazer melhores escolhas políticas e não esta coisa de colocarmos no Governos arrogantes incompetências como estas dos últimos tempos.

Mas vou ainda ser positivo: vou acreditar ainda, neste Governo. Vou ser mais crente, que é uma atitude mais religiosa do que cultural ou política e de científica não tem nada. Apenas fé e nada mais!

11.5.05

A importância de LER: uma análise superficial



Para que fiquem mais claras algumas ideias, antes de me enveredar pela reflexão a que me proponho, quero começar pelos seguintes pressupostos:

Primeiro ponto: Para vivermos e sentirmo-nos bem, não é fundamental termos gosto pela leitura. Tudo depende das nossas expectativas, em relação à vida, ao que se quer e espera dela. E do nosso relacionamento com o meio em que nos inserimos.

Segundo ponto: Para sermos informados, não é fundamental lermos livros. Aliás, uma grande parte da informação flui hoje com velocidade tal que não se compadece com o ritmo da feitura (escrita, revisão, proposta a editoras, impressão, distribuição, ...etc) de um livro. Hoje, o ritmo e a frequência informativa são de tal ordem que tudo nos chega mais rápido do que a informação contida num livro (partindo do princípio que esta será relevante, formativa e contribuinte real para a cultura individual). As notícias chegam ainda mais rápido do que o tempo de uma viagem, mesmo de avião. E nem sempre assim foi.

Terceiro ponto: Será mesmo fundamental termos a preocupação da aprendizagem? Da evolução cultural e formativa, individual?

Se tudo isto acima referido é verdade, é apenas parte dessa mesma verdade. Para mim, entenda-se.

Podem-se ler jornais, revistas, notícias pela internet, blogues e outros meios próximos, mais ou menos enquadrados no que designamos de imprensa, ou media.

Pode-se (e é real) aprender em conversas de café, de família, em viagens, etc. è verdade também.

Mas façamos a reflexão sobre a verdadeira importância dos livros.

Um livro- principalmente se for bem construído, estruturado, bem escrito, com originalidade, ou seja algo inovador, informativo do ponto de vista cultural e pedagógico- pode ser um meio bem diferente, porque mais marcante, porque o seu efeito será mais permanente, menos efémero, do que um artigo de jornal ou revista ou do que um artigo (post) de um blogue.

Uma boa história, que nos faça prender à leitura por muitas horas, dias ou semanas, tem, para além do efeito do seu conteúdo e do seu impacte (como acima referido), também um efeito no nosso comportamento. Leva-nos a uma concentração, a sentirmos emoções que podem variar de dia para dia, de hora para hora, tem efeito também na nossa atitude cultural- pois a reflexão que nos possibilita é incomparavelmente superior á de um artigo de revista ou jornal. E ensina, um livro ensina.

E. voltando ao ponto três, se um livro nos ensina, muitas coisas novas, então já é positivo. Muito positivo. E aprender, sempre, pela vida fora é, tenho-o para mim como ideia básica, uma coisa muito, muito importante.

Mas, os livros também podem ter efeitos perversos, negativos. É lógico que sim, se forem maus...e há-os muitos por aí. Só que esta presunção não nos deve inibir de procurarmos o que é bom.

Agora vejamos, de forma superficial embora, o que se tem feito pelos livros em Portugal.

Constituíram-se benefícios fiscais para tantas coisas e produtos em Portugal: produtos bancários, produtos relativos à educação e à saúde.

Mas, num país onde se lê, ainda, tão pouco (embora o cenário esteja a melhorar) não se deveria pensar noutras formas de promover o Livro? Por exemplo, dando a possibilidade de utilizar valores de aquisição de livros, para deduções fiscais, no IRS acima de um dado valor; ou por escalões; ou ainda, por géneros literários (estabelecendo códigos que seriam logo à venda introduzidos nas facturas das livrarias).

Por mim, poucas coisas me dão tanto prazer como a leitura de um BOM LIVRO. As experiências, sensações e novos conhecimentos que um livro me possibilita são inigualáveis. Nem um concerto, nem uma viagem, nem uma conversa, nem um curso, nada se compara à leitura, senão de um, de um conjunto continuado de livros e leituras.

Um dia gostava que esta doença se espalhasse, como epidemia, pelo meu país fora...
( países com a Alemanha, Áustria, Itália, Reino Unido, podem gabar-se de estarem doentes...)Posted by Hello

10.5.05

A nova mania dos desafios

Há algum tempo que me questiono sobre o que motiva alguns dos mais assíduos (diariamente frequentadores) escrevedores (escritores/as??) dos blogues portugueses a se desafiarem mutuamente... a questionários, textos e outras coisas mais.

Será instinto infantil?
Será a procura constante por uma constante frequência dos seus blogues, pelos seus leitores? A mania do "sitemeter"?

Interessante...

Porque não, apenas, escrever livremente? A forma, aliás, mais segura de se ser livre? Pensar e exprimir (não expressar, como agora é frequente ouvirmos e lermos) livremente, seguindo, assim a natureza e originalidade da "filosofia" (termo exagerado, diga-se) da blogosfera.

Há por aí muitos escrevedores de blogues que encaram isto como se de um jogo - do género dos que se podem fazer em fins de semana com amigos ou família, à laia de "passatempo" (quando a conversa ou a leitura é demasiada para certas cabeças...) - se tratasse.

Enfim...há gostos para tudo, mesmo que maus.

E também há pobreza de (espírito) de escrita.

Mas que o contador vai rodando, lá isso vai...

5.5.05

Lê-se mais...

Tenho lido que se lê mais, agora (interessante frase...) em Portugal.

Espero que sim, sinceramente, eu que me arrepio quando assisto a cenas da nossa via provinciana, diariamente, em todo o lado.
Nas ruas, nos cafés, nas empresas, nos espectáculos, na TV (mas desta não posso dizer muito pois sou mau cliente)

Lê-se mais e espero que se leia MELHOR.

Com espírito crítico, com profundidade, para retirar da leitura uma aprendizagem, uma experiência nova, ideias, sensações.

Para que a leitura mostre a todos os que agora se acrescentam, todos os dias, pouca a pouco, ao clube de leitores reduzido, ainda de Portugal, se torne mais culto, mais informado, mais exigente consigo e com os outros.

Espero que esta senda continue. Que esta Onda se alastre e se agigante.

Que nos renovemos por dentro, para darmos aos outros mais e MELHOR de nós.

Mas agora resta saber se temos muitas editoras à altura do que Portugal necessita neste campo. Muitas editoras, sei que temos. Editoras boas...algumas, sim...mas suficientes?

Boas leituras!