7.9.04

Egoísmo ou pequenos luxos entre desgraças

No passado Domingo, com as desgraças de mundos muito piores do que o nosso, de vidas bem doloridas, como o horror do terrorismo e da força brutal, que se passou na Ossétia do Norte, como a que persiste em continuar no Iraque, na Palestina e não menosprezando a estupidez espalhafatosa nacional de barcos e contra-barcos de aborto , fui deleitar-me à beira-rio, numa das bonitas e escassas esplanadas que temos junto ao Tejo.

Tentando ler um pouco de um livro de Verão, do Grisham, sempre assaltado por perturbações destas "nossas" últimas notícias, lembrei-me, uma vez mais de como a cidade de Lisboa bem poderia saber aproveitar a sua zona ribeirinha e não o faz.

Não o faz por egoísmo de uma Administração do Porto de Lisboa que em jogos de poder com a Câmara desta cidade, não consegue fazer avançar projectos de aproveitamento para lazer, turismo ou o que quer que seja, para aquela zona?

A juntar a isto, há cafés ou esplanadas que conseguem praticar preços quase europeus, naquela bonita margem do rio. Será por que lhes são impostas condições de exploração exageradas e descabidas, para uma cidade que ainda não se pode gabar de ser Paris, Berlim ou Zurique? Será por sua unilateral iniciativa? Será uma política comercial (quase) elitista?

Mas pena mesmo faz-me que ao lado de tais esplanadas ou outros estabelecimentos de restauração, persistam espaços pouco cuidados e vigiados, com relvados degradados, sujos de "presentes" caninos, onde muitas crianças aterram frequentemente, fazendo subir a revolta de pais que ali foram para se darem a si mesmos merecidos momentos de prazer...e levam para casa lindas recordações...

Veremos algum dia surgirem novos espaços, consentâneos com a nossa realidade social e económica e que verdadeiramente ofereçam aos lisboetas e seus visitantes, momentos inesquecíveis como os que o rio, o sol, a luz branca única da cidade, a temperatura amena...teimam em dar a todos?

Desculpem-me este despropositado egoísmo pessoal, face a tantas misérias de outros locais e culturas!

6.9.04

Da corveta à opereta: Miguel Sousa Tavares no Público

Na Sexta-feira li o artigo do Miguel Sousa Tavares no Público (queria fazer o 'link' aqui, para o artigo, mas não encontrei o artigo no Público...).
Gostei muito. Uma equilibrada reflexão sobre a novela do barco holandês, dos vasos de guerra que lhe barraram a entrada em Portugal e sobre outros temas.

Ainda hei-de voltar a estes assuntos.

2.9.04

Histórias de encantar- A pequena história dos três gatos- história da típica empresa familiar portuguesa

Eram três. O gato pai e dois filhinhos. Ou um filhinho e uma linda filhinha, não interessando aqui qual sexo do bichano. Quando ainda pequeninos (há quem diga que serão sempre) ocupavam-se a correr, ameaçar-se um ao outro, que eu te arranho, tu vê lá, dizia um, que eu te roubo o leitinho, dizia o outro. O pai, sem dúvida, que era quem mandava. Mas apenas isso, coitados dos gatinhos.
Mais tarde, crescidinhos (há quem diga que não verdadeiros gatos adultos, não é importante também, afinal) continuam, agora com mais manha (típica de gatos, diz-se) a tentar arranhar-se e ainda persistindo um em ir ao pratinho do leitinho do outro. O pai, que sabia, não só deixava, como incentivava, umas vezes a um, outras a outro, que vencesse o mais forte (não é essa natureza das coisas? Não é assim que tudo deve ser e acontecer? Em tudo, na vida. Só o mais forte vencerá!).
Mas não havia modo de aparecer um mais forte do que o outro. Em lugar da força, crescia a manha, a verdadeira e genuína manha de gato, perdão, gatinho, que a todos à volta encantava, pensavam eles (e não apenas dentro dos limites do seu pequenino reino, mas também, ao mundo, sim porque não encantar todo o mundo, se eram tão ágeis no uso e ebuso da sua principal arma secreta, a manha, a suprema arte do faz-de-conta ) como sinónimo de destreza intelectual (inteligência, até, talvez). Todo o bicho que andava lá pelas bandas do seu pequeno beco, ou recantos do seu lindo quintal, ou se entendia com a subtileza refinada daquela manha, daquela refinada vida nas sombras, daquela arte, é isso.
Os gatos têm sete vidas, todos sabemos, e por isso, todo o mundo teria de entender com eles, melhor, teria de se resignar ao seu poderio, por muito e muito tempo, o mesmo é dizer por uma eternidade.
Mas mesmo com sete vidas, pois sete não oito, o gato pai um dia havia de se finar. Que aconteceria aos gatinhos, tão cuidadosamente educados na sua suprema arte de a todos encantar e, desculpem-me enganar...
Mas não, essa parte da história ainda terá de ser contada, muito provavelmente por outros bichos que ainda sobrevivam. Não tem lugar aqui, agora.
Miauuuuu!

music of promisse

"(...)
And the beauty of the pearl, winking and glimmering in the light of the candle, cozened his brain with its beauty. So lovely it was, so soft, and its own music came from it- its music of promisse and delight, its guarantee of the future, of comfort, of security. Its warm lucence promised a pultice against illness and a wall against insult. It closed a door on hunger(...)
(...)And they began this day with hope"

Steinbeck, "The Pearl"
eu sou o culpado...

aborto de novo: agora entrando no tema

Mas afinal, clarifiquemos...
Aborto ou não, não me parece que seja o tema, a questão. Agora, a lei que regula tais coisas, poderá ter sido demasiado condicionada por opiniões públicas mais ou menos manietadas...e manipualdas. Por que há sempre manipulação em política, ou não? E nem sempre isso tem significado negativo.
Mas neste caso, que custa saber que alguma mulher, uma apenas, pode ser condenada por tar feito aborto, custa. É difícil de aceitar. Como é o aborto em si.
Mas isto também já sabemos, muitos de nós, ou não? Se calhar, nem todos... e aí é que continua a resudir o problema.
Nada de novo até agora.

Mas daqui a algum tempo, lá está... anos... com outro povo, que este que somos todos nós, tem prazo certo, claro. E virá um melhor, só pode ser.
E, então, algo de novo, de uma vez, acontecerá... nesta nossa frente, com um mar tão inspirador.
há sítios assim...

1.9.04

questões de aborto e aborto de questões, e questões de senso (bom, mau)

O título não pretende ser de mau gosto, mas apenas, digamos, o mais elucidativo...veremos.
O texto do blog (o vento lá fora)* é obviamente excelente e de bom senso. Já não é de bom senso esta coisa, melhor, esta mania, de nos separarmos todos uns aos outros. Eu sou de boas famílias, tu não és, eu sou de esquerda, tu és conservador, eu sou pelos bons costumes, eu sou pelas liberdades (ahn?? não somos todos? continuamos na mesma ideia de que a defesa da liberdade só pertence a uma parte da nossa sociedade? bahhh, ou melhor duuhhhh, como dizem os meus filhos) eu sou pelas tradições, porque isso é estar certo, tu és contra elas e, por isso, um anarca, etc.
Que falta de paciência! Haverá cada vez menons gente normal?
Agora é o aborto, embora nem isso seja verdade, como hoje, com BOM SENSO, bem explicou Santana Lopes. Mas tanta histeria para quê? Ainda não se cansaram de ser notícia? De fazer notícia? Por favor, cansem-se, antes que nos saturem a nós.
Agora é o aborto, ou o barco que dizem ser dele, para a semana será o quê? Uma casa que um ministro comprou e não pagou a Sisa completa? Ou um dos do processo Casa Pia afinal também foi responsável pelos incêndios do Verão, pois se devia estar na sua residência foi, contra tudo, ver quando chegava o barco do aborto, na casa do tal ministro que não pagou a Sisa e, por incúria, fumava num bosque (paisagem protegida onde se enquadra a tal 'casinha'- não a da Maria de Belém que todos sabem estar no Parque de Sintra- Cascais, essa não credo!- e 'prontos' deixou cair a beata (verdadeira, não daquelas da moral e bons costumes, defensoras das boas tradições, como touradas, etc...) lá se pegou fogo...
Ufaaa, que me faltou o fôlego.
Mas temos de continuar, pois isso é que são BOAS tradições. Continuar, a SER de ESQUERDA, que isso é que ser bom, ser Direita que isso é que ser de BOM TOM. Escolhamos, então todos os nossos clubes, como no futebol. Claro. Nunca ninguém me explicou o que é ser do Benfica ou do Porto, ou Sporting, se todos os anos ou em ciclos mais ou menos frequentes, os clubes mudam (quase) por completo e os qua lá estavam antes , já não estão mais.
Escolhamos então, como as crianças, que definem, e muito bem, que não gostam de ervilhas e até as ouvimos dizer, a algumas crianças grandes, eu nunca gostei de ervilhas, nem em pequenino(a)...
Escolhamos todos de vez, se somos defensores de uma boa, bela estóica valente e com orgulho tradição tauromática. E então se assim nos posicionarmos, teremos concumitantemente de ser contra o aborto, ou contra qualquer coisa que aborde o aborto (bela língua portuguesa, agora a sério) e não aborte o tema (estão a ver com o é fantástica a nossa língua, isso sim que devemos activamente defender, utilizando-a, em todo a sua vastidão? Pela Igreja, incondicionalmente, pelo profundo e crescente fosso entre os que mandam e os que são mandados (há gente que nasceu para uma coisa, e outros para outras, então não é lógico?) e outras coisas mais, de bom tom e famílias e tradições, uffff! Ah, e nunca seremos intelectuais, claro, claro...claro.
Ou se formos contra, por exemplo as touradas, então nãos e pode esperar outra coisa, que, obviamente ser de esquerda, contra as touradas, contra a Igreja (a romana, que das outras nem se fale!. E neste grupo seremos mesmo sempre intelectuais, mesmo que...estúpidos.
É isto. Não há nada mais de novo a acrescentar. Já está tudo feito, assim mesmo. Uns de um lado, outros, do outro, completamente do outro, totalmente.
É vermo-nos nas ruas todos os dias. Está na cara de cada um, uns são contra outros, contra esses que são contra (o que nem sempre é ser a favor). Então não é notório e evidente? Vê-se logo.
E continuemos a dar olhos e ouvidos aos nossos fabricantes de 'casos' e notícias, que não sempre os 'media' note-se.
Nada de novo, onde tanta gente insiste em ser 'velho' (não em termos etários, que isso é uma inevitabilidade respeitável)
Nada, ou muito pouco!